Análise dos principais motivos da evasão nos cursos de Edificações e Engenharia Civil, abordando fatores acadêmicos, práticos, mercadológicos e pessoais.
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Key Takeaways
- A complexidade e o peso das disciplinas básicas são fatores cruciais para a evasão nos cursos de engenharia.
- A desconexão entre teoria e prática profissional pode desmotivar os estudantes e aumentar a evasão.
- Expectativas irreais sobre o mercado e salários iniciais impactam negativamente a permanência dos alunos.
- Fatores pessoais e socioeconômicos, como carga horária e falta de apoio, influenciam diretamente na evasão.
- A excelência no desempenho profissional é fundamental para a estabilidade no mercado, mesmo em crises.
What the video covers
- Peso acadêmico elevado devido à complexidade das disciplinas básicas como física e matemática, que são essenciais antes das específicas.
- Lacunas no aprendizado do ensino médio que dificultam o acompanhamento das disciplinas na graduação, especialmente em matemática, física e química.
- Falta de conexão entre o ensino teórico e a prática profissional, com currículos muitas vezes excessivamente teóricos e poucas atividades práticas e de campo.
- Expectativas desalinhadas do mercado de trabalho, incluindo percepção de saturação e salários iniciais abaixo do esperado, que desmotivam os estudantes.
- Importância do desempenho com excelência para manter-se no mercado, mesmo em cenários de crise econômica.
- Carga horária elevada e turnos variados dificultam a conciliação entre estudo, trabalho e vida pessoal, afetando a saúde mental dos alunos.
- Falta de apoio familiar pode agravar a dificuldade de manter o ritmo dos estudos e a motivação para continuar o curso.
- Diferenças geracionais nas expectativas salariais e na aceitação das condições iniciais de trabalho na área de engenharia.
- Movimentos de conselhos profissionais para garantir o respeito ao piso salarial e melhores condições para os recém-formados.
- A evasão é um fenômeno multifatorial que envolve aspectos acadêmicos, práticos, mercadológicos e pessoais, exigindo abordagens integradas para sua mitigação.
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Speaker A
Então, a primeira pergunta trabalha a questão dos principais motivos de evasão que a gente tem nos cursos, eh, de edificações e de engenharia civil.
Speaker A
Ah, vamos lá, essa questão é uma, é uma, tem uma resposta bastante complexa e multifatorial.
Speaker A
Né, são muitos fatores que estão envolvidos aí nessa resposta, então eu tentei elencar isso de uma forma bem rápida e objetiva, começando pelo peso acadêmico.
Speaker A
Né, então o que que acontece com o pessoal que acaba de ingressar na engenharia? Esse pessoal se depara com a complexidade dessas matérias de base.
Speaker A
Então você tem física 1, física 2, matemática 1, matemática 2, você vai fazer todo o ciclo básico de engenharia antes de você ir para as disciplinas específicas, então realmente as disciplinas de base, elas têm uma complexidade bastante grande.
Speaker A
Inclusive, até, eh, de uma década para cá, uma série de disciplinas, eh, tem sido incluídas no currículo para reforçar aquele conteúdo que deveria ter sido trabalhado no ensino médio.
Speaker A
Então a complexidade, peso, né, o peso acadêmico, a complexidade dessas disciplinas de base é bastante grande.
Speaker A
Em segundo lugar, as lacunas.
Speaker A
Então, a partir do momento que você tem uma política educacional de promoção continuada, não que ela seja falha, mas ela pressupõe que você vai verificar o que tem que ser recuperado nesse aluno para que ele seja trabalhado na série seguinte.
Speaker A
Mas normalmente na série seguinte aquilo não é trabalhado e no final você tem um aluno que concluiu o ensino médio, mas que tem uma grande lacuna.
Speaker A
Essa lacuna pode ser, pode acontecer, por exemplo, em matemática, pode acontecer em física, né, para falar de estrutura, escoramento, aí física aplicada, matemática aplicada.
Speaker A
Se a gente fala, por exemplo, ah, de um aditivo de concreto, né, a gente tá falando de química, então de repente essa lacuna em química chegou ali também na graduação.
Speaker A
Então as lacunas, eh, que esse estudante tem na aprendizagem, elas são impactantes sim, porque como você tem disciplinas de base que são muito pesadas e essas lacunas que são consideráveis, você acaba ficando com um combo.
Speaker A
Que acaba complicando bastante a vida das pessoas, né?
Speaker A
A carga horária é intensiva, então essas disciplinas de base, além delas serem complexas e exigirem esses pré-requisitos.
