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📖 Artigo 5º - Os desafios da adoção no Brasil

Discussão sobre os desafios legais e sociais da adoção no Brasil, incluindo requisitos, processos e mudanças recentes no sistema nacional.

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Key Takeaways

  • A adoção no Brasil é legalmente acessível, mas o processo pode ser longo e exige preparação emocional.
  • A busca ativa ajuda a reduzir o descompasso entre crianças disponíveis e famílias adotantes.
  • Não há restrições legais para solteiros ou casais homoafetivos adotarem.
  • O acompanhamento judicial e o período de convivência são essenciais para o sucesso da adoção.
  • Campanhas e grupos de apoio são fundamentais para ampliar a aceitação de perfis diversos de crianças para adoção.

What the video covers

  • Quase 5.000 crianças e adolescentes aguardam adoção no Brasil, com mais de 35.000 pessoas habilitadas para adotar.
  • O artigo 5º da Constituição é citado para contextualizar a base legal da adoção.
  • Requisitos legais incluem documentos pessoais, comprovante de renda, residência, atestado de sanidade física e mental, e curso preparatório.
  • O processo de adoção varia em duração conforme a vara da infância, podendo ser mais rápido ou demorado.
  • O desejo e a preparação emocional são fundamentais para quem deseja adotar, além do apoio de grupos e da defensoria pública.
  • Não há restrições para pessoas solteiras, casais homossexuais ou homens e mulheres isolados adotarem.
  • A busca ativa é uma ferramenta importante para conectar crianças mais velhas, grupos de irmãos e crianças com necessidades especiais a famílias adotantes.
  • Existe um período de convivência supervisionada antes da adoção definitiva, com acompanhamento judicial.
  • Campanhas recentes têm ampliado a aceitação da adoção tardia e de irmãos, mudando a cultura dos adotantes.
  • O processo legal é rigoroso e exige paciência, dedicação e compreensão dos desafios da parentalidade adotiva.

Answers

Questions about this video

Quais são os principais requisitos legais para adotar uma criança no Brasil?

Os requisitos incluem documentos pessoais, comprovante de renda e residência, atestado de sanidade física e mental, além da participação em um curso preparatório.

Pessoas solteiras podem adotar no Brasil?

Sim, não existem restrições para pessoas solteiras, casais homossexuais ou homens e mulheres isolados adotarem, desde que estejam dispostos a assumir a parentalidade.

O que é a busca ativa no contexto da adoção?

A busca ativa é uma ferramenta que conecta crianças mais velhas, grupos de irmãos e crianças com necessidades especiais a famílias adotantes em todo o Brasil, facilitando o encontro entre adotantes e adotados.

Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:12
Speaker A
Quase 5.000 crianças e adolescentes esperam por uma adoção e pouco mais de 35.000 pessoas estão aptas a adotar no Brasil.
00:26
Speaker A
Os dados são do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de Justiça.
00:33
Speaker A
No artigo 5º de hoje, vamos falar sobre os requisitos legais e o processo para adotar um filho.
00:34
Speaker A
Antes, vamos ver o que diz a Constituição.
00:37
Speaker A
O artigo 5º da Carta Magna diz que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
00:44
Speaker A
E para falar sobre esse tema tão importante, eu recebo Karini Abritta, defensora pública do Distrito Federal, e Soraya Pereira, que é psicóloga clínica e social, presidente da ONG Aconchego e também membro da diretoria técnica da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção.
00:59
Speaker A
Muito obrigada pela presença de vocês aqui.
01:05
Speaker A
Doutora Soraya, vou começar com uma pergunta clássica.
01:10
Speaker A
É fácil adotar uma criança ou adolescente no Brasil?
01:14
Speaker B
É fácil adotar, mas é difícil ser pai e mãe.
01:39
Speaker A
Doutora Karini, falando do ponto de vista legal, quais são os requisitos para quem quer se tornar um pai, uma mãe?
01:46
Speaker C
Olha, a lei, o artigo 197 A do Estatuto da Criança e do Adolescente, traz lá todos os documentos que são necessários para a adoção.
01:52
Speaker C
É, documentos pessoais, comprovante de renda, residência, um atestado de sanidade física e mental, dá entrada no processo de adoção, faz um curso preparatório.
02:05
Speaker C
E não tendo nenhuma contraindicação, normalmente, essa pessoa sozinha ou não, é, um casal, ele pode ser declarado habilitado para adotar e entrar na fila para receber uma criança ou um adolescente.
02:14
Speaker A
Existe um prazo médio que se leva nesse processo de adoção?
02:20
Speaker C
Varia muito de varas da infância no país todo.
02:24
Speaker C
Tem varas da infância que é bem rápido e tem varas da infância que é bem devagar.
02:35
Speaker C
É, em Brasília, temos apenas uma vara da infância e às vezes demora um pouco.
02:43
Speaker C
Porque é um curso preparatório, às vezes, que a pessoa não entende aquela necessidade de fazer e acaba se prolongando muito nisso.
02:49
Speaker A
Doutora Soraya, a gente sabe que o passo a passo, ele é necessário, são vários, eh, caminhos a serem seguidos que são muito importantes para garantir o sucesso dessa adoção.
02:59
Speaker A
Mas por onde começar?
03:01
Speaker B
Eu acho que se preparar, né?
03:02
Speaker B
Se preparar o querer, o desejo.
03:04
Speaker B
Porque assim, eh, um filho, ele, ele é um produto de um desejo, de um movimento, né?
03:12
Speaker B
Interno de desejo, então você primeiro precisa realmente se preparar e querer um filho, querer ser mãe, querer ser pai, né?
03:20
Speaker B
Essa, essa filiação, exercer essa parentalidade.
03:22
Speaker B
E é começar sempre pela defensoria que começa, né?
03:24
Speaker B
Entregando a documentação.
03:26
Speaker B
Tem, tem que fazer o, o, passar por esse curso preparatório.
03:30
Speaker B
Então, é um, um movimento onde você tem que se dedicar e, e investir nesse conhecimento.
03:37
Speaker A
Então, a gente pode dizer que o primeiro passo seria buscar apoio num grupo desses, até para saber como é o processo, como, quais são as características, né?
03:45
Speaker A
De um processo por adoção, de uma filiação por adoção.
03:48
Speaker B
Sim, né, o ideal seria procurar um grupo de apoio na sociedade, né?
03:53
Speaker B
Tem grupos de apoio que, eh, que funcionam online.
04:00
Speaker B
Então, é, acho que essa busca, né, pela defensoria e um grupo de apoio, eu acho que é o, o ideal.
04:05
Speaker A
E pessoas solteiras, Doutora Karini, conseguem passar pelo processo normalmente?
04:11
Speaker A
Quais são as restrições que existem?
04:14
Speaker C
Não existem restrições nesse sentido.
04:20
Speaker C
Pessoas solteiras, homens solitários, mulheres solitárias, eh, casais homossexuais, todos podem adotar.
04:25
Speaker C
Não existe essa restrição no Brasil.
04:30
Speaker C
O que precisa realmente é a pessoa estar disposta à adoção.
04:35
Speaker C
A criar uma família, a ter uma família, eh, e aceitar os desafios da parentalidade.
04:41
Speaker A
Bom, nós vamos assistir agora a uma reportagem aqui da Rádio TV Justiça sobre mudanças recentes no Sistema Nacional de Adoção.
04:48
Speaker A
A ferramenta de busca ativa, ela tem ajudado muito no processo de adoção?
04:53
Speaker A
Quais são as características aí dessa ferramenta?
04:58
Speaker C
Eu acho que até a Soraya vai poder falar bastante sobre isso.
05:02
Speaker C
Porque é exatamente isso, a gente vê uma divergência muito grande entre a quantidade de crianças maiores e adolescentes que estão disponíveis para adoção e, e vários, eh, casais, eh, e famílias esperando na fila para adoção há bastante tempo e não fecha a conta.
05:07
Speaker C
Então, assim, a busca ativa é exatamente aquela idealização, eu acho.
05:13
Speaker C
Que assim, você vê a criança e, e acha que ali, acredita que ali deu, deu match, né?
05:17
Speaker A
Muitas vezes a pessoa vai pensando num perfil, quando encontra a criança, já muda totalmente de ideia, graças a essa ferramenta, Doutora Soraya.
05:25
Speaker B
Então, normalmente a busca ativa, eh, são, eh, crianças e, e adolescentes que, de alguma maneira, eles não puderam pertencer a uma família naquela região deles.
05:32
Speaker B
E aí eles entram para um cadastro para serem, eh, também, como é que se diz, que a gente pode fazer, passar por essas ligações do Brasil inteiro, tá?
05:36
Speaker B
Então, assim, normalmente são crianças mais velhas, grupos de irmãos e são, ou crianças que, que necessitam de um cuidado todo especial, bem específico, né?
05:43
Speaker B
Então, assim, pode dar certo?
05:45
Speaker B
Pode.
05:46
Speaker B
Pode dar errado?
05:48
Speaker B
Pode, assim como o filho consanguíneo.
05:50
Speaker A
E aí tem um período de convivência antes?
05:53
Speaker B
Tem.
05:54
Speaker C
Criança, bebezinho recém-nascido, pode ser um período mais curto, né?
05:58
Speaker C
Até porque, eh, portátil se adapta facilmente.
06:01
Speaker C
A família que às vezes precisa de um tempo maior.
06:03
Speaker A
Aí eles se conhecendo também.
06:04
Speaker C
É, é, na verdade, quando se tem uma resistência em, às vezes, em relação a algum familiar ou mesmo em relação a um dos irmãos, quando é grupo de irmãos, normalmente se pode estender esse estágio de convivência, que se fala.
06:10
Speaker C
Mas isso já é dentro do processo de adoção.
06:12
Speaker C
A criança já está vinculada àquela família e já está residindo com eles, né?
06:17
Speaker C
É uma situação de que já está, assim, a meio caminho da adoção.
06:22
Speaker C
Inclusive, existe penalidade se você desiste dessa criança que você, eh, já está nessa convivência diária com ela.
06:27
Speaker A
Mas tem uma convivência também, alguns encontros antes dessa parte aí?
06:32
Speaker A
Até para ver como é que vai ser, como é que um vai lidar com o outro?
06:35
Speaker B
Sim, sim, né, antes disso tem um, todo um acompanhamento, normalmente é o judiciário que faz isso, né?
06:40
Speaker B
De, de fazer esse encontro, todo, toda a adoção, a parte do encontro é com o judiciário, né?
06:46
Speaker B
E, e aí fica, né, a, os profissionais ficam acompanhando, tem algumas visitas, alguns encontros.
06:54
Speaker B
Depois de um tempo é que é liberado para, para ir para casa e aí a convivência é maior, né?
07:00
Speaker A
Bom, nós temos uma pergunta de telespectador sobre esse tema, vamos conferir.
07:08
Speaker A
Doutora Soraya.
07:12
Speaker B
Sim, né?
07:13
Speaker B
Normalmente, no imaginário das pessoas, né, eh, existe a famosa, eh, crença de que uma criança menor é mais fácil.
07:20
Speaker B
Eu vou acompanhar.
07:21
Speaker B
Eh, uma idealização, normalmente, de filiação, vem sempre com uma criança, eh, menor.
07:30
Speaker B
Então, existe esse perfil.
07:33
Speaker B
Hoje, em Brasília, a gente tem o perfil tá um pouco mais amplo, né?
07:40
Speaker B
Não, não, a gente não tem tanto esse perfil de bebê, eh, menina até 2 anos, né?
07:47
Speaker B
Hoje, Brasília, a gente tem um trabalho, eh, uma, uma faixa maior.
07:55
Speaker B
Foi ampliada, porque foi feito um trabalho, o judiciário fez um trabalho, o Aconchego fez um trabalho de conscientização das pessoas para que, realmente, ampliasse essa, essa faixa, né?
08:03
Speaker B
De idealização de filhos.
08:05
Speaker A
E Doutora Karini, a gente sabe que tem tido muitas campanhas pela adoção tardia.
08:11
Speaker A
Adoção de irmãos.
08:13
Speaker A
Tem mudado um pouco a cultura do adotante?
08:18
Speaker C
Sim, como a Soraya trouxe pra gente.
08:20
Speaker C
É, eu falaria, ela falou no início que seria fácil adotar juridicamente.
08:24
Speaker C
Eu já falaria assim, olha, é mais fácil na Mega Sena.
08:26
Speaker C
Porque, realmente, é uma lista de documentos que a lei exige grande, é um acompanhamento que se faz, que a pessoa tem que ter muita dedicação, é, muita, é, paciência e, e entender que não é porque deu entrada na habilitação hoje que vai sair essa habilitação, igual a lei fala em 120 dias, porque dificilmente vai sair nesse período, né?
08:35
Speaker C
É, agora, tem prioridade para habilitar quem deseja grupo de irmãos, crianças com algum tipo de deficiência.
08:43
Speaker C
E, e isso tem aberto.
08:45
Speaker C
E até mesmo os acompanhamentos prévios nesses grupos de apoio à adoção antes da habilitação.
08:50
Speaker C
Tem, assim, aberto a cabeça das pessoas para que, para formar uma família, não é só com bebezinho, né?
08:56
Speaker C
É, você forma com crianças, com adolescentes, da forma que você escolher.
08:59
Speaker A
Bom, a gente vai fazer uma rápida pausa aqui na nossa conversa.
09:04
Speaker A
O Artigo 5º vai ao intervalo.
09:07
Speaker A
A gente volta já.
09:12
Speaker A
O Artigo 5º está de volta.
09:15
Speaker A
Hoje falando sobre adoção e os requisitos legais e as etapas para adotar uma criança ou adolescente.
09:23
Speaker A
Eu continuo conversando sobre esse tema com Soraya Pereira, que é psicóloga clínica e social e presidente do grupo Aconchego.
09:30
Speaker A
E também com Karini Abritta, que é defensora pública do Distrito Federal.
09:34
Speaker A
Doutora Soraya, o apoio que é dado pelos grupos de adoção, os cursos que são feitos.
09:43
Speaker A
Isso, de que forma que isso ajuda a preparar a pessoa para tudo que ela vai enfrentar ali na frente?
09:51
Speaker B
A parte jurídica, ela corre, né?
09:52
Speaker B
Tem todo um trâmite, tem, né?
09:55
Speaker B
O tempo certo.
09:56
Speaker B
E o tempo do ser humano é um outro tempo.
09:59
Speaker B
Então, frequentar um grupo de, de apoio à adoção te dá, eh, mais clareza.
10:06
Speaker B
Te dá mais recursos e vivências com situações que vão acontecer, que não dá pra gente fugir, eh, no dia a dia de quem tem uma, uma família, eh, formada por adoção, né?
10:13
Speaker B
Um exemplo, as escolas ainda hoje pedem foto das crianças na barriga da mãe, né?
10:15
Speaker B
Então, nós, né, não temos essas fotos que eles pedem.
10:18
Speaker B
Às vezes eles pedem o nome, eh, quem escolheu o seu nome, né?
10:22
Speaker B
Quem adotou criança um pouco mais velha, né, não foi escolhido esse nome.
10:29
Speaker B
Até tem chance de mudança de nome no processo de adoção, mas a gente, né, eh, faz o possível para que não mexa nessa identidade, porque é uma identidade, né?
10:35
Speaker B
Então, eh, existe essa, os grupos foram formados justamente para isso, para te dar um apoio, para formar uma rede que, que possa te dar essa sustentação nesse caminhar e nessa, nessa construção de, do papel, né?
10:36
Speaker B
De, em função de mãe e pai.
10:42
Speaker A
E a gente falou aqui do perfil que o adotante busca.
10:48
Speaker A
Mas qual é o perfil da criança que está à espera de um pai e de uma mãe?
10:53
Speaker C
Varia muito.
10:54
Speaker C
Porque quando é bebezinho, ali, normalmente, foi exatamente a extinção voluntária do poder familiar.
11:00
Speaker C
Os pais decidiram, eh, dar o, o bebê para adoção.
11:03
Speaker C
Fora isso, normalmente, a família, eh, luta para recuperar essa criança de alguma forma.
11:10
Speaker C
É, não tem condições, ou se declara a extinção do poder familiar, decreta a destituição do poder familiar.
11:19
Speaker C
E essa criança maior ou esse adolescente vai para adoção, muitas vezes sem nem saber por que que ele tá naquela instituição de acolhimento.
11:30
Speaker C
E assim, isso aí cria, talvez, nessa criança, uma expectativa, às vezes, até de voltar para uma família de origem, né?
11:38
Speaker C
O que nem sempre é possível.
11:40
Speaker C
Ou porque a família não existe, ou porque a família não tem a mínima condição de exercer essa parentalidade com responsabilidade.
11:45
Speaker C
Mas o imaginário de uma criança e um adolescente, né?
11:50
Speaker B
Então, são, é, esse é o perfil, né?
11:53
Speaker B
São crianças maiores.
11:55
Speaker B
Crianças com necessidades de, um maior cuidado.
11:59
Speaker B
Eh, são grupos de irmãos.
12:01
Speaker B
E, e são crianças, eh, que já viveram muito tempo, né?
12:09
Speaker B
Que antes, eh, bem antes, né, existia um gargalo que era assim.
12:14
Speaker B
Eu, eu podia ter um, eu tinha um filho, eu não dava conta de ficar com esse filho, eu deixava numa instituição.
12:20
Speaker B
Aí eu tinha um segundo filho, não dava conta, deixava na instituição.
12:24
Speaker B
Tinha um terceiro filho, não dava conta, deixava na instituição.
12:27
Speaker B
Depois disso, né, começou-se a, entrou a lei e falou, olha, não dá pra ser desse jeito, né?
12:32
Speaker B
Vamos, eh, arrumar essa bagunça.
12:34
Speaker B
E, então, assim, como a senhora disse, o estudo, então, busca-se estruturar essa família.
12:42
Speaker B
Nós temos, nós temos, realmente, uma, uma, uma deficiência de políticas públicas, né?
12:47
Speaker B
Então, hoje, tá se, tá, assim, os profissionais que trabalham nas instituições de acolhimento, né?
12:54
Speaker B
Eh, eles estão mais, eh, conscientes da importância de se dar esse suporte para a família.
13:03
Speaker B
Porque no ECA diz que, preferencialmente, essa criança tem que estar na sua família de origem.
13:07
Speaker A
E o que que o judiciário tem feito, Doutora Karini, para acelerar essa fila?
13:15
Speaker A
Porque a gente sabe que tem mais, eh, famílias querendo adotar uma criança do que crianças já aptas, eh, habilitadas ali para serem adotadas.
13:21
Speaker A
O que que tem sido feito para, além de promover esse encontro, acelerar essa fila?
13:26
Speaker C
Pois é, eh, a lei determina que uma criança não deve ficar numa instituição de acolhimento mais do que um ano e seis meses.
13:30
Speaker C
São 18 meses, a cada 18 meses, se uma criança estiver lá, o juiz tem que justificar para o CNJ por que que essa criança tá lá.
13:35
Speaker C
Mas um processo de destituição, ele tem que ser mais rápido ainda.
13:40
Speaker C
Se já se esgotaram todas as possibilidades dessa criança ficar na família biológica, essa criança vai ser cadastrada para adoção.
13:50
Speaker C
Os pais, eh, vão fazer a defesa se quiserem.
13:54
Speaker C
Vão, eh, talvez até, quando forem proibidos de visitar a criança no abrigo, tomar outras providências para recuperar essa criança.
14:05
Speaker C
Mas o ideal é que uma criança que esteja no abrigo, tenha a situação dela definida dentro desse período de um ano e seis meses.
14:10
Speaker C
Se não for definida, eh, normalmente, ou ela retorna para alguém, para algum familiar, ou para os pais, ou para algum familiar, ou ela é cadastrada, realmente, para adoção.
14:18
Speaker C
A criança pequena, ela é ouvida pela equipe técnica das instituições de acolhimento.
14:23
Speaker C
E nem sempre a vontade dela é muito considerada.
14:30
Speaker C
Então, muitas vezes a adoção pode não dar certo também, porque a criança não queria ser adotada.
14:37
Speaker C
Ela queria, às vezes, voltar para a família de origem.
14:40
Speaker A
Agora, Doutora Karini falou aqui, Doutora Soraya, da questão da adoção, às vezes, não dá certo.
14:48
Speaker A
Uma família, como a senhora disse, tem que pensar muito bem antes, porque adotar uma criança e depois não dá certo, acontece o caso de devolver, isso é extremamente prejudicial para a criança e para o adolescente.
