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Mal-estar, Sofrimento e Sintoma | Christian Dunker — Transcript

Christian Dunker analisa o mal-estar, sofrimento e sintoma na sociedade brasileira à luz da psicanálise e da história cultural do país.

Key Takeaways

  • O mal-estar e o sofrimento são categorias essenciais para entender a condição humana e social no Brasil.
  • A psicanálise oferece ferramentas para interpretar tanto sintomas individuais quanto problemas sociais.
  • A exclusão do outro e a tentativa de definir a normalidade são temas recorrentes na história cultural brasileira.
  • A miscigenação e a universalidade do sujeito são traços centrais da brasilidade valorizados pela psicanálise.
  • O reconhecimento social é fundamental para a transformação do sofrimento coletivo e individual.

Summary

  • Freud propôs o conceito de mal-estar na civilização, que aborda o sofrimento humano diante das limitações sociais e internas.
  • O vídeo discute a relação entre sofrimento individual e sintomas sociais contemporâneos como depressão e ansiedade.
  • Machado de Assis, em 'O Alienista', é usado como metáfora para a exclusão social e a tentativa de definir a loucura no Brasil.
  • A chegada da psicanálise no Brasil nos anos 20 e 30 coincide com debates sobre identidade nacional e miscigenação.
  • Contra o racismo psiquiátrico da época, a psicanálise é vista como uma teoria universalista que valoriza a mistura cultural brasileira.
  • O conceito de caráter nacional brasileiro é explorado como resultado das batalhas históricas e conflitos sociais.
  • Nos anos 60, o diagnóstico do Brasil muda para um foco no atraso econômico e social, influenciando a psicanálise e psicologia locais.
  • A psicanálise institucionalizada enfatiza o desenvolvimento humano, especialmente infantil, como chave para o progresso social.
  • O sofrimento é discutido como uma experiência compartilhada que depende do reconhecimento social para sua transformação.
  • O vídeo propõe ampliar o conceito de diagnóstico para incluir sofrimento e mal-estar, não apenas sintomas a serem curados.

