Coleção Grandes Educadores – Skinner e a Análise do Com… — Transcript

Vídeo sobre Skinner e a análise do comportamento, destacando sua biografia, contribuições ao behaviorismo e impacto na psicologia e educação.

Key Takeaways

  • Skinner revolucionou a psicologia ao propor o condicionamento operante e o reforço positivo.
  • Ele enfatizou a importância do ambiente na determinação do comportamento, mas reconheceu a agência humana.
  • Foi mal compreendido por ser confundido com Watson e a psicologia SR, que ele criticava.
  • Sua abordagem científica buscou explicar o comportamento humano com base em princípios universais aplicáveis a todos os seres vivos.
  • Skinner valorizou a complexidade humana, especialmente na linguagem e cultura, e defendeu o uso da análise comportamental para melhorar a sociedade.

Summary

  • B.F. Skinner nasceu em 1904 na Pensilvânia e teve uma infância estável com disciplina rigorosa.
  • Após uma carreira inicial frustrada como escritor, fez doutorado em psicologia em Harvard.
  • Foi o mais famoso representante do behaviorismo, corrente fundada por John Watson.
  • Desenvolveu o conceito de condicionamento operante, baseado no reforço positivo.
  • Criou as caixas de Skinner para estudar o comportamento de ratos e pombos em laboratório.
  • Rejeitou o livre-arbítrio e defendeu que o comportamento é determinado pelo ambiente, mas com interação ativa do indivíduo.
  • Skinner foi frequentemente mal compreendido e confundido com Watson e a psicologia estímulo-resposta.
  • Ele destacou que o ser humano é único, em constante construção e capaz de modificar o ambiente.
  • Sua obra abrange desde estudos com animais até a complexidade da linguagem humana e temas como utopia e amor.
  • Para Skinner, o comportamento humano é produto da história filogenética, ontogenética e cultural.

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00:39
Speaker A
Burrhus Frederic Skinner nasceu na Pennsylvania em 1904.
00:43
Speaker A
Onde viveu uma infância estável e plena de afeto, porém com rigorosa disciplina.
00:50
Speaker A
Após uma frustrada carreira como escritor e jornalista, fez doutorado em psicologia na Universidade de Harvard.
01:40
Speaker A
Foi o mais famoso representante do behaviorismo, corrente da psicologia fundada pelo também americano John Watson.
01:50
Speaker A
Que dominou o pensamento e a prática da psicologia em escolas e consultórios até os anos 50.
01:57
Speaker A
E hoje compartilha espaço com outras abordagens da psicologia. No início de sua carreira, Skinner dedicou-se a experiências com ratos e pombos.
02:04
Speaker A
Paralelamente à produção de livros, criou pequenos ambientes fechados, conhecidos como caixas de Skinner, onde observava os animais de laboratório e suas reações aos estímulos.
02:14
Speaker A
Notabilizou-se como um pesquisador original, desenvolvendo o conceito chave de seu pensamento: o condicionamento operante.
02:23
Speaker A
Um mecanismo que premiava uma determinada resposta de um indivíduo até ele ficar condicionado a associar a necessidade à ação.
02:33
Speaker A
Em relação à educação, Skinner pregou a eficiência do reforço positivo, sendo contrário a punições e esquemas repressivos.
03:24
Speaker A
Skinner rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo comportamento é determinado pelo ambiente, embora a relação do indivíduo com o meio seja de interação e não passiva.
03:36
Speaker A
Foi autor de trabalhos controversos, nos quais defende o uso de técnicas psicológicas para a modificação do comportamento com o intuito de melhorar a sociedade e tornar o homem mais feliz.
03:51
Speaker A
Faleceu em 1990.
03:58
Speaker B
Ele, na verdade, traz uma concepção de homem, uma concepção de mundo que quase que inverte com a lógica tradicional da psicologia até o momento em que ele se apresenta.
04:10
Speaker A
Skinner foi um dos três pensadores mais citados do século XX.
04:15
Speaker A
Ao lado de Freud e Piaget.
05:00
Speaker B
Uma das razões pelas quais ele é bastante citado é porque ele foi bastante mal compreendido.
05:07
Speaker B
Ele foi muito confundido com Watson, e Watson já teve um grande impacto porque ele propõe um estudo científico do homem.
05:14
Speaker B
Enquanto o homem era considerado um ser divino, centro do universo, do mundo e da natureza, impossível de ser estudado cientificamente.
05:27
Speaker B
Vem Watson, antes de Skinner, e propõe: não, vamos tornar o comportamento humano um objeto de estudo científico.
05:32
Speaker B
E o Skinner pega esse gancho de Watson, e aí ele é erroneamente confundido com Watson.
05:42
Speaker B
O grande erro de confusão é que Watson, ao propor esse estudo científico, ele diz o seguinte: olha, só vou estudar o que é observável, não me interessa mais nada que não seja observável.
05:54
Speaker B
Então ele reduziu o homem e ele criou a psicologia SR, Watson, estímulo-resposta.
06:40
Speaker B
Então aquela imagem de que Skinner propõe um modelo de homem autômato, que só reage a estímulos do ambiente, só responde ao ambiente, que é a psicologia SR, não é a proposta de Skinner, é a de Watson.
