Marcos Lacerda explica como pensar demais pode destruir sua vida e oferece estratégias para controlar a mente e viver no presente.
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Key Takeaways
- Pensar demais não resolve problemas, só aumenta o sofrimento.
- Ruminação é um ciclo improdutivo que aprisiona a mente.
- A ansiedade nasce da imaginação que cria medos e cenários irreais.
- A presença corporal e ações físicas são essenciais para quebrar o ciclo do pensamento excessivo.
- Aceitar a incerteza e a falta de garantias é fundamental para a saúde mental.
What the video covers
- Pensar demais não é sinal de inteligência, mas sim um alerta de que algo precisa ser cuidado.
- Há uma diferença abissal entre refletir objetivamente e ruminar, que é pensar repetidamente sem sair do lugar.
- Ruminação mental gera sofrimento e sabotagem, afetando relacionamentos, trabalho e a paz interior.
- A ansiedade é descrita como a imaginação usada contra você, causando sofrimento antecipado e desnecessário.
- O medo (abandono, fracasso, traição) motiva a mente a tentar controlar tudo, criando cenários catastróficos imaginários.
- Pensar demais ativa o sistema nervoso em estado de alerta constante, causando exaustão mental e emocional.
- A falta de presença no momento presente prejudica relacionamentos e a qualidade de vida.
- Não existem garantias na vida, e tentar controlá-la através do pensamento excessivo é uma armadilha.
- Para controlar a mente, é necessário descer do pensamento para o corpo, usando ações físicas para se ancorar no presente.
- Criar um horário da preocupação pode ajudar a educar o cérebro a pensar de forma mais saudável e controlada.
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Speaker A
São 3 horas da manhã, o seu corpo está exausto, mas aí a sua mente resolveu abrir um tribunal.
Speaker A
E haja pensamento, e haja julgamento, e haja coisa para fazer dentro dessa cabeça, e você quer dormir e não consegue.
Speaker A
E não, pensar demais, deixa eu lhe contar, não é sinal de inteligência.
Speaker A
É sinal de alerta, é sinal de que você precisa prestar atenção se você é essa pessoa que não para de pensar.
Speaker A
E os julgamentos são os mais variados, né? Ai meu Deus, aquela mensagem do WhatsApp que eu li, mas eu não respondi, e o tom de voz do meu chefe, por que é que estava naquele tom a voz dele?
Speaker A
E aí, do nada, o seu cérebro resgata aquela grande vergonha que você passou em 2014, mas aí vem a sua cabeça, você quer dormir e não consegue, e tome a pensar, olhe, o tribunal a funcionar.
Speaker A
E você fica feito bife à milanesa, ó, fritando na cama, de um lado para o outro.
Speaker A
Achando que está resolvendo os problemas dentro da cabeça.
Speaker A
Está resolvendo é nada.
Speaker A
Você está é se sabotando.
Speaker A
E hoje eu vou lhe explicar porque é que pensar demais pode estar destruindo sua vida, seus relacionamentos.
Speaker A
E até tirando a sua paz sem você perceber.
Speaker A
Eu sou Marcos Lacerda, psicólogo, e esse é mais um Nós da Questão.
Speaker A
Vamos juntos!
Speaker A
Vamos começar fazendo uma distinção aqui.
Speaker A
Imensa, abissal, abissal é um abismo, né?
Speaker A
Mas há uma diferença abissal entre refletir sobre algo e ruminar algo.
Speaker A
Refletir sobre um problema ou sobre uma questão é olhar para essa questão com objetividade e dizer, bom.
Speaker A
Eu estou com este problema aqui hoje.
Speaker A
E deste problema, o que é que está sob o meu controle?
Speaker A
E aí, sabendo disso, você decide, age, resolve ou não resolve, mas você segue em frente.
Speaker A
Você fez o que estava sob o seu controle depois de refletir.
Speaker A
Agora, ruminar não.
Speaker A
Ruminar é bem diferente.
Speaker A
Ruminar me faz pensar muito em meu avô, porque meu avô adorava ficar numa cadeira de balanço.
Speaker A
Pois ruminação mental é exatamente igual a uma cadeira de balanço.
Speaker A
Ela lhe tira do lugar e não lhe leva a lugar nenhum.
Speaker A
Vovô passava horas, olhe, na cadeira de balanço, para frente, para trás, para frente, para trás.
Speaker A
E não saía do canto.
Speaker A
Não é isso que a gente faz quando está ruminando?
Speaker A
E quer ver do que é que eu estou falando?
Speaker A
Você recebe uma mensagem daquela pessoa que você ama.
Speaker A
E aí a mensagem vem escrita dizendo o seguinte: ok.
Speaker A
Ou então, por N razões, a pessoa responde a sua mensagem assim.
Speaker A
Só isso é suficiente para a cabeça de algumas pessoas começar, ó, o looping.
Speaker A
Por que é que disse ok e colocou um ponto, ou então, por que mandou só o joinha?
Speaker A
Ele não manda nunca só um joinha.
Speaker A
O que é que isso quer dizer?
Speaker A
Será que está com raiva, será que quer terminar a relação?
Speaker A
Olhe, se brincar, em menos de 5 minutos, por uma única mensagem de WhatsApp.
Speaker A
Você é capaz de já ter escrito o roteiro de um Oscar.
Speaker A
E aí o que é que acontece?
Speaker A
O seu corpo reage, óbvio.
Speaker A
Seu peito fica apertado, o estômago embrulha.
Speaker A
A boca fica seca.
Speaker A
Olhe, é tanto mal-estar que você começa a sentir, porque para a parte emocional do seu cérebro.
Speaker A
Não interessa se o perigo é real ou imaginário.
Speaker A
O seu corpo vai reagir do mesmo jeito.
Speaker A
Quando a gente sonha, por exemplo, que está sendo assaltado.
Speaker A
O assaltante é de mentira, porque está sonhando.
Speaker A
Mas o medo é de verdade.
Speaker A
Pois é, é exatamente a mesma coisa.
Speaker A
Só que acordado, né?
Speaker A
E aí, por uma simples mensagem que você fantasiou muito a respeito.
Speaker A
Você começa a vivenciar o luto de alguma coisa que nunca nem aconteceu.
Speaker A
Então, para você não sofrer tanto.
Speaker A
Guarde essa frase.
Speaker A
A ansiedade é a imaginação usada contra você.
Speaker A
Eu já atendi várias pessoas que destruíram ou sabotaram bons relacionamentos.
Speaker A
Por histórias que só aconteceram, sabe aonde?
Speaker A
Na cabeça delas.
Speaker A
Então, para, bebê!
Speaker A
Para, porque a maior parte do tempo você não está reagindo.
Speaker A
Ao que o outro fez, ao que o outro disse, ao que o outro pensou.
Speaker A
Você está reagindo à sua imaginação.
Speaker A
Isso cansa.
Speaker A
Deixa a gente exausta.
Speaker A
Se for um relacionamento, desgasta o relacionamento.
Speaker A
Se for um emprego, não há quem lhe aguente na firma.
Speaker A
Se for na vida, a vida desiste de você.
Speaker A
Nem a vida lhe quer.
Speaker A
Agora, por que é que a gente faz isso?
Speaker A
Porque isso é uma tentativa nossa desesperada de ter controle sobre absolutamente tudo.
Speaker A
A gente quer controlar.
Speaker A
E lá no fundo existe uma parte dentro de você, de mim, de todos nós, que tem medo.
Speaker A
Medo do abandono.
Speaker A
Medo da traição, medo do fracasso.
Speaker A
Medo de não ser suficiente.
Speaker A
Medo da incompetência, medo, medo, medo.
Speaker A
A gente tem medo.
Speaker A
E com tanto medo, o que é que sua mente faz?
Speaker A
Ela tenta prever todas as tragédias que podem acontecer.
Speaker A
E ela acha, a sua mente, que lê todos os microssinais que indicam todas as tragédias.
Speaker A
É quase como acreditar que se lê o futuro nas cartas do tarô.
Speaker A
E não se lê o futuro nas cartas do tarô.
Speaker A
Não disse nada.
Speaker A
Se você acredita.
Speaker A
Mas bom, o fato é, pare de tentar controlar o mundo lendo, entendendo e ruminando tudo ao seu redor.
Speaker A
Porque essa ideia de que se eu antecipar tudo, eu vou sofrer menos.
Speaker A
É uma grandíssima armadilha.
Speaker A
Você não sofre menos.
Speaker A
Você sofre antes e sofre mais.
Speaker A
Porque você não consegue evitar a dor.
Speaker A
Você multiplica essa dor.
Speaker A
Porque é exatamente como se alguém tivesse apertado o botão de incêndio do seu cérebro, só que não está acontecendo incêndio nenhum.
Speaker A
Mas eu tenho que prever o incêndio.
Speaker A
E aí, óbvio, o seu sistema nervoso vive em modo de, eu preciso fugir, eu preciso me defender, eu preciso resolver, eu preciso, eu preciso, eu preciso.
Speaker A
E é por isso que não desliga, é por isso que sua cabeça 3 horas da manhã está pensando.
Speaker A
E aí, sabe o que é que acontece, sabe por que é que sua vida fica ainda mais pesada?
Speaker A
Porque você raramente está presente no que você faz.
Speaker A
Às vezes, você está beijando a pessoa e pensando quantas bocas aquela boca já beijou.
Speaker A
Ou então pensando se aquela boca lhe trairá algum dia.
Speaker A
E aí você começa a exigir garantias da pessoa, da vida, do chefe, do trabalho.
Speaker A
Do governo, de Trump, você quer.
Speaker A
Que Trump lhe dê garantias.
Speaker A
Não há garantias.
Speaker A
E não há garantias porque não existe segurança suficiente e jamais existirá para uma mente que decidiu duvidar da vida.
Speaker A
E você duvida.
Speaker A
Mais do que duvidar da vida, você desconfia de cada minuto da vida.
Speaker A
Então aprenda, pensar demais não protege você.
Speaker A
Isola você.
Speaker A
Mais do que isso, aprisiona você numa masmorra construída pela sua própria imaginação.
Speaker A
E aí, óbvio, você quer saber como diabo desliga o disjuntor da sua mente, né?
Speaker A
É para isso que esse vídeo foi feito.
Speaker A
Então, primeira coisa, desça da cabeça para o corpo.
Speaker A
Tem coisas na gente que ficam do pescoço para cima.
Speaker A
E é preciso que comece a sair do pescoço para baixo.
Speaker A
A cabeça da gente pode até viver no futuro.
Speaker A
Mas o corpo da gente só existe no presente.
Speaker A
Então, quando a avalanche de pensamentos vier, não tente lutar contra, porque você vai perder.
Speaker A
Então, ao invés disso, bote seu corpo em ação.
Speaker A
Vá lavar uma louça.
Speaker A
É, já ouvi a história, ah, o que está faltando a fulana é arrumar uma lavagem de roupa que resolve esses problemas.
Speaker A
Óbvio que isso é dito com deboche.
Speaker A
Mas há uma certa sabedoria nesse dito popular.
Speaker A
É preciso que você vá lavar a louça, vá lavar a roupa, vá limpar a casa.
Speaker A
Para fazer alguma coisa que lhe coloque no presente, que faça com que você sinta.
Speaker A
A água nas suas mãos, que você se ocupe daquela louça, que você se ocupe daquela limpeza.
Speaker A
Que você se ocupe de alguma coisa que o seu corpo está participando e não apenas a sua mente.
Speaker A
Ou então tome banho.
Speaker A
Vá tomar banho.
Speaker A
Também quando eu era criança se dizia isso, ah, vá tomar banho que resolve esse problema.
Speaker A
Pois é, tomar banho, desde que você tome banho, prestando atenção no banho.
Speaker A
Na temperatura do banho, da água caindo na sua pele, tira da cabeça e bota no corpo.
Speaker A
Porque eu insisto, o corpo da gente só existe no presente.
Speaker A
A cabeça pode existir no futuro.
Speaker A
Mas o corpo só existe no presente.
Speaker A
Você não combate pensamento com mais pensamento.
Speaker A
Você regula pensamento com presença.
Speaker A
E presença se traduz na forma de ação.
Speaker A
Ação física de alguma coisa.
Speaker A
Outra coisa que você pode fazer é criar o horário da preocupação.