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00:00
Speaker A
[Música] [Aplausos] [Música]
00:53
Speaker A
Em 1929, Freud propôs ao mundo uma grande reflexão com o seu texto "Mau-estar na civilização", onde elencou situações de impasse que levam o ser humano a sofrer: o declínio natural do corpo, as imperfeições das nossas leis e as exigências internas de satisfação.
01:17
Speaker A
Há mais de 100 anos, a questão do sofrimento gerou o nascimento da psicanálise. Hoje, ela nos ajuda a compreender o mal-estar presente na nossa sociedade contemporânea: depressão, ansiedade, compulsões e tantos sintomas individuais somados à insegurança, intolerância, isolamento e tantos outros sintomas sociais de nossos dias.
01:40
Speaker A
O que tudo isso revela sobre a nossa forma de viver? Sintoma, como eles podem indicar caminhos para transformação, tanto pessoal quanto social? Esse é o tema desta série do Café Filosófico.
02:00
Speaker A
Gostaria que fosse uma conversa sobre o Brasil, né? Ou uma psicopatologia do Brasil entre muros, para discutir e apresentar essas três noções: noção de mal-estar, noção de sofrimento e de sintoma.
02:22
Speaker A
A nossa vida está cada vez mais atravessada por diagnósticos, né? Diagnósticos na escola, diagnósticos na justiça, diagnósticos nas empresas, né? A gente está continuamente sendo diagnosticado, sendo exposto a avaliações.
02:42
Speaker A
Então, a nossa proposta é que talvez a gente devesse ampliar um pouco o conceito de diagnóstico, para deixar de se focar apenas nos sintomas, né, naquilo que vai mal, naquilo que deve ser curado, mas incluir também no nosso raciocínio diagnóstico o sofrimento e o mau-estar.
03:03
Speaker A
O sofrimento como uma categoria social, né? Foram os sociólogos que primeiro pensaram sobre esse tema, né? E o mal-estar como uma categoria existencial, uma categoria filosófica, né? Mal-estar diz respeito à nossa condição no mundo.
03:25
Speaker A
O Brasil vai ao divã. O que seu sofrimento e mal-estar podem nos revelar sobre ele? Nosso país já foi analisado por sociólogos, historiadores e escritores que pensaram sobre quem somos e traçaram algumas características de nossa brasilidade.
03:44
Speaker A
Em 1881, Machado de Assis ousou pensar o Brasil entre muros. Do conto "O Alienista", nele o médico Simão Bacamarte queria purificar o espaço público internando os loucos da pequena vila de Itaguaí e disse, doutor: "Suponho o espírito humano uma vasta concha. O meu fim é ver se posso extrair a pérola que é a razão, por outros termos demarquem definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí, insânia, insânia e só insânia."
04:05
Speaker A
Ele então segue classificando as pessoas com diversas psicopatologias, como amor às pedras, aqueles que têm apego excessivo às suas casas; demência dos touros, os que só desejam vingança; mania suntuária, obsessão por andar na moda. E assim, o Alienista tranca e isola a população e se vê sozinho do lado de fora.
04:26
Speaker A
Surge então a questão: quem são os loucos afinal? Talvez fosse melhor libertar todos, e ele se fechar sozinho no asilo. A obra "O Alienista" é uma alegoria de uma diagnóstica social sobre uma mania que temos: a tentativa de exclusão do outro, daquele que é diferente.
04:48
Speaker A
O que o Machado está fazendo é uma espécie de diagnóstica social, né? E ele está ironizando a nossa mania de localizar um problema assim no outro e excluir este outro. Temos aí um exemplo de como ele já começa um pensamento de interpretar a nossa loucura, né?
05:09
Speaker A
O segundo capítulo que a gente pode adicionar nessa história diz respeito à própria presença, à chegada da psicanálise no Brasil, né? Por que a psicanálise, assim, no Brasil, ela floresce como um mato? Psicanalistas por toda parte, né? Falando nos cafés, escrevendo nos jornais.
05:31
Speaker A
Ocorre que no Brasil a psicanálise chega justamente nesse momento em que, durante os anos 20 e 30, o Brasil começa a pensar-se a si mesmo. É porque naquela época, anos 20, anos em que começam então as vanguardas modernistas, a gravar no país ideias como: seria o Brasil um país viável?
05:49
Speaker A
São pessoas que dizem assim: o Brasil não vai dar certo em 1920, hein? E não vai dar certo mesmo, né? E só pode dar certo, Nina Rodrigues, né? A psiquiatria mais positivista só pode dar certo se a gente se tornar um país branco. Já pensaram nisso? A gente defendendo publicamente essa ideia: o Brasil precisa se branquear.
06:09
Speaker A
Na medida em que ele vai se misturando, o que acontece? Existia uma psiquiatria na época que dizia isso, e ela vai se pautar no cruzamento entre as raças como algo não só moralmente suspeito, mas medicamente indesejável.
06:27
Speaker A
Bom, o que é isso? Isso está baseado numa antropologia que a gente chama de particularista, né? Então, há uma raça, uma determinada subjetividade; a outra raça tem outra subjetividade. Então, a gente não pode misturar porque daí, vamos dizer assim, dá problema, né?
06:47
Speaker A
Contra esse discurso, a psicanálise é bem recebida, né? Na pena de Mário de Andrade, na pena de Oswald de Andrade, porque eles vão dizer: não é nada disso, né? O sujeito é universal, né?
07:05
Speaker A
É justamente na mistura, na antropofagia, na nossa arte de devorar outras culturas que a gente se torna brasileiro. Isso não apenas não é patológico, mas isso é o nosso traço, vamos dizer assim, de brasilidade, né?
07:23
Speaker A
De onde veio essa ideia? De onde Oswald de Andrade tirou essa ideia? Isso é textual lá no Manifesto Antropofágico. Isso vem do Freud, né? Vem de um livro do Freud chamado "Totem e Tabu", que Oswald leu e disse: puxa, mas então existe uma única antropologia para todos os povos, para todas as culturas, para todos os seres humanos, né?
07:41
Speaker A
Vamos deixar de lado essa hipótese das subjetividades divididas.
07:57
Speaker A
Bom, é justamente nesse momento que aporta por aqui essa ideia assim muito nova, chamada psicanálise, né? Então, ela vai estar presente no Gilberto Freyre, tem toda uma teoria da sexualidade nesse autor; ela vai estar presente no Sérgio Buarque de Holanda, na ideia do homem cordial. Isso passou pela psicanálise.