Speaker A
Elas também têm uma carga horária considerável e são disciplinas que têm uma natureza muito rigorosa.
Speaker A
Quer dizer, ou você faz daquele jeito que é o jeito certo, ou você não consegue solucionar os problemas que são colocados por essas disciplinas, né?
Speaker A
Então esse é o primeiro quesito, que é o quesito do peso acadêmico.
Speaker A
Segundo quesito, a falta de conexão entre o ensino e a prática profissional.
Speaker A
Então, o ensino é uma coisa, academia, e eu pratico no dia a dia alguma coisa diferente daquilo que está sendo ensinado.
Speaker A
Algumas instituições apresentam currículos que são excessivamente teóricos e não voltados, então, para a prática profissional.
Speaker A
Né, é claro que a gente precisa das duas coisas, eu não, não posso partir direto para a prática profissional.
Speaker A
Eu não posso pedir para um estudante desenhar um projeto arquitetônico se ele não entende o que é uma linha.
Speaker A
Se ele não entende que uma linha de projeção representa alguma coisa que está anterior ao plano de corte, né?
Speaker A
Então, essa teoria tem que fazer parte, não tem como a gente abrir mão dessa teoria.
Speaker A
Mas algumas instituições têm currículos que são excessivamente teóricos, isso pode acabar desmotivando os alunos também.
Speaker A
Aonde a gente tem currículos excessivamente teóricos, a gente pode ter poucas atividades práticas, né?
Speaker A
Então, poucas atividades em laboratório, quer dizer, são aquelas, ah, oportunidades.
Speaker A
Aonde a gente pode colocar em prática aquilo que a gente aprende da teoria, né, e consolidar o conhecimento.
Speaker A
Então você tem a teoria, você aplica essa teoria em um case prático.
Speaker A
Eh, poucas experiências em campo também, então fica muito vinculado ali ao ambiente acadêmico.
Speaker A
O ambiente de sala de aula, mas a gente não tá experimentando uma obra, a gente não tá experimentando uma concretagem.
Speaker A
A gente não tá vendo um escoramento ao vivo, a gente não tá, eh, fazendo um levantamento planialtimétrico.
Speaker A
Né, num terreno real, ou numa maquete que seja, que é algo perfeitamente possível, a gente trabalha com redução de modelos em escala.
Speaker A
E a distância entre aquela visão idealizada do que é o curso de engenharia e a realidade acadêmica, né?
Speaker A
Então, eu tenho uma expectativa quando eu vou cursar engenharia e de repente eu me deparo com esse cenário.
Speaker A
Que pode não se aproximar nem um pouco daquela minha expectativa em relação ao curso.
Speaker A
Então, isso é o nosso quesito dois, que é a falta de conexão entre o ensino e a prática profissional.
Speaker A
Depois, como terceiro ponto, a gente tem as expectativas do mercado e as expectativas salariais.
Speaker A
Então, as pessoas têm a percepção de um mercado muito saturado, né?
Speaker A
Então, às vezes, você tem muitos profissionais naquela área, você tem uma visão de que o mercado tá saturado.
Speaker A
E que não existe oportunidade, você fala, meu, eu vou disputar com tudo isso de gente esse mercado, né?
Speaker A
Eu não concordo muito com isso, eu acho que quando a gente faz o que a gente gosta, a gente vai desempenhar com excelência.
Speaker A
E nesses 30 anos, mais de 30 anos de mercado, o que dá para ver é que, independentemente de cenários de crise.
Speaker A
Quem desempenha o seu serviço com excelência, consegue sempre estar muito bem colocado, inclusive, né?
Speaker A
As crises econômicas que impactam no setor da construção civil, e aí quem não desempenha com excelência acaba sofrendo cortes.
Speaker A
Né, nas empresas e se vendo de repente sem uma, uma oportunidade de trabalho.
Speaker A
E salários iniciais que também podem estar abaixo do esperado, né?
Speaker A
Então, existe uma aceitação muito ruim, principalmente pela geração mais jovem, eh, de um.
Speaker A
Tem um alto salário já no começo da carreira, né, ao passo que a geração anterior.
Speaker A
É, fazia trabalho escravo numa obra todo dia, chegava antes da primeira pessoa da obra e saía depois da última pessoa da obra.
Speaker A
E não ganhava nada por isso e se predispunha a isso, porque a obra era um estágio, né?
Speaker A
E o estágio, eh, tem deixado de ser obrigatório para uma série de áreas.