06:55
Speaker B
Skinner, ao contrário, parte do objetivo de Watson, que é estudar cientificamente o homem, mas concebe um homem como um ser em constante construção da sua história, um ser único.
07:10
Speaker B
Que não reage ao mundo, mas age sobre o mundo, modificando o mundo e sendo por ele modificado.
07:16
Speaker B
Então, o grande erro, a grande rejeição a Skinner, embora ele seja o psicólogo mais citado do século XX, ele é muito mal compreendido, porque as pessoas, no primeiro momento, o identificam com Watson, com psicologia SR, com a psicologia dos ratos, a psicologia do condicionamento respondente.
07:32
Speaker B
Então o homem é condicionado, o homem é como um rato, e não leem todo o resto e esquecem de ver a virada de mesa que Skinner faz em relação ao Watson.
08:25
Speaker B
Ele diz: o homem não é o que o Watson propunha, como um ser que reage a estímulos do meio ambiente e só na parte observável.
08:37
Speaker B
Skinner diz: não, o homem modifica, como eu disse, o mundo, é por ele modificado, e ele é um ser em constante construção, um ser único.
08:47
Speaker B
Então ele não reage só ao mundo, ele não é um autômato, e ele produz comportamento, ele se comporta, ele atua, modifica e é pelo mundo modificado.
09:05
Speaker B
Um dos problemas que a gente tem que reconhecer é que ele começou estudando um ser muito querido, chamado rato, né, muito inferior ao ser humano.
10:00
Speaker B
Mas por quê? Porque ele tinha uma preocupação, e aí, tal como Watson, de fazer um estudo científico do homem, né? E para isso, ele usou o raciocínio da analogia.
10:18
Speaker B
Ele tentou verificar através de um ser muito inferior, que princípios de comportamento esse ser infra-humano poderia estar sensível, poderia ser demonstrado.
10:36
Speaker B
E vamos verificar se esses princípios do comportamento, demonstrados com um ser pequeno, podem ser uma amostra, podem ser um modelo do que ocorre com alguns comportamentos do homem.
10:50
Speaker B
Um princípio que é importante ser bem entendido e bem explicado, que é aplicável, sim, não só ao homem, mas a qualquer ser vivente no planeta Terra.
11:30
Speaker B
Ou seja, nós somos, enquanto seres vivos, sensíveis ao reforçamento, o que quer dizer isso? Nós somos sensíveis às consequências do nosso comportamento.
11:59
Speaker B
A gente atua, a gente age, e a depender do que ocorre depois da nossa ação, nós voltaremos a agir da forma como fizemos ou não.
12:36
Speaker B
Então, um, um, de onde Skinner tirou isso? Obviamente não foi do rato, obviamente ele já tinha várias ideias, né, concebidas sobre o homem.
13:37
Speaker B
Só que ele vai e estuda cientificamente e demonstra inúmeros princípios, isso durante 20 a 30 anos, e aí as pesquisas com seres humanos começaram na carona, né, dessa lógica de estudar cientificamente, e os princípios de reforçamento positivo e inúmeros outros foram igualmente demonstrados com o homem.
15:05
Speaker B
Aí as pessoas, acostumadas com a tradição judaico-cristã, se sentem ofendidas, né? Porque é uma perspectiva darwinista, né? É uma perspectiva de que eu, ser humano, sou de alguma forma continuidade de outros seres inferiores.
15:32
Speaker B
Então, aí houve uma rejeição quase que religiosa ao behaviorismo, né, eh, porque eu não posso ser comparada a um bicho muito inferior, sou divino.
15:50
Speaker B
E aí Skinner desmistifica isso, né? Ele diz: olha, eh, eu não tô querendo dizer que o ser humano é um rato, muito pelo contrário, o ser humano tem uma complexidade ímpar.
16:39
Speaker B
Ele reitera isso inúmeras vezes, o ser humano é único, em constante construção da sua história, ele tem um livro que é o favorito dele, que é um livro sobre linguagem, que ele chama-se comportamento verbal.
17:32
Speaker B
Onde ele diz que este comportamento é eminentemente humano, né? E aí ele vai discorrer sobre toda a complexidade, ele percorre a literatura, percorre o humor, percorre todas as, as, as complexidades da nossa linguagem, né?
18:49
Speaker B
Eh, as complexidades do escrever, do ler, né, do comentar, do, do romancear, e isso você não encontra em nenhum outro ser, a não ser o homem, né?
19:02
Speaker B
Skinner morreu em 1989, né? Ele publicou sua última obra, chamada Questões Recentes do Behaviorismo, onde ele fala de utopia, onde ele fala de amor, onde ele fala de mitologia grega, né?
20:09
Speaker B
Então, eh, uma, uma obra de um homem, né, que começa em 38 com ratos e termina com linguagem, com amor, com utopia, né, não pode ser reduzido ao que ele publicou em 38.
20:29
Speaker B
Ao fazer os estudos iniciais, é que é uma diferença de, eh, quantidade e não de qualidade, no sentido de que nós não somos um ser alienígena.