08:17
Speaker A
Ela vai estar presente na formação da nossa psiquiatria, dos nossos asilos, dos nossos hospitais psiquiátricos, né? E ela vai estar presente como um fator no debate de ideias a partir então dos anos 40, dos anos 50. A discussão sobre o diagnóstico do Brasil já encava a psicanálise, e ela começou a se concentrar em torno de um conceito que é um conceito meio lateral para a psicanálise, que é o conceito de caráter.
08:32
Speaker A
Então, a gente tem uma série de trabalhos explorando o que seria o caráter nacional brasileiro, né? Dante Moreira Leite, um trabalho clássico em psicologia.
08:52
Speaker A
Caráter, gente, é uma noção que a gente pode associar com a história dos nossos conflitos, né? Como é que se forma o nosso caráter? O nosso caráter tem menos a ver com os valores e tem mais a ver com as batalhas que a gente enfrentou, né? O caráter são assim as nossas cicatrizes.
09:05
Speaker A
Chegando aos anos 60, vai haver um deslocamento do nosso diagnóstico, né? Quer dizer, nós deixamos para trás essa discussão sobre mistura ou não mistura. Nós assumimos isso como parte da nossa identidade, né?
09:23
Speaker A
É o momento então que o Nelson Rodrigues vai dizer que nós sofremos de complexo de vira-lata, né? Que é o vira-lata. O vira-lata é uma mistura, é o crioulo, né? É o momento em que alguns sociólogos vão falar em democracia racial.
09:39
Speaker A
Bom, nesse momento então muda-se o diagnóstico. Nós não estamos mais sofrendo em função do nosso caráter, melhor ou pior, mas nós estamos sofrendo em função do nosso atraso.
09:56
Speaker A
É época então que nasce um grande discurso, um discurso econômico, um discurso moral, de que o Brasil, de novo, né, só vai ser viável se ele se desenvolver.
10:11
Speaker A
Na mesma época, vejam só que curioso, começa a se implantar no Brasil uma psicanálise mais organizada, mais institucionalizada, e os principais teóricos, né, não só na psicanálise, mas também na psicologia, as principais teorias vão enfatizar o quê? O desenvolvimento.
10:30
Speaker A
É o momento então que a gente começa a estudar maciçamente as crianças, né? Porque elas aprendem, porque que não aprendem, surgem uma série de práticas em torno do quê? Do desenvolvimento de pessoas.
10:50
Speaker A
Tem uma espécie de, vamos dizer assim, homologia entre essa grande ideia do desenvolvimento econômico e a pequena ideia, a ideia correlata do desenvolvimento.
11:06
Speaker A
espécie de Eh vamos dizer assim homologia entre essa essa grande ideia do desenvolvimento econômico e a pequena ideia a ideia correlata do desenvolvimento individual né bom isso prossegue né esse diagnóstico ele ele vigora até o um momento em que ele
11:32
Speaker A
passa por uma espécie de mutação né que poderia ser esse momento de iato na nossa história né que é chamado o golpe o golpe militar de 64 e que eh Se a gente fosse considerar então o Brasil como como um sujeito né o Brasil como um
11:49
Speaker A
paciente a gente diria aqui a gente tem um pedaço mal digerido da nossa história né outros países passaram por momentos análogos né na América Latina na África mas todos eles logo depois desse interstício fizeram uma espécie de ajuste de contas e muito tempo né em que
12:09
Speaker A
nós deixamos esse ato né na nossa história eh desativados né bom ã isso forma sintomas né a gente sabe que eh uma uma época que não é propriamente elaborada cujos conflitos não são postos cuja história não é propriamente feita
12:33
Speaker A
cujos eh cuja violência não ah não foi propriamente pesada isso pode ter tido um fim linear né quer dizer acabou assim num enquanto regime de estado mas isso deixa marcas [Música] a história recente do Brasil traz marcas profundas e ainda não digeridas dos
13:13
Speaker A
tempos da ditadura militar um período em que a repressão não permitia a livre expressão mas chegava a nós a influência da grande efervescência cultural francesa de um lado e o avanço do neoliberalismo econômico norte-americano de outro um contexto mundial de fortes
13:33
Speaker A
mudanças em um ambiente Nacional de opressão a elas em 1965 ã a França as vésperas da da de maio de 68 né Eh passa por um momento de grande efervescência cultural surge um uma nova onda no cinema chamada no Vel vag né um dos seus
13:56
Speaker A
grandes representantes e jean-luc godar né que em 1965 traz um filme né Faz um filme eh que dá um pouco assim de continuidade ao 1984 do George orwell né um tipo de filme que é ao mesmo tempo diagnóstica
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Speaker A
social né esse filme chamava-se justamente Alfaville né Alfaville é a história de um mundo futuro né um mundo perfeito né onde eh as pessoas viviam então de forma planejada né numa espécie de de lugar assim protegido entre Muros
14:39
Speaker A
e tudo era muito bem calculado né mas havia algumas regras né entre essas regras eh a proibição de mencionar usar aludir qualquer palavra que referisse a sentimentos afetos ou emoções não só a moral do filme né quer dizer o preço que
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Speaker A
a gente tem a pagar para que as coisas funcionem é de alguma maneira uma desumanização é uma precisamos excluir alguma coisa como o Simão bacar Mart excluía o amor das Pedras ou jeanl godar dizia precisamos pôr de fora os afetos
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Speaker A
ninguém pode mencionar emoções não se pode viver sentimentos Então vem um aparece um tetive né que vai tentar enfrentar esse monstro e o e o chefe né o gerente geral dessa dessa pequena cidade e é um filme então que a gente
15:39
Speaker A
chama um filme sobre distopia né sobre um futuro que não é legal né um futuro que realiza uma série de coisas que a gente gostaria de ver realizados mas que é ao mesmo tempo uma espécie de inferno e no Brasil né Nós estamos aí em pleno
15:57
Speaker A
iato né em pleno momento de silenciamento né de privação de liberdade né que é o momento do golpe militar e surge um novo sonho de consumo né surge uma uma nova plataforma que que deveria começa a ocupar a fantasia dos
