Paulo José analisa a evolução dos wearables, mostrando como eles mudaram nossa relação com o corpo e a saúde ao longo dos anos.
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Key Takeaways
- Wearables criam uma nova linguagem para entender o corpo, mas nem sempre refletem a complexidade real da saúde.
- A tecnologia mudou comportamentos, transformando atividades cotidianas em metas e jogos.
- O design evoluiu para integrar os dispositivos ao estilo de vida, tornando-os acessórios de moda.
- A promessa de controle do corpo é sedutora, mas o corpo humano permanece imprevisível e caótico.
- Os dados coletados são mais julgamentos do que informações puras, influenciando a percepção pessoal.
What the video covers
- O vídeo apresenta uma linha do tempo dos wearables que Paulo José usou, incluindo Apple Watch, Garmin, Whoop, Fitbit e outros.
- Explora a promessa inicial dos dispositivos de medir e controlar o corpo, destacando a sensação de controle que eles oferecem.
- Discute o impacto cultural e comportamental dos wearables, como a popularização dos 10.000 passos e a transformação do caminhar em um jogo.
- Analisa como cada marca criou sua própria linguagem e métricas para descrever o corpo, que viraram cultura e marketing.
- Mostra a evolução do design dos dispositivos, de equipamentos médicos para acessórios de moda e estilo.
- Reflete sobre a mudança da função dos wearables, de ensinar para avaliar e julgar o corpo, influenciando a percepção pessoal.
- Aponta a contradição entre a promessa de controle e a complexidade caótica do corpo humano, que nem sempre responde aos dados.
- Destaca o papel da psicologia e da interface na adesão aos dispositivos, como o efeito Zeigarnik aplicado pela Apple.
- Comenta a tendência de simplificação e foco na experiência do usuário, exemplificada por dispositivos sem tela como o Whoop.
- Conclui que os wearables mudaram a forma como pensamos e interagimos com nosso corpo, mas a verdade sobre saúde é mais complexa.
Chapters
- 00:00Introdução e contexto da revolução dos wearables
- 02:03O pioneirismo do Jbon e a medição do sono
- 03:40A Nike Fuel Band e a criação de novas métricas
- 05:08Fitbit e a obsessão pelos 10.000 passos
- 08:10Wearables como moda e acessórios de estilo
- 09:49Mudança do ensino para avaliação e julgamento
- 11:22A psicologia por trás da adesão aos dispositivos
- 14:18Simplificação e foco na experiência do usuário
- 20:22Reflexões finais sobre a complexidade do corpo humano
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Speaker A
Eu acho que eu tenho um problema. Ou talvez eu tenha documentado uma revolução inteira sem perceber, porque não é só o que tá no meu braço. Pera aí que eu vou mostrar para vocês como isso começou. Pera aí.
Speaker A
Eu tava percebendo que por mais de 15 anos eu comprei tudo, tudo, tudo que me prometia me deixar mais saudável. Sério, Jb, Garmin, Nike, Fitbit, Huawei, Asusfit, Galaxy, Apple Watch. Algum desses produtos revolucionaram o mercado. Outros foram praticamente
Speaker A
esquecidos tão rápido quanto eles apareceram, sabe? São anéis, relógios, sensores, pulseiras. Alguns ainda estão funcionando, outros morreram. Algumas empresas literalmente desapareceram, alguns produtos que eu posso olhar e falar: "Revolucionar o mercado". Outros foram esquecidos tão rápido quanto apareceram. Todos eles, absolutamente
Speaker A
todos eles, prometiam exatamente a mesma coisa. Agora você finalmente vai entender o seu corpo. O curioso é que quanto mais aparelhos eu comprava, menos eu tinha certeza se realmente eles entendiam alguma coisa ou se eu entendia alguma coisa. É sério, é uma coleção
Speaker A
absurda. É quase uma linha do tempo, como eu mostrei para vocês. Parece que cada um desses aparelhos representa uma época completamente diferente de tecnologia e talvez uma época completamente diferente de mim mesmo também. Pega, por exemplo, o Jbon. Vocês
Speaker A
