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Falando sobre Sete Saias do Cabaré

Felipe Caprini explora a história e características da Sete Saias do Cabaré, entidade famosa da falange das Sete Saias no Rio de Janeiro colonial.

Key Takeaways

  • A Sete Saias do Cabaré é uma entidade espiritual feminina com origem cigana e comportamento distinto das outras Sete Saias.
  • Sua fama vem do comportamento escandaloso e vistoso, que contrasta com as outras sete saias mais pacatas e gentis.
  • O costume das sete saias sobrepostas tem raízes portuguesas e foi adotado por essas entidades como símbolo.
  • A história da Sete Saias do Cabaré está ligada a figuras como Maria Padilha e Maria Mulambo, dentro de um grupo espiritual conhecido como panelinha de entidades.
  • Este vídeo é uma tentativa de organizar e tornar acessível uma história que Felipe Caprini já contou em partes, mas nunca de forma completa e clara.

What the video covers

  • Felipe Caprini inicia uma série de vídeos sobre as Sete Saias da Falange, focando neste vídeo na Sete Saias do Cabaré.
  • A Sete Saias do Cabaré é a mais famosa das sete saias, conhecida por seu comportamento vistoso e escandaloso, diferente das outras mais gentis e românticas.
  • Todas as Sete Saias têm origem cigana, mas não permanecem na cultura cigana, que é um estilo de vida e cultura, não só etnia.
  • A Sete Saias do Cabaré foi gentilmente convidada a sair do acampamento cigano por seu comportamento sexualizado e independente desde jovem.
  • Ela não fugiu, mas foi afastada por não se adequar à cultura cigana, e logo decidiu se prostituir, indo para um cabaré no Rio de Janeiro.
  • Maria Padilha acolheu a Sete Saias do Cabaré, que fazia parte de um grupo de entidades femininas conhecidas como 'panelinha de entidades'.
  • O nome 'Sete Saias' vem do costume português de usar sete saias sobrepostas, um costume antigo e popular, especialmente na região de Nazaré.
  • A Sete Saias do Cabaré usava as saias sobrepostas e herdou o nome e petrechos de outras Sete Saias anteriores que trabalharam no mesmo cabaré.
  • O vídeo detalha aspectos históricos, culturais e espirituais da Sete Saias do Cabaré, incluindo sua personalidade marcante e trajetória no Rio colonial.
  • Felipe Caprini enfatiza que a história da Sete Saias do Cabaré é conhecida, mas pouco acessível, e este vídeo serve para esclarecer e organizar essas informações.

Answers

Questions about this video

Quem é a Sete Saias do Cabaré?

A Sete Saias do Cabaré é uma entidade espiritual feminina da falange das Sete Saias, conhecida por seu comportamento escandaloso e vistoso, com origem cigana, mas afastada da cultura cigana tradicional.

Por que a Sete Saias do Cabaré é tão famosa?

Ela é famosa por seu comportamento mais exacerbado e divertido, causando alvoroço e escândalos, diferente das outras sete saias que são mais pacatas e gentis.

Qual a relação da Sete Saias do Cabaré com Maria Padilha?

Maria Padilha acolheu a Sete Saias do Cabaré no cabaré do Rio de Janeiro, fazendo parte de um grupo de entidades femininas conhecido como panelinha de entidades, que inclui outras sete saias.

Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:00
Speaker A
Olá pessoal, tudo bem com vocês? Eu espero que estejam todos muito bem. Com o receio de me repetir e com certeza me repetindo, hoje eu vou falar sobre sete saias do cabaré. E aqui eu pretendo fazer agora uma série de vídeos, não em
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Speaker A
sequência, tá? No decorrer do ano, aonde eu vou falar de cada uma das sete saias da Falange, né? São muitas. Eu trabalho com sete saias das sete encruzilhadas, que de todas é a melhor, sem querer colocar aqui
00:31
Speaker A
competição feminina, mas é claro que é uma brincadeira, né? Mas a mais famosa, sem sombra de dúvidas, é a do cabaré.
00:40
Speaker A
Mesmo que ela não seja nem a mais velha, nem a mais nova, mas ela é muito famosa.
00:45
Speaker A
Por quê? Porque ela tem um comportamento mais exacerbado, ela tem um comportamento mais vistoso, né? Ela causa alvoroço, de modo geral, ela causa sempre alguma coisa. O que não é muito comum das outras sete saias, que são geralmente moças mais pacatas, mais
01:04
Speaker A
românticas, né? Mais gentis. E essa, a do cabaré, acaba sendo muito divertida, mais pacata, romântica ou gentil, não é lá exatamente características que a gente pode marcar dela, né? Então, vamos começar com a história dela, que como eu falei, ela é
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Speaker A
a mais famosa, portanto a história dela é a mais conhecida. E eu comecei o vídeo dizendo que eu, né, poderia estar me repetindo porque eu tenho certeza absoluta que eu já contei essa história em algum vídeo, mas eu não lembro qual.
01:41
Speaker A
Eu pesquisei aqui no YouTube o meu nome, né, Felipe Caprini Sete saias para ver se tinha já um vídeo das sete saias do cabaré e não tem. Então devo ter contado a história dela no meio de outro
01:53
Speaker A
vídeo, o que fica muito complicado para pessoas encontrarem quem quiser saber. Então, se você já segue o canal e já viu essa história, eu vou contar a mesma história. Mas se você é uma pessoa que quer saber da sete saias do cabaré e
02:06
Speaker A
nunca me viu falar dela e não vai conseguir encontrar na pesquisa, aqui é o jeito mais certo de entender. Então, a história dela, eu vou contar pausadamente, mas gente, é aquela história das sete saias que tem uma saia para cada marido. A história dela, na
02:23
Speaker A
verdade, não tem maridos, tá? Tem noivos, namorados, mas a gente fala assim porque é um jeito mais claro de deixar que ela tinha relações sérias com alguns homens, mas eles não sabiam que eram vários. Cada um deles acreditava que era
02:38
Speaker A
único. Só que em vez de abordar logo isso, vamos do princípio. O início da vida dela é muito similar ao de todas as sete saias. Exatamente por isso que existe a falange das sete saias, porque são moças, várias delas muito diferentes
02:52
Speaker A
entre si, mas todas têm pontos em comum. Um deles, que é o inicial, é que todas são moças que têm origem cigana, mas que não são mais mulheres de fato ciganas.
03:05
Speaker A
Elas podem ter tido criação cigana e algumas até sangue cigano, mas não permaneceram como ciganas. Porque ser cigano vai muito além de um laço étnico, tá? Ou de um momento da vida. Ser cigano é um estilo de vida, é uma cultura e
03:22
Speaker A
elas não compactuam com a cultura. Então vocês vão ver aí, vocês vão ver com muita clareza e muita frequência qualquer sete saias dizendo: "Eu era dos ciganos e saí". Mas como é que se deu isso com esta lá na altura dos 13, 14 anos dela?
03:39
Speaker A
Ela não vai fazer como as outras que fugiram do acampamento cigano. Essa não fugiu. Essa foi, com muita gentileza, convidada a se [risadas] retirar. Porque a família dela, que era uma família cigana, não a compreendia. Por quê? Desde muito cedo,
03:59
Speaker A
ela era uma moça que gostava de viver bem a vida. Gostava de luxos, gostava de ser mimada.
04:07
Speaker A
Até aí tudo bem. Só que ela também era uma pessoa muito carnal, então, de forma clara, ela gostava muito de sexo. Ela era muito nova. Naquela época, com 12 anos, a pessoa às vezes já era casada, né? A pessoa que hoje a gente entende
04:22
Speaker A
que era uma criança, mas na época, gente, tô falando isso, na época colonial do Brasil, a coisa era bem diferente, mas como ela era muito sexualizada e por vontade própria, inclusive quando a família descobre que ela já não é virgem, com seus 13, 14
04:40
Speaker A
anos, vão tentar entender quem abusou dela. E aí é uma decepção porque descobrem que não exatamente ela foi abusada, ela acaba ali chamando outro ciganinho da idade dela também e o convence a fazer algumas coisas. Então, se for colocar assim na ponta do lápis,
04:59
Speaker A
se teve alguém que cometeu abuso, foi ela. Mas todo mundo ali era da mesma idade, então tudo bem. O ciganinho envolvido, ele era muito inocente e ela não era, sabe? E ali acontece aquelas coisas e o povo fica escandalizado,