16:20
Speaker A
brasileiros né um sonho que ao mesmo tempo então Eh seria a realização acabada de um caráter bem feito né né um sonho que seria a realização de um projeto de desenvolvimento de crescimento né de realização social e de civilidade e
16:41
Speaker A
nesse contexto então surgem os primeiros condomínios brasileiros Ilha do Sul um condomínio vertical e aquele que se tornou vamos dizer assim o modelo exportado né numa área que tinha sido Originalmente reservada para para os indígenas vamos montar aqui que o lugar
17:00
Speaker A
do nosso sonho futuro que nome Alfaville Alfaville gente nada podia ser mais brasileiro do que isso né estão todas as patologias que o Machado de Assis descreveu estão aí condensadas né no momento em que a gente tá eh indo para uma transformação vamos
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Speaker A
dizer assim Econômica muito significativa que na verdade a gente pode dizer assim Olha ainda estamos vivendo as as consequências dessa transformação na economia né que é a aparição na verdade a aplicação das chamadas ideias neoliberais o neoliberalismo tem como como vamos dizer
17:44
Speaker A
assim um mote Geral de que nada fica de fora vamos dizer assim da economia né então aquelas áreas abrigadas educação a saúde a cultura assistência social que eram até então obrigações do estado que funcionavam segundo leis mais ou menos
18:04
Speaker A
assim abrigadas e próprias isso tudo tá suspenso né ou seja só existe uma mesma lei uma mesma regra e ela vale para todas as áreas da nossa existência em 1973 74 inicia-se uma grande reformulação no que a gente pode chamar
18:23
Speaker A
de assim código das doenças mentais spitzer né Faz uma série de críticas ao ao à forma como tava organizado esse manual e assume para si a ideia de que ele precisa ser completamente reformulados né E nós precisamos acabar
18:40
Speaker A
com essas categorias assim psicanalíticas como uma histeria como a neurose obsessiva eh como a fobia nós precisamos acabar com essa ideia de que e existem formas de sofrer que unificam todos os SAS né que são as estruturas né
19:02
Speaker A
então todas os sintomas que uma pessoa é capaz de produzir segundo a psicanálise estariam remetidos a uma forma genérica né uma forma básica dela lidar com conflitos né isso faz com que os nossos sintomas né que são diferentes que mudam
19:22
Speaker A
ao longo do tempo que que se transformam alguns fazem a gente sofrer mais outros fazem a gente sofrer menos o spitzer e iniciou uma uma certa política eh de suspensão dessa ideia de que os sintomas eles têm uma relação todos eles
19:43
Speaker A
entre si né Por eu dizer porque a gente vai tratar um por um então separa a depressão separa o pânico separa a anorexia separa a sua personalidade separa ah suas inibições e cada uma dessas sintomas vai formar um
20:02
Speaker A
vamos dizer assim uma um novo transtorno né um novo uma nova disorder né fora da ordem e daí a gente trata melhor né Isso é uma mudança de princípio né que foi depois reaplicada no dsm e 4 no dsm5 que
20:20
Speaker A
é o nome desse manual das patologias mentais surge aí uma política que só reconhece o sofrimento ele é individualizado exatamente como o neoliberalismo propõe né você vai segmentando as unidades de valor e segmentando a experiência de Sofrimento Então você se mata de trabalhar você dá
20:41
Speaker A
tudo pela empresa e etc e daí você cria uma forma de vida completamente louca e daí você fica doente mas a não tem que ver com B né Por quê Porque B só acontece quando tem individualização e o
20:57
Speaker A
trabalho é uma coisa coletiva tem que ver ver como como você tá com os outros como você troca palavras como você divide e negocia conflito tem que ver com relações né ou o o problema dos sintomas hiper individualizados é que
21:10
Speaker A
eles vendem pra gente uma narrativa de que o seu sofrimento só diz respeito a você e ele não desz respeito as suas relações com os outros e combina com a ideia de que a depressão Hoje é a segunda maior causa de afastamento no
21:24
Speaker A
trabalho não se sabe o que fazer e vai ser a primeira em 15 anos e o terceiro maior investimento em saúde e depressão um dos Pioneiros da psicopatologia no trabalho que chama Christopher de jures e Ele estudou tava
21:40
Speaker A
lá nos anos 80 né Ele estudou o drama das telefonistas francesas né Elas estavam numa situação em que você não pode não quero atender você eh Não pode xingar o cara não pode sair do lugar elas estavam criadas de demandas né os
21:57
Speaker A
telefones chegando e elas tinha uma coisa para para fazer né Qual é a solução que elas encontravam para esse sofrimento a única chance que elas têm diante dessa tarefa impossível é trabalhar mais e mais rápido porque assim termina o dia porque assim elas
22:13
Speaker A
não pensam em nada assim elas se anestesi que que ele tava descrevendo que o sofrimento é uma área que o capitalismo não tinha descoberto ainda você pode usar o sofrimento para fazer as pessoas produzirem mais faça elas sofrerem se você criar um
22:31
Speaker A
ambiente de Sofrimento controlado elas produzem mais se você passar da conta elas produzem menos se você usar isso muito tempo tem que trocar jogar fora bagaço põe outra no lugar mas durante aquele tempo e essa é a sacanagem não
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Speaker A
posso falar isso isso é a dificuldade que a gente encontra hoje em dia no mundo no trabalho porque o sofrio virou parte do capital né Fazer o diagnóstico a partir de Então passou a ser eh detectar né fragmentos
23:06
Speaker A
eh de sintomas e cada qual então desligado daquilo que une todos eles e o que que une todos eles né a gente pode dizer assim ah é é o fato de que eles têm um fio condutor que é o sofrimento
23:23
Speaker A
né no fundo sou eu que tô sofrendo de um jeito sofrendo de outro sofrendo do outro ou fazendo os outros sofrerem né há uma há um fio condutor de fato Então o que a gente tá encontrando aqui é uma
23:36
Speaker A