20:40
Speaker B
E que tem princípios de comportamento radicalmente diferentes a outros seres, nós somos sensíveis ao reforçamento positivo.
20:50
Speaker B
Nós somos seres que se adaptam à sua comunidade, ou seja, nós temos uma preocupação com a sobrevivência, e por aí vai, né?
21:00
Speaker B
Para Skinner, o ser humano, ele é produto de três histórias: a história filogenética, que é a história da sua espécie.
21:20
Speaker B
Então, muito do que ele faz é determinado pela filogênese, pela espécie a que ele pertence.
21:32
Speaker B
A ontogenética, que é a história de vida individual de cada um.
21:40
Speaker B
E a cultura.
21:46
Speaker B
Então são os três determinantes.
21:52
Speaker B
Então ninguém pode recusar Skinner de ser reducionista, porque ele está o tempo inteiro falando para a gente que nós somos um ser complexo.
22:00
Speaker B
Que aquilo que a gente faz hoje é determinado pela nossa filogênese, o que nós somos enquanto espécie.
22:10
Speaker B
Eu sou incapaz de voar, por exemplo, por mais que o meu educador, o meu professor me ensine a voar literalmente ou subjetivamente, jamais terei asas, porque eu não sou uma ave.
22:20
Speaker B
A ontogênese, que é como eu construo a minha vida, as minhas relações com o meu pai, com a minha mãe, as minhas relações com os meus professores, as relações com os meus amiguinhos da infância.
22:30
Speaker B
A minha ontogênese e a cultura, a cultura envolve as práticas culturais que são transmitidas a partir, através do comportamento verbal ou linguagem.
23:20
Speaker B
A partir dessa concepção, Skinner tenta explicar como essas histórias são construídas.
23:30
Speaker B
Aí ele cria o modelo de seleção pelas consequências, aí começam os primeiros princípios.
23:40
Speaker B
Ele diz o seguinte: o que nós fazemos é selecionado pelas consequências de nossa ação.
23:50
Speaker B
Então, por exemplo, se você, eh, se você pede água para alguém, esta pessoa lhe dá água e você estava privada de água, toma esta água, mata a sua sede.
24:00
Speaker B
Você tenderá no futuro a pedir água de novo para alguém da sua cultura, porque o seu comportamento foi reforçado positivamente.
24:10
Speaker B
Ou seja, ele teve uma consequência específica que aumenta a probabilidade futura da ação que a precedeu.
24:19
Speaker B
Então aqui tem um aspecto importante, que nem tudo que é reforçador positivo é prazeroso.
25:09
Speaker B
Você pode, por exemplo, trabalhar feito um louco para receber o seu salário no final do mês, ainda que o seu trabalho seja desagradável.
25:19
Speaker B
A ciência de Skinner, que é chamada ciência do comportamento humano, ela se propõe a mostrar o que ocorre.
25:29
Speaker B
Não necessariamente, eh, a, a, não necessariamente tem um cunho ideológico neste ocorrer.
25:39
Speaker B
Então, ele, ele é, obviamente, Skinner é um defensor dos princípios de reforçamento positivo versus os da punição.
25:49
Speaker B
Os de punição, a gente descobriu que é um tipo de consequência, as consequências punitivas, né, que a gente chama consequências aversivas.
25:59
Speaker B
Que essas decrescem a probabilidade futura da resposta que a antecedeu.
26:49
Speaker B
E pior, ela gera consequências emocionais, geram respostas, desculpem, emocionais colaterais, geram ansiedade, né, geram descargas, eh, de adrenalina, geram tensão.
26:59
Speaker B
E elas são lamentavelmente usadas na educação.
27:09
Speaker B
Não é simplesmente você apresentar uma consequência que aumenta a probabilidade da sua ação, que foi a descoberta, mas é como fazer?
27:20
Speaker B
Reforçadores são individuais, o homem é um ser individual, tem ritmo próprio, características individuais.
27:30
Speaker B
A descoberta de que o ser humano é um ser individual, que tem o seu próprio ritmo, que tem as suas próprias características.
27:39
Speaker B
Então, embora a gente tenha descoberto princípios comuns, a ontogênese de cada um, ela é individual.
28:29
Speaker B
Então, um, por exemplo, você apertar a bochecha de uma criança, dizendo: ai, que lindo, você pode estar sob a hipótese de que aquilo é agradável para a criança.
28:39
Speaker B
Que aquilo vai aumentar a, vai aumentar a probidade de que ela se dirija a você ou de que ela se aproxime de você, mas não necessariamente.
28:49
Speaker B
O que é reforçador positivo para um, pode ser aversivo para o outro, pode ser punitivo para o outro.
28:59
Speaker B
Agora, a grande sacada é essa, que nós somos sensíveis ao reforçamento positivo e é isso que nos move.
29:09
Speaker B
Dito numa linguagem leiga, né, Skinner descobriu que o homem é movido pela satisfação, pelo prazer, né?
29:19
Speaker B
E, eh, pelas consequências da sua ação.
30:09
Speaker B
Se elas forem punitivas, ele para de fazer o que está fazendo, até chegar numa supressão, que a gente chama supressão do responder.
