Jurandir Gouveia discute a polêmica da escalação de Lupita Nyong'o como Helena de Troia no filme de Nolan, abordando questões históricas e narrativas.
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Key Takeaways
- A polêmica sobre Lupita Nyong'o como Helena de Troia envolve questões históricas e narrativas.
- Mudanças étnicas em personagens podem ser uma forma de reparação histórica e inclusão.
- Nem toda alteração faz sentido narrativamente; a coerência da história é fundamental.
- A escassez de papéis para atores negros influencia decisões de elenco.
- É importante separar argumentos baseados em fatos históricos dos que são motivados por ideologias.
What the video covers
- Jurandir Gouveia comenta a polêmica envolvendo Lupita Nyong'o como Helena de Troia no filme A Odisseia de Nolan.
- O vídeo destaca duas controvérsias principais: as armaduras históricas e a etnia da personagem Helena de Troia.
- A discussão gira em torno da fidelidade histórica e geográfica da representação de Helena como mulher negra.
- O autor explica que a confirmação oficial da escalação ainda não ocorreu, mas o rumor persiste.
- Ele aborda o revisionismo histórico e a distorção dos textos clássicos para justificar a mudança étnica.
- Gouveia contextualiza a troca de etnia em personagens como uma tentativa de reparação histórica e inclusão.
- Ele cita o fenômeno do Blackface e a inversão atual, com atores negros interpretando papéis originalmente brancos.
- O vídeo também fala sobre a escassez de papéis para atores negros e a valorização do talento desses atores.
- Exemplos como a possibilidade de Idris Elba ser James Bond são usados para discutir a coerência narrativa.
- A conclusão é que a questão central é se a mudança impacta a narrativa e a história de forma significativa.
Chapters
- 00:00Introdução e polêmicas iniciais
- 00:59Questão da Helena de Troia negra
- 04:00Discussão sobre representatividade e atores negros
- 09:30Análise da narrativa e etnia na história
- 15:00Beleza, atuação e diversidade no elenco
- 18:00Contexto histórico e social da obra
- 19:00Críticas a Nolan e expectativas para o filme
- 22:00Conclusão e próximos vídeos
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Speaker A
Damas e cavalheiros, eu tentei.
Speaker A
Eu tentei bastante.
Speaker A
Eu podia ter tentado mais?
Speaker A
Podia.
Speaker A
Eu devia ter tentado mais?
Speaker A
Provavelmente, mas depois de ver tanta coisa sendo dita a esse respeito e muitas dessas coisas sendo besteiras gigantescas de todos os lados.
Speaker A
Eu quero falar sobre toda essa polêmica que está envolvendo a questão da escalação de Lupita Nyong'o para interpretar Helena de Troia no filme A Odisseia.
Speaker A
Acontece que o filme pelo qual eu estou mais ansioso esse ano é, sem dúvida, a Odisseia de Nolan, é um filme pelo qual todos estão muito ansiosos, ele já esgotou os ingressos nos Estados Unidos para as salas IMAX, é um filme que já é um sucesso de bilheteria antes mesmo de ser lançado.
Speaker A
Só que acontece que recentemente quando Nolan lançou o seu trailer, duas polêmicas surgiram.
Speaker A
A primeira polêmica foi com relação às armaduras.
Speaker A
E toda a vestimenta dos guerreiros.
Speaker A
Porque é incompatível com a questão histórica.
Speaker A
A segunda questão que levantaram é com relação a Helena de Troia.
Speaker A
Porque durante o trailer percebe-se Lupita Nyong'o de forma estratégica.
Speaker A
Provavelmente sendo descrita como Helena de Troia.
Speaker A
E daí surgiu todo um debate na internet.
Speaker A
Porque afinal de contas, Helena de Troia não era uma mulher negra.
Speaker A
Obviamente.
Speaker A
Tanto pela descrição que ela tem no livro A Ilíada.
Speaker A
Como também por uma questão histórica e geográfica.
Speaker A
Então é bem óbvio que ela não era uma mulher preta.