recorrência né de rupturas né uma recorrência de isolamentos né um isolamento na psicopatologia uma um isolamento né na figuração que a cultura faz do seu futuro e um isolamento na caso o Brasil na forma de viver na forma de habitar na forma de
23:58
Speaker A
estar no no mundo né lembra o mal-estar o diz o Freud né começa o texto dele de 29 dizendo isso olha existe o mal-estar porque nós estamos todos juntos amarrados ligados uns com os outros né nesta condição que é condição de
24:15
Speaker A
viventes né e eh não conseguimos cair do mundo né interessante di claro que conseguir a gente morre pode morrer mas seu nome vai ficar seu túmulo vai estar lá sua história vai passar diante você está fazendo parte deste deste estar né no
24:38
Speaker A
mundo né a gente erda a gente recebe o mundo já organizado ou desorganizado se vocês quiserem por um lado você entrou numa história que você não pediu por outro você vai legar coisas para a gente que vai vir né quer dizer nós estamos
24:57
Speaker A
numa condição de transitoriedade né Nós temos um pacto com quem veio antes e outro pacto com quem virá depois e por outro lado a gente vai ter que resolver o outro pacto que é eh com o nosso desejo né que é que
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Speaker A
que futuro queremos né queremos o Alfaville né que que que futuro que a gente quer para nós nessa bolha temporal que a gente habita né mas também para aqueles que vão nos sobreviver né bom o fr começa então com esse tipo de
25:30
Speaker A
reflexão e eles é a situação gente não é não é boa não não é legal né porque eh primeiro a gente o corpo envelhece e tem um fim a vida é repleta de contingências é um acasso né uma vida
25:49
Speaker A
ela comporta encontros né Vejam Só o exato contrário do planejamento lá do Von Brown ou diretor do do Alf Vill e do godar encontros inesperados é o que há de melhor e é o que há de pior na vida
26:05
Speaker A
né e o terceiro ponto diz o Freud que é a origem do nosso mal-estar né Eh é que a gente cria cria leis a gente cria contratos a gente faz combinados a gente inventa instituições a gente faz faz a cultura né para tentar resolver
26:28
Speaker A
esses três problemas né o pacto com quem veio antes esse período que a gente tá aqui e o que virá né a gente inventa né o as leis a gente inventa formas de vida e o que diz o Freud essas coisas que a
26:44
Speaker A
gente inventa E que nos ajudam a remediar o mau-estar criam um mau-estar pior ainda né dizer vamos inventar então uma forma de vida que é a cidade muito melhor que o campo não é muito melhor que ficar na
27:00
Speaker A
inchada e tal melhor para caramba Vai lá em São Paulo ver um congestionamento que essas caras inventaram não é melhor né ou enfim Nós criamos Essa ilusão de que então com essa vida com esse futuro planejado com essas leis a gente vai
27:17
Speaker A
resolver esse [Música] impasse décadas de 1960 e 70 conturbadas e de grandes mudanças no Brasil e no mundo deixaram em nós marcas de rupturas de isolamentos de segmentação marcas essas que se refletem na cultura na economia na nossa forma de
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Speaker A
viver de se relacionar e até mesmo de morar passamos a viver entre muros mas esse isolamento nos traz de fato segurança ou os muros nos trazem uma ilusão de liberdade Vejam Só nós estamos aí em plena convulsão social em
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Speaker A
momento de de de discussão com a o que que são as leis do país de aguçamento da contradição social né e vem essa ideia de no fundo e se a gente recomeçasse né Eh o golpe tem que ver com isso né com
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Speaker A
Recomeçar começar de novo né E se a gente recomeçasse mas só que Vamos recomeçar em outros termos em outras bases né Então em vez de fazer um país para todo mundo a gente vai começar reconhecendo que não vai dar para todo
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Speaker A
mundo ser feliz então Vamos separar um grupo né Vamos separar um lugar vamos dizer assim eh a parte onde então aí sim a felicidade pode ser produzida como que num laboratório né de forma artificial de forma controlada por isso então o primeiro passo é é é é
29:01
Speaker A
esse ideal né Essa eh tem que ter saída né tem que ter um lugar de descanso a cultura é isso né tem que ter um lugar em que a gente toma fôlego um lugar em que a gente simplesmente está não está produzindo
29:18
Speaker A
está ocupado está fazendo o que a gente chamaria assim de negação do malestar não é o bem-estar Essa é hipótese neoliberal né A negação do malestar é simplesmente estar então o sofrimento ele tem que ver com essa sentimento de
29:37
Speaker A
que eu eu não pertenço ao lugar onde eu estou eu tô fora de lugar por isso eu preciso recuperá-lo né preciso inventar uma Utopia né ou um condomínio só que um condomínio é uma coisa um pouquinho diferente porque o condomínio não é só
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Speaker A
um ideal né um condomínio é uma realização do ideal e real ações de Ideal São extremamente problemáticas né Eh a gente imagina assim que ah eu tenho perfeito para mim assim as minhas metas os meus planos meus objetivos e a a vida
30:12
Speaker A
é realizar isso isso é péssimo né sonhos não são projetos né Eh sonhos não desejos não são objetivos né Eh há algo de vamos dizer assim faltante nos nossos ideais que fazem deles ideais por isso que eles são ideais se o ideal vira uma
30:33
Speaker A
coisa que você vai lá e constrói geralmente vai ter um efeito assim rebote e o condomínio tem que ver com uma estrutura muito brasileira que é o fato de ser formado por um muro de defesa que diz não daqui você não vai
30:48
Speaker A
passar aqui você não vai entrar o muro ele produz uma um efeito um efeito subjetivo de segurança né quer dizer eu só posso estar seguro então entre iguais né e Iguais segundo um critério bastante específico iguais que podem comprar
31:10
Speaker A
aquela propriedade que podem pagar por aquele estilo de vida iguais né Di tem uma exclusão da diferença terceiro lugar você tem um outro afeto menos comentado que diz respeito a Por que que é tão interessante para esse brasileiro dos