30:19
Speaker B
Que é o que nós conhecemos como depressão, no contexto escolar, o que a gente conhece como evasão escolar.
30:29
Speaker B
Uma criança que se mantém indo à escola, que sorri quando está lá, que brinca, que faz perguntas para um professor, isto indica que aquela escola tem, no arranjo das suas contingências, que é um termo técnico.
30:39
Speaker B
O, o reforçamento positivo ocorrendo ali, né? Então, contingências de reforçamento é uma das lentes do behaviorismo.
30:49
Speaker B
Ele diria mais, é um instrumental de análise.
30:59
Speaker B
O behaviorista skinneriano, ao contrário de Watson, ele não olha só para os estímulos e para a resposta.
31:49
Speaker B
Ele olha para o conjunto de respostas ou de ações, para as consequências que essas ações tiveram.
31:59
Speaker B
E essas, essas díades, né, o responder e o, e as consequências, elas não ocorrem no vazio.
32:09
Speaker B
Elas ocorrem num contexto.
32:19
Speaker B
Então, o behaviorista skinneriano, ele olha para o contexto, que são os estímulos antecedentes, para o responder, que, que é um termo técnico, mas são as ações, né?
32:29
Speaker B
E para as consequências dessas ações, é o que a gente chama de contingências tríplices.
32:39
Speaker B
Então, sempre o analista de comportamento, que é o nome moderno e atual, né, para os behavioristas skinnerianos, ele sempre olha para o mundo a partir desta lente, né, das contingências de reforçamento.
33:29
Speaker B
A aprendizagem é o grande foco, né, da, do behaviorismo skinneriano.
33:39
Speaker B
Ele tem um grande livro, chamado Tecnologia do Ensino, onde ele diz que uma das grandes descobertas da ciência do comportamento.
33:49
Speaker B
Foram os princípios de aprendizagem, os princípios de comportamento que podem explicar o aprender.
33:59
Speaker B
O que ele vai dizer é que dadas as condições adequadas, todo ser aprende.
34:09
Speaker B
Não há aluno problema, não há professor problema, há uma relação professor-aluno.
34:19
Speaker B
Há uma relação entre as condições de ensino, as características do aluno e as consequências arranjadas para esse ensino que estão inadequados, que são problemáticas.
35:09
Speaker B
Então, o objeto de estudo de Skinner é relacional.
35:19
Speaker B
Então, ele vai dizer que o aprender não é o aprender do aluno, é um aprender que está relacionado com as condições de ensino e com o manejo de contingências.
35:29
Speaker B
Ele define que ensinar é arranjar contingências de reforçamento.
35:39
Speaker B
Então, o que ele vai dizer? Ele vai dizer que, que um ser, né, para que ele aprenda a ler, por exemplo.
35:49
Speaker B
Ele vai precisar de condições contextuais, que são as condições facilitadoras, para que este ler ocorra e possa ser reforçado positivamente, possa ser incentivado.
35:59
Speaker B
Possa ter consequências naturais.
36:49
Speaker B
Então, aqui tem um, um detalhe importantíssimo, que não é um detalhe, é, é importância, né? É um grande aspecto.
36:59
Speaker B
Que é o seguinte: o ideal do aprender é que o ser aprenda e tenha consequências naturais deste aprender.
37:09
Speaker B
Então, quando eu recito uma poesia, né? Eu aprendi a ler, por exemplo, já sou um, um alfabetizado.
37:19
Speaker B
Leio uma poesia e tenho um imenso prazer e leio aquela poesia em voz alta e, e imagino as coisas que eu estou lendo.
37:29
Speaker B
A gente diz que este ser tá, eh, emitindo, né, tá, tá, tem uma habilidade, né, cuja consequência natural é o prazer da informação.
37:39
Speaker B
É o prazer de ser ouvido, né, são as relações entre as palavras, as relações com as histórias da sua vida, é o que se chama de consequências naturais.
37:49
Speaker B
E o ideal da educação é que você ensine habilidades cujas consequências sejam naturais, porque a hora em que as consequências naturais ocorrerem e forem positivas.
37:59
Speaker B
Elas se encarregarão de naturalmente manter aquele comportamento.
38:09
Speaker B
E como que o professor faz isso? Então, essa é a grande contribuição.
38:19
Speaker B
Ele faz, né, como professor, propicia condições facilitadoras para o aprender, né?
38:29
Speaker B
Fornecendo, né, arranjos de ensino.
38:39
Speaker B
Então, uma das descobertas de Skinner foi a modelagem.
38:49
Speaker B
Modelagem o que é? São aproximações sucessivas ao comportamento final desejado.
38:59
Speaker B
Muito bem, eu quero que uma criança leia uma poesia, né, de Carlos Drummond de Andrade, sem silabar, com compreensão e com prazer.
39:09
Speaker B
Esse é o meu objetivo final, mas para que eu comece isso, né, o que é que eu preciso fazer?
39:19
Speaker B
Então, arranjar os estímulos, que são os códigos arbitrários da língua, as letras, as sílabas, as sentenças, as frases, de um modo gradual.
39:29
Speaker B
Para que diante de cada etapa, o responder possa ocorrer sem grandes dificuldades.
