Escritora Nara Vidal é a convidada do Trilha de Letras — Transcript

Nara Vidal discute eugenia no Brasil dos anos 30 em seu livro 'Puro', revelando um tema pouco explorado e atual na sociedade brasileira.

Key Takeaways

  • A eugenia foi um tema presente e pouco discutido na história brasileira, especialmente no governo Vargas.
  • O silêncio e a hipocrisia em pequenas cidades refletem questões sociais profundas abordadas no livro 'Puro'.
  • A miscigenação brasileira contradiz a ideia de pureza racial, que é excludente e prejudicial.
  • O crescimento da extrema direita e discursos racistas na atualidade mostram que essas questões continuam relevantes.
  • É fundamental estar atento e consciente das lutas sociais, pois a história tende a se repetir ciclicamente.

Summary

  • Nara Vidal, autora radicada em Londres, fala sobre seu livro 'Puro', que aborda a eugenia no Brasil durante os anos 30, governo Getúlio Vargas.
  • O livro é ambientado em uma cidade fictícia chamada Santa Graça, inspirada em cidades pequenas de Minas Gerais.
  • A autora destaca a falta de conhecimento e discussão sobre eugenia nas escolas brasileiras.
  • Ela menciona o documentário 'Menino 23', que revela um cativeiro de meninos negros em São Paulo com símbolos nazistas.
  • Nara Vidal discute como o tema da eugenia está ligado a narrativas históricas seletivas e silêncios sociais.
  • O conceito de pureza racial é criticado como excludente e contrário à miscigenação brasileira.
  • A autora relaciona o tema à atualidade, citando o crescimento da extrema direita na Europa e discursos racistas.
  • Ela ressalta a importância de estar atento às lutas sociais, pois a história é cíclica e as batalhas nunca estão definitivamente ganhas.
  • O livro explora a hipocrisia e os silêncios em pequenas cidades, mostrando como essas dinâmicas influenciam a sociedade.
  • Nara Vidal enfatiza a responsabilidade da história na formação das narrativas nacionais e a necessidade de questioná-las.

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Speaker A
[Música] Isso aqui é incrível, né? Muito legal. [Música] Ah, esse livro é lindo. Olá, o Trilha de Letras desta semana começa com Nara Vidal, uma autora muito incrível, radicada em Londres, que escreveu um livro romanceado sobre um tema muito pouco explorado no Brasil e que muita gente não sabe. Ela fala sobre eugenia. Você sabe o que é eugenia? Vamos conversar com Nara Vidal sobre este tema tão importante e presente na vida brasileira. Nara, seja muito bem-vinda ao Trilha de Letras. Obrigada, Eliana, obrigada por me receber. Eh, o livro Puro ele se baseia, né? Tem como pano de fundo esse recorte histórico que são os anos 30 no Brasil, governo Getúlio Vargas, e que ali parece que prolifera um pouco essa ideia do eugenismo, né? Que já era um flirt ali, já vinha desde João Batista La Serda, né, num encontro em Londres onde se discute esse tema. Então é um tema isso aí antes, né, do governo Getúlio Vargas, mas é um tema que começa a se alimentar no Brasil. Eh, e é mesmo tão absurdo quanto parece, né? Quanto soa. E esse tema ele surgiu para mim, eu escrevo muito a partir de coisas que me espantam e coisas que me incomodam, alguma coisa que eu vejo ou que eu leio e que eu não consigo esquecer sobre, né? Eu fico pensando naquilo. E eu acho que esse tema primeiro ele apareceu para mim porque eu ouvi falar sobre isso muito tardiamente, como a maioria dos brasileiros, porque eu acho é uma coisa mesmo escandalosa que nas escolas a gente passe pelo tal governo Getúlio Vargas e isso não é sequer mencionado. Eu, enquanto eu cresci, isso não era mencionado. Então eh, é um tema muito forte e claro a gente passa aí pelas narrativas históricas que são muito selecionadas e tudo mais, portanto eugenismo é mesmo escondido. E eu me lembro de ver um filme, eh, Menino 23, esse documentário me emocionou muito porque para quem não sabe, né, só pra gente contextualizar, é um documentário que acompanha uma pesquisa histórica do Sidney Aguilar, se eu não tô errada, não me equivoco aqui, eh, que ele então vai pesquisar o, o, ele encontra numa fazenda no interior de São Paulo, que eu não me lembro o nome da cidade agora, e ele encontra vários tijolos que têm aquele, aquela coisa nazista, né? E ali a gente então descobre que tinha uma espécie de cativeiro de meninos negros e, e claro, com esse símbolo nazista a gente então pressupõe que existia ali todo um incentivo, né, a essa, a essa eugenia, a esse tipo de ideia. E a partir daquele filme eu comecei então a pesquisar um pouco sobre eugenismo. Eu não sou historiadora, eu não pesquiso profundamente, eu pesquiso mesmo por curiosidade e como eu queria fazer ficção com esse recorte histórico eu comecei então a brar um pouquinho sobre o tema. E eu acho que o meu maior espanto, além do tema em si que é de fato