31:30
Speaker A
anos 70 que torna o condomínio um ideal de consumo porque ele ao mesmo tempo muro uma prática que produz um sentimento de inveja há uma satisfação inconsciente de que os outros estão me invejando e vocês pensem como como os
31:47
Speaker A
muros eles T que ver com o que há de mais problemático na nossa na nossa civilização aí dos últimos 50 anos né é o muro de Berlim né é o muro de Gaza né e é o muro dos guetos
32:05
Speaker A
e onde tem problema presta atenção tem tem o muro tem um muro ali por perto colaborando fazendo parte do figurino tá ou não é se não é o muro é a catraca se não é a catraca é o crachá né são as
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Speaker A
variações né disso bom a terceira terceiro traço desse desse sintoma nacional é que ele vem junto com uma mutação da nossa relação com a autoridade né se até os anos eh 70 e principalmente durante né aí o período
32:41
Speaker A
militar a gente tinha uma uma forma de exercer o poder né e uma forma de relacionar Na verdade o poder com a autoridade que a gente pode sintetizar numa expressão com quem você pensa que está falando na verdade nós não somos
32:58
Speaker A
assim iguais diante da lei né Tem uns caras que se você pegar um deles você está frito né porque para ele vale assim a regra de que para os amigos tudo pros inimigos a lei né o condomínio é um
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Speaker A
avanço em relação a isso é uma um deslocamento né de um dos elementos que compõem um sintoma né a gente pode dizer um sintoma composto por um uma espécie de arranjo de solução entre os nossos ideais os nossos desejos e as leis né E
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Speaker A
como juntar isso muitas vezes a gente não consegue juntar direito faz um sintoma o jeito não vai dizer assim quem você pensa que está falando ele vai dizer só estou cumprindo regras como chama essa figura né Eh chama-se o
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Speaker A
Síndico como uma estrutura né como estrutura de autoridade né como uma posição né Eh que a gente pode então por exemplo duplicar para visualizar mais fácil que a posição do gestor né hoje o que acontece na educação que acontece na
34:04
Speaker A
saúde O que acontece no terceiro setor na Cultura né quer dizer naquelas áreas em que eh em que havia uma uma certa proteção vamos dizer assim do estado elas passaram a ser governadas e administradas por gestores também nas
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Speaker A
empresas né com a terceirização Ainda mais você tem uma espécie de segmentação e de distribuição da responsabilidade de tal maneira que o sujeito que é um gestor ele pode não entender nada de saúde ou de educação mas ele Gere a
34:38
Speaker A
educação ele faz os processos funcionarem ele azeita a máquina que a gente como vê nessa figura do Síndico né como estrutura é eh o que depois veio a se tornar dominante na nossa forma de Sofrimento né hoje que a atitude ou um
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Speaker A
sintoma social né conhecido como cinismo Na verdade eu só tô obedecendo ordens né é o protótipo dessa figura né Eh a gente vai encontrar lá nos campos de concentração né esse texto muito muito interessante eu recomendo a vocês chamam
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Speaker A
os carrascos Voluntários de Hitler né é um estudo que que mostra que tenta responder a seguinte pergunta né que que aconteceu com a Alemanha nazista os que trabalhavam nos campos ex não eram figura esp vo para maldade eles eram o
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Speaker A
funcionários burocratas B gestores disus befehle die ergang sind an die ordnungspolizei die sind woh ergang aber die ordnungspolizei Selber Hat daf sorge tragen MSS ich konte in berlins ein X und passiert und hatte im zuge dieser maah die Mir befohlen angelegenheiten Zu
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Speaker A
erledigen das habe ich nie GN und es auch nicht sie S sie War kein normal befer haben mited stimmt es haben sie gesagt nein kann ich nicht vorstellen nein sie hab nicht mited que começa acontecer depois quea muda
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Speaker A
condo em ordem tudo no seu lugar tudo funcionando mas mas tem umar você precisa criar uma causa para isso o que acontece é uma hipertrofia de regulamentos de regras de restrições de regulações da vida que termina Num sentimento de asfixia e de perda da
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Speaker A
Liberdade né eu que fui buscar a liberdade dentro de um condomínio descubro que eu tô numa versão de uma prisão a hora que a gente se condena a viver entre iguais As pequenas diferenças elas se ampliam brutalmente que o Freud chamou
37:33
Speaker A
de narcisismo das pequenas diferenças né a gente não consegue lidar com grandes diferenças a gente começa a ser assediado por pequenas diferenças que importam muito que fazem a gente sofrer demais que fazem a gente vamos dizer assim tornar a vida assim intolerável
37:53
Speaker A
[Música] sofrer faz parte da vida humana Mas qual o limite do sofrimento que devemos suportar e aceitar criamos ilusões de felicidade o que aumenta o mal-estar na nossa civilização Será que sintomas e Sofrimentos não nos indicam quando devemos agir e
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Speaker A
mudar o que precisamos sentir para desejar a transformação eu vou tentar então um pouco melhor o que que é a experiência de Sofrimento né E por que que ela é diferente do sintoma né tô dando um exemplo do sintoma 19 sintoma
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Speaker A
tem que resolver né uma certa exigência de ideais de leis e de desejos e ele aparece incide eh na nossa vida de duas formas né ou nos obrigando a né Vejam Só um sintoma não é sintoma porque ele é
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Speaker A