39:39
Speaker B
Porque tem pesquisas mostrando na nossa área que o aprendizado pelo ensaio e erro é extremamente aversivo.
39:49
Speaker B
O errar, ao contrário do que outras abordagens defendem, o errar, ele pode ser importante para o educador.
39:59
Speaker B
Porque na hora que o aluno erra, o educador está percebendo o que é que ele não pegou, o que é que o educador precisa reiterar.
40:09
Speaker B
Mas para o aluno, para o aprendiz, o errar é extremamente punitivo, extremamente aversivo.
40:19
Speaker B
E um ensino com muitos erros, com muita tentativa e erro, um ensino de alta complexidade, ele gera consequências aversivas.
40:29
Speaker B
E ao gerar consequências aversivas, diminui a probabilidade das respostas.
40:39
Speaker B
Então, ao contrário do que a escola clássica pregava, né, a escola clássica em termos, porque há muitas escolas hoje de São Paulo.
40:49
Speaker B
Que você entra na escola, está escrito assim: é pelo caminho das pedras que se atinge o estrelato.
40:59
Speaker B
Então, de novo, a nossa tradição judaico-cristã valoriza o sacrifício, valoriza a dor, valoriza a penalidade como uma coisa que tem mérito.
41:09
Speaker B
E Skinner inverte todo esse raciocínio.
41:19
Speaker B
Ele diz: o aprender tem que ser suave, gostoso, agradável e gradual.
41:29
Speaker B
Então, se eu quero que um ser aprenda a ler, que é o exemplo que nós estamos aqui dando, vamos gradualmente, como se fosse, por exemplo, uma brincadeira.
41:39
Speaker B
Uma criança que é o ser que tem condições de começar a ler, um, em torno dos seus 5, 6 anos, hoje em dia, né?
41:49
Speaker B
Na hora em que ele está se expondo aos códigos arbitrários da língua, o que é que eu tenho que levar em conta?
41:59
Speaker B
Que aquele código arbitrário, aquela letra A, que só tem sentido para mim e para você, que somos alfabetizados, mas não para aquela criança.
42:09
Speaker B
Qual é a função disso na vida dela? Na hora em que ela decifrar aquele código, ela vai ter acesso a inúmeras informações que ela não tem hoje.
42:19
Speaker B
Então é relevante para ela? Essa é uma das grandes perguntas que o behaviorista faz.
42:29
Speaker B
O que eu quero ensinar é relevante para o meu aluno? Se sim, é relevante para a cultura, é relevante para que ele, para que ele sobreviva?
42:39
Speaker B
Então, vamos lá. Qual a forma de fazer? Gradual, que obtenha sempre consequências naturais e reforçadoras positivas.
42:49
Speaker B
O que, eh, tecnicamente tem sido descoberto? Que há alguns caminhos que são mais fáceis que outros.
42:59
Speaker B
Há alguns caminhos que produzem consequências reforçadoras positivas, alguns caminhos que produzem a punição.
43:09
Speaker B
E um dos caminhos que produz as consequências reforçadoras positivas é ir gradual.
43:19
Speaker B
Aí você vai me perguntar: quão gradual? Como que eu defino a rapidez do meu ensino, o ritmo?
43:29
Speaker B
Quem define é o aluno.
43:39
Speaker B
Você propõe para ele uma atividade inicial, né? Experimenta.
43:49
Speaker B
Skinner tem uma grande frase que é o seguinte: nunca tenha verdades eternas, experimente sempre.
43:59
Speaker B
Essa é uma frase famosa dele, né? Então, ele era um cara extremamente aberto, né?
44:09
Speaker B
Às verdades descobertas pelo experimentar.
44:19
Speaker B
O que não pode, e aí eu preciso fazer um parênteses, é você conceber que este aprender depende única e exclusivamente do ser que aprende.
44:29
Speaker B
E que depende única e exclusivamente de uma estrutura de mente.
44:39
Speaker B
Skinner abandona esta concepção, eh, negligencia, rejeita, condena e critica.
44:49
Speaker B
Ele diz: a concepção de que o ser que aprende é o único responsável pelo seu aprender.
44:59
Speaker B
Que ele tem uma estrutura que o responsabiliza, é rejeitado por Skinner, por uma coisa que ele chama de rejeição ao mentalismo.
45:09
Speaker B
Que é uma concepção clássica na psicologia de dizer que nós, seres, temos uma estrutura de mente que é a responsável por aquilo que fazemos.
45:19
Speaker B
Skinner vai inverter essa concepção, ele vai dizer: não, somos um ser que tem uma filogênese.
45:29
Speaker B
Então, a gente tem um cérebro, a gente tem uma bioquímica, a gente tem um organismo, mas o meu aprender dependerá da interface entre esta filogênese.
45:39
Speaker B
E as condições de ensino propiciadas pelo professor, pela escola.
45:49
Speaker B
Se essas condições forem inadequadas, no sentido de que elas não são graduais, de que elas propiciam consequências aversivas, este ser não aprenderá.
45:59
Speaker B
E não aprenderá não porque ele seja incapaz, mas porque as condições são inadequadas.