já ouviram falar nisso? Quem olha isso aqui no pulso hoje até se confunde com as minhas pulseiras, né? Ó, parece uma pulseira de borracha, não tem tela, não tem horas. Só para vocês terem uma ideia, é assim que você ligava ele no
Speaker A
computador. Vocês terem uma noção, em 2011, isso aqui parecia o futuro. Pela primeira vez alguém dizia que você podia medir seu sono. Pensa nisso. Durante milhares de anos, o ser humano simplesmente dormia. Ninguém acordava perguntando qual foi o seu sleep score,
Speaker A
ninguém dizia: "Meu sono profundo caiu 12% essa noite." Ninguém falava: "Meu HRV está baixo". Essas palavras nem existiam. Então chegou uma pulseira dizendo: "Deixa comigo, eu vou explicar como você dormiu". E nós acreditamos. Eu lembro a sensação acordar, abrir o
Speaker A
aplicativo que nem existe mais, ver aqueles gráficos e pensar: "Caramba, agora eu sei alguma coisa sobre mim que eu nunca soube". E talvez essa tenha sido a primeira grande mentira. Não porque os dados fossem falsos, porque eles davam uma sensação muito perigosa,
Speaker A
uma sensação de controle. Essa é uma palavra que aparece o tempo inteiro quando você olha para a história da tecnologia, sabe? Controle. Controle da agenda, das finanças, da produtividade, da alimentação, da casa, da iluminação, da temperatura e, finalmente, o controle
Speaker A
do próprio corpo. Voilà. É uma promessa extremamente sedutora, porque quem não gostaria de controlar tudo? O problema é que os corpos nunca gostaram muito de ser controlados. Pega esse J Bonnie aqui. Esse aqui nem liga mais. Eu acho
Speaker A
ele até bonito, mas ele morreu fazendo exatamente aquilo para qual ele foi criado. Registrar passos, registrando noites e registrando uma época. Eu não tenho porcenas aqui para vocês verem, mas a Nike Fuel Band, essa aqui eu tinha, eu achei restos dela por aqui,
Speaker A
mas não achei ela inteira. A Nike Fuel Band poético, porque ela foi um dos wearables mais importantes da história e simplesmente desapareceu. O Fuel Band não queria medir passos, ele queria medir você. Porque a Nike inventou uma unidade
Speaker A
completamente nova, o fuel. Não eram calorias, não eram quilômetros, não eram passos, não eram métricas específicas, era uma métrica que só existia dentro daquele ecossistema. E por algum motivo, todo mundo achou isso uma ótima ideia. E isso, gente, me deixa fascinado porque
Speaker A
mostra uma coisa, não só eu, mas a tecnologia não vende sensores, ela vende linguagem. Antes da Nike, ninguém dizia quanto foi o seu fuel ou que você fez hoje. Durante anos foi dito isso.
Speaker A
Milhões de pessoas diziam isso. Depois ninguém nunca mais falou essa frase. E isso acontece o tempo todo. Body battery, trainy readiness, stress score, sleep animal e por aí vai. Recovery, hardness, energia, idade metabólica.
Speaker A
Cada empresa inventa uma nova forma de descrever você. E aos poucos essas palavras deixam de ser marketing e viram cultura. Porque é engraçado, porque os aparelhos envelhecem, mas as palavras nem sempre. Pega, por exemplo, a Fitbit Blaze, tá aqui, ó. Fitbit Blaze.
Speaker A
Essa aqui nem liga. Deve dar para ligar, cara. Era animal. Você soltava aqui totalmente, se trocava a pulseira.
Speaker A
Quando ela chegou, ela mudou tudo. Olha o que aconteceu. A funciona. Olha, tá funcionando. Fui soltada da pulseira e tá funcionando. Eu acho que muita gente nem tinha ouvido falar da J Bonnie, mas da Fitbit, tanto a Blaze
Speaker A
quanto a Charge, eu tenho várias, mas aqui, esses aqui não têm nem mais pulseira, mas aqui a Fitbit praticamente todo mundo conhece e isso não aconteceu por acaso. A Fitbit praticamente não vendia uma pulseira, ela vendeu uma obsessão. A Fitbit vendeu uma obsessão
Speaker A
chamada os 10.000 passos. E aqui tem uma história extremamente interessante, porque talvez os 10.000 passos sejam um dos números mais famosos da saúde. E começou como marketing. Todo mundo conhece a regra dos 10.000 passos.