não adaptativo né Ele é um sintoma porque ele ele traz consigo né ele ele coloca a gente diante dos nossos atos dos nossos nossos comportamentos né segundo essa experiência que o Freud chamou de Tang né de coersão né eu tenho
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Speaker A
o que eu não posso me atrasar eu não posso deixar de ir no trabalho hoje por exemplo eu não posso deixar de fazer aí o sintoma né outra forma de sintoma a segunda família do sintoma é aquela que
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Speaker A
se especifica pela gramática do não posso com não posso com gente desse tipo bom então a gente tem o sintoma definido por isso e ele segundo o Lacan Ele sempre vai ter vai se exprimir né Eh de uma forma característica em termos
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Speaker A
de linguagem né no fundo os nossos sintomas tem todos né para ser sintoma né Tem todos uma estrutura de metáfora né por isso que eu usei aqui para apresentar um sintoma para vocês uma grande metáfora uma alegoria que é o
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Speaker A
condomínio o sintoma é exatamente assim é uma ideia que pertence à gente que nasceu dentro do do da própria pessoa e que precisa ser expulsa porque a gente considera ela intolerável e ela fica voltando né ela quer ter uma expressão
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Speaker A
como é que um sintoma pode fazer a gente sofrer mais ou pode fazer a gente sofrer menos que que é o sofrimento né eu já apresentei aqui como uma categoria que vem da teoria social né Por exemplo Marx
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Speaker A
eh Durkheim eh Weber os pais da sociologia todos eles fizeram ensaios sobre o suicídio né e tentando entender como é que o suicídio respondia a o quê a sintomas é também a sintomas mas basicamente há essa experiência tão
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Speaker A
social chamada de Sofrimento o sofrimento ele é sempre transitiva né o transitivismo é uma é uma experiência que acontece na criança pequena e que volta no adulto né em momentos de crise n momentos problemáticos a gente volta a ser
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Speaker A
transitiva né transitivismo se refere a uma certa experiência de indeterminação de quem é o agente e de quem é o paciente de um ato a pessoa sente que ela foi o objeto da ação no qual ela na verdade foi o agente foi o
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Speaker A
sujeito ela tá sentindo o contrário do que ela fez né ela por exemplo xinga o outro mas é ela que se sente xingada ela distrat o outro mas é ela que se sente destratado né em brigas de casal por
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Speaker A
exemplo são intratáveis né É é impossível você resolver por quê Porque tipicamente o transitivismo faz assim né Por isso o Freud dizia uma das situações mais patológicas em termos de recuperação dos dos sintomas infantis da neurose infantil é cuidar de uma pessoa
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Speaker A
doente acompanhar uma pessoa doente por muito tempo né ficar ali ao lado eh ajudando extremamente assim complexo do ponto de vista psicológico e indutor de sintomas por quê Porque é indutor de transitivismo porque é indutor de Sofrimentos né Então a primeira ideia é
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Speaker A
de que o sofrimento é uma experiência compartilhada a gente pode transformá-la a partir de atos de reconhecimento ele depende do reconhecimento ou do não reconhecimento que a gente dispensa para sofrimento né Isso é muito interessante e faz o
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Speaker A
sofrimento uma categoria política né ou seja esse sofrimento é suportável é faz parte da vida vem com mal-estar esse não precisa de política pública esse não precisa de cuidado esse não precisa de atenção o sofrimento sempre exprime um
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Speaker A
déficit de reconhecimento quando a gente sofre a gente está pedindo né para que algo seja reconhecido ele Depende de uma gramática de reconhecimento e essa gramática cabe a nós né à comunidades as famílias as pessoas né todos nós participamos dessa
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Speaker A
dessas gramáticas né então a gente pode olhar pro mundo e pro Brasil né e dizer assim Brasil ele é feito também da forma como a gente reconhece e define Qual é o sofrimento legítimo E qual é o sofrimento que eu não eu eu não vou
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Speaker A
querer olhar ele não é legítimo ele não é digno eu não preciso tratar dele e o que a ideia nova que eu tô trazendo querendo apresentar para vocês é que diante desses atos a coisa mesma a experiência mesma sofrimento muda né não
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Speaker A
é como a dor a dor mais ou menos igual sofrimento não por exemplo os médicos franceses do início do século XX se recusavam a dar anestesia para as mulheres no parto por quê fez agora olha aí já começa aprendendo que uma vida de
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Speaker A
Sofrimento restrição privação dor isso uma escolha moral isso uma escolha política né E que incide para aquela mulher no caso que tá tendo um filho como o meu sofrimento é calado é silencioso eu não devo falar sobre isso
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Speaker A
ele não é legítimo o outro caso não mas o seu sofrimento e é o bullying Então esse a gente tem que cuidar é uma epidemia Esso é importante Vamos então chamar a tecnologia para tentar mitigar esse sofrimento é não são escolhas
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Speaker A
conscientes né a gente não reconhece um outro tipo de sofrimento porque a gente pensou a respeito e acha que Então esse é o que merece mais atenção do que aquele isso isso é vamos dizer assim um efeito né das relações humanas a o
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Speaker A