46:09
Speaker B
A avaliação, ela assumiu um caráter na nossa escola, eh, eminentemente punitivo.
46:19
Speaker B
E para o analista de comportamento, para Skinner, avaliar o aluno significa só verificar se aquilo que eu penso que eu ensinei, eu ensinei de fato.
46:29
Speaker B
Então é simplesmente isto, é mais uma etapa, e na concepção do ser que aprende.
46:39
Speaker B
Naquela concepção de que o ser que aprende é um ser único, em constante construção do seu aprender, né?
46:49
Speaker B
Eu até brinco que Skinner é construtivista nesse aspecto, né? Porque ele entende que nós estamos o tempo inteiro construindo os nossos repertórios, né, ad infinitum.
46:59
Speaker B
Como o ser é único e em constante construção do seu aprender, e os ritmos são individuais, né?
47:09
Speaker B
Este, esta avaliação, ela deveria ser contínua.
47:19
Speaker B
Porque você pode aprender num ritmo diferente do que eu.
47:29
Speaker B
Quem diz que o aprender se dá em anos e que eu tenho um ano para aprender a ler, aprender as operações fundamentais da matemática?
47:39
Speaker B
Isso que estabeleceu foram códigos arbitrários das culturas, né?
47:49
Speaker B
Eh, o, o Skinner, junto com o professor Fred Keller, eles criaram, a partir dos princípios comportamentais, o ensino individualizado.
47:59
Speaker B
Aliás, Skinner foi um dos precursores do computador na educação.
48:09
Speaker B
Porque o ensino individualizado, ele pode ser favorecido pelo computador.
48:19
Speaker B
Então, quando você acompanha individualmente o seu aluno, eh, quando você tem condições de vê-lo aprender passo a passo.
48:29
Speaker B
A avaliação é praticamente natural, porque você está ali, eh, trabalhando, arranjando as condições de sala de aula.
48:39
Speaker B
Você propõe atividades em que você dá o feedback, você corrige, isso não é avaliação.
48:49
Speaker B
Você está ali no, no calor do ensino, e logo em seguida você dá uma situação para ele, análoga à que você trabalhou.
48:59
Speaker B
E mede o desempenho dele sem necessariamente ter a sua correção, o seu feedback imediato.
49:09
Speaker B
Então, a avaliação nada mais é, para o behaviorismo, do que uma etapa do processo de ensinar e de aprender.
49:19
Speaker B
Onde você verifica do modo mais natural possível, do modo menos aversivo possível, se aquilo que você acha que ensinou, de fato o aluno aprendeu.
49:29
Speaker B
A palavra escola, a origem do termo é lugar onde se conversa.
49:39
Speaker B
Então, ele diz o seguinte: as escolas do futuro serão muito diferentes do que elas são hoje.
49:49
Speaker B
Ao invés de lugares cinzentos, sombrios, né? Elas serão lugares agradáveis.
49:59
Speaker B
Lugares que têm um cheiro bom, lugares que têm coisas bonitas, como lojas agradáveis, um shopping, ou como lugares bonitos que a gente visita.
50:09
Speaker B
Serão lugares onde as pessoas não serão avaliadas, porque as pessoas não gostam de conversar quando estão sendo avaliadas.
50:19
Speaker B
Então, ele retira da educação aquela avaliação com conotação aversiva e com a conotação de que sou eu que estou julgando você.
50:29
Speaker B
Ele retira todo esse status de onipotência da avaliação, como sendo uma, um, um direito do professor.
50:39
Speaker B
E um, e um recurso de poder, né? Retira isso e coloca a avaliação como um momento técnico.
50:49
Speaker B
Que eu posso ou não precisar de uma forma mais formal.
50:59
Speaker B
Se eu tiver uma condição de ensino e uma infraestrutura onde eu possa acompanhar o meu aluno individualmente.
51:09
Speaker B
Seja com a ajuda de monitores, seja com a ajuda de computadores, a avaliação será um momento natural onde a diferença entre ela e o ensino.
51:19
Speaker B
É simplesmente a diferença da minha presença como professor, corrigindo e dando um feedback imediato.
51:29
Speaker B
A avaliação é um momento onde o aluno se comporta sozinho, sem o meu feedback imediato.
51:39
Speaker B
Meu feedback vai ser depois para dizer para ele: olha, você acertou, você errou.
51:49
Speaker B
Enquanto eu estou ensinando, né, a cada comportamento dele, eu digo: olha, não é assim, é desta forma, então eu estou corrigindo e modelando.
51:59
Speaker B
A avaliação é um momento onde eu retiro isso para testar como ele é sozinho, né? É só isto, é mais uma etapa, né?
52:09
Speaker B
Na questão da avaliação, essa retirada do aspecto punitivo é porque a punição gera respostas emocionais.
52:19
Speaker B
Colaterais, extremamente maléficas ao homem, né? A resposta de ansiedade, de apreensão, de, eh, de fobia, de pânico, que são incompatíveis com o aprender.
52:29
Speaker B
O aprender tem que ser numa atmosfera extremamente agradável, como esse estúdio que a gente está aqui agora, gostoso, cheio de plantas, cheiro gostoso, atividades envolventes, né?