espantoso, foi eu me dar conta de que eu não sabia sobre isso, sabe? E todos os desdobramentos que isso tem, né? É incrível como a gente não sabe nada sobre o nosso país, não sabe nada sobre as coisas que nos formaram, né? Eh, eu me lembro que eu fiquei um pouco, eu sempre vi isso reproduzido na internet, aquele quadro, o famoso quadro do Brocos que é a Redenção, que é uma avó negra retinta com uma filha já negra de pele clara, casada com um homem branco, e avó da graças a Deus porque o neto nasceu branco. Eh, isso é um clássico sim do eugenismo e foi apresentado no Congresso das Raças, né, em Londres. E segundo os cálculos era para em 2011 a população negra já estar extinta no Brasil, ou seja, estamos aqui vivendo 20 anos depois da extinção das pessoas negras no Brasil. Gente, isso é muito, muito estarrecedor, né? E você é de uma cidade pequena, né? E o livro se passa numa cidade pequena. Tem algum paralelo? Sim, o livro se passa numa cidade fictícia chamada Santa Graça. O nome, claro, é muito sugestivo, né? Esse Santa Graça é uma cidade como, bom, eu sou de Minas Gerais, a cidade de onde eu venho é muito pequenininha, são 8.000 habitantes e eu percebo vindo de lá depois de ter saído de lá, né, porque acho que quando a gente tá lá a gente às vezes não percebe tanto isso, mas saindo de lá você tem um, um, é sair da ilha para ver a ilha, né? A gente começa a entender então um pouco melhor de algumas dinâmicas, alguns comportamentos. E em Minas Gerais, eu falo da minha cidade, eh, a gente percebe muito uma dinâmica que acontece na narrativa do livro que é o que tá no subterrâneo assim, o que não é, os silêncios. Isso por si já me interessa muito na literatura, né? Eu me atraio muito pelo que as pessoas não falam, principalmente pelo que elas tentam esconder, né? Então a gente, como escritora, a gente especula sobre aquilo, a gente forma narrativas através disso. E eu acho que o silêncio, aquilo que é, que às vezes as pessoas tentam com tanto afinco esconder, né, e que às vezes é tão evidente, isso me interessa muito, muito. Eu gosto muito de observar essas coisas assim nas pessoas. E eu acho que o Puro traz essa cidade como, né, como local ali onde tudo acontece e pela forma narrativa isso é enaltecido, a coisa da hipocrisia, o que que um pensa, o que que um fala, né? Isso é bem comum dessas cidadezinhas e também essa ambição dessa cidadezinha de Santa Graça querer ser um exemplo de eugenia no Brasil. E é um tema muito atual, né? A gente teve agora, a gente tá aí com eleições na Europa, na França, extrema direita, uau, né? Num crescimento vertiginoso. E a gente foi assombrado agora essa semana com aquele cartaz, aquela propaganda de Lorine, você viu? Eh, para que as crianças brancas tenham futuro, né? Sim, isso chega a ser um, nossa, num país que não dominou tantos povos e escravizou tanta gente, enfim. Eh, é um tema muito atual, tá aí na ordem do dia, eh, políticas públicas, né? A gente tem um país que teve isso na Constituição, eu acho que quase ninguém sabe isso, né? Na Constituição de 1934 a eugenia estava lá, né? Tão perto da gente. 34 foi ontem, né, na linha da história. Sim, exatamente. E isso é muito, é estarrecedor, como você diz, mas me espanta muito, sabe, essa falta de avanço nas coisas, né? Eu moro na Inglaterra e eu me lembro quando Brexit aconteceu lá, né? Eh, é muito interessante a gente notar, identificar as narrativas são sempre as mesmas, as mesmas da extrema direita, né, que são narrativas muito frequentemente racistas e preconceituosas. Então eh, é muito interessante a gente notar, né, que a gente tem um pensamento democrático, enfim, humanista, e você nota esse tipo de volta, né? Mas eu às vezes penso que não é volta, eu acho que a história é cíclica mesmo. Então a isso faz com que a gente precise estar sempre muito atento, né? E as lutas nunca estão ganhas, as batalhas nunca estão ganhas, a gente precisa estar sempre consciente disso, né, para protestar e, enfim. E o Brexit, eu me lembro que era muito pautado nessa questão da imigração, que por consequência fala sobre pessoas negras ou pessoas asiáticas, enfim, era uma mistura muito perigosa, né, de um suposto perigo para a sociedade, a presença dessas pessoas. Então, aliás, o tema Puro, essa palavra, né? Eu brinco muito com isso porque essa ideia de pureza ela não é necessariamente boa, né? A pureza ela exclui, né? Então quando a gente pensa em miscigenação, a pureza não existe, né? Então é isso. Então quando eu vejo a riqueza dos vários, né, então uma coisa única ela é muito empobrecida se você for pensar uma coisa pura, né? O que que é aquilo? É muito absoluto, né? Uma coisa única. Então essa questão da miscigenação, eu acho que tudo isso, Eliana, é muito consequência de uma narrativa que a gente esteve acostumado, não estamos mais, ainda bem, né? Protestamos, mas uma narrativa que a gente teve muito acostumado a ouvir da história, né? A história tem essa responsabilidade, esse poder, né? Nós nos informamos sobre o nosso país através dessa narrativa completamente louca, né? Assim, é muito estranha, é muito triste pensar nisso. E aí eu quero te fazer uma provocação que é a seguinte, né? Eu detesto a palavra provocação porque a gente sempre fala.
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Speaker A
tema muito pouco explorado no Brasil e muita gente que muita gente não sabe ela fala sobre eugenia Você sabe o que é eugenia vamos conversar com Nara Vidal sobre este tema tão importante e presente na vida brasileira Nara seja muito bem-vinda ao
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Speaker A
trilha de letras Obrigada Eliana obrigada por me receber eh o livro puro ele ele ele se baseia né Tem como pano de fundo esse recorte histórico que são os anos 30 no Brasil governo Getúlio Vargas e que ali parece
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Speaker A
que prolifera um pouco essa ideia do eugenismo né que já era um flirt ali já vinha desde João Batista la serda né na num no encontro em Londres onde se discute esse tema então é um tema isso aí antes né da do governo Getúlio Vargas
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Speaker A
mas é um um tema que começa a se alimentado no Brasil eh e é mesmo tão absurdo quanto parece né quanto soua e esse esse tema ele surgiu para mim eu escrevo muito a partir de coisas que que
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Speaker A
me espantam e coisas que me incomodam alguma coisa que eu vejo ou que eu leio e que e que eu não consigo esquecer sobre né eu fico pensando naquilo e eu acho que esse tema primeiro ele apareceu para mim
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Speaker A
porque eu ouvi falar sobre isso muito tardiamente como a maioria dos brasileiros porque eu acho é uma coisa mesmo escandalosa que nas escolas a gente passe pelo tal governo Getúlio Vargas e isso isso não é sequer mencionado eu enquanto eu cresci isso
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Speaker A
não era mencionado então Eh é um tema muito forte e claro a gente passa aí pelas narrativas históricas que são muito selecionadas e tudo mais portanto eugenismo é mesmo escondido e eu me lembro de ver um filme eh menino 23 esse
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Speaker A
esse documentário me me emocionou muito porque para quem não sabe né só pra gente contextualizar é um documentário que acompanha uma pesquisa histórica do Sidney Aguilar se eu não tô errada não me equivoco aqui eh que ele ele então
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Speaker A
vai pesquisar o o ele encontra numa fazenda no interior de São Paulo que eu não me lembra o nome da cidade agora e ele encontra vários tijolos que tem aquele aquela coisa nazista né E ali a gente então descobre que tinha eh uma
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Speaker A
uma espécie de cativeiro de de meninos negros e e claro com essa com esse símbolo nazista a gente então pressupõe que existia ali todo um uma uma um incentivo né a essa a esse a essa Eugenia a esse tipo de de ideia e e a
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Speaker A
partir daquele filme eu comecei então a pesquisar um pouco sobre eugenismo eu não sou historiadora eu não pesquiso profundamente eu pesquiso mesmo por curiosidade e como eu queria fazer ficção com esse recorte histórico eu comecei então brar um pouquinho sobre o
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Speaker A
tema e eu acho que o meu maior espanto além do tema em si que é de fato espantoso foi eu me dar conta de que eu não sabia sobre isso sabe e todos os desdobramentos que isso tem né É É
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Speaker A
incrível como a gente não sabe nada sobre o nosso país não sabe nada sobre as coisas que nos formaram né Eh eu me lembro que eu fiquei um pouco eu sempre vi isso reproduzido na internet aquele quadro o famoso quadro do brocos que é a
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Speaker A
redenção de que é uma avó negra retinta com uma filha já negra de pele clara casada com um homem branco e avó da graças a Deus porque o neto nasceu branco eh isso é um clássico sim eh do eugenismo e foi apresentado no
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Speaker A
congresso das raças né em em Londres no em Londres e segundo os cálculos era para em 2011 a população negra já est extinta no Brasil ou seja estamos aqui vivendo 20 anos depois da extinção das pessoas negras no Brasil gente isso é
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Speaker A