sofrimento tem uma estrutura de narrativa né me conte a sua história e eu te direi como você sofre a gente tem basicamente quatro tipos de narrativas né A primeira a narrativa do objeto intrusivo que atrapalha daí a cura é
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Speaker A
tirar esse objeto daqui né segunda narrativa de Sofrimento baseada no violação do contrato que alguém em algum lugar não está cumprindo as regras Ah o contrato não foi bem feito nós precisamos de mais leis nós precisamos refazer o contrato terceira a narrativa
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Speaker A
do sofrimento é a narrativa da alienação né Eh que aquele sujeito que diz assim olha eu tô sofrendo porque em algum lugar eu me perdi eu preciso voltar para o meu lugar né E essa é a narrativa né baseada
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Speaker A
na alienação da alma em vez de tratar a diferença a gente criar muros o que acontece a gente não a gente se perde né alienação é uma patologia da Alma né a alma ela passa a ser uma alma errante né
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Speaker A
uma alma incapaz de ser reconhecida e de se reconhecer né finalmente a última narrativa de Sofrimento ela tá ligada com a dissolução do espírito ou com a perda do sentimento de unidade né E ela tem que ver com o que o Freud chamou de
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Speaker A
pulsão de morte que é o grande personagem conceitual do malestar na civilização que é o texto que a gente tá querendo reatualizar nesses quatro encontros aqui no Café Filosófico a gente pode contar a história do condomínio dessas quatro maneiras mas
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Speaker A
ele reforça muito duas teorias né uma de que o mal-estar Vem de um objeto intrusivo que a gente sofre porque tem um outro problemático que se a gente excluir então a gente vai deixar de sofrer né E segunda é preciso refazer o
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Speaker A
contrato alguém tá violando o contrato Então se a gente puser entre muros criar um síndic ficar fizer o nosso contratinho aqui aí vai funcionar tudo perfeito a gente sofre porque a gente tá com excesso de experiências improdutivas de determinação um condomínio é isso né
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Speaker A
É não é ruim em si Mas de repente ele começa a gerar um monte de experiências improdutivas que vão nos determinando né mais leis mais regras mais mais objetivos mais metas mais métodos isso tudo para quê para preservar essa ficção
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Speaker A
de que a felicidade tem que ver com a identidade né ã a experiência tá mostrando que que chega de condomínio deu né Eh essa forma de sofrer está insuportável né E que no mínimo o que a gente podia
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Speaker A
fazer era tentar olhar para as duas outras narrativas que ficaram meio de fora né a alienação da alma e a dissolução do Eu né O que nos falta é olhar pro mundo né vê que ele está assim eh cheio de brechas né Cheio de
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Speaker A
alternativas ou com outras formas de sonhar né um caminho que eh não vai ser esperam né a realização acabada de um bem-estar né um bem-estar no sentido disso que tem nos consumido né que é essa obrigação de felicidade né o
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Speaker A
caminho acho que passa pela invenção de novas formas de sofrer né passa por um recu em relação a esse ideal eh Super egoico é a palavra no Freud de felicidade passa por um recu para menos né Precisamos de uma vida com menos e
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Speaker A
não com mais de gozo de satisfação de consumo né Christian dunker usou a metáfora do condomínio para analisar como nossos medos angústias preconceitos agressividade e intolerância entre tantos sentimentos contemporâneos se erguem para além dos muros condenados a viver entre iguais se
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Speaker A
ampliam violentamente As pequenas diferenças dunker nos convida a olhar para o mundo e ver que ele está cheio de alternativas não sei quantas almas tenho cada momento mudei continuamente me estranho nunca me vi nem acabei de tanto ser só ten um
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Speaker A
alma quem tem alma não tem calma quem vê é só o que vê quem sente não é quem é atento ao que sou e vejo torno-me eles e não eu cada meu sonho ou desejo é do que nasce e não
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Speaker A
meu sou minha própria paisagem assisto a minha passagem diverso móbil e só não sei sentir-me onde estou mais debates no site e Facebook do Instituto CPFL Por que que nós nos fechamos numa alternativa em que violência é ou fazer
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Speaker A
leis ou violar [Música] leis a gente vai sofrer menos quando a gente tiver uma identidade bem [Música] resolvida h [Música]
Topics:mal-estarsofrimentosintomapsicanáliseBrasilMachado de AssisO Alienistacaráter nacionalpsiquiatriaidentidade brasileira

Answers

Frequently Asked Questions

Qual é a relação entre mal-estar, sofrimento e sintoma segundo Christian Dunker?

Dunker propõe que mal-estar é uma condição existencial, sofrimento uma categoria social e sintoma uma expressão que pode indicar caminhos para transformação pessoal e social.

Como Machado de Assis é utilizado para discutir a psicopatologia do Brasil?

A obra 'O Alienista' é usada como alegoria para criticar a exclusão do diferente e a mania de localizar problemas no outro, refletindo sobre a loucura social brasileira.

Por que a psicanálise foi importante para o debate sobre a identidade brasileira nos anos 20 e 30?

A psicanálise chegou ao Brasil num momento de questionamento sobre a viabilidade do país e ajudou a valorizar a mistura cultural como traço universal e positivo da brasilidade.

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