Speaker A
Médicos falam 10.000 passos. Academias, os relógios vêm configurados para você fazer 10.000 passos. Empresas falam, influenciadores passam essa informação para vocês. Parece uma verdade científica, quase uma lei da natureza.
Speaker A
10.000 passos. Nove não, nem 11, 10. O problema é que esse número não nasceu em laboratório. Ele nasceu numa campanha publicitária japonesa nos anos 60. Sim, marketing. O primeiro pedômetro japonês chamava-se Manpuku. Literalmente um medidor de 10.000 passos. O número era
Speaker A
bonito, redondo, fácil de lembrar e ficou. Depois vieram os estudos mostrando que caminhar faz muito bem.
Speaker A
Claro que faz, mas os 10.000 passos viraram quase um símbolo e nunca mais abandonamos essa ideia. Isso que me deixa doido, porque mostra como a tecnologia e comportamento andam juntos.
Speaker A
Você não compra um relógio, você compra uma nova maneira de pensar. O Fitbit Charge, que é esse aqui, eu tenho alguns deles, é, virou uma febre, de repente andar, virou uma competição, quem faz mais passos, quem dormiu
Speaker A
melhor, quem queimou mais calorias, quem ganhou mais desafios. E foi aí que eu acho que aconteceu uma mudança silenciosa. Antes você caminhava porque precisava ir até algum lugar, agora você dá voltas no quarteirão porque faltam 327 passos. Isso é maluco. Olha como a
Speaker A
tecnologia muda o significado das coisas. Andar deixou de ser deslocamento, virou meta. Subir a escada virou conquista, estacionar longe virou uma estratégia. Ir ao banheiro no escritório virou oportunidade. Quantas pessoas você conhece que já andaram em círculos dentro de casa só para fechar o
Speaker A
ring? Eu já fiz isso. Assumo eu. E talvez seja aqui que começa uma pergunta bem interessante. Esses aparelhos mudaram o nosso comportamento ou apenas revelaram comportamentos que sempre existiram? Porque os seres humanos gostam de jogar. Gostam de jogar. Gostam
Speaker A
de pontos, de medalhas, de fases e de desafio. O Fitbit entendeu isso antes de muita gente. Ele simplesmente transformou caminhar em um videogame. E nós adoramos isso. O Fitbit Luxe, esse aqui, conta uma outra história, porque
Speaker A
aos poucos o Fitbit deixou de ser uma categoria e virou moda, virou joia, virou acessório, virou estilo. Repara como os produtos foram mudando, né? O bon parecia um equipamento médico. O Luxe parecia uma pulseira. O relógio meio que
Speaker A
deixou de querer parecer tecnologia, meio querendo desaparecer. Quanto mais inteligente ficava, menos queria parecer um computador e mais um artigo de luxo, de moda. E existe uma mudança curiosa.
Speaker A
No começo, todos esses aparelhos queriam ensinar alguma coisa, contar passos, dormir melhor, andar mais. Depois eles passaram a avaliar. Sleep score, trez score, energy score, readiness, body battery, recovery. Vocês entendem que isso não é informação, é julgamento, porque isso muda completamente a
Speaker A
relação. Porque você antigamente acordava e pensava: "Caramba, eu dormi mal, f
Speaker A
diz que você vai sentir alguma coisa, muitas vezes você realmente sente. Eu fico pensando quantas manhãs eu comecei acreditando mais no algoritmo do que em mim mesmo. É curioso, esses relógios nunca erraram tanto quanto eu imaginava, mas também nunca acertaram tanto quanto
Speaker A
prometiam. E talvez seja esse o segredo de toda a grande tecnologia. Eles não precisam ser perfeitos. Ele só precisa ser suficientemente boa para mudar o comportamento. A Fitbit foi a primeira que conseguiu e mudou o jeito como milhões de pessoas caminhavam, dormiam,
Speaker A
treinavam, pensavam. E talvez tenha feito uma coisa ainda maior. Ela convenceu uma geração inteira de que algumas coisas podem ser medidas e ela pode ser melhorada ainda mais. Essa ideia parece inofensiva, mas espera chegar no grande garotão da história, o
Speaker A
Apple Watch. O Apple Watch série 1. Sim, meus amigos, este aqui é o primeiro Apple Watch. Uma pulseirinha mais nova, que a velha já deu o que tinha que dar, mas esse aqui é o primeiro, o série 1. E
Speaker A
eu tenho aqui até o, cadê o série 6? Não minto. Esse aqui é o série 4. É tudo igual, né? Eu acho curioso, como quase todo mundo lembra do primeiro iPhone, mas pouca gente lembra do primeiro Apple Watch. Eu acho que isso acontece porque
Speaker A
o Apple Watch nunca tentou substituir o iPhone, ele tentou substituir uma coisa muito mais difícil, o seu pulso. E isso parece uma diferença pequena, não é? Até porque até aquele momento todo mundo fazia praticamente a mesma pergunta: Como eu faço um relógio e medir mais
Speaker A
coisas? A Apple fez outra coisa. Como eu faço uma pessoa olhar pro pulso 50 vezes por dia e isso muda completamente o jogo. E ela conseguiu. Não porque ele era o melhor relógio esportivo, não era.