muito muito estarrecedor né E você é de uma cidade pequena né e o livro se passa numa cidade pequena tem algum paralelo sim o livro espaça numa cidade fictícia chamada Santa graça o nome claro é muito sugestivo né esse Santa
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Speaker A
graça é uma cidade como bom eu sou de Minas Gerais a cidade de onde eu venho é é muito pequenininha são 8000 Habit antes e e e eu eu percebo vindo de lá depois de ter saído de lá né porque acho
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Speaker A
que quando a gente tá lá a gente às vezes não percebe tanto isso mas saindo de lá você tem uma um um uma é sair da ilha para ver a ilha né a gente a gente começa a entender então um pouco melhor
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Speaker A
de algumas dinâmicas alguns comportamentos e em Minas Gerais eu falo da minha cidade eh a gente percebe muito uma dinâmica que acontece na narrativa do livro que é o o que tá no subterrâneo assim o que não é os silêncios isso por
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Speaker A
si já me interessa muito na literatura né eu eu me atraio muito pelo que as pessoas não falam pelo principalmente pelo que elas tentam esconder né então a gente como escritora a gente especula sobre aquilo a gente forma narrativas
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Speaker A
Através disso e eu acho que a que o silêncio aquilo que é que às vezes as pessoas tentam com tanto afin com esconder né E que às vezes é tão Evidente isso me intera muito muito eu gosto muito de observar essas coisas
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Speaker A
assim nas pessoas e eu acho que o puro Traz essa cidade como né como local ali onde tudo acontece e pela forma narrativa isso é enaltecido a coisa da hipocrisia o que que um pensa o que que um fala né Isso é é bem comum dessas
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Speaker A
cidadezinhas e também essa essa ambição dessa cidadezinha de Santa graça querer ser um exemplo de eugenia no Brasil e é um tempa muito atual né a gente teve agora a gente tá aí com eleições na Europa na França extrema direita uau né
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Speaker A
num crescimento vertiginoso e a gente foi Assombrado agora essa semana com aquele cartaz aquela propaganda de Lorine você viu Eh para que as crianças brancas tenham futuro né sim isso chega a ser um Nossa num num país que não é
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Speaker A
dominou tantos povos e escravizou tanta gente enfim eh é um tema muito atual tá aí na ordem do dia eh políticas públicas né a gente tem um um país que teve isso na Constituição eu acho que quase ninguém
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Speaker A
sabe isso né na constituição de 1934 a Eugenia estava lá né tão tão perto da gente 34 foi ontem né na linha da história sim exatamente e e isso é muito é estarrecedor como você diz mas me espanta muito sabe essa essa falta de de
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Speaker A
avanço nas coisas né Eu moro na Inglaterra e eu me lembro quando brexit aconteceu lá né Eh as é é muito interessante a gente notar identificar as narrativas são sempre as mesmas as mesmas da da Extrema direita né que são
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Speaker A
narrativas muito frequentemente racistas né E preconceituosas então Eh é muito interessante a gente notar né que a gente tem uma um pensamento democrático enfim humanista e você nota esse esse tipo de de volta né mas eu às vezes
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Speaker A
penso que não é volta eu acho que a história é cíclica mesmo então a isso faz com que a gente precisa estar sempre muito atento né e as lutas nunca estão ganhas as batalhas nunca tão estão ganhas a gente precisa estar sempre
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Speaker A
consciente disso né para para protestar e enfim e o brexit eu me lembro que era muito pautado nessa questão da imigração que por consequência eh fala sobre pessoas negras ou ou pessoas asiáticas de eh enfim era uma uma mistura muito
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Speaker A
perigosa né de um um suposto perigo né para pra sociedade o a a presença dessas pessoas então Aliás o tema puro essa essa palavra né Eu brinco muito com isso porque essa ideia de Pureza ela não é necessariamente boa né
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Speaker A
a a pureza ela exclui né então quando a gente pensa em miscigenação a pureza não existe né então é isso então quando eu eu vejo a riqueza do dos vários né então uma coisa única ela é muito empobrecida
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Speaker A
se você for pensar uma coisa pura né O que que é aquilo é muito absoluto né uma coisa única Então essa essa questão da Miss ação eu eu eu acho que tudo isso Eliana é muito consequência de uma
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Speaker A
narrativa que a gente esteve acostumado não estamos mais Ainda bem né protestamos mas uma narrativa que a gente teve muito acostumado a ouvir da história né a história tem esse tem essa responsabilidade esse poder né Nós nos informamos sobre o nosso país através
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Speaker A
dessa narrativa completamente louca né assim é é muito estranha é muito triste pensar nisso E aí eu quero te fazer uma provocação que é a seguinte né eu detesto a palavra provocação porque a gente sempre fala e É verdade que a
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Speaker A
literatura é o terreno da liberdade é o terreno onde a gente pode imaginar Qualquer coisa a gente pode fabular a gente pode escrever sobre tudo pode escrever sobre nada pode enfim escrever apenas para se divertir rir ter momentos
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Speaker A
prazerosos pode pensar o mundo mas existe um discurso que diz assim né Eh a literatura como panfleto hum eh e eu acho isso às vezes me soa um tanto eugenista porque se é uma pessoa negra que escreve esta
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Speaker A
história Então eu queria que você falasse um pouquinho sobre isso sabe porque parece que a depender do sujeito que escreve é panfleto ou não ai muito interessante isso eu eu eu do meu ponto de vista Eliana eu né pegando assim quem
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Speaker A
eu sou a minha história é eh o do meu ponto de vista eu de fato acredito muito assim eu só posso acreditar na Liberdade literária eu não tenho outra opção eh então por exemplo fazer esse livro é arriscado claro que é eu fazer esse
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Speaker A
livro é arriscado eu tenho essa consciência mas ao mesmo tempo eu tenho essa liberdade e eu acho que todos nós que escrevemos ou todos todos os artistas precisam ter essa liberdade aí Você tocou no ponto que é a coisa do
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Speaker A
panfleto eu acho muito assim eu concordo com você depende de quem faz aquilo vira panfleto né isso isso a gente eu tenho a a o otimismo de que isso vai acabar mas eu acho que a gente em construção né a
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Speaker A
gente ainda tá construindo muitos espaços estão sendo preenchidos enfim e eu acho que que no caso da literatura se ela não tiver esse espaço de liberdade ela não tem razão de existir se a literatura ela parte de um de um de um
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Speaker A
ensinamento de um didatismo eu acho que ela se empobrece eu acho que ela existe para precisamente tirar a gente do eixo desnortear fazer a gente questionar incomodar perturbar sabe deixar a gente sem sono e eu acho que isso acontece
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Speaker A
através das perguntas e não das respostas portanto se uma literatura nos responde ao ela tem que deixar a gente perando maravilhoso vamos voltar daqui a pouco para falar sobre Shakespeare sobre forma e conteúdo Mas antes a gente vai
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Speaker A
dar uma pausa com o nosso trilho especial aqui na feira do [Música] livro volta com trilha de letras especial aqui na feira do livro conversando com Nara Vidal sobre o livro puro Nara você é especialista em Shakespeare E aonde é que tá Shakespeare
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Speaker A
aqui no puro na tua obra tem um pouco de Lady macbeth ali eu vi alguma coisa assim né que que você acha bom é muito generosa essa parte fala que eu sou especialista sh porque eu não sou eu sou
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Speaker A
eu eu me interesso eu sou uma apaixonada eu leio muito por conta própria Eu não estudo assim academicamente mas eu eu me interesso muito há muito tempo eh eu acho que tem alguns elementos sim mas isso é muito engraçado de novo eles não
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Speaker A
eu não era uma coisa consciente mas talvez olhando agora né De Volta pro livro e eu consigo identificar eu acho que mais o mais nítido de todos são as as três velhas do Casarão que são umas três Bruxas talvez do do macbeth E então
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Speaker A
sim talvez tem essa tem esse elemento né e eu me escapo alguma coisa outra agora mas eu tenho certeza que pode ter sim alguma alguma influência né nisso é é um livro muito Sombrio também né eu quando eu penso nessa
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Speaker A
história eu penso sempre ou preto e branca ou meio velada né uma coisa então é um pouco também com ess como essa essa atmosfera assim do do do macbeth talvez não tem nada a ver com macbeth mas tem
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Speaker A
talvez tem esses elementos sim como a gente escreve a partir da gente né tudo que forma a gente acaba de alguma forma transpirando pra obra eh eu queria falar contigo sobre o formato né sobre a forma essa O que as personagens falam o
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Speaker A
que elas deixam de falar o que elas estão pensando o que não é dito eh como é que foi que tem uma hora que você acha até que tá lendo uma obra de teatro né eh como é que foi a escolha desse
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Speaker A
formato foi acidental Por incrível que pareça eu não imaginava escrever o livro com essa forma que no final das contas funcionou para mim Eh para para quem não sabe né Ele parece rubricas de teatro né então Eh parece que tá dando ali a a
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Speaker A
Deixa pra pessoa entrar no palco Fulano pensa Fulano diz mas é curioso Eliana porque quando eu comecei a a a comecei a pegar esse livro né E quando eu digo comecei a pegar eu comecei a pensar sobre esse livro né foi
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Speaker A
muito lá atrás foi antes da pandemia então assim há muito tempo que eu que eu tô pensando nesse tema ele vem aliás quase que como um caminho depois do sorte que foi um livro também que es que também tem um recorte histórico e que o
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Speaker A
sorte termina em 1888 então o que que acontece depois dali né o o eugenismo o racismo continuam firmes e fortes ali no puro eh portanto eu pensei em escrever uma história com uma prosa mais linear como um romance mais convencional enfim só
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Speaker A
que curiosamente aquilo não funcionava sabe quando você começa a reler o que você escreveu e aquilo não faz não tá bom simplesmente não tá bom você o livro não tá acontecendo Endo a história que você quer contar não tá viva não tá não
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Speaker A
tá boa e como tem muitas personagens É muita gente é uma cidade né um núcleo de uma cidade eu sou pessoa muito distraída eu comecei a escrever o nome das personagens do lado num caderno e para eu não me perder eu comecei a escrever
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Speaker A
Íris fala Ícaro fala Lázaro fala an E aí eu comecei quando eu depois fui embora voltei no texto né depois e eu fui Então a partir daquela minha anotação e quando eu li aquela anotação eu pensei mas é
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Speaker A
isso que é disso que o livro precisa Essa é a narrativa do livro as pessoas vão pensar e as pessoas vão falar e as pessoas vão gritar e as pessoas vão se silenciar e e vai ser assim o verbo que
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Speaker A
vai dar conta de narrar isso aqui não vai ter um narrador óbvio né então eu isso foi foi um acidente de percurso mesmo mas que a partir dali para mim o livro se abriu a história Então ela começou só fazia sentido para que eu
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Speaker A
escrevesse e também tem um aspecto que para mim é muito caro que é ess essa experimentação literária né experimentar com a forma com as vozes com as estruturas a linguagem eu eh eu curto muito fazer isso né Pois então tem dois
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Speaker A
personagens no livro né é uma mulher negra que é a Íris e o e o menino Ícaro e que é o Ícaro que é um portador de deficiência ali uma pessoa com deficiência eh e eles têm ali uma uma afinidade né eles têm um laço
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Speaker A
tem uma uma pesquisadora brasileira né que Vilma Piedade e ela fala ela tem um conceito chama dororidade que é a união a partir da dor você acha que é isso que acontece com íris e e Ícaro sim olha eu
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Speaker A
não conheço vou vou procurar saber é aliás um conceito interessantíssimo né aquela complicidade através da da dor no caso deles do preconceito também né que os dois sofrem muito preconceito e mas é é sempre interessante a gente pensar
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Speaker A
também que esse preconceito era muito natural né Eliana naquele tempo Ali era uma coisa naturalizada a a o racismo Ali era natural era era normal que fosse assim né E então todos todos estão inseridos nessa nessa atmosfera né nessa
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Speaker A
enfim e e o Ícaro e a a Íris eles sim eles se aproximam Por conta desses preconceitos de serem eh para quem as pessoas apontam o dedo né e e são e eles recebem insultos e ofensas muito recorrentes muito frequentes e e e é
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Speaker A
muito interessante a gente perceber a dinâmica com as outras personagens né aquela dinâmica de poder de autoritarismo de supremacia Branca né que que existe ali principalmente duas personagens o Lázaro e a Delfina que depois vira elga o Lázaro uma criança de
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Speaker A
15 anos e ele vive rindo do Ícaro que é um menino com deficiência e curiosamente essa linguagem do Lázaro Eu eu foi uma coisa muito deliberada eu pensei muito sobre a linguagem do Lázaro que reflete para mim uma linguagem que a gente vê muito ainda
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Speaker A
hoje em dia que que é aquela linguagem da pessoa que insulta ou com discurso oso de racismo e que por exemplo ofende uma pessoa e a pessoa quando ela se proclama ofendida E ela diz que ela tá ofendida a pessoa vira e fala assim ah
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Speaker A
leva na esportiva é uma piada é um mimimi é um mimimi exatamente então isso isso me chama muita atenção e eu eu acho que o o Lázaro ele tem esse essa crueldade o tempo inteiro em relação ao Ícaro ele chama ele de estúpido ele fala
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Speaker A
que ele não pensa que ele só sabe são coisas duras eu não gosto de resp de de repetir na verdade o que eu escrevi porque Pois então e isso eu ia te perguntar também porque você é muito corajoso porque você não tem nenhum
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Speaker A
podor de colocar tudo que aquelas pessoas pensam aquele pai que uau qu é que o filho morra né porque o filho é deficiente e ele se envergonha do F do filho eh a mulher negra que quer matar a
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Speaker A
outra né ela tem aquele aquele pensamento recorrente tô com muita vontade de matar aquela mulher e São coisas que as pessoas pensam mas não dizem e como é que foi para você conviver com isso e e soltar um pouco
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Speaker A
esses esses Monstros no livro tem muitaa é um livro pequeno mas ele tem muita coisa ali dentro Aham eu engraçado na hora de escrever isso não me afeta tanto é curioso porque eu acho até que se me afetasse tanto eu não teria escrito sabe
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Speaker A
Então na hora de escrever existe um distanciamento né você tá ali trabalhando a linguagem você tá pensando é uma outra é um outro lugar né e e mas curiosamente quando eu fiz um lançamento esse livro em Portugal eh ele tem uma
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Speaker A
edição portuguesa uma amiga minha que é atriz ela fez uma apresentação do livro e ela fez uma leitura de alguns trechos Eu me emocionei muito Eliana porque são palavras muito duras né são são o que as pessoas falam para Iris principalmente o
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Speaker A
Lázaro né ele brinca muito com brinca né Fala brinca não fala essas coisas com ela né Eh ofende insulta e e ela li alguns trechos e e eu ficava ali pensando meu deus eu será que eu escrevi isso mesmo é uma coisa muito difícil de
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Speaker A
ouvir né não é um livro histórico Mas você abre a primeira página do livro você tem a bula papal que permite que os povos sejam explorados e e subjulgar e escravizados e enfim sim Portugal e Espanha poderiam fazer tudo com aqueles
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Speaker A
povos uma bula de 1425 depois você vem com a ideia do Deus Pátria família depois você vem com a ideia da frente negra brasileira Deus Pátria raça e família você vai fazendo meio que uma uma cronologia de uma
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Speaker A
evolução de uma ideia ali né com aquelas frases curtas então é uma página mas ali tem toda uma história de meio Milênio sim é quase um preparo né pro leitor tipo que você vai encontrar a partir de agora né eu fiz isso no sorte também que
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Speaker A
eu acho que também é importante a gente situar o leitor preparar pro que que tá por vir né Eh no sorte também teve essa essa era era um escrituras de compra e venda de mulheres escravizadas e é muito
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Speaker A
chocante ver aqueles documentos né que as pessoas vendidas descritas como mercadorias e é e eu falo sobre essas mulheres aliás eu dedico o livro A Francisca e a Carolina que são essas duas mulheres e Então traz essa essa é
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Speaker A
como se fosse preparar né situar também o leitor historicamente ali que período a gente vai entrar mas também a coisa do do Deus pári família que é tão presente estamos vivendo isso ag agora agora agoraé eu tenho uma dúvida que é o
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Speaker A
seguinte esse projeto deu errado ou ele foi apenas adiado Nossa Eliana sua pergunta é uma pergunta cruel mas é uma pergunta que a gente tem que se fazer ele deu errado ou ele foi apenas adiado porque o que a gente vê é uma
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Speaker A
insistência sim e uma insistência de uma sociedade que não quer ver né você tem lá aquele núcleo duro do pessoal que é isso mesmo não tem vergonha de pra internet falar coisas assim né eugênicas sim eh mas a gente tem um outro lado
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Speaker A
também que são as pessoas legais né Como dizia o Luther King né eu tenho medo do Silêncio dos bons O Silêncio dos bons também não quer não quer aprender sobre isso não quer ver então teremos um futuro eugênico eu acho que tem duas questões
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Speaker A
aí muito interessantes e muito importantes a gente pensar que uma delas é é aquela história né do ciclo da história né a história cíclica Então essas coisas movimentos vêm e eles adormecem eles voltam muito vivos e eles adormecem eu acho que eles não eles não
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Speaker A
são extintos Eles simplesmente adormecem dependo Por exemplo agora com a com a Extrema direita em rápida ascensão por todo mundo eh fica muito Evidente esse projeto de volta né e é quando a gente precisa acordar mesmo e falar sobre sobre essa
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Speaker A
questão e é importantíssimo uma outra questão que é na verdade bastante polêmica mas que eu acho que a gente precisa botar esse dedo aqui que é no Brasil a gente precisa reconhecer a educação que nós tivemos no Brasil ela é
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Speaker A
racista a gente não tem como discutir isso né não tem como debater isso ela é Ela foi uma educação racista E então isso forma cidadãos racistas e o que que eu quero dizer com isso é a gente precisa reconhecer ter esse equívoco
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Speaker A
para que haja um avanço porque se a gente falar assim não não não eu não não sou e tenho até amigo Sabe aquela velha né Eu acho que a gente cai no erro de não compreender a O equívoco olhar pro
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Speaker A
equívoco para então compreender como avançar sabe então a gente partir de um ponto de que porque o que acontece quando eu digo que todos nós tivemos uma educação racista é porque crucialmente não havia nenhuma ação antirracista e essa ideia de
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Speaker A
antirracismo é o pulo do gato é o que vai fazer a gente avançar não é dizer que ai eu não sou racista não a pessoa precisa ser Ant ela precisa combater uma coisa mas para ela combater aquilo tem
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Speaker A
que tem que existir para existir ele tem que ser reconhecido proclamado identificado então O equívoco precisa ser identificado para que a gente ande a gente tem que responder a pergunta no espelho né onde mora o racista dentro de
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Speaker A
mim aham bom e com esta pergunta terminamos mais um trilha de letras dessa vez especial aqui na feira do livro agradeço muito a Nara Vidal por ter estado conosco com um tema tão duro tão difícil mas pensem Leiam Estamos
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Speaker A
aqui na semana que vem nunca esqueça trilha o caminho da literatura passa aqui na TV Brasil [Aplausos] [Música] BR n [Música]
Topics:Nara VidalPuroeugeniaBrasil anos 30Getúlio Vargasracismoextrema direitamiscigenaçãohistória brasileiraliteratura brasileira

Frequently Asked Questions

O que é o tema central do livro 'Puro' de Nara Vidal?

O livro 'Puro' aborda a eugenia no Brasil dos anos 30, explorando um tema pouco discutido e suas consequências sociais e históricas.

Por que Nara Vidal se interessou pelo tema da eugenia?

Ela se interessou porque o tema é escandaloso e pouco conhecido, e a partir de um documentário sobre um cativeiro de meninos negros com símbolos nazistas, começou a pesquisar para criar sua ficção.

Como o tema da eugenia está relacionado à atualidade, segundo a autora?

A autora relaciona o tema ao crescimento da extrema direita na Europa, discursos racistas e políticas públicas que ainda refletem essas ideias excludentes.

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