05:17
Speaker A
perdoam, só que as situações complexas com o comportamento dela nunca param, como se diz hoje em dia, né? A notícia escandalosa sobre ela, a mais escabrosa, escandalosa, é sempre a próxima. Então, se você sabe alguma coisa das sete saias
05:36
Speaker A
do cabaré, pode ter certeza. Se isso que você sabe hoje te escandaliza, a próxima notícia, a próxima notícia vai escandalizar mais, tá? Porque ela é desse jeito. Então ela acaba sendo retirada dos ciganos e ela já entende de
05:51
Speaker A
imediato que ela deve se prostituir. Porque os ciganos comentavam: "Haviam muitas mulheres ciganas que por dificuldades acabavam largando ciganos indo se prostituir", como eu acabei de falar que é a história de muitas saias, né? E outras moças também de
06:08
Speaker A
origem cigana. Então esse comentário já vinha quando ela fica sozinha. Primeira coisa que ela pensa, eu vou achar um cabaré. E isso é lá no Rio de Janeiro, numa época onde Maria Padilha e Maria Mulambo ainda eram vivas, tá?
06:22
Speaker A
Sempre conto nessa panelinha de entidades e depois vejam aí um vídeo que eu falo sobre as panelinhas de entidades, né? Grupos de entidades que existiram juntas. Então essa padilha, essa mulambo, essa quitéria, essas sete saias e outras estavam nesta
06:39
Speaker A
panelinha. Claro que há outras sete saias que existiram em outros grupos, em outras épocas, país afora, mas essa em específico estava ali, porque há três sete saias que pertenceram a esta panelinha, a da Calunga, a das sete encruzilhadas e a do cabaré. Em épocas
06:55
Speaker A
diferentes, tá? Elas não conviveram juntas, inclusive uma herda da outra petrechos e também herda o nome. Porque esta cigana, ela não se chamava Sete Saia quando nasceu. Tinha o nome próprio dela, que não vou mencionar aqui porque não tenho certeza, tá? Qual
07:11
Speaker A
seria o nome dela? Eu creio que era Beatriz, mas não tenho certeza, ela mente, né? Ela cada vez que conta a história dela aumenta um ponto e muda algum detalhe. E ela vai direto pro cabaré de
07:24
Speaker A
Maria Padilha, que Maria Padilha acolhe. Por quê? Porque Maria Padilha já tinha conhecido antes outras sete saias que era a das sete encruzilhadas, tá? Que trabalhou naquele cabaré. E antes das sete encruzilhadas trabalhou a da Calunga lá. Cada uma delas usava aquela
07:40
Speaker A
saia de sete babados. Só que no caso desta moça, a do cabaré, ela nas imagens, ela usa também a saia de sete babados, como essas sete saias aqui, ó.
07:50
Speaker A
Só que ela vai usar, na verdade, as saias sobrepostas. Existe um costume em Portugal que influenciou muito o fato da gente chamar hoje as moças aqui de sete saias. É um costume lá de Portugal já de séculos e séculos que é muito presente na região
08:06
Speaker A
de Nazaré, que é o costume das sete saias, que são mulheres que em algum momento podem ter tido relação com ciganos ou não, a gente não sabe porque são mulheres populares, né? Vocês sabem que antigamente se documentava muito o
08:19
Speaker A
que era da monarquia e da elite, mas ali é uma questão do povo, então ninguém tem muita ideia. Mas elas existem há anos, há séculos, como foi dito, e elas usam uma saia por cima da outra em
08:30
Speaker A
camadas. Então, quando se pede que elas mostrem as saias, elas levantam a primeira, aí embaixo da primeira tem a segunda, levantam a segunda, mostram a terceira, levantam a terceira, tem a quarta, até ter a sete, certo? Esse é um
08:44
Speaker A
costume muito antigo e que algumas ciganas do acampamento dessas sete saias tinham. Então, quando ela vai lá no cabaré de Padilha ouvir o nome sete saias, ela vai dizer: "Ah, mas eu também tenho esse costume". Só que o costume
08:57
Speaker A
das outras duas sete saias, Calunga e Cabaré, aliás, perd...
09:17
Speaker A
essa do cabaré, ela vai tentar, ela não foi uma boa dançarina como as outras eram, mas ela vai adquirir o nome sete saias porque já era o nome famoso e porque ela tinha o costume de usar sete saias mesmo. E aí que se pega o detalhe
09:31
Speaker A
dela. Ela usava sempre sete camadas de saias e podia combinar com espartilho, tornando aquilo quase que um vestido inteiro. como marca de prostituição, ela acabava usando muito o espartilho por cima da roupa. Quando vocês verem por aí, isso é uma curiosidade, lerris hoje
09:49
Speaker A
em dia, aonde tem aquela amarração do espartilho na frente ou atrás, isso é uma coisa moderna, porque espartilho na época era similar a calcinha e sutiã.
10:00
Speaker A
Ninguém usa calcinha e sutiã para fora da roupa, usa por baixo. Então, as mulheres de família usavam espartilho por baixo da roupa. O vestido vinha por cima, ninguém via espartilho nenhum, a não ser que se fosse uma prostituta,
10:15
Speaker A
então ela iria usar o espartilho por fora, sabe? Mais apertado e por fora, certo? E ela combinava, tinha vários espartilhos. Então ela iria mudando a cor da roupa. Ela tinha, ela gostava muito do vestido vermelho, que era vermelho e preto, mas fora ele, ela
10:33
Speaker A
tinha mais seis vestidos por baixo, né? E aí o que acontece? Quando ela vai pro cabaré da Padilha, ela não se dá bem lá, porque o cabaré da Padilha era um cabaré mais da elite. Ele era na região aonde é
10:47
Speaker A
a Lapa, lá no Rio de Janeiro, inclusive bem pertinho dos Arcos da Lapa, que o cabaré foi demolido, depois construíram outras casas em cima, né? Aquela região não era como é hoje. Hoje o Rio de Janeiro mudou muito. Rio de Janeiro, a
11:00
Speaker A
cidade recebeu vários aterros. Então a há uma dimensão muito grande da cidade que não existia na época, né? que aqu na época antes aquilo era mar. Então tem locais que antigamente eram praia ou eram mangue e hoje são bairros, né?
11:16
Speaker A
Porque eu fui aterrado. A a disposição da da cidade mudou muito, muito mesmo. Tanto que essa região da Lapa não era na cidade, era numa periferia bem bem bem distante e hoje ela é dentro do é no meio da cidade, né? que a cidade
11:33
Speaker A
cresceu muito, mas ainda assim era de fácil acesso às pessoas da cidade chegaram no cabaré de Maria Padilha e ali frequentavam pessoas ricas. Maria Mulambo também frequentava aquela casa, mas ela possuía uma casa própria. O nome dessa casa vocês com certeza já ouviram
11:51
Speaker A
em várias cantigas, que é Boca da Mata. Por que Boca da Mata? Porque era um cabaré com uma estrutura parecida a do de Padilha, só que era bem mais longe.
12:02
Speaker A
Lá mesmo, aonde só dava para ir de cavalo, não tinha nem uma estrada aberta de fato. E esse de cavalo lá, né? E se fosse até numa numa charrete, numa carruagem, capaz de atolar, porque não tinha uma estrada aberta tão clara. Ela
12:16
Speaker A
era mesmo na boca da mata, literalmente. E o Boca da Mata era um cabaré só para dizer o que é, porque na verdade não era cabaré coisa nenhuma, era um bordel, certo? Então ali quando alguém entrava, geralmente o lugar
12:31
Speaker A
estava de certa forma não muito higienizado, tá? Você poderia ver pessoas caídas pelo chão e poderia pensar, algumas estão bêbadas, outras possivelmente mortas, levaram uma facada, uma coisa assim, quem é que sabe? né? Ao subir as escadas tinha que
12:47
Speaker A
se pular uns umas pessoas que estão caídas ali, né? Sempre gente brigando, discutindo, se batendo, música desconexa. Num canto do no canto do salão tem alguém tocando viola, no outro canto alguém tocando sanfona. Então era um lugar de bagunça e só ia ali quem não
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Speaker A
prestava, sabe? E essas sete saias do cabaré, ela vai chegar lá e em vez dela pensar: "Nossa, estou exposta a um ambiente horrível", ela vai pensar assim: "Cheguei no lugar que eu pertenço." E por incrível que pareça, ela adorava aquele logacho,
13:25
Speaker A
tá? E ela vai ganhando dinheiro com a prostituição ali. E ali, como eu falei, era um local de pessoas escusas. Então, a maioria da elite da cidade e de pessoas que não se metiam com coisas mais pesadas não frequentavam boca da
13:40
Speaker A
mata, frequentavam o cabaré vermelho, né, o da luz vermelha, que era o de Maria Padilha.
13:46
Speaker A
Ou seja, mesmo que essas sete saias do cabaré fosse prostituta, havia uma grande quantidade de pessoas da cidade que não sabia nem quem ela era. Todo mundo do cabaré de Padilha era muito famoso. Do Boca da Mata só era conhecido
14:01
Speaker A
por aquele povinho que ia lá. Isso deu a ela a chance de poder transitar pela cidade eh como se não fosse uma prostituta. Então, por mais que ela ganhasse dinheiro com os clientes dela lá no Boca da Mata, ela queria mais
14:18
Speaker A
dinheiro. E aí a Maria Mulambo vai ensinar ela que uma coisa que dá muito dinheiro é enganar o trouxa. Como diz Maria Mulambo, todo dia nasce um trouxa, né?
14:30
Speaker A
E aí vai indicar a ela que ela arranje um mencenas, né, um homem, né, misas é um termo para pessoas que sustentam o outro em troca de algo. Então, antigamente haviam muitos artistas, por exemplo, Leonardo da Vinci, o rei da
14:44
Speaker A
França, era o menas dele, né? Bancava ele, pagava todas as contas, dava hospedagem para que o Davin pudesse pintar à vontade, tá? Então, o Micenas é aquele que sustenta o outro, sabe? por algum motivo, mas sustenta, paga tudo,
14:59
Speaker A
banca. Hoje em dia, mencenas já não existe mais. A gente chama hoje em dia de Sugar Dery, mas antigamente era o nome mais bonito, né? Micenas. A Mulamo diz para ela: "Olha, você é bonita, você é nova, você tem que achar um Mcenas para te
15:15
Speaker A
bancar. E esse cara que você vai encontrar, pode ser qualquer velho lá da cidade que não saiba que você é prostituta, que ache moça humilde. Então a Mulambo disse para ela: "Vai lá e conta pro povo que você é uma empregada
15:29
Speaker A
numa casa de um bacana aí de de alguém da monarquia, alguém da política, algum senhor de escravo, algum dono de cafezal, de de alambique, de fazenda de fumo, alguém chique." Porque o Rio de Janeiro havia algumas regiões ali que
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Speaker A
eram só os casarões, sabe? Porque o Rio de Janeiro era era o local, quando o Salvador perdeu muito do seu prestígio, Rio de Janeiro vira o local mais popular, mais célebre do Brasil. Dessa forma ali tinha muita gente
15:56
Speaker A
endinheirada. E por mais que na época da colonização obviamente existisse a escravidão, muitas casas de pessoas ricas tinham os escravizados para fazer o serviço mais pesado, mas quem servia na sala era uma pessoa branca. Então eles contratavam eh governantas,
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Speaker A
empregadas para serem a funcionária oficial, enquanto por trás quem de fato colocava a mão na massa eram os escravizados negros, né? Então, quando era de manhã cedo, ou até mesmo antes do sol nascer, se via aquele monte de
16:31
Speaker A
mulheres migrando da região mais humilde da cidade, indo pro, né, pro lado lá onde tinham os grandes casarões. Elas iam trabalhar lá e era um era havia escravidão, mas o serviço delas também não era não era fácil, não era simples.
16:47
Speaker A
Muitas eram alemãs, italianas, né, que estavam ali e de fato e eh porque não tinham outra opção. A outra opção seria se prostituir. E é uma vida que tem que ter coragem e beleza. E a maioria tinha até coragem, mas não tinha beleza, né?
17:00
Speaker A
Então elas tinham que pegar no pesado. E essa do cabaré, ela tinha todo um fenótipo, uma aparência cigana, mas ela era muito bonita, então um homem velho e solitário podia ser facilmente enganado. E ela vai atrás, ela vai pra
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Speaker A
cidade e ela troca de roupa. Vai colocar agora a sua primeira roupa de outra cor, põe uma roupa azul, né? e vai para enrolar algum trouxa, para encontrar um homem rico num em algum lugar, só que ela não encontra com facilidade. O que
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Speaker A
ela vai encontrar à primeira vista é um simples padeiro, mas que ganhava algum dinheiro. Com toda a certeza ele não era rico, mas trabalhava e tinha dinheiro. E ele começa a ajudar ela e ela conta para ele essa história. Eu sou governanta,
17:47
Speaker A
né? Eu trabalho, sou fachineira, eu trabalho na casa de um de de uma pessoa lá nobre, de um barão do café e eu não quero mais trabalhar tanto. Eu me sinto muito desgastada e eu sou muito nova, eu
18:00
Speaker A
queria me casar, mas eu só posso me casar quando eu tiver o meu enxoval completo, então eu vou continuar trabalhando e talvez eu tenha que trabalhar mais 10 anos para comprar as coisas ao golpe. E esse padeiro dizia
18:12
Speaker A
para ela, né, 10 anos? Não, você quer eh se casar comigo? Se você se casar comigo, eu te dou dinheiro para você comprar o seu enxoval, né? O enxoval, gente, era tudo. Quando a moça se casava, já que ela não teria dot. Lembra
18:27
Speaker A
do dote, né? Antigamente tinha isso. Se uma mulher casava com o homem, era comum que o pai dessa mulher desse um valor em dinheiro pro homem em compensação, porque ele estava assumindo uma mulher.
18:39
Speaker A
Ou seja, o fato de um homem ser casado com uma mulher era uma coisa tão ruim para ele que ele tinha que ser indenizado de alguma forma. Ela dizia: "Eu não tenho dote, então, eh, quem vai querer se casar comigo, coitadinha de
18:51
Speaker A
mim, e eu vou lá trabalhar para pelo menos ter o meu ter o meu enxoval quando alguém quiser quiser e casar comigo." E o padeiro, um homem que não era velho, tá? Mas era bem bobo, olhava para ela e
19:04
Speaker A
dizia: "Eu caso com você, não tem que ter enxoval nem nada". Ela falava: "Não, é minha honra. Não quero que um homem pague pelas minhas coisas íntimas, né, que eu já traga". Ele falava: "Então, faz o seguinte, você trabalha só mais
19:15
Speaker A
alguns meses e eu vou te dando um pouco de dinheiro e você junta e faz seu enxoval." Ela dizia: "Ai, tá certo, então em vez de trabalhar 10 anos, eu trabalho só mais um ano e você vai suprindo o que falta". E ele falava:
19:28
Speaker A
"Ótimo, vem aqui toda semana que eu te dou dinheiro". E ela não tinha vida sexual com eles, né? Com esse homem e com os outros que viriam, porque eles achavam que ela era virgem e pura.
19:42
Speaker A
E logo ela vai conhecer em outra região da cidade um ferreiro, um homem que de fato fazia ferraduras para para cavalos, fazia dobradiças de porta. E ela conta para ele a mesma história, né? Ai, coitada de mim, o meu enxoval. E este
19:59
Speaker A
homem olha para ela e diz: "Eu caso com você, eu pago seu enxoval. Eu eu não tenho muito dinheiro, mas eu trabalho." E ela agora estava com vestido amarelo.
20:07
Speaker A
E e aí ele diz assim: "Fica fica despreocupado". dela. Ai não, mas eu quero pelo menos trabalhar mais um ano.
20:13
Speaker A