15:00
Speaker B
Quando não dá certo, realmente, é, é, é outro trauma, né?
15:05
Speaker B
Porque, é, assim, e, normalmente, a criança acha que o problema é dela.
15:12
Speaker B
E, muitas vezes, está no adulto.
15:14
Speaker B
Então, a gente tem que estar atento que, muitas vezes, essa, essa criança, ela vai se sentir culpada.
15:23
Speaker B
Dali pra frente, vai ser difícil ela estar aberta para acreditar.
15:28
Speaker B
Porque ela, ela já, já foi ferida uma vez, passando uma segunda vez.
15:30
Speaker B
Já tá difícil, né?
15:32
Speaker B
Ela acreditar nesse, no, no adulto.
15:34
Speaker B
Então, a gente tem que tomar cuidado, tá?
15:37
Speaker B
Então, essa devolução, ela, a gente tem que fazer o possível para que isso não aconteça, né?
15:43
Speaker B
Porque é muito, muito traumatizante para, para uma criança.
15:46
Speaker B
Mas acontece e, e aqui em Brasília, tá se pegando firme nessas devoluções, com uma penalidade.
15:52
Speaker B
Porque você tem que investir, realmente, na, na construção da, do vínculo.
15:57
Speaker B
Você tem tempo, você é o adulto.
15:59
Speaker A
Bom, vamos a mais uma pergunta de telespectador.
16:02
Speaker A
Vamos ver.
16:05
Speaker A
Doutora Karini, o que diz a lei?
16:08
Speaker C
Pois é, na verdade, a, a extinção voluntária do poder familiar.
16:14
Speaker C
Ela é permitida, mas pro, para as pessoas que estão habilitadas para adoção.
16:18
Speaker A
Mas ela pode entregar o filho para adoção sem nenhum problema?
16:23
Speaker C
Sem, é direito, tem direito, inclusive, ao sigilo do nascimento, se ela não tiver, eh, disponibilizado isso para ninguém da família.
16:30
Speaker C
Se ela quiser dar o filho para adoção, em vez de falar com algum avô, com um tio para criar, ela tem esse direito de dar esse bebê para adoção.
16:35
Speaker C
E vai ser rápida essa adoção.
16:37
Speaker C
O bebê não vai ficar muito tempo numa instituição de acolhimento.
16:40
Speaker C
Ninguém precisa, hoje em dia, abandonar o filho.
16:42
Speaker A
E Doutora Soraya, é feito também um acompanhamento psicológico ali, é importante isso depois da adoção consumada para poder ajudar no restante do caminho?
16:50
Speaker B
Sim, né?
16:52
Speaker B
Em Brasília, o Aconchego faz esse trabalho.
16:55
Speaker B
E, justamente, para essa troca, né, esse apoio, essa, eh, cumplicidade do dia a dia, do pertencimento e da, da história de vida, né?
17:02
Speaker B
Eh, são, são situações muito parecidas que as pessoas vivem.
17:07
Speaker B
E, e quando você conta a sua história, eu posso pegar um pouquinho dessa história e dar uma reformulada para que essa história também possa me ajudar.
17:14
Speaker B
Então, é essa, essa proposta do, né, dos grupos.
17:17
Speaker B
E aí tem um outro, porém, também em Brasília, né?
17:21
Speaker B
Que é, que é assim, existem as instituições em Brasília, onde as crianças vão.
17:27
Speaker B
E existe em Brasília a família acolhedora.
17:30
Speaker B
Então, às vezes, a criança, principalmente a primeira infância, em vez dela ir para uma instituição, ela vai para essa família acolhedora até que o processo dela seja resolvido, se ela volta para a família de origem, ou se ela vai, eh, para adoção.
17:39
Speaker A
Bom, a gente teria muito mais a conversar, mas, infelizmente, o nosso tempo chegou ao final.
17:43
Speaker A
Doutora Soraya, Doutora Karini, muito obrigada pela entrevista aqui.
17:46
Speaker A
Obrigada a você.
17:47
Speaker A
Eu agradeço também a sua companhia.
17:50
Speaker A
Você pode rever os programas nas nossas redes sociais.
17:54
Speaker A
Você encontra a gente pelo @radioetvjustiça.
17:58
Speaker A
Também estamos no YouTube, Twitter, Instagram e Spotify.
18:01
Speaker A
Até o próximo Artigo 5º.
18:03
Speaker A
Tchau.
Topics:adoçãoBrasildireito da criançaprocesso de adoçãobusca ativadefensoria públicagrupos de apoio à adoçãoadoção tardiaadoção de irmãosEstatuto da Criança e do Adolescente

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