Speaker A
[Música] C! [Música] Madame, que bom rever a senhora! Como foi a viagem? Você sabe que detesto aviões. A viagem da Europa pro Brasil foi interminável. Pelo menos do Rio de Janeiro para cá foi bem mais rápida, mas é sempre um alívio pisar no chão firme depois de voar nesses charutos horrorosos. E há quantos anos a senhora não vem ao Brasil? Mais do que você tem de vida. Mas não faremos mais do tempo, por favor. O carro está nos esperando. Podemos ir direto ou, se a senhora quiser descansar um pouco, o aeroporto dispõe de uma saleta. Não digo confortável, simpática. Minha filha, na minha idade, só simpatia não resolve mais nada. Vamos embora de uma vez. Ribeirão do Tempo é um lugar delicioso. Foi um grande acerto a decisão de instalarmos lá o nosso empreendimento. A senhora vai adorar a cidadezinha. Vamos ver o que nos espera. [Música] W! [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] [Aplausos] C! [Música] Sou Pedro Silva de Vera. Eu deio Selva de Fera. A natureza me espera. Vem ver, mãe, minha cor, o meu cavalo é de oço. Eu ligo jando o pescoço, ele me leva no doso aonde o sol vai se P. Eu só preciso de um prato, nada mais que um trato, e nosso amor será trato que jamais terá fim. Arruma tudo, vamos embora, vamos embora, se embora e a sfa ali fora vai tocando. PR mim vai seora soneiro. R tomba é chuva caindo, é lomba é bu subindo, vento, vento assumindo e a carroça quebrou. Não, não, e não, não é conversa pra criança dormir não. Vocês são os ignorantes, nem parece que nasceram aqui. As águas de Ribeirão do Tempo são mágicas, curam qualquer coisa. Mágica curativa? Hum, hum, curam qualquer coisa, só não curam bebedeira. Quente disse que não cura? Cura na hora. Entrar no rio fica bom. Pera aí, tu sabe que tenho na conta do homem mais sabido de Ribeirão do Tempo, mas dizer que água de rio cura pó vai me desculpar. Claro que cura, Romeu. As águas do nosso Ribeirão são mágicas, curam qualquer doença, qualquer mazela. Eu só acredito vendo. Se eu tivesse bêbado, eu ia lá agora e provava para vocês. Se tuo tá bêbado tá o que quero bêbado eu. Vocês não sabem que estão dizendo. Eu tô firme como um poste. Cuidado PR, os cachorros não mijarem no teu pé. Precisa muito mais cachaça para me deixar de corna. Falando nisso, olha mais uma aí, olorosa. Eu quero ver você fazer o quatro aí. Eu acredito. É, tá duvidando de mim? É, não se enxerga não, Alfredo. Lorot quatro aí que eu acredito. Eu faço até um oito aqui, ó. Quatro pra esquerda e é quatro pra direita. Segura ele o poste de sa. B e não tá de porre não é? Ah, é uma rocha. Tá, tá, tá legal. Tá, eu tenho que admitir que eu tô um pouco alto também com uma cachaça desgraçada. Começa. É a mais pura de Ribeirão. Não vi ofender minha cachacinha não. Então vocês acham que eu tô bêbado? Ninguém tem dúvida nenhuma. Tudo bem. É melhor assim porque agora eu posso provar para vocês o que eu tava dizendo. As águas do nosso Ribeirão curam qualquer carraspana. Eu vou atravessar correnteza nado, vou sair do outro lado bonzinho feito uma criança de colo e vai ser agora. Quer ISO? Quer ISO? Ch a senão ele vai se afogar nas águas do Ribeirão. Para com isso, vamos voltar. Quem vai desfazer da cidade na minha frente? Não. Para, vocês é tudo conversa fiada. É ou não é? Mas hoje eu vou provar que não é assim não. Como é que tu vai entrar no rio num estado desses? Eu mato a cobra e mostro o pau. Vem todo mundo comigo. Meu que aconteceu, seu Romeo? Que sorte te encontrar. Minha filha, corre lá e avisa. Fala que o pai dela vai fazer uma maqu. Corre lá pelo amor de Deus. Que balur é essa? É que foi mergulhar no rio para provar que as águas do Ribeirão curam até carraspana. Pode. Dessa vez o cachaceiro morre, amigo. Essa eu não posso perder. Vamos lá. Não, rapaz, não tem que voltar pro cartório não é? Cartório? Deixa as escrituras para depois. Vai perder momento histórico desse. Vamos que engraçado esse querêncio. Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim. Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim. [Música] [Aplausos] Eis aí, Ribeirão do Tempo. Madame, a senhora não faz ideia da quantidade de histórias que contam sobre esse rio. Dizem que suas águas têm propriedades rejuvenescedoras. Eu estou para experimentar. Seria bom perder uns aninhos. Olha lá, é o pessoal dos esportes radicais. É o praticado aqui. Essa gente que se opõe ao nosso empreendimento, eles também, mas tem outros piores. Ecologistas radicais em toda parte. Mas o povo, a gente que mora aqui mesmo na cidade, o que diz o Zé Povinho? Como a senhora sabe, na verdade, não pensa. Vai atrás dos outros. Tem um figurão aí, um daqueles revolucionários de 68. Esse é o nosso maior problema. Escreve artigos, encabeça abaixo-assinados contra a gente. Não dá folga. 68 não passou de uma grande farra. Eu morava em Paris naquela época. Eu e meu marido, que era um grande gozador, nos metemos em algumas passeatas. Rimos muito. Ah, mas por aqui ainda tem gente que leva aquilo a sério. Esse doutor Flores é um deles. Ele se chama Flores, doutor Milton Flores. O nome, pelo menos, é apropriado. De flor ele não tem nada, é espinho puro. Entrou com uma representação na justiça que está assustando os nossos advogados. Está para ser julgada por esses dias. Mais tarde você me conta essas histórias. Desculpe, Madame, a senhora nem chegou e já estou lhe jogando os problemas em cima. Deve ser emocionante andar nesses botes. A área em que vamos instalar o resort fica atrás daquele morro. É deslumbrante. A cidade fica mais adiante. Antes de ir para casa, eu quero ver o centro histórico. Espero que a senhora goste. Danada, você, danada. A ninguém, nenhum olhar, nunca falou. Tudo bem. Tem mais, não dá. Sorri, jamais lhe convém. Você é AM, mas há de ter um bem. Você, danada. Ninguém vai se danar. Danada não perde o trem. Sabe nadar, mas nada sabe de alguém que sabe amar. Eu quero ser seu bem. Você é mal, você é maluca, você é mal linda. Me Milton, se você não começar a se arrumar agora, vai se atrasar pra solenidade. Amor, você ouviu o que eu disse? Ouvi sim, ouvi disse. Ainda faltam horas pro diabo dessa solenidade. Não sei por que você tá tão ansiosa. Por quê? Porque eu te conheço e eu sei que até o último minuto você não vai se mexer. Chegar atrasados como sempre. Ai, eu amro de vergonha. A solenidade é em minha homenagem, mas o motivo para você não se atrasar. Engano seu. A única vantagem de ser homenageado é que eles não podem começar nada antes que eu chegue. Eu sei que você despreza aquelas pessoas, mas isso não é motivo para você ser mal educado, meu amor. Só de pensar que eu ter que ouvir o discurso do ar jumento, vê a cara de taxo do senador Érico. Ai, me D repi. Você já pensou no que vai dizer o [Música] discurso? Eles vão ter uma surpresa. Você não acha que já passou da idade para surpreender, né? [Música] Vai se arrumando, eu não vou me [Música] atrasar por essas vezes já. Esse rio e você não tem era garoto homem. Hoje tu não atravessa nem poça de mich. Eu não sou que nem você, não, Romeu, que ficou velho antes do tempo. Eu vou mergulhar e vou sair do outro lado bonzinho desse po. Aí quero ver a cara de vocês. A honra de Ribeirão do Tempo tá em jogo. Me ajuda a convencer essa mula. Ele vai se estrepar. Quer sabe o que faz, Romeu? É homem para muito mais do que isso. El não é querer. Vocês ainda não me conhecem. Esse é o peixe, Romeu. Por isso que ele tá sempre na água. Tá com a cachorra. Tu vai ter na mão. Vem cá, vem cá, vem cá. Ajuda aqui, ó. Eu vou casar cinquentinha que ele vai chegar do outro lado são salvo. Eu só tenho, eu só tenho 10. Ah, tá bom, dá na mão do na não. Ai!