Speaker A
Não porque também era o mais preciso, não era. Ele vendeu porque fez uma coisa que nenhuma outra fez. Ele conseguiu transformar um relógio em um wearable, em um hábito. E eu lembro quando eu comprei o meu primeiro e hoje parece
Speaker A
quase engraçado. Ele é lento, a bateria não era maravilhosa, abria aplicativos devagar, mas tudo aquilo era irrelevante porque pela primeira vez eu recebia mensagens sem tirar o celular do bolso.
Speaker A
Eu atendia ligações, eu pagava compras, eu via mapas, eu respondia a notificações. relógio deixou de ser um relógio. Ele virou uma extensão do meu cérebro e talvez tenha sido ali que tudo começou a mudar. Porque repara numa coisa, até aquele momento, fitness
Speaker A
trackers tentavam convencer você a olhar para eles. A Apple resolveu fazer exatamente o contrário. Ela começou a interromper você. O relógio vibrava, lembrava de levantar, lembrava de respirar, lembrava de treinar, lembrava de fechar os anéis, os rings, lembrava
Speaker A
de tudo. E a gente adorava e ainda adora. Porque existe uma coisa que a Apple sempre entendeu melhor do que qualquer outra empresa. Não basta construir tecnologia, você precisa construir comportamento.
Speaker A
Comportamento. E aí nasceram os rings. Eu acho incrível como os rings, círculos coloridos, conseguiram convencer milhões de pessoas a dar uma volta num quarteirão às 11:50 da noite, porque isso é quase ilógico e ao mesmo tempo mágico ou assustador, depende do ponto
Speaker A
de vista. Quantas vezes eu olhei pro relógio e vi que faltavam 8 minutos de exercício e eu pensei: "Não vou deixar esse círculo aberto". E isso nunca aconteceu porque eu queria ficar mais saudável. Aconteceu porque meu cérebro odeia deixar uma tarefa incompleta. Isso
Speaker A
tem nome, que é o efeito zigarnic. Nos incomoda deixar alguma coisa inacabada. E a Apple pegou esse conceito da psicologia e transformou em interface e fez milhões de pessoas caminharem. E isso é brilhante, mas também perigoso, porque foi nesse momento que eu comecei
Speaker A
a perceber uma coisa. Esses relógios não estavam apenas medindo comportamento, eles estavam criando comportamento.
Speaker A
Existe uma diferença gigante entre essas duas coisas. Pega um Garmim, eu tenho aqui dois Garmins, um Fenix 3 e umpix 2 Pro. Ao lado, tipo, de um Apple Watch.
Speaker A
Tem esses dois Apple Watchs. Eu adoro essa disputa esses entre esses relógios, Garmin e Apple Watch, porque essa disputa nunca foi sobre relógio, foi sobre filosofia. A Apple dizia: "Você tem uma vida e o relógio faz parte dela." A Garmin dizia: "Você tem um
Speaker A
treino e sua vida precisa se adaptar a ele." Parece exagero, mas usa esses dois relógios, um em cada pulso, durante uma semana. Você vai sentir isso. Você coloca o Garmin num pulso, parece um computador de bordo. A Apple diz: "Bom
Speaker A
dia o Garminim diz: "Seu HRV caiu. Trainadness em 41. Você deveria descansar. É outro universo." Eu confesso uma coisa, eu adoro isso porque a Garmin transformou corrida em engenharia e de repente eu não corria mais. Eu administrava uma empresa
Speaker A
cadência pace VO2 máximo, altimetria, potência, carga aguda, carga crônica, tempo de recuperação, training load, eh, status de treino, body battery, stress, slip score, respiração, temperatura, HRV, GPS multibanda, saturação de oxigênio.