Speaker A
Só que a questão ganhou muita força, muito debate na internet.
Speaker A
De pessoas atacando, de pessoas tentando fazer revisionismo histórico.
Speaker A
De pessoas dizendo que isso é só lacração.
Speaker A
Vamos entender o que realmente está por trás disso.
Speaker A
Vamos entender se isso realmente importa e se era para tudo isso e o que de fato importa nessa história.
Speaker A
Porque existem pontos dos dois lados que fazem sentido.
Speaker A
E a gente precisa entender o que está sendo dito, o que está por trás do que está sendo dito.
Speaker A
E qual que é a verdade que está acima de tudo isso.
Speaker A
Então, primeira coisa, é que ainda nem se confirmou.
Speaker A
É provável, muito provável que a Lupita Nyong'o vá ser realmente Helena de Troia.
Speaker A
Mas isso nem foi confirmado, se tornou como um rumor.
Speaker A
Mas como não foi desfeito, desmentido.
Speaker A
É bem provável que ela vá ser realmente a Helena de Troia.
Speaker A
E é claro que daí sempre aparece uma galera tentando fazer revisionismo histórico.
Speaker A
Distorcer os textos históricos, distorcer a Ilíada, a Odisseia.
Speaker A
Para tentar dizer que Helena de Troia poderia ser uma mulher preta.
Speaker A
Ou poderia ter qualquer outra cor.
Speaker A
Não é compatível com a história, não é compatível com os textos.
Speaker A
Não é compatível com a geografia.
Speaker A
Não é compatível com o raciocínio e inteligência e QI.
Speaker A
Então, esse tipo de argumento não pode ser utilizado de forma alguma.
Speaker A
Agora, para deixar claro, mudar a etnia de um personagem é sempre chato.
Speaker A
Sempre chato.
Speaker A
Aliás, você sabe por que que hoje em dia acontece muito.
Speaker A
De personagens brancos serem interpretados por pretos?
Speaker A
Por dois motivos.
Speaker A
O primeiro é, obviamente, uma tentativa de reparação histórica.
Speaker A
Porque durante décadas, durante, pô, séculos, porque isso vem desde o teatro.
Speaker A
Personagens pretos foram interpretados por pessoas brancas.
Speaker A
É só você ver a peça Otelo de Shakespeare que durante séculos foi interpretada por homens brancos.
Speaker A
E Otelo não era um homem branco, obviamente.
Speaker A
É só quem não leu Otelo que vai acreditar que Otelo era um homem branco.
Speaker A
E durante décadas nos Estados Unidos ocorreu um fenômeno chamado Blackface, quando é atores brancos interpretavam personagens pretos.
Speaker A
Para isso pintavam o rosto, faziam uma interpretação extremamente estereotipada e racista desses personagens pretos.
Speaker A
Então, se você é uma pessoa que fica chateada hoje em dia com, ah, o inspetor do Batman foi trocado para o, para, para um homem preto.
Speaker A
Que absurdo.
Speaker A
Se você fica chateado com esse tipo de, de alteração.
Speaker A
Dá uma estudada na história e veja como que isso foi feito durante muito tempo.
Speaker A
De forma invertida e de forma muito, muito desrespeitosa.
Speaker A
Mas agora o jogo mudou.
Speaker A
E parece que estão muitas vezes fazendo a mesma coisa chata.
Speaker A
De uma maneira, pelo menos, um pouco mais elegante.
Speaker A
É, da outra perspectiva.
Speaker A
Colocando agora personagens brancos para serem interpretados por personagens pretos.
Speaker A
E isso acontece por dois motivos, o primeiro, como eu falei, dessa tentativa de reparação histórica.
Speaker A
Que muitos vão chamar de lacração ou de cultura woke.
Speaker A
O segundo motivo é muito simples.
Speaker A
Nós temos muitos atores pretos que são muito bons.
Speaker A
E poucos papéis para esses atores.
Speaker A
Poucos papéis sendo escritos para esses atores.