Speaker A
Eh, a não ser para a área da saúde, né, aonde o estágio é obrigatório, isso também depende do currículo, depende da instituição.
Speaker A
Mas salários iniciais abaixo do esperado, então a pessoa quer entrar na área, quer ingressar já ganhando um salário muito bacana.
Speaker A
E nem sempre essa expectativa é correspondida com o salário de piso do engenheiro civil e mesmo para o recém-formado.
Speaker A
E aí a gente tem um movimento cada vez mais forte, eh, desses conselhos, como é o CAU.
Speaker A
Conselho de Arquitetura e Urbanismo, ou do CREA, né, que é responsável pelas engenharias, ou do CFT, que é o Conselho Federal dos Técnicos.
Speaker A
Tentando definir qual é o salário base e tentando fazer com que profissionais, eh, submetam denúncias.
Speaker A
De que esse salário base não tá sendo respeitado, que esse piso não tá sendo respeitado, inclusive em concursos públicos.
Speaker A
Que são promovidos aí por uma série de prefeituras, né?
Speaker A
Ah, então, esses três fatores iniciais, peso acadêmico, falta de conexão entre ensino e a prática profissional.
Speaker A
E as expectativas do mercado e salariais, eh, são assim mais abrangentes.
Speaker A
Vamos trazer um pouquinho agora para o lado pessoal, fatores pessoais e socioeconômicos, né, é o quarto quesito.
Speaker A
Elevada carga horária, então são cursos, né, um curso de engenharia, no caso, é um curso que tem uma elevada carga horária.
Speaker A
Dependendo da instituição, você tem aulas em turnos variados, então, às vezes, você tem semi-regime, semi-presencial.
Speaker A
Às vezes tem aula à noite, às vezes tem aula no sábado, então isso acaba complicando um pouco a vida.
Speaker A
Principalmente de, a conciliação, né, entre as atividades de estudo e o trabalho.
Speaker A
É, que podem acabar trazendo questões de saúde mental, né, principalmente ligadas à ansiedade e ao estresse.
Speaker A
E também a falta de apoio familiar, então pode muito acontecer, poxa, você não tá na faculdade.
Speaker A
Você não tá estudando, você tá em casa, mas você tem que estudar, né?
Speaker A
Poxa, você não consegue ficar com a gente, né?
Speaker A
Então, é, às vezes é muito difícil para um familiar, para uma esposa, para os pais.
Speaker A
É, o pessoal entender que é uma formação que exige a, uma necessidade enorme de dedicação, né?
Speaker A
Então, às vezes você tem três aulas, eh, três horas aula sobre um determinado conteúdo.
Speaker A
E você precisa de 10, 12 horas estudando para esmiuçar e para entender exatamente tudo aquilo que tentou ser passado ali, né?
Speaker A
E o pessoal normalmente não respeita aquela porta do quarto fechada, o pessoal, eu tenho que estudar, eu preciso me concentrar, né?
Speaker A
Principalmente questões mais aprofundadas que em engenharia é muito comum isso acontecer.
Speaker A
Você tá encadeando um raciocínio para resolução de um problema, que se alguém abre a porta e tira a tua concentração.
Speaker A
Você precisa de meia hora para voltar para o ponto em que você estava, então a questão de apoio familiar é uma questão muito importante, né?
Speaker A
E a gente tem também a falta de apoio institucional, então eu tenho uma dúvida, para onde que eu vou com essa dúvida, né?
Speaker A
Eu consigo tirar essa dúvida com o professor, eu tenho, eh, uma, uma monitoria.
Speaker A
Esse professor é acessível, ou eu tenho um grupo de colegas com quem eu consigo estabelecer ali uma roda de estudos.
Speaker A
E quem é melhor numa coisa, ajuda o pessoal com aquilo, eu sou melhor em alguma coisa, eu ajudo o pessoal com isso que eu sou melhor.
Speaker A
Então, a falta de apoio institucional não necessariamente corresponde apenas à instituição.
Speaker A
Mas também a todo o quadro, né, docente, discente, eh, administrativo, gestor.
Speaker A
De uma, eh, determinada instituição e a necessidade de trabalhar.
Speaker A
Então, como aqui a gente tá falando com profissionais, né, jovens e adultos.
Speaker A
Eh, então a necessidade de trabalhar, ela se impõe e aí quando você pega todo esse currículo acadêmico pesado.
Speaker A
E você precisa conciliar isso com uma situação pessoal, familiar, eh, e dentro desse quadro todo.
Speaker A
A necessidade de trabalhar se impõe e de repente gera um impedimento para você dar continuidade.
Speaker A
E isso pode acabar, eh, fatalmente repercutindo aí nas questões de evasão, né?
Speaker A
E por último, pra gente fechar essa primeira questão, a questão bastante complexa, os principais motivos de evasão.
Speaker A
São escolhas precipitadas, né, eh, que é muito comum na juventude.
Speaker A
A gente tem uma escolha aonde nós refletimos pouco sobre quem somos nós, o que nós gostamos de fazer, né?
Speaker A
Eh, para tentar enxergar qual é a profissão aonde a gente vai, eh, realmente ser capaz de se realizar profissionalmente.
Speaker A
Então, escolhas precipitadas, eh, muito poucas pessoas recorrem, eh, eh, procuram um trabalho de orientação profissional.
Speaker A
Normalmente feito por psicólogos, né, a gente tem hoje uma quantidade muito considerável.
Speaker A
De jovens adultos que estão com a graduação concluída e atuando numa área que não é a área que eles mais gostam.
Speaker A
E eles querem trocar de área, mas eles estão, eles, tão formados naquilo.
Speaker A
Eles trabalham com aquilo, mas eles não se sentem realizados e aí ao invés deles irem parar numa segunda faculdade.
Speaker A
Eles vão parar no consultório de psicologia achando que tem alguma coisa errada e o que que tem de errado?
Speaker A
O que tem de errado é que um, um trabalho de orientação profissional não aconteceu, né?
Speaker A
Nem no ensino fundamental, nem no ensino médio e nem na graduação.
Speaker A
Então, não tem um planejamento, uma gestão de carreira, né, uma ideia do que pode vir a ser.
Speaker A
Então, orientação profissional é uma questão, eh, bastante séria e que deveria estar muito mais presente nesse nosso contexto escolar.
Speaker A
E a última questão, nesse quinto ponto, que é a falta de identificação com o curso.
Speaker A
É, desconhecimento das possibilidades e desafios da engenharia, né?
Speaker A
Então, quando a gente fala de engenharia, a gente tá falando de pavimentação, a gente tá falando de solos, de geotecnia.
Speaker A
A gente tá falando de levantamento planialtimétrico, topografia, a gente tá falando de concretagem.
Speaker A
É, a gente tá falando de laboratório, de ensaio, materiais, eh, ensaio de, de solo.
Speaker A
A gente tá falando de desenho técnico, a gente tá falando de computação gráfica, a gente tá falando de estrutura de concreto.
Speaker A
De estrutura metálica, de estrutura de madeira, a gente tá falando de coberturas, telhas, tecnologias.
Speaker A
Equipamentos para construção, eh, a gente tá falando de segurança contra incêndio.
Speaker A
Ah, a gente tá falando de, eh, realidade aumentada, né, em aplicações, eh, de alta tecnologia.
Speaker A
Eh, gestão do canteiro de obra, ah, a gente tá falando de BIM, a gente tá falando de tudo isso.
Speaker A
Mas o que é engenharia de fato, né?
Speaker A
Então, quem acaba de entrar na área, não tem a menor noção da vastidão, né?
Speaker A
E do universo de possibilidades que a gente tem dentro desse campo de atuação que é a engenharia civil.
Speaker A
Não, desconhece, não tem a menor ideia, então essa questão, eu acho que é a questão mais complexa, né?
Speaker A
E que acaba provocando evasão, né?
Speaker A
Claro que o fator chave de evasão, apesar de qualquer impedimento que se imponha.
Speaker A
Se a pessoa adora aquilo, ela tá realmente determinada a cursar, não importam quais sejam as dificuldades.
Speaker A
Que vão se impor, aquela pessoa, aquele profissional vai dar um jeito, né, de, de conseguir chegar no final.
Speaker A
É, desse desafio de concluir a graduação ou de concluir o curso técnico, né?
Speaker A
É, quando você tá suficientemente automotivado, por mais que você tenha fatores exógenos.
Speaker A
Né, fatores externos que possam se impor, seja a instituição, seja o tráfego.
Speaker A
Seja o teu tempo de deslocamento, seja a família, seja lá o que for, quando você tá determinado, não tem nada que tire você do teu alvo.
Speaker A
Que é concluir a, a formação, então essa clareza na decisão de escolher pela formação.
Speaker A
E arcar com tudo que vem junto, com o preço, né, de uma escolha, eh, acaba não tendo evasão.
Speaker A
Quem fez uma escolha mais consciente, então essa é a nossa resposta aí para a primeira questão.
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