Ele tudo bem. Em vez de você trabalhar 10 anos, trabalha um ano só e toda semana você vem aqui que te dou algum dinheiro. Então, no padeiro, ela ia lá na segunda-feira, eh, ela trabalhava no cabaré de noite. Então, de manhã na
20:26
Speaker A
segunda-feira, de manhã na terça-feira ela ia no ferreiro e na quarta-feira, ah, aí ela ia no carpinteiro que caiu também no golpe. várias profissões, né, que tinha ali na região, em setores da cidade caíram no golpe, ao todo sete, tá? E ela
20:47
Speaker A
continuava se prostituindo lá na Boca da Mata, ninguém sabia e toda semana, todo dia, né, ela ia, saía de casa e voltava com moedinhas de ouro, sem ter que fazer nada. O máximo que ela fazia era dar uns
21:00
Speaker A
beijinhos neles, né? Um beijinho suave, prometendo que se casaria com eles e foi trazendo sempre mais dinheiro e foi juntando um bom dinheiro até o dia que um deles é convidado a ir no cabaré boca da mata. E esse não sabia que o que era
21:17
Speaker A
esse cabaré e vai era uma coisa nova, né? Esse não sei qual deles era, mas tinha ali alguns amigos barra pesada e vai e quando chega lá entra no cabaré. O cabaré Boca da Mata não tinha um palco
21:29
Speaker A
para apresentações, como o de Padilha tinha. O de Padilha tinha um salão bem grande e um palco lá no fundo onde as moças subiam para dançar. O o Boca da Mata, elas dançavam em cima das mesas mesmo, o povo comendo, bebendo e elas
21:42
Speaker A
totalmente nuas em cima das mesas, rebolando e tudo. Era uma coisa bem louca, né? E aí este que era um dos noivos das sete saias do cabaré está lá sentado olhando para cima. uma mulher dançando. Ela não olhou na cara dele
21:59
Speaker A
porque era muita gente ali. E ele tá vendo que aquela moça ele conhece, né? E ela sorria e tudo e de vez em quando algum homem agarrava ela e levava pro quarto e ela ia. E é claro que o
22:12
Speaker A
dinheiro rolava solto, né? Depois ela voltava sorrindo mais ainda, porque juntou mais uma grana e o dinheiro faz ela sorrir muito, tá? O que deixa ela mais contente é ganhar alguma coisa.
22:25
Speaker A
Então, toda vez que alguém pegava ela e levava embora e dava e ela ouvia o som das moedas de ouro ali rolando, era um sorriso que ela abria, que quase rasgava o rosto de tão alegre que ela ficava com o
22:36
Speaker A
dinheiro. E este homem, ele em vez de fazer um escândalo, ele vai ficar calado, muito magoado. Ele sai de lá muito triste e aí ele começa a perseguir ela sem que ela percebesse. Então, no dia seguinte, ela vai ver ele e ele
22:54
Speaker A
trata ela normalmente, né? E quando ela vai embora, ele segue ela e fica espreita. E no dia seguinte, no outro dia de manhã, ela sai e vai ver outro homem e ele vai atrás. Quando ela vai ver outro homem, o padeiro, por exemplo,
23:08
Speaker A
ela vê ele, pega o dinheiro dele, vai pro cabaré e este indivíduo que a seguiu entra na casa do padeiro e diz: "Essa mulher que saiu é quem?" E o padeiro fala: "É minha noiva", né? E aí é complicado porque o homem fala
23:26
Speaker A
assim: "Mas ela também é minha noiva". E aí os dois agora seguem ela e descobrem que no outro dia ela foi na casa de um terceiro? Bom, já imaginam, né? Depois de uma semana os sete homens já estão
23:40
Speaker A
sabendo da armação dela. E aquele tempo era um tempo de muita violência. Então eles decidem matar ela. Eu sei que parece uma coisa muito pesada, mas naquela época se alguém falasse assim: "Ai, uma moça enganou um homem aí, ele
23:56
Speaker A
quebrou o pescoço dela". Era totalmente normal. Ninguém questionava, nem as mulheres questionavam. Era normal, entende? Lavar a honra com sangue, né?
24:05
Speaker A
Então, os sete se juntam a um momento em que ela vai ver um deles. Ela não sabia ainda que eles descobriram. E o sete fazem uma uma emboscada e pegam ela lá, levam pro meio do mato e espancam ela. E
24:19
Speaker A
eu não estou falando de tapas. Ela era uma moça baixinha, magrinha. Eles são homens grandes, todos de profissões pesadas, né? Então, pensa o tamanho de um braço e uma força de um ferreiro, de um padeiro que leva 50 kg de farinha nas
24:32
Speaker A
costas todo dia, né? Então eles dão murros nela mesmo até que ela fique assim no chão acabada, né? o rosto desfigurado de hematomas. E quando eles tocam no pescoço dela e vem que não tem mais vida, eles vão embora, largam no
24:48
Speaker A
meio do mato como se não fosse nada. E o que acontece é que ela não morreu. Ela estava com a pressão muito baixa pela pela violência. Depois de alguns minutos, ela abre os olhos, né?
25:02
Speaker A
Mal conseguia se se mover. ficou ali no meio do mato um bom tempo, horas, e aos poucos foi se levantando e em vez, ela era muito esperta e sempre foi, em vez dela sair da mata e ir pra estrada para
25:14
Speaker A
ir pra cidade e pedir ajuda ou para alguém ver ela e socorrer, ela vai andando no meio do mato, que ela tinha uma noção de onde estava, e chega no cabaria boca da mata depois de horas, andando bem devagarzinho, bate na porta