Speaker A
Então o que acontece, muitas vezes o produtor vai fazer essa alteração.
Speaker A
Porque ele quer dar a oportunidade para esse ator preto que é muito bom.
Speaker A
Para interpretar um papel que era de um ator branco originalmente.
Speaker A
E pronto.
Speaker A
Acabou.
Speaker A
E é isso que acontece muitas vezes.
Speaker A
Não é porque o cara tá, ah, eu tenho que lacrar, tenho que lacrar.
Speaker A
Isso acontece com alguns.
Speaker A
Mas não são todos os casos.
Speaker A
Muitas vezes é só porque, cara, eu gosto tanto dessa atriz, eu gosto tanto desse ator, são tão bons.
Speaker A
Não estão conseguindo papéis porque, porque não existem roteiristas que estão fazendo papéis para essas pessoas.
Speaker A
E então, resolvem colocar em papéis originariamente pensados para atores brancos.
Speaker A
E você pode discordar, concordar.
Speaker A
Isso não importa.
Speaker A
Isso são os fatos que eu estou falando.
Speaker A
Só que muitas dessas vezes é completamente incoerente.
Speaker A
Eu percebo isso.
Speaker A
Todo mundo percebe isso.
Speaker A
Por exemplo, aventou-se por bastante tempo a possibilidade de James Bond ser interpretado por um ator preto.
Speaker A
Como, por exemplo, o Idris Elba.
Speaker A
E eu sou um dos maiores fãs do Idris Elba, eu acho ele um excelente ator.
Speaker A
Eu acompanho desde a série The Wire.
Speaker A
Mas o que acontece, o próprio Christopher Waltz, que é o cara que é, interpretou um dos vilões do 007.
Speaker A
E que também fez alguns filmes com o Tarantino, como Django Livre.
Speaker A
O Christopher Waltz foi perguntado sobre essa possibilidade.
Speaker A
Olha qual foi a resposta dele.
Speaker B
Do you think we'll ever have an African-American James Bond?
Speaker C
The possibility or
Speaker B
Existe a possibilidade?
Speaker C
Well, I mean, you know, I, I, I see a possibility in everything.
Speaker C
Mas precisa fazer sentido para a história.
Speaker B
Okay.
Speaker C
It wouldn't make sense to cast Martin Luther King with a white man, would it?
Speaker B
Not at all.
Speaker C
There you go.
Speaker B
Rumor has it that Idris Elba is
Speaker C
I didn't know, I didn't know.
Speaker B
São muitos rumores e ninguém sabe nada.
Speaker C
You know, I mean, a thousand, a thousand rumors about everything.
Speaker C
Nobody knows anything.
Speaker C
Um, of course, of course, uh, Bond could be black just as well as white.
Speaker C
You know, or, or Asian.
Speaker C
It just needs to make sense in the story.
Speaker A
Nem sempre a alteração faz sentido.
Speaker A
E não é só porque, ah, o James Bond é historicamente um personagem branco.
Speaker A
Mas também, se não me engano, foi numa entrevista do próprio Idris Elba.
Speaker A
Que eu ouvi ele falar algo a respeito.
Speaker A
Também pela, pelo fato seguinte, cara, o James Bond é um espião.
Speaker A
Que normalmente tem suas aventuras ali pela Europa.
Speaker A
E ele precisa entrar e sair desapercebidamente.
Speaker A
Se você é um negão como o Idris Elba, de 70 metros de altura.
Speaker A
Musculoso, com uma expressão facial muito característica no meio de uma festa de bilionários.
Speaker A
Que normalmente são pessoas brancas.
Speaker A
E ele entra no castelo dessa festa.
Speaker A
Você acha que ele vai conseguir passar desapercebido?
Speaker A
Você acha que ele vai conseguir caminhar ali sem ser notado?
Speaker A
Tal, fazer os esquemas e sair.
Speaker A
Ninguém sabe quem foi que fez.
Speaker A
É, é, é complicado do ponto de vista narrativo.
Speaker A
Não quer dizer que o Idris Elba seja um péssimo ator.
Speaker A
Ele é um excelente ator.
Speaker A
Não quer dizer que uma história semelhante não pudesse funcionar em outro contexto.
Speaker A
Poderia.
Speaker A
Mas nesse contexto, narrativamente, não faz muito sentido.
Speaker A
E seriam necessárias distorções na forma como essa história é contada.
Speaker A
Para ela fazer sentido.
Speaker A
Então, a questão central para você entender se Lupita Nyong'o como Helena de Troia faz sentido ou não.
Speaker A
É você pensar da perspectiva narrativa.
Speaker A
Se isso vai impactar ou não a forma como essa história é contada.
Speaker A
A narrativa dessa história.
Speaker A
Essa história é comprometida por conta disso.
Speaker A
Vou pegar um exemplo de algo recente que eu falei aqui no canal.
Speaker A
Que foi o filme O Morro dos Ventos Uivantes, né?
Speaker A
Que eu apelidei de O Morro dos Minotauros Ordenhados.
Speaker A
Se você ainda não assistiu esse vídeo, quer entender essa referência, assiste que está no canal.
Speaker A
Acontece que no Morro dos Ventos Uivantes da Emily Brontë, no livro.
Speaker A
Heathcliff é descrito explicitamente como negro.
Speaker A
E depois é dito explicitamente que ele seria filho de uma mistura de chinês com indiano.
Speaker A
E assim, deixam de forma meio dúbia qual seria essa etnia bagunçada dele.
Speaker A
A questão é que ele não era branco.
Speaker A
Provavelmente ele era uma espécie de cigano e isso é mostrado de forma sugerida nessa história.
Speaker A
Mas de qualquer forma, a etnia, a cor de pele dele na história importa.
Speaker A
Porque as pessoas têm preconceito, racismo contra ele.
Speaker A
E isso é uma das principais causas da revolta dele e de ele se tornar um vilão na história.
Speaker A
Por conta da forma como ele é tratado pela sua etnia, chamado de animal, de cachorro, de nojento, de violento.
Speaker A
É, de selvagem, então a etnia dele importa narrativamente pra caramba.
Speaker A
Mas.
Speaker A
Quando você vai ver todos os filmes e peças que foram feitas baseados no livro O Morro dos Ventos Uivantes.
Speaker A
Você vai ver que 99,9% colocaram o Heathcliff como um homem branco.
Speaker A
Apenas um filme colocou como um homem preto.
Speaker A
E adivinha, gerou revolta na época.
Speaker A
Como assim, Heathcliff preto?
Speaker A
Que absurdo.
Speaker A
Pessoal, obviamente, não leu a obra.
Speaker A
Nesse caso, e aconteceu recentemente no filme com a Margot Robbie.
Speaker A
Também é interpretado pelo Elord, que é um ator branco.
Speaker A
Nesse caso, a etnia, ela importa narrativamente para a história.
Speaker A
No caso de Helena de Troia.
Speaker A
Importa a etnia para a história?
Speaker A
Não.
Speaker A
A etnia importa para a história do ponto de vista do histórico.
Speaker A
Do que aconteceu.
Speaker A
Dos fatos históricos.
Speaker A
Porque durante muito tempo, é, essa, essa obra foi lida como uma obra histórica.
Speaker A
Não apenas como um retrato mitológico ou como uma obra de ficção.
Speaker A
Mas como uma obra histórica.
Speaker A
Então, do ponto de vista da história.
Speaker A
Isso importa.
Speaker A
Para os historiadores.
Speaker A
Do ponto de vista da história do filme, da narrativa.
Speaker A
Isso importa?
Speaker A
A cor da pele da Helena de Troia?
Speaker A
Não.
Speaker A
Porque a única coisa que importa do ponto de vista narrativo é que a Ilíada deixa, deixa muito claro.
Speaker A
Que a beleza da Helena de Troia era tão grande que era capaz de motivar mil navios a saírem para a guerra.
Speaker A
Ela era tão bela, tão bela que as pessoas lutariam e morreriam por ela.
Speaker A
Porque a beleza dela inspirava.
Speaker A
A beleza dela importa.
Speaker A
Agora, meu amigo.
Speaker A
Aqui entra o racismo.
Speaker A
Aqui entra o racismo.
Speaker A
Porque teve muito racismo na forma como essa história foi tratada.
Speaker A
E uma das formas como ele se manifestou foi através dessa figura que foi compartilhada até mesmo pelo Elon Musk.
Speaker A
E essa foto, essa montagem que foi feita.
Speaker A
Mostra a Diane Kruger, que foi a que fez a Helena de Troia.
Speaker A
No filme Troia, com o Brad Pitt.
Speaker A
E temos aqui a Lupita Nyong'o.
Speaker A
E daí disseram, ah, Lupita Nyong'o interpretando a Helena de Troia.
Speaker A
Aí você vê a Diane Kruger na sua beleza total.
Speaker A
Como a filha de Zeus.
Speaker A
Linda, maravilhosa, pele cuidada, tudo bonitinho.
Speaker A
E como que eles colocam a Lupita Nyong'o do seu lado?
Speaker A
Interpretando uma escrava em 12 anos de escravidão.
Speaker A
Acabada, semblante decaído, a pele ferida.
Speaker A
Suada.
Speaker A
Lupita Nyong'o é uma das atrizes mais bonitas da atualidade.
Speaker A
Ela é lindíssima.
Speaker A
Se a questão é que a gente precisa de pessoas, uma mulher que seja bonita para motivar a guerra.
Speaker A
Lupita Nyong'o preenche esse espaço narrativo.
Speaker A
Ela não preenche o espaço histórico.
Speaker A
Tá bom.
Speaker A
Não preenche o espaço histórico.
Speaker A
Mas o espaço narrativo, ela preenche.
Speaker A
Você pode ter a sua opinião à vontade.
Speaker A
Dizer assim, ah, mas eu acho a Diane Kruger mais bonita que a Lupita Nyong'o.
Speaker A
Beleza, cara.
Speaker A
Não tem problema.
Speaker A
Você pode achar uma mais bonita do que a outra.
Speaker A
Isso não tem problema nenhum.
Speaker A
O fato é que, objetivamente, a Lupita Nyong'o é uma mulher belíssima.
Speaker A
E fazer uma comparação como essa, ela é eivada de racismo.
Speaker A
Eivada de racismo.
Speaker A
Porque justamente está fazendo uma justaposição não da cor da pele, mas da beleza.
Speaker A
Pega a Lupita Nyong'o em um momento onde ela não está bonita.
Speaker A
Onde ela está acabada.
Speaker A
E coloca para comparar com a Diane Kruger.
Speaker A
Só que daí entra um elemento aqui.
Speaker A
A Diane Kruger.
Speaker A
Ela é uma atriz mediana, no máximo.
Speaker A
E eu fiz um vídeo sobre a polêmica do Tarantino com o Paul Dano.
Speaker A
Onde eu falo sobre os níveis de atuação.
Speaker A
A Diane Kruger está naquele nível bem mediano.
Speaker A
Compará-la agora do ponto de vista de atuação com a Lupita Nyong'o.
Speaker A
É até um crime.
Speaker A
Fala aí quantos filmes legais a Diane Kruger fez que você se lembra da atuação.
Speaker A
Nossa, que atuação fantástica.
Speaker A
Não.
Speaker A
Lupita Nyong'o, todo filme que ela faz, mesmo os filmes ruins.
Speaker A
Ela faz muito bem.
Speaker A
Ela é uma excelente atriz, muito, muito superior a Diane Kruger.
Speaker A
Agora, quer ver outra besteira gigantesca que tem se dito com relação a esse assunto?
Speaker A
É que muita gente está falando que o Christopher Nolan fez essa alteração por conta do Oscar.
Speaker A
Porque ele quer ganhar o Oscar.
Speaker A
E eles estão dizendo isso por conta de um documento que, se não me engano, é lá de 2005.
Speaker A
Mas entrou em vigor em 2024.
Speaker A
Sobre os critérios para se concorrer ao Oscar.
Speaker A
E entre esses critérios para concorrer ao Oscar de melhor filme.
Speaker A
Está que você deve ter diversidade.
Speaker A
Só que existem níveis nesses critérios.
Speaker A
Você pode ter diversidade no elenco, nível A.
Speaker A
Você pode ter diversidade, é, na produção, nível B.
Speaker A
E outros tipos de diversidade.
Speaker A
Você não precisa ter todos.
Speaker A
O Christopher Nolan não é obrigado a fazer um casting de personagens pretos para concorrer ao Oscar.
Speaker A
Isso não é verdade.
Speaker A
Não existe essa regra.
Speaker A
Ele pode fazer assim.
Speaker A
Ou ele pode colocar essa diversidade na equipe que está fazendo a produção.
Speaker A
Que pode ser um diretor de fotografia.
Speaker A
Uma pessoa da maquiagem.
Speaker A
É, uma pessoa do, da escolha de elenco.
Speaker A
É, um assistente de direção.
Speaker A
Não importa.
Speaker A
É na equipe que participa.
Speaker A
Ele também pode fazer dessa forma.
Speaker A
E existem outros critérios que podem ser feitos.
Speaker A
Então, esse argumento de que, não, o Nolan colocou a Lupita Nyong'o porque ele quer ganhar esse Oscar.
Speaker A
E ele precisa.
Speaker A
Não, não precisa.
Speaker A
Um elenco, por exemplo, de O Senhor dos Anéis hoje, que era todo branco, continuaria concorrendo ao Oscar do mesmo jeito.
Speaker A
Uma coisa engraçada é o fato de que quando você olha para o casting desse filme.
Speaker A
Nenhum desses atores é grego.
Speaker A
Para começar por aí.
Speaker A
Nenhum deles é grego.
Speaker A
Existem outros atores pretos que estão envolvidos nesse elenco.
Speaker A
E tem até um coreano.
Speaker A
Tem um coreano e eu tenho certeza absoluta de que na Grécia antiga não tinha nenhum coreano.
Speaker A
Mas isso importa?
Speaker A
Não importou para quem estava criticando a Helena de Troia.
Speaker A
Só ela que importa.
Speaker A
Ah, porque o outro vai ficar ali, não é tão importante o papel e tal.
Speaker A
Mas aí que tá, meu amigo.
Speaker A
Se não importa narrativamente, eu entendo a sua dor.
Speaker A
Eu entendo o seu sofrimento como um historiador renomado que leu a Odisseia e a Ilíada.
Speaker A
73 vezes no último ano.
Speaker A
Eu entendo a sua dor.
Speaker A
Mas do ponto de vista prático, narrativamente.
Speaker A
Não importa.
Speaker A
Importa mais o fato de as pessoas ficarem revoltadas com isso hoje.
Speaker A
Porque esse tipo de alteração sempre aconteceu em toda a história.
Speaker A
De personagens históricos ou de personagens fictícios.
Speaker A
Mas a gente vive num momento social onde qualquer tipo de mexida.
Speaker A
Qualquer tipo de movimento que seja racial, social, qualquer coisa do gênero.
Speaker A
Já soa como lacração.
Speaker A
Agora, vamos olhar para o histórico.
Speaker A
Nolan nunca foi um cara envolvido no movimento woke.
Speaker A
Nunca foi um lacrador.
Speaker A
Os filmes dele, na verdade, são muito criticados por críticos de esquerda.
Speaker A
Que o consideram conservador demais.
Speaker A
Então, Nolan que era visto como até mesmo um baluarte do cinema conservador por parte de muitos.
Speaker A
Agora é atacado por uma escolha criativa que narrativamente não tem impacto.
Speaker A
Apenas do ponto de vista histórico.
Speaker A
Mas isso daqui não vai ser um documentário.
Speaker A
Vai ser uma obra de ficção.
Speaker A
Então, eu preferia que fosse uma atriz ou outra no lugar da Lupita Nyong'o.
Speaker A
Não necessariamente.
Speaker A
Eu ainda não assisti o filme.
Speaker A
Aí que tá.
Speaker A
A gente ainda não assistiu o filme.
Speaker A
A gente não sabe nem qual é o nível de participação e protagonismo que essa mulher vai ter na história.
Speaker A
Sabe por quê?
Speaker A
Porque o Nolan, ele é péssimo em escrever mulheres.
Speaker A
Então, todo mundo está debatendo se, ah, ela devia ser ou não preta.
Speaker A
Que coisa.
Speaker A
Como que vai ser?
Speaker A
Quando, na verdade, provavelmente a participação dela vai ser tão pequena.
Speaker A
Tão insignificante nessa história.
Speaker A
Que nem vai importar.
Speaker A
Porque o Nolan, nas suas histórias, raramente consegue escrever mulheres bem.
Speaker A
Muito raramente, é uma das principais críticas que os críticos fazem com relação ao material do Nolan.
Speaker A
Então, no final das contas, todo um debate está sendo feito por algo que provavelmente nem vai ter tempo de tela suficiente.
Speaker A
Para ser narrativamente relevante.
Speaker A
Eu só acho muito preocupante quando a gente tem pessoas dizendo coisas como, ah.
Speaker A
Não vou assistir mais por causa disso.
Speaker A
É sério que isso é o suficiente para você não querer assistir a um dos maiores eventos cinematográficos da história?
Speaker A
Ao filme mais aguardado dos últimos anos.
Speaker A
A adaptação que eu sempre anseio.
Speaker A
Eu amo a Odisseia.
Speaker A
Tanto que o meu filho se chama Ulisses.
Speaker A
Eu amo essa obra também.
Speaker A
Não quer dizer que, ah, o Jurandir fala isso porque ele não ama a Odisseia.
Speaker A
Meu amigo, eu amo tanto a Odisseia que o nome do meu filho é Ulisses.
Speaker A
E eu imagino que nem vai chamar Ulisses no, no filme, vai chamar de Odisseu mesmo.
Speaker A
Que é a versão grega original.
Speaker A
Mas eu coloquei o nome de Ulisses do meu filho.
Speaker A
Então, eu amo essa obra.
Speaker A
Eu acho que ela é uma das obras mais importantes da história da humanidade.
Speaker A
Que influencia toda a literatura posterior.
Speaker A
Que influencia toda a forma como narramos histórias, como fazemos arcos de personagem.
Speaker A
Jornadas de herói.
Speaker A
Ela é extremamente seminal e importante.
Speaker A
Então, essa história, eu estou doido para ver.
Speaker A
Christopher Nolan é um dos melhores diretores da atualidade.
Speaker A
Ele faz obras que são belíssimas, poderosas e que se comunicam com as pessoas.
Speaker A
E por isso são sucesso de bilheteria.
Speaker A
E, com certeza, a gente está diante de um dos maiores sucessos de bilheteria da história que vai ser esse filme.
Speaker A
Eu não tenho dúvidas quanto a isso.
Speaker A
Que vai ser um excelente filme.
Speaker A
Eu estou ansioso por ele.
Speaker A
Mas me diz aí, o que que você acha também desse, desse formato?
Speaker A
Eu quero tentar criar um canal de comunicação mais aberto aqui no nosso canal.
Speaker A
A gente vai continuar tendo os nossos vídeos de análises profundas e reflexivas toda semana.
Speaker A
Mas também quero abrir a possibilidade da gente ter uma conversa um pouco mais informal, falar sobre alguns assuntos que estão acontecendo nesse mundo cinematográfico, literatura.
Speaker A
Me dá dicas aí, fala aí nos comentários sobre o que você gostaria que eu falasse nos próximos vídeos.
Speaker A
Porque vai ser um prazer gravar mais, postar mais vídeos e conversar mais com vocês também aqui no canal.
Speaker A
Um forte abraço.
Speaker A
E aí, Redit.
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