Speaker A
Parece que eu tava pilotando um Boing. Tudo o que eu queria era correr 5 km. E talvez seja aqui que eu tenha percebido uma coisa muito estranha. Quanto mais dados eu tinha, mais difícil ficou simplesmente sair para correr, porque
Speaker A
agora existia uma pergunta nova: será que hoje é um bom dia para treinar? E quem respondia não era eu, era o meu garmim, o meu relógio. Isso é muito louco. Durante milhões de anos, o corpo dizia quando descansar, quando comer,
Speaker A
quando dormir, quando correr. E agora um algoritmo faz isso. Eu não tô dizendo que eles estão errado, muitas vezes acertam. Acho que o problema é outro.
Speaker A
Quando foi que a gente começou a confiar mais em sensores do que em sensações?
Speaker A
Tipo, olha essa mesa lotada de Albon, Fitbit, Apple Watch, Garmin, Samsung, Amasfit, os Anéis, Huawei, todos concorrentes, todos prometem uma coisa diferente. E curiosamente todos estavam e estão tentando responder exatamente a mesma pergunta. como transformar um ser humano em dados. E eu acho que essa é
Speaker A
uma das ideias mais ambiciosas da história. Você pega a vedete do momento, que eu tenho aqui, o wop. O wop teve uma ideia interessante. E se a gente tirasse tela e voltasse para isso aqui?
Speaker A
A Fitbit fez o Fitbit Air agora, que é quase isso aqui preto. Durante anos, a indústria tentou colocar mais e mais e mais e mais e mais e mais informações no seu pulso. O UP fez exatamente o contrário, tirou tudo. Ora, não mostra
Speaker A
notificação, não mostra apps, não mostra nada, não mostra mensagens. O UP olhou pro mercado inteiro e disse: "Você não precisa olhar para mim, eu olho tudo para você". E isso é genial e um pouco assustador, porque ela tá voltando ao
Speaker A
que era antes, trazendo vários elementos atuais de score, de gamificação e tudo mais, porque a UP representa uma mudança enorme. Ela não quer mais medir atividade, ela quer medir prontidão. Ela não pergunta para você o quanto você treinou, ela pergunta quanto você
Speaker A
consegue ainda treinar hoje. Parece a mesma coisa, mas não é. É uma mudança completamente filosófica, porque tem uma questão que hoje todo mundo usa, que é a recuperação, o recovery, o train redness, o body battery, a energy score,
Speaker A
e de repente descanso virométrica. E isso é muito curioso porque durante milhares de anos descansar era justamente aquilo que ninguém e hoje descansar virou performance. Pega o Galaxy Watch, Galaxy Watch Samsung. Eu tenho aqui um Galaxy Watch e tenho outro
Speaker A
aqui, um mais simples, quase igual, faz as mesmas coisas, o sete e o oito class.
Speaker A
Talvez a Samsung seja a empresa que melhor tenta e que representa essa obsessão da indústria. Ela coloca absolutamente tudo no relógio. Isso de boa me faz rir, porque olha a quantidade de coisas que o relógio promete fazer hoje. Medir pressão, medir
Speaker A
eletrocardiograma, medir gordura corporal temperatura oxigênio sono estress, composição corporal, corrida, caminhada ciclismo natação escada passo caloria medir medir medir medir, medir. Acho que daqui a pouco mede até arrependimento de ter comprado ele, porque é engraçado, parece que toda
Speaker A
atualização eles adicionam mais coisas, mais sensores, e ninguém nunca pergunta uma coisa importante. Isso realmente tá mudando a vida das pessoas ou apenas aumentou a quantidade de gráfico? O Huawei, que é esse aqui, o Huawei, esse aqui é o 5 Pro. E ele, a Huawei resolveu
Speaker A
atacar um problema completamente diferente chamado bateria. Eu lembro das primeiras vezes que eu usei o Huawei durante vários dias sem carregar, parecia impossível. Esse relógio aqui dura 25 dias sem carga. O resto da indústria tá obrigando você a usar um
Speaker A
relógio para durar um dia, 2 dias, tr dias. O H entrega 25, 26 dias. Isso muda muito o comportamento, completamente também a experiência, porque você deixa de administrar um relógio e volta a usar um relógio. Parece um detalhe, não é?
Speaker A
Quanto menos você pensa na tecnologia, melhor ela costuma ser. O Amasfit Balance tá aqui os MASFit. Eu tenho um AFT, eu tenho, cadê o outro? Dois asfits. Eu tenho três. Três a fit.
Speaker A
T-Rex. T-Rex 44 mm. Aqui grudou um nele, ó. T-Rex 48 mm, balance 2. Eles representam um movimento totalmente novo, interessante. O momento em que a tecnologia de ponta deixou de ser privilégio. GPS, GPS excelente, mapas, métricas, baterias enormes, sensores
Speaker A
modernos por uma fração do preço, relógios que entregam que um Garmim de R$ 15.000 entregam por R$ 2.000. Isso muda o mercado porque obriga todo mundo a correr também, né? E pega os anéis. Eu tenho aqui um Samsung Ring que vem nessa
Speaker A
caixinha bonitinha. Eu tenho o Hélio Ring também. Isso meio fascina porque durante anos os relógios ficaram maiores, mais chamativos, mais coloridos, mais brilhantes e de repente a tendência virou desaparecer. OB perfeito talvez seja aquele que ninguém perceba que você tá usando. Você coloca
Speaker A
um anel e isso parece evolução, mas talvez seja outra coisa. Talvez seja resignação, porque a tecnologia finalmente entendeu uma verdade muito simples. Ninguém quer usar tecnologia, as pessoas querem os benefícios dela.
Speaker A
Quanto menos ela aparecer, melhor. Sabe, todos esses devices foram considerados revolucionários e eu acho que todos eles estão errados, não tecnicamente, mas filosoficamente, porque todos partiram da mesma ideia que se medíssemos dados suficientes, entenderíamos finalmente o corpo humano. E talvez essa tenha sido a
Speaker A
maior ilusão dos últimos 15 anos, porque quanto mais dados eu acumulei, mais eu descobri que o corpo continua profundamente caótico. Você pode dormir 8 horas e acordar um lixo, pode dormir 5 e correr sua melhor prova. O relógio
Speaker A
pode dizer que a sua recuperação está excelente e você simplesmente não estará fim. Ou dizer que você está péssimo e você bateu o seu RP. Isso acontece comigo toda hora. não bater os RPs, mas correr muito bem nos dias que o relógio
Speaker A
diz que eu tô péssimo. E sabe, isso acontece para caramba, mais do que essas empresas gostam de admitir. E talvez exista uma lição bonita nisso.
Speaker A
Tecnologia é extraordinária. Eu amo tecnologia e provavelmente vou comprar o próximo relógio, o próximo anel. Eu me conheço. Mas depois de 15 anos acumulando toda essa tranqueira aqui, eu acho que eu finalmente entendi uma coisa. O maior wearable que eu já usei
Speaker A
não foi um relógio, foi a curiosidade, porque esses aparelhos mediram meus passos, mas eles também documentaram outra caminhada, a da tecnologia e talvez a nossa também. É engraçado, sabe? Algum desses produtos nem conseguem mais ligar. Algumas empresas desapareceram, alguns aplicativos foram
Speaker A
desligados, alguns servidores deixaram de existir, alguns gráficos sumiram para sempre, mas uma coisa permaneceu exatamente igual. Eu continuo tentando entender meu corpo. Talvez seja esse o único projeto que nunca recebeu uma atualização definitiva. E eu suspeito que nunca vai receber o vídeo
Speaker A
longo, hein? É isso aí. M.
Topics:wearablesApple WatchFitbitGarminWhooptecnologia e saúde10.000 passosmonitoramento do sonoevolução dos dispositivoscomportamento e tecnologia