25:27
Speaker A
dos fundos, mulambo abre já achando que era o leiteiro, porque uma coisa que mulambo gostava era de receber o leiteiro todo dia.
25:35
Speaker A
dia e não era o leiteiro, tá? Era ela. E a mulambo fica assustadíssima com aquela que a mulambo já tinha visto muita coisa ruim, mas é sempre muito ruim você ver o mal em alguém que você gosta. E mulambo
25:49
Speaker A
gostava muito dela. E ela vê aquela moça, sim, ela a moça, a sete saias teve que dizer quem era para Mulambo reconhecer, né? E Mulambo pega ela e cuida dela. Só que vocês podem pensar que esta Sisaias estava chorando
26:06
Speaker A
e muito triste pela violência. Não, quando ela lá no mato abriu os olhos, ela já sabia que ela ia se vingar. Ela é assim, ela é muito mais fria do que normalmente as pessoas são. Então, enquanto ela estava caminhando ferida
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Speaker A
até o cabaré, ela já estava com a cabeça dela montando o plano do que ela ia fazer.
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Speaker A
E como ela tinha muito dinheiro guardado, que mulambo era amiga dela, mas amigos, amigos, negócios da parte, né? Ela pôde pagar as taxas de mulambo sem ter que trabalhar. Então, ela pôde morar no cabaré, eh, escondida lá, ninguém podia ver ela durante meses até
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Speaker A
que ela se recuperasse. Então, foram meses e quase um ano para que ela voltasse a ter o rosto normal, sem hematomas, e o corpo sem nenhuma marca.
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Speaker A
E ela volta a ser linda. Até acabam quebrando um dos dentes dela, mas já na época haviam técnicas de de restauração mais ou menos. Ela consegue colocar e aí coloca um dente de ouro aqui no fundo assim, ó. Vocês verem como ela era chique, né?
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Speaker A
E aí está ótima. E coloca o plano em prática. Maria Mulambo era muito famosa, sempre foi muito famosa. Então a Mulambo decidi ajudá-la.
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Speaker A
E com o dinheiro que a Seti Saas ainda tinha, ela vai comprar uma casa. Bom, a Saias comprou esta casa ali, uma que o Rio de Janeiro sempre teve muita questão de as pessoas imaginavam que tal lugar iria dar origem a uma nova cidade e não
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Speaker A
dava. Então havia assim, às vezes no meio do mato uma casa completa abandonada. Até hoje, na verdade, se você andar no meio do mato por aí no Brasil, você acha duas, três casas, uma vila abandonada, porque juravam que ali
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Speaker A
iria dar origem a um novo local e não deu certo, né? Mas ela vai comprar uma dessas casas que tinha, que era uma casa até recente, mas ninguém morava e não tinha acesso normal até aquela casa.
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Speaker A
Então ficou por isso mesmo, comprou barato a casa. A Mulambo vai mandar cartas pros sete homens, convidando eles pra inauguração de um novo cabaré. E ir ao cabaré, gente, era uma coisa de status, tá? Tudo lá era caro e no dia de
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Speaker A
inauguração geralmente era gratuito, né? Então estes homens, é claro, todos vão. Quando chegam lá nesta casa, acho muito estranho. Era uma casa que era uma casa até bonita, mas velha, acabada. Eles vem que está iluminada por dentro, tem velas
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Speaker A
acesas, tem o lustre e tudo. Entram e quando entram alguém fecha a porta por trás deles, né? Eles foram meio tolos porque só estavam sete lá e eles já se conheciam, né? Fecha por trás deles e lá no meio da sala está sete saias do
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Speaker A
cabaré. E ela não está sozinha, é claro. Há outros homens que ela pagou para defender ela, né? Então, estes homens que ela pagou dão uma bela de uma surra neste set, né? E ela ries, ela ri muito. Em seguida, ela se despede de
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Speaker A
cada um com um beijo e sai da casa. Quando sai, quando sai da casa, os homens que estavam ali, o sete percebem que a casa está toda com cheiro muito esquisito, né? Porque tinha óleo na casa toda. Ela que ela estava
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Speaker A
fumando, ela ama fumar, ela joga o cigarro dela para trás, né? E bum, a casa pega fogo. E ela ficou lá um tempo ouvindo os gritos porque eles demoraram um pouquinho para carbonizar, né? Então eles morrem ali, entende? E ela ri
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Speaker A
muito. E aqui acaba-se a história que é mais popular dela, né? Ela acabou com os sete maridos. E o que tem depois disso?
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Speaker A
Nós não temos muita ideia. Nós sabemos que ela ficou no cabaré, mas um pouco depois ela some. Só que ela não morre a princípio. O que a gente sabe na espiritualidade é que ela toma o gosto pela coisa. Ou seja, isso de enganar,
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Speaker A
mentir e às vezes matar é uma coisa que ela passou a fazer sem nenhum sem nenhum tipo de dificuldade. E é claro que espiritualmente isso causa muito prejuízo. Então esta sete saias do Cabaré quando foi viva, ela não foi uma
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Speaker A
feiticeira. Ela vira uma entidade porque a alma dela está muito torta. E aí a família dela de origem cigana no espiritual tenta socorrê-la quando ela morre e ninguém sabe como ela morre, né?
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Speaker A
Talvez tenha morrido até de até de idade, de velice, né? E ali ela vai tentar virar uma uma moça cigana, não vai dar certo. Ela acaba então encontrando as outras sete saias e entra na falange e vira, né? Ela
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Speaker A
ela é uma das que chega por último, tá? Ela chegou por último e virou a mais famosa também, né, gente? Olha a personalidade marcante que essa mulher tem. Como é que ela não ia ser a mais famosa? Tanto que as imagens de as
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Speaker A
imagens da Sete saias, esta aqui coloridinha é da cigana sete saias. Eu sou das sete saias, das sete encruzilhadas, mas essa imagem também pode representá-la, tá? Geralmente a das sete encruzilhadas é só preto, vermelho e dourado, né?
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Speaker A
Mas a do cabaré, ela usa uma imagem muito específica, que é a imagem onde ela tem os seios de fora. Vocês com certeza já viram essa imagem em algum lugar. Ela tem as mãos juntas sobre a saia e os seios de fora para mostrar que
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Speaker A
ela é uma mulher um pouco mais atirada, certo? Porque todas se prostituíram, mas essa ela ela, vamos dizer que ela fez escola na prostituição, né? Ela era uma pessoa que ela não era vítima de forma geral. Ela, na verdade, ela escolhia o
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Speaker A
caminho dela, aguentava ele e vivia bem, né? Ela, na verdade, com tudo isso, pelo jeito, foi uma pessoa muito feliz, entende? Muito realizada, porque sempre que derrubaram ela, ela se reerguia e ficava duas vezes maior. Sempre, entende? Então, foi feliz, né? Só que o
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Speaker A
meio que ela encontrou, a felicidade é o meio que o espiritual não acha muito legal. Por isso hoje durante algum tempo, ela vai ter que ser uma entidade e trabalhar. Quanto tempo? É, não, não tenho ideia, mas ela já tem um certo
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Speaker A
status, né, e continua bem. Só que, por mais que ela seja uma moça maravilhosa e hoje como entidade ela seja muito feiticeira e faça muitas coisas, deve se lembrar que o caráter dela não representa as outras sete saias, certo?
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Speaker A
As outras geralmente são bem mais calmas e não fizeram tantas coisas pesadas. A maioria nem fez nada pesado, né? Como esta fez, entende? O caráter das sete saias do cabaré se aproxima muito do caráter de Maria Mulambo, certo? E a das
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Speaker A
outras sete saias se aproxima muito mais de Maria Padilha e Maria Quitéria, entende? Então, espero que tenham gostado. A próxima que eu vou contar em breve é Sete Saias da Calunga, que tem uma história belíssima, né? Ela viveu no
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Speaker A
tempo de Maria Quitéria e a dela é muito mais triste a história dela, porque ela se prostituiu, mas ela não queria. E ela, na verdade, ela queria ter uma família, mas é um tempo cruel, né? Aí você vê, todas são sete saias,
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Speaker A
mas elas não são iguais. Não é farinha do mesmo saco, não é? Entende? Mas vamos lá, né, pessoal? Cada dia um conto. Logo mais eu volto. E se você quiser que eu conte uma história de alguma outra entidade, comenta aqui. E
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Speaker A
também para ajudar a engajar o vídeo. Eu soube que quanto mais comentários um vídeo tem, é, mas ele fica engajado.
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Speaker A
Então, se você puder ajudar, comente aqui embaixo alguma coisa sobre o vídeo. Se não tiver nada para comentar, comente o emoji de uma rosa. E vamos assim, pessoal. Muito obrigado. Até mais.
Topics:Sete Saias do CabaréFelipe CapriniFalange das Sete SaiasEspiritualidade afro-brasileiraMaria PadilhaMaria MulamboCultura ciganaReligião e espiritualidadeHistória do Rio de Janeiro colonialPanelinha de entidades

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