Poema filosófico de Giovane Santana refletindo sobre sorte, orgulho, preconceito e amor na vida cotidiana.
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Key Takeaways
- A vida é feita de dualidades, entre momentos bons e ruins, flores e espinhos.
- O orgulho social e a nobreza são ilusões diante da igualdade essencial dos seres humanos.
- A luta contra o preconceito é fundamental para a valorização da identidade e do direito.
- O amor é complexo, marcado por encontros, despedidas e emoções profundas.
- A reflexão filosófica ajuda a compreender a efemeridade e a beleza da existência.
What the video covers
- O vídeo apresenta um texto poético e filosófico sobre a dualidade da vida, entre flores e espinhos.
- Reflete sobre a sorte, que pode favorecer ou negar, e a ilusão da nobreza e do orgulho social.
- Destaca a luta contra o preconceito de classes sociais, valorizando a identidade plebeia.
- Explora o tema do amor e do desdém, com uma narrativa pessoal sobre rejeição e esperança.
- Utiliza metáforas como o oceano da vida e a ave de arribação para ilustrar a passagem do tempo e das relações.
- Menciona figuras históricas como Napoleão para reforçar a força do povo comum.
- Apresenta um tom melancólico e reflexivo, com momentos de emoção e resignação.
- O texto é carregado de simbolismo e linguagem poética, convidando à reflexão profunda.
- Enfatiza a efemeridade das aparências e a importância da essência humana.
- Conclui com uma visão realista e filosófica sobre as relações humanas e a vida.
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Speaker A
Maninho, vou dar uma filosofada com você, maninho. Presta bem atenção.
Speaker A
Quem tem flores, manda as flores, quem tem espinho, manda espinho.
Speaker A
E até nas rosas há diferença de sorte, umas enfeita a vida e outras enfeita a morte.
Speaker A
E a sorte, ela dá, ela nega e tira, e gente nobre já nesse século é mentira.
Speaker A
E deste modo filosófico, um gaiato que a vida estima, este mundo é um baú de cem com uma nota posta em cima.
Speaker A
E deixa que diz que mulher, e deixa de orgulho e sossega.
Speaker A
Você não vê que este mundo é um oceano por onde as almas navegam?
Speaker A
Se hoje ostentas na sala com tuas pompas e de galas e seus brasões de rainha, amanhã talvez quem sabe este orgulho se acabe e torne-se a sorte mesquinha.
Speaker A
A pouco tu me disseste que para comigo valsar, recusaste e me disseste pobre, plebeu e não quiseste me aceitar.
Speaker A
Mas no entanto ignoras aquele a quem tanto adoras e que conquista e seduz, embora seja da nada e as plenas figuras achar que as costas por que não dá luz.
Speaker A
E de que vale nobre família, linhagem pura de avós, se o sangue do rei é o mesmo que corre em nós?
Speaker A
Agora é tempo de dizer quem sou eu, um moço que se orgulha em ser plebeu.
Speaker A
Um lutador que não cansa e ainda tem esperança de ser mais do que hoje é, lutando pelo direito para esmagar o preconceito desta fidalguia sem fé.
Speaker A
E quando eu olho e te vejo com esse desdém de altivez, me humilho tanto de ti que chego a chorar talvez, mas choro sim porque calculo, ao ver de ti tão nulo, tão desagradante e sem sal, uma mulher desprevenida, tão lavada e varrida, só mesmo ignorando o ruim banal.
Speaker A
E grande foi Napoleão, e grande foi vitorioso e foi o povo plebeu quando eu sou.
Speaker A
Ó, vou mandar um outro recado para você, para minha namorada.
Speaker A
Fui despedir dela, ela danou a chorar, maninho, aí eu falei: Despediste de mim chorando, de ti despedi a sorrir, chorando tu me esqueceste e sorrindo não te esqueci.
Speaker A
E a vez primeira que de Teresa, como as plantas que arrastam a correnteza, a valsa nos levou em giros seus.
Speaker A
Amamos juntos depois na sala, e ela tremeu com a fala, orando murmurou: Meu Deus.
Speaker A
Quando voltei era um palácio em festa, a voz dela e de um homem da orquestra preenchia de amores o azul do céu, entrei, ela olhou-me branca e indefesa, e foi a última vez que de Teresa, ela queixando murmurou: Meu Deus.
Speaker A
É mulher, maninho, é como ave de arribação, quando o tempo é bom elas vêm, quando o tempo é mau elas vão.
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