Speaker A
Você não vai proibir o seu cérebro de pensar.
Speaker A
Você não tem como, né?
Speaker A
Mas você pode educá-lo.
Speaker A
Então, você vai escolher 30 minutos do dia, no horário que você achar que você está mais livre.
Speaker A
E nesses 30 minutos, serão os 30 minutos onde você vai pegar papel e caneta.
Speaker A
E vai escrever todas as catástrofes que estão passando na sua cabeça.
Speaker A
Todas, é os 30 minutos da preocupação.
Speaker A
Os 30 minutos da catástrofe.
Speaker A
Deu o horário, acabaram os 30 minutos.
Speaker A
Fecha o caderno.
Speaker A
Fecha o caderno, você já botou no papel as catástrofes.
Speaker A
Você vai passar o dia, não, tem mais o que fazer.
Speaker A
Ah, mas e se o pensamento vier em alguma outra hora, vier 10 horas da manhã?
Speaker A
Aí você vai olhar para o pensamento e vai dizer, escuta, agora não, está bom?
Speaker A
Eu tenho tempo para você às 18 horas.
Speaker A
Às 18 horas eu terei 30 minutos para você.
Speaker A
Agora não é hora não.
Speaker A
Agora eu estou ocupado.
Speaker A
Vá, dê licença.
Speaker A
Com licença, eu tenho que trabalhar.
Speaker A
Às 18 a gente se encontra.
Speaker A
Fale com seu pensamento.
Speaker A
E isso devolve, numa boa medida, o comando para você.
Speaker A
Porque eu vou lhe dizer uma coisa, eu tenho meus pensamentos e minhas preocupações.
Speaker A
Agora, eu não posso com eles toda hora não.
Speaker A
Eu tenho mais o que fazer.
Speaker A
Eu tenho palestras para fazer, livros para escrever, pacientes para atender.
Speaker A
Então, tem certas horas que eu vou começar a atender um paciente, aí vem aquela preocupação.
Speaker A
Eu digo, ei, ei, ei, ei, ei, para.
Speaker A
Agora não.
Speaker A
Agora não, vai ter o horário, agora é hora do paciente.
Speaker A
Não, agora não.
Speaker A
E por fim, aceite a falta de controle.
Speaker A
E sim, eu sei que essa é a mais difícil.
Speaker A
Mas é um fato.
Speaker A
É verdade.
Speaker A
Você pode ser traído?
Speaker A
Pode.
Speaker A
Você pode ser demitido?
Speaker A
Pode.
Speaker A
Você pode ser rejeitado?
Speaker A
Pode.
Speaker A
Aquele projeto que você se dedicou tanto, pode dar com os burros na água?
Speaker A
Pode.
Speaker A
Agora, ficar pensando nisso não resolve.
Speaker A
Não vai mudar, não está sob o seu controle.
Speaker A
O que você pode fazer é ser uma boa pessoa no seu relacionamento.
Speaker A
É isso que está no seu controle.
Speaker A
O que você pode fazer é planejar bem aquele seu projeto.
Speaker A
É o que está no seu controle.
Speaker A
Porque eu estou igual a Doris Day, naquele filme O Homem que Sabia Demais de Alfred Hitchcock.
Speaker A
Você já assistiu, assistiu não, assistiu não, né?
Speaker A
Você é muito novinho.
Speaker A
Pois procure, o filme vale a pena.
Speaker A
Hitchcock vale a pena.
Speaker A
E Doris Day cantava: O que será, será, whatever will be, will be.
Speaker A
Pois é, eu estou nessa onda de Doris Day.
Speaker A
Porque no final das contas, como você não tem controle, sabe o que é que muda sua vida?
Speaker A
Não é tentar controlar o que não tem controle.
Speaker A
É confiar na sua capacidade de reconstruir.
Speaker A
Confie menos na sua capacidade de prever tragédias e confie mais na sua capacidade de sobreviver.
Speaker A
Ao que quer que aconteça.
Speaker A
Até porque a vida não é um problema matemático para ser resolvido na sua cabeça 24 horas por dia.
Speaker A
A vida é uma experiência para ser vivida no corpo, aqui e agora.
Speaker A
Pense nisso.
Speaker A
Tchau, até a próxima.
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