52:39
Speaker B
Então, a, a avaliação, ela perde na análise do comportamento aquele caráter ideológico de poder.
53:29
Speaker B
E o professor, ao avaliar, ele avalia o todo.
53:39
Speaker B
Então, se ele perceber, por exemplo, né? Nós temos um problema quando a gente diz isso, né? Que a gente não avalia só o observável.
53:49
Speaker B
O problema que a gente tem é: como eu vou medir? Qual é o meu acesso? Como o professor, diante de 20 alunos, de 30, de 40?
53:59
Speaker B
É difícil eu perceber, por exemplo, que o meu aluno, o Alfredo, por exemplo, os pais se separaram ontem e ele estava chorando durante a avaliação.
54:09
Speaker B
Se eu, se eu tenho menos alunos e se eu acompanho e vejo que o Alfredo era sempre sorridente, e que justamente no dia em que eu ponho ele numa situação de teste.
54:19
Speaker B
Eu vejo ele tenso, choroso, e na hora em que eu vou perguntar, ou na hora em que eu tenho outros dados, eu percebo que ele está num momento de crise.
54:29
Speaker B
Obviamente, eu levo em conta todos esses aspectos que eu tive algum recurso observável, né?
54:39
Speaker B
Eu tive as duas lágrimas caindo, eu tive algumas dicas de tensão dele.
54:49
Speaker B
Então, a gente sempre precisa do observável, mas o analista de comportamento não se atém a ele.
54:59
Speaker B
Ele, ele estuda o que a gente chama de eventos encobertos, que são os pensamentos, a própria, eh, as próprias emoções que ocorrem juntos.
55:09
Speaker B
Então, o analista de comportamento está sempre atento.
55:19
Speaker B
Um analista pergunta para um aprendiz: eh, você errou essa questão, não errou?
55:29
Speaker B
A gente viu, eu avaliei, o que você pensou quando você respondeu isso?
55:39
Speaker B
Então, onde ele está indo agora, o behaviorista? Ele está indo para um evento interno, que é pensamento.
55:49
Speaker B
E isso importa para o analista de comportamento, importa para o behaviorista skinneriano, sim.
55:59
Speaker B
E essa é um, é um, é um grande escândalo quando as pessoas sabem.
56:09
Speaker B
O educador, ele, ele desconhece isso de um modo geral, ele fala: não, Skinner só estuda o observável.
56:19
Speaker B
E o ser humano é muito mais do que o observável, eu quero estudar esse ser complexo.
56:29
Speaker B
E ele acha que Skinner não se propõe a isso.
56:39
Speaker B
Um bom analista de comportamento, quando ele vai avaliar um aluno, ele diz o seguinte para um educador.
56:49
Speaker B
Tente, eh, buscar a maior amostra de repertórios comportamentais que você puder.
56:59
Speaker B
Não pegue só o escrito, pegue o oral, não pegue só o escrito e o oral, mas pegue as tarefas que ele faz.
57:09
Speaker B
Não pegue só as tarefas, mas pegue como dados comportamentos de estudar em casa, eh, os materiais que ele traz para a aula, né?
57:19
Speaker B
Eh, as ideias, as concepções, as escritas espontâneas.
57:29
Speaker B
Porque a escola, ela é muito verbal, né? Ela só mede a escrita e a fala, né?
57:39
Speaker B
Você tem inúmeras outras formas de medir um conhecimento, né? Pelo desenho, né, pela, pela criação, eh, de um texto espontâneo e por aí vai.
57:49
Speaker B
Então, eu acho que basicamente há uma virada de mesa, né, eh, onde a gente pode dizer que Skinner é extremamente pós-moderno na sua concepção de ensino, né?
57:59
Speaker B
Ele foi um grande progressista, né? Diria que ele foi um sábio 30 anos à frente do tempo da gente, né?
58:09
Speaker B
Uma das grandes contribuições de Skinner, e aí junto com o seu grande companheiro Fred Keller, foi a proposta de que as melhores condições de ensino são aquelas que respeitam o ritmo individual do aluno.
58:19
Speaker B
Que é o chamado sistema individualizado, né? Esse sistema, ele tem algumas características que são, eu ver importantes porque são coadunantes com todos os princípios skinnerianos.
58:29
Speaker B
Primeiro, a questão de que cada aluno tem o seu aprendizado no seu próprio ritmo.
58:39
Speaker B
A segunda característica: divida o curso em pequenas unidades, das mais simples às mais complexas.
58:49
Speaker B
E só deixe que o aluno passe para a seguinte na medida em que ele atingir completamente os objetivos da anterior.
58:59
Speaker B
Então, é uma, é uma perspectiva de que o objetivo do meu ensino é o 100%.
59:09
Speaker B
Se o aluno ainda não atingiu o objetivo, não tem por que ele passar adiante, né?
59:19
Speaker B
E essa passagem, ela é natural, atingiu 100% na pequena, na pequena primeira unidade, ele passa para a seguinte.
59:29
Speaker B
Então, um princípio, eh, um, um, que está por trás é: dê nota 10 a todos os seus alunos, porque o seu objetivo como professor.
59:39
Speaker B
Eh, diz o ensino individualizado, não é separar o joio do trigo ou classificar as pessoas, mas é ensinar.
59:49
Speaker B
Ou você ensinou ou não ensinou, né? Você não ensinou um pouco, ensinou, se ensinou um pouco, então é porque ele ainda não atingiu o objetivo.
59:59
Speaker B
Então, ele fica lá, então, dê nota 10 a todos os seus alunos, né? Uma outra característica: diga aos alunos o que você espera deles.
60:09
Speaker B
Então, os objetivos educacionais, uma perspectiva do ensino individualizado, não são apenas para o professor.
60:19
Speaker B
Não é uma coisa escondida que só o professor sabe, só o diretor da escola sabe, o objetivo não é uma coisa que tem uma importância administrativa.
60:29
Speaker B
Ele tem uma importância didático-pedagógica, educacional, o aluno sabe o que se espera dele, né?
60:39
Speaker B
Então, não fica uma caixinha de surpresas o ensino.
60:49
Speaker B
Uma outra concepção do ensino individualizado: o mito da aula expositiva.
60:59
Speaker B
A aula expositiva é uma das piores condições de ensino.
61:09
Speaker B
É uma situação em que o professor se expõe, é um show, é uma palestra, mas você não tem a menor garantia que seus alunos estão aprendendo enquanto você está falando.
61:19
Speaker B
Então, é incrível, né? Porque é uma das piores condições de ensino, a gente já fez várias pesquisas mostrando que a situação de grupo.
61:29
Speaker B
A situação de programas individualizados via computador ou via livros, ensinam muito mais do que um professor falando.
61:39
Speaker B
Então, uma das concepções do ensino individualizado: dê aulas expositivas de vez em quando.
61:49
Speaker B
E nem exija frequência, seus alunos podem optar por se preparar melhor para uma outra atividade.
61:59
Speaker B
Então, dê aula expositiva, mas não espera, divirta-se, mas não espera uma grande plateia.
62:09
Speaker B
Então, isso é uma, é uma inversão total com o que a gente tem de concepção de escola.
62:19
Speaker B
Que é aquele professor num tablado, falando para 30, 40 alunos a maior parte do tempo.
62:29
Speaker B
Na concepção de ensino individualizado, o aluno trabalha a maior parte do tempo num material cuidadosamente planejado por um professor.
62:39
Speaker B
Que gastou inúmeras horas programando aquilo.
62:49
Speaker B
Ao contrário daquele professor que rapidamente prepara o seu roteirinho, vai lá, dá um show de 50 minutos, né?
62:59
Speaker B
E o aluno depois tem que se virar sozinho para estudar para a prova.
63:09
Speaker B
Então, é uma inversão total, né? Uma inversão baseada no quê? Nas descobertas dos princípios.
63:19
Speaker B
Sabe-se que se aprende melhor quando eu faço, quando eu penso, quando eu escrevo.
63:29
Speaker B
Quando eu discuto, quando eu falo, quando eu vejo, quando eu manipulo, quando eu faço, do que quando eu ouço simplesmente, né?
63:39
Speaker B
Então, no ensino individualizado, as aulas expositivas são raras.
63:49
Speaker B
Mas a gente sabe que o aluno gosta de ouvir o professor, a gente sabe que ele precisa desse momento.
63:59
Speaker B
O professor é um maestro.
64:09
Speaker B
Então, uma outra característica do ensino individualizado: esteja sempre disponível, sempre.
64:19
Speaker B
Em todos os dias das suas aulas, esteja ali, você e seus monitores, porque eles podem precisar de você.
64:29
Speaker B
Então, o ensino individualizado, ele requer um material escrito planejado, ele requer situações de aplicação.
64:39
Speaker B
Requer situações planejadas com muito cuidado e não dispensa a presença do professor.
64:49
Speaker B
Porque o ser humano é um ser social e ele gosta de aprender ao lado do outro.
64:59
Speaker B
E gosta de aprender ao lado daquele que está preparado para ensinar, né?
65:09
Speaker B
Então, eh, esse ensino individualizado, ele foi criado na década de 70, né, baseado nos princípios.
65:19
Speaker B
Ele teve um boom, foi aplicado no mundo todo, hoje no Brasil, a gente tem algumas universidades revivendo.
65:29
Speaker B
A gente tem algumas adaptações desse ensino no ensino à distância.
65:39
Speaker B
Os computadores são os grandes aliados da viabilidade deste ensino.
65:49
Speaker B
Mas há um grande perigo, né? Há o perigo de isso ser entendido como professor não precisa mais.
65:59
Speaker B
Professor não tem mais o seu emprego, basta o aluno e uma tela de computador.
66:09
Speaker B
Não é isto, né? O ensino individualizado, é, acabei de dizer, o professor tem que estar presente sempre.
66:19
Speaker B
Para Skinner, né, a escola ideal é aquela em que o aluno é atraído por ela.
66:29
Speaker B
Não por receio e medo de ficar longe dela, mas porque nela ele encontra as mais fortes razões para se manter aprendendo.
66:39
Speaker B
Mesmo depois da escola.
66:49
Speaker B
Então, para Skinner, né, a educação, ela é a chave de uma sociