Análise crítica do donghua chinês To Be Hero X, que mistura anime e temas políticos sobre confiança, poder e expectativas sociais.
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Key Takeaways
- Superpoderes em To Be Hero X são diretamente ligados à confiança social e expectativas públicas.
- A pressão para corresponder às expectativas pode ser uma forma de prisão, como exemplificado pelo personagem Enrist.
- A Associação de Heróis atua como um órgão regulador para evitar o abuso de poder e manter o equilíbrio social.
- A série utiliza técnicas de animação inovadoras que dialogam com a narrativa e o conceito de superpoderes.
- To Be Hero X oferece uma crítica social e política relevante sobre a cultura da internet, democracia e capitalismo.
What the video covers
- O vídeo apresenta o universo de To Be Hero X, um donghua chinês que discute super-heróis e a sociedade baseada em valores de confiança.
- No mundo da série, superpoderes dependem da quantidade de confiança que as pessoas depositam em alguém, refletindo uma democracia baseada em likes.
- A construção do mundo (world building) é sofisticada, com uma medição de confiança que afeta humanos, animais e objetos.
- O personagem Enrist exemplifica as consequências de viver sob expectativas sociais extremas, perdendo a capacidade de agir naturalmente.
- A Associação de Heróis regula o uso dos poderes e a confiança acumulada para evitar abusos, criada após a queda do herói Zero, que se tornou um Deus e causou uma guerra.
- To Be Hero X mistura técnicas de animação 2D, 3D e híbridas, que são metalinguísticas e fazem sentido dentro da narrativa.
- A série é uma coprodução China-Japão, combinando tradições do anime japonês com avanços técnicos do donghua chinês.
- A narrativa traz uma crítica à crise da democracia, à cultura do capitalismo e à pressão social pela manutenção da imagem pública.
- O torneio de heróis é um mecanismo para manter o equilíbrio de poder e evitar que um único herói acumule confiança excessiva.
- A obra é destacada como uma das mais interessantes e visualmente bonitas dos últimos tempos, com uma abordagem única e profunda.
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Speaker A
O mundo é governado pelos super-heróis. Eles são carismáticos, são populares.
Speaker A
E o mais importante aqui, qualquer um pode ser um super-herói. Basta com que você consiga acumular valores de confiança.
Speaker A
Basicamente, um critério quantitativo que explicita quantas pessoas confiam em você. E quanto mais alto esse número, ou seja, quanto mais pessoas confiam em alguém, mais este alguém consegue ter superpoderes.
Speaker A
Ou seja, nós estamos falando de um regime dos super-heróis, onde impera a mais absoluta democracia. Hoje a gente só tá falando de uma sociedade pautada por likes que tem uma vida infernal, onde todo mundo tem que ser aquilo que os outros esperam que seja.
Speaker A
Só essa questão aqui já é intrigante, mas acreditem, estamos apenas no começo, porque o que eu estou prestes a falar aqui para vocês é uma das obras que mais chamou a minha atenção nos últimos tempos.
Speaker A
E eu estou falando de um Donghua, um anime chinês, e que de um jeito muito particular.
Speaker A
Consegue fazer um dos diagnósticos mais críticos do mundo da internet, da crise da democracia.
Speaker A
Do fato de que o capitalismo sempre vence, fede demais e fede de menos.
Speaker A
Quando todo mundo tem que crer uns nos outros, e acreditem, se a coisa que está parecendo uma mistura de The Boys com o Boku no Hero.
Speaker A
Eu garanto para vocês que é bem, bem diferente, além de ser lindo.
Speaker A
Para um cascalho.
Speaker A
Caso você seja um completo ignorante, eu estou falando de To Be Hero X.
Speaker A
Criado por Li Haoling, To Be Hero já é uma franquia. A primeira série de 2016.
Speaker A
A continuação, chamada To Be Hero Heroine, é de 2018.
Speaker A
E agora temos em 2025, To Be Hero X.
Speaker A
E são arcos fechados, você não tem que assistir as séries anteriores.
Speaker A
Eu mesmo não assisti.
Speaker A
Mas eu fui no papinho de você, pessoas canalhas que ficam me sugerindo coisas.
Speaker A
E que me estressam porque sugerem sempre obras muito complicadas.
Speaker A
E que só serve para me foder.
Speaker A
Enfim, To Be Hero X é uma coprodução China-Japão.
Speaker A
E que concilia toda uma tradição do anime japonês, alinhada a todo o avanço técnico e temático do Donghua chinês.
Speaker A
Inclusive, falar anime japonês, Donghua chinês, eu estou sendo redundante.
Speaker A
É tipo falar Gibi brasileiro, se bem que tem gente que fala Gibi americano.
Speaker A
Tem gente que fala Gibi japonês, ah.
Speaker A
Uma coisa que chama muito a atenção em To Be Hero X, antes mesmo da gente falar aqui do enredo e de todas as questões políticas e filosóficas que ele traz.
Speaker A
Há de salientar a questão da técnica.
Speaker A
A gente tem aqui diferentes estilos de animação, 3D, 2D, e entre o 3D e o 2D, também diferentes estilos, alguns híbridos.
Speaker A
E todos são muito bonitos e fazem sentido com a história, mais do que isso, é metalinguístico.
Speaker A
Porque transitar entre o 3D e o 2D também é uma espécie de superpoder, certo?
Speaker A
Calma que isso ainda vai fazer mais sentido.
Speaker A
Mas para isso a gente precisa entender melhor a World Building.
Speaker A
Eu odeio esses estrangeirismos.
Speaker A
Mas o fato é que a World Building da série, a construção do seu mundo ficcional.
Speaker A
É realmente algo extremamente sofisticado.
Speaker A
Vamos explicar melhor como é que funciona esse universo.
Speaker A
Em torno de uns 50 anos atrás, foi descoberto os valores de confiança.
Speaker A
Uma medição que surge no pulso de todas as pessoas.
Speaker A
E que não se aplica só a pessoas, animais, seres vivos como um todo.
Speaker A
Podem estar sujeitos a mudanças.
Speaker A
Se as pessoas, do nada, passam a confiar cada vez mais nessas pessoas.
Speaker A
Bichos ou coisas.
Speaker A
Agora, obviamente, isso funciona principalmente entre humanos.
Speaker A
E uma coisa que faz com que esses valores de confiança aumentem ou diminuam.
Speaker A
É a sua reputação pública.
Speaker A
Se mais pessoas confiam em você, mais os seus poderes vão se inflar, certo?
Speaker A
Só que se surge um escândalo, você pode simplesmente deixar de ser digno dessa mesma confiança.
Speaker A
E os seus poderes vão para o ralo.
Speaker A
Só que isso pode ser ainda mais cruel.
Speaker A
Porque esses valores de confiança estão ligados à noção de expectativa.
Speaker A
Então, por exemplo, existe um personagem na história chamado Enrist.
Speaker A
Sim, os nomes são maravilhosos.
Speaker A
Ele era um bombeiro, salvou uma menininha no meio de um desastre.
Speaker A
Isso o tornou extremamente famoso na mídia.
Speaker A
Ele foi em programas, deu entrevistas, virou o famoso bombeiro herói.
Speaker A
E com isso, mais pessoas passaram a confiar nele, ver nele uma figura positiva.
Speaker A
Alguém que conseguiu salvar uma menina porque ficou de pé, ficou em Enrist.
Speaker A
Diante de um desabamento e aquilo poupou a vida de uma garotinha.
Speaker A
Com o tempo, então, Enrist foi ficando cada vez mais forte.
Speaker A
Esperavam que ele fosse forte.
Speaker A
Então ele é forte.
Speaker A
Só que tem um detalhe adicional, como ele ficou marcado justamente por ser alguém que não se ajoelha, que não fraqueja, que permanece de pé sempre e diante de qualquer situação.
Speaker A
Ele perdeu a habilidade de sentar, de se deitar.
Speaker A
Ele não consegue sequer debruçar.
Speaker A
Ele precisa dormir em pé.
Speaker A
Ele precisa cagar de um jeito que não faz muito sentido.
Speaker A
Vocês estão entendendo como funcionam as regras estranhas desse mundo?
Speaker A
Você é aquilo que a expectativa dos outros espera de você.
Speaker A
Daí que depois, Enrist vai se tornar um ícone da Associação dos Heróis.
Speaker A
Uma espécie de organização governamental, mas com muitos tentáculos da iniciativa privada.
Speaker A
Vão até fazer uma estátua do Enrist na frente da sede.
Speaker A
Porém, um dia, surge uma vilã, a Loba.
Speaker A
Que coloca Enrist numa situação constrangedora, ele precisa conter a sua própria estátua.
Speaker A
Que é derrubada pela vilã, a fim de salvar todas as outras pessoas.
Speaker A
Só que tem um detalhe, esta vilã, a Loba, é aquela mesma menina que o bombeiro Enrist salvou anos atrás.
Speaker A
E ela fez isso porque quando ela era criança, depois de ter sido salva, ela quis presentear o bombeiro, dando a ele um cachecol, e ele não conseguiu se abaixar para receber o presente.
Speaker A
Ela olhou nos seus olhos e viu o sofrimento de um herói que não escolheu ser um herói.
Speaker A
A ideia então de atacar a estátua e de forçar o herói a segurar a sua própria imagem, é quase que uma cena síntese de tudo que To Be Hero X vai trazer para nós.
Speaker A
O mundo onde todo mundo tem que suportar o fardo de ser o que os outros esperam que você seja.
Speaker A
E que, em certo ponto, perder a confiança, ser um Zé Ninguém.
Speaker A
Talvez seja uma liberdade.
Speaker A
Mas já que eu falei aqui da Associação de Heróis.
Speaker A
Vamos explicar isso um pouco melhor.
Speaker A
No passado, depois de ter surgido os valores de confiança, muitos heróis começaram a aparecer.
Speaker A
Pessoas comuns que demonstravam poderes.
Speaker A
Que era justamente aquilo que outras pessoas comuns esperavam.
Speaker A
Entre esses heróis, um se destacou.
Speaker A
Ele se chamava Zero.
Speaker A
E ele foi acumulando tantos valores de confiança, mas tantos.
Speaker A
Que se tornou um Deus.
Speaker A
Isso faz parte aqui da gramática deste mundo.
Speaker A
Quando você acumula valores de confiança demais, você não é mais tão somente um super-herói.
Speaker A
É algo mais.
Speaker A
Zero, então, passou a ter tanto poder, mas tanto poder, que também começou a despertar o medo.
Speaker A
Um outro valor que não era tão claro para aquela sociedade.
Speaker A
A gota d'água foi quando Zero, por arrogância, acabou matando um herói, todos os outros heróis, então, se uniram para conter Zero.
Speaker A
Foi uma guerra extremamente violenta e brutal, matando pessoas em todo o mundo.
Speaker A
A queda de Zero é chamado de a queda da Aurora.
Speaker A
E o fato disso ter acontecido, forçou um órgão de regulamentação.
Speaker A
Surge a Associação de Heróis.
Speaker A
Uma agência que parece estar acima de todas as outras agências, é o grande poder moderador.
Speaker A
Existe legislativo, existe executivo, existe judiciário.
Speaker A
E acima disso, existe o poder heróico.
Speaker A
A derrota de Zero e o surgimento da Associação se torna algo tão significativo nesse mundo.
Speaker A
Que os anos passam a ser contados a partir de agora.
Speaker A
Existe antes da Associação e depois da Associação.
Speaker A
Mas o que de fato essa Associação faz?
Speaker A
Primeiro, ela está lá para conter valores de confiança em excesso.
Speaker A
A ideia é criar uma certa rotatividade entre os super-heróis mais populares.
Speaker A
Para isso é criado, então, um torneio de heróis que acontece a partir do ano dois da Associação.
Speaker A
Esse evento acontece de dois em dois anos, e por mais que, eventualmente, tenham pessoas que consigam ser bicampeões ou tricampeões.
Speaker A
Existe todo um incentivo para que você consiga criar um certo equilíbrio.
Speaker A
É tipo o Campeonato de Futebol.
Speaker A
E assim como no futebol tem os clubes, no mundo de To Be Hero X, nós temos as agências particulares.
Speaker A
Empresas que vivem de agenciar super-heróis, elas respondem à Associação.
Speaker A
Mas são empresas com seus interesses privados.
Speaker A
Só que não se enganem, essa mistura de público e privado que traz concentração de poder.
Speaker A
E controle sobre quem é e quem não é popular, é um prato cheio para um regime profundamente corrupto.
Speaker A
Além disso, essa mesma Associação está intrigada sobre outro valor.
Speaker A
No caso, o valor do medo.
Speaker A
Do quanto que, diferentemente da confiança, o medo é tão mais prático.
Speaker A
Se conquistar a confiança demanda uma certa atração, você tem que ser convincente aos outros.
Speaker A
Bem, amedrontar os outros é bem mais fácil.
Speaker A
Então você percebe que algo terrível está se formando.
Speaker A
Essa lógica de crença que tornou a confiança uma mercadoria, está dando origem a uma outra mercadoria.
Speaker A
No caso, o medo, que pode ser ainda mais cruel.
Speaker A
E os heróis?
Speaker A
Eles não são bonzinhos.
Speaker A
Então.
Speaker A
Aqui a coisa complica.
Speaker A
Lembra que eu falei para vocês, todos eles são um tanto vítimas das expectativas alheias.
Speaker A
Pensemos no caso do herói Lâmina Fantasma.
Speaker A
Ele era um homem, talvez neurodivergente, que escrevia umas coisas meio sem noção na internet.
Speaker A
Mas aos poucos foi ficando popular, o pessoal começou a fazer fanfic de que ele era um assassino.
Speaker A
Quem sabe, uma figura sombria.
Speaker A
E ele passou a ter essas habilidades.
Speaker A
Só que também esperavam dele que ele fosse um cara sisudo, calado.
Speaker A
E aí ele não conseguia mais ter relação com a família.
Speaker A
Ele foi até desaprendendo a falar.
Speaker A
Tem também o caso do herói Sorriso, que era conhecido por justamente ter um sorriso bonito, confiante.
Speaker A
Isso fez com que aos poucos ele fosse perdendo a habilidade de deixar de sorrir, como todo mundo esperava que ele fosse sempre essa figura positiva.
Speaker A
Ele não tinha mais espaço na sua vida para poder fechar o seu rosto.
Speaker A
Para poder ter uma expressão que não fosse sempre aquela sorridente.
Speaker A
Ele até consegue parar de sorrir.
Speaker A
Mas aí ele vai perdendo poderes.
Speaker A
E tem o caso do super-herói Nice.
Speaker A
Ele quando criança era fã do herói Sorriso, e como todo mundo naquela sociedade, ele buscou se tornar popular.
Speaker A
Tanto ele quanto o seu amigo, numa relação aqui que eu achei uma maneira da série falar de questões LGBT sem falar, enfim, ele e esse seu amigo, quem sabe.
Speaker A
Acabaram se tornando, inclusive, herói e vilão, dentro desse espetáculo que é o mundo dos super-heróis.
Speaker A
Só que essa condição de vilão do amigo, até que ponto também foi escolha dele?
Speaker A
Afinal, o público esperava de Nice um outro tipo de relação, viam nele como uma figura de luz.
Speaker A
Um homem de roupas brancas, capa branca, cabelos brancos.
Speaker A
Uma figura delicada e gentil.
Speaker A
E que deveria ter uma outra namorada.
Speaker A
Coisa que, inclusive, a agência a qual ele era filiado, porque como eu disse aqui, heróis são agenciados, e no caso aqui a gente está falando da Corporação Treeman.
Speaker A
Pois bem, ela decidiu que ele deveria namorar uma blogueirinha.
Speaker A
No caso, Xiao Yuqing, a heroína Moon.
Speaker A
Que era uma blogueirinha de viagens, que o pessoal tirava sarro, do tipo, caramba, ela parece que se teleporta para os lugares.
Speaker A
E com isso ela foi ganhando valores de confiança.
Speaker A
Com a habilidade de se teleportar.
Speaker A
Só que como todo mundo começou a shipar Moon com Nice, ela conseguia se teleportar para qualquer lugar, desde que fosse grudado a ele.
Speaker A
Porque ninguém concebia que ela quisesse ficar sozinha.
Speaker A
Ela é namoradinha dele, certo?
Speaker A
Ela é apaixonadinha, certo?
Speaker A
Moon, então, toda vez que se teleporta, esbarra com Nice, ela só consegue ir onde Nice está.
Speaker A
Por isso que um amigo, que talvez seja até mais do que um amigo, se torna um vilão.
Speaker A
Outro detalhe maluco.
Speaker A
É que justamente por Nice ter esse aspecto elegante, vai fazendo com que as pessoas cada vez mais achem que ele é um perfeccionista.
Speaker A
Poxa, ele está sempre tão bonito, tão bem apessoado.
Speaker A
Ele deve ser cheio de toque.
Speaker A
É um típico virginiano.
Speaker A
E isso vai deixando Nice cada vez mais doente.
Speaker A
Ele vai começando a adquirir toque.
Speaker A
Não consegue mais suportar nem mesmo o seu cabelo quando está despenteado.
Speaker A
Só que aqui vem a crueldade desse mundo.
Speaker A
Ser popular é um inferno, mas todo mundo quer ser.
Speaker A
Porque isso te dá acesso ao poder.
Speaker A
Isso te torna especial.
Speaker A
É considerado o ápice nessa sociedade, você se tornar um super-herói.
Speaker A
Mais do que isso, você estar no ranking dos 10 mais, aqueles que participam do torneio.
Speaker A
Que acontece de dois em dois anos.
Speaker A
Nice, então, não quer perder essa condição, apesar dela ser fonte de sofrimento.
Speaker A
E com isso ele vai se tornando um capanguinha da corporação para qual ele trabalha.
Speaker A
Nice, então, vai mergulhando numa espiral de tragédias.
Speaker A
Ele não consegue mais ficar com o amigo tanto gosta, ele tem que simular um namoro.
Speaker A
Ele está criando uma série de manias que ele não tem mais controle.
Speaker A
Ele testemunha a morte do seu herói de infância, Sorriso, e isso assim ele faz.
Speaker A
Porque a coisa mais comum é uma agência tramar para matar o herói da outra agência.
Speaker A
E quando ele vai lá se meter com terrenos nas cidades X, ele acaba conhecendo uma menininha chamada Xin Ya.
Speaker A
Que com muita força de vontade, busca engajar nas redes sociais a defesa da sua comunidade.
Speaker A
Ela, inclusive, adota um cachorro da raça Sharpei.
Speaker A
Que havia sido expulso do circo por atacar crianças.
Speaker A
Esse cachorro odiava crianças.
Speaker A
Mesmo assim, essa menina adota ele e constrói todo o mito heróico em cima dele.
Speaker A
É o cachorro herói.
Speaker A
Que vai proteger a comunidade.
Speaker A
Ninguém acredita nisso.
Speaker A
Até o dia que, de fato, uns caras estranhos, junto com o herói Nice, aparecem por lá.
Speaker A
E esse cachorro, chamado Ahu, ataca, protege as pessoas.
Speaker A
Sobretudo, Xin Ya.
Speaker A
Isso, obviamente, acaba indo parar na mídia.
Speaker A
E o cão Ahu, de repente, também passa a acumular valores de confiança.
Speaker A
A ponto até mesmo de conseguir falar e usar um chapeuzinho.
Speaker A
Porque sim, agora ele vai ser um típico herói Noir.
Speaker A
O cão detetive.
Speaker A
Está ficando absurdo.
Speaker A
Vai piorar.
Speaker A
Cada vez mais contaminado pelo medo de perder o status que tem, Nice vai colapsando.
Speaker A
E um belo dia ele encontra um redator publicitário na beira de um prédio.
Speaker A
Esse cara não teve um bom dia.
Speaker A
E ali na beira do prédio, está tendo umas ideias meio erradas.
Speaker A
Nice, então, passa por esse redator, dá um sorriso completamente triste.
Speaker A
E se joga sem o poder de voar.
Speaker A
Sim, Nice se desvive.
Speaker A
E esse jovem redator publicitário, chamado Lin Ling, curiosamente.
Speaker A
Era quem fazia as peças do Nice.
Speaker A
Os comerciais em que ele participava.
Speaker A
A sua vida roteirizada.
Speaker A
Como ele era a única testemunha, a Corporação Treeman resolveu fazer um projeto Abafa.
Speaker A
Mas isso era um problema.
Speaker A
Nice era popular.
Speaker A
Aí eles olham para Lin Ling, falam, caramba, esse cara até que é meio parecido com Nice.
Speaker A
E era ele quem escrevia as peças, vamos transformar esse Zé Ninguém no novo Nice.
Speaker A
E vamos fazer uma maquiagem, vamos fazer o que a gente pode para todo mundo acreditar.
Speaker A
E aí vem o problema, conforme as pessoas vão acreditando, Lin Ling vai ficando cada vez mais parecido com o velho Nice.
Speaker A
Na primeira vez como tragédia, na segunda como farsa.
Speaker A
Ele, porém, está tentando resistir a isso, ele é autenticamente apaixonado pela blogueirinha Moon.
Speaker A
E, inclusive, bola um plano de como libertá-la.
Speaker A
A corporação faz um estudo, percebe que o público está querendo que Nice volte a ficar solteiro.
Speaker A
Então, para acomodar para todo mundo, o plano é o seguinte, Moon é morta pelo Rei da Destruição, faz de conta, e durante seu enterro.
Speaker A
Nice pede para que todos desejem que ela possa ir onde ela bem entender.
Speaker A
Claro, todo mundo vai pensar nisso.
Speaker A
Imaginando que ela está morta.
Speaker A
Mas se todo mundo pensar nisso, ela vai se livrar dessa maldição que é de ter que se teleportar só onde Nice está.
Speaker A
Por causa dessa expectativa, então, direcionada do público, Moon se torna livre.
Speaker A
É o presente que Lin Ling, o novo Nice, deu a ela.
Speaker A
O que vai acabar mal, porque pessoas que tentam se afastar, acabam executadas.
Speaker A
Percebam, então, logo desse começo, o quanto que To Be Hero X é sobre o mundo das redes sociais.
Speaker A
E gente, agora entra aqui até uma dimensão pessoal.
Speaker A
Eu tenho esse canal há seis anos e meio.
Speaker A
E uma coisa que eu já notei, que é uma pressão para qualquer pessoa que cria conteúdo.
Speaker A
É de você sempre ser aquilo que esperam que você seja.
Speaker A
Se você cria fama de ser o brabão, você tem sempre que ser o brabão.
Speaker A
Se você cria fama de ser o cara doce, você sempre precisa ser o cara doce.
Speaker A
Se você cria fama de ser calvo, se fizer um implante, o pessoal vai brigar.
Speaker A
Claro que ninguém precisa ser totalmente escravo a isso.
Speaker A
Mas a pressão é grande.
Speaker A
E muitos criadores de conteúdos, muitos influencers, e aqui em To Be Hero X, os heróis são influencers.
Speaker A
Acabam sendo prisioneiros das expectativas alheias.
Speaker A
Afinal, se você deixa de ser aquilo que todo mundo espera que você seja.
Speaker A
Bem, aí as curtidas não vêm.
Speaker A
Os valores de confiança não se acumulam.
Speaker A
E você perde poder.
Speaker A
Numa sociedade que disse para você que o poder está no acúmulo de atenção que você consegue reter.
Speaker A
O que eu já adianto, é óbvio, isso é uma mentira.
Speaker A
Mas é uma mentira que todos nós vivemos.
Speaker A
Só que isso vai além, porque essa confiança, ou até mesmo o medo.
Speaker A
Está aqui sujeito muito a um valor de troca.
Speaker A
E sim, eu estou falando de economia.
Speaker A
E para isso eu vou ter que citar aqui um alemão que eu nunca cito.
Speaker A
Eu estou falando de Marx.
Speaker A
Você achou que um animezinho chinês não ia ter isso?
Speaker A
Ah, é jogado, otário.
Speaker A
Mas acreditem, tem espaço até mesmo para criticar o Partido Comunista Chinês.
Speaker A
Nesse sentido, To Be Hero X é muito bom.
Speaker A
Ele não é um panfleto político.
Speaker A
Ele é uma crítica que atira para tudo que é lado.
Speaker A
E vão por mim, eu acho que ninguém se salva.
Speaker A
Mas para eu poder aprofundar essas questões filosóficas ou econômicas.
Speaker A
Ou culturais.
Speaker A
Eu tenho que repassar aqui mais eventos do Donghua, porque aqui a gente está lidando com uma série de destinos entrelaçados.
Speaker A
E que vão tornando cada vez mais óbvio qual é a crítica radical que To Be Hero X está fazendo.
Speaker A
Aí você já deve até estar pensando, ah, então a crítica vai ser ao capitalismo.
Speaker A
Grandes coisas.
Speaker A
Vão por mim, é mais profundo ainda que isso.
Speaker A
Mas antes de eu dar um nó na cabeça de vocês, com suas expectativas frustradas de serem alguém da internet.
Speaker A
Ou na política, ou na vida, seja lá qual for.
Speaker A
Peço que você curta o vídeo se estiver curtindo.
Speaker A
Se inscreva caso seja novo por aqui.
Speaker A
Compartilhe.
Speaker A
Esse canal só existe graças aos apoiadores, tem recompensas bem legais.
Speaker A
Como lives aqui comigo, grupo de estudo, grupo no Telegram e sorteio de Gibi.
Speaker A
Inclusive, nosso próximo encontro do grupo de estudos é para descer a lenha em Death Note.
Speaker A
Por isso eu vou deixar o link do nosso apoio na plataforma Catarse na descrição do vídeo.
Speaker A
E também no primeiro comentário fixado.
Speaker A
E também seja membro aqui pelo YouTube, torne-se Sarjetaflix.
Speaker A
Por 6,90 tem lives exclusivas e versões estendidas de vídeos aqui postados.
Speaker A
Por 14,90 também se torna Sarjeta Plus a Mais.
Speaker A
Com vídeos 100% exclusivos.
Speaker A
O último mesmo foi falando do quanto que nostalgia é vontade de morrer.
Speaker A
E por 39,90, tem também o Sarjeta Acadêmica.
Speaker A
Com lives de leitura e explicação de textos filosóficos.
Speaker A
Atualmente, nós estamos tentando ler o filósofo Gilles Deleuze.
Speaker A
Ênfase no tentando.
Speaker A
Mas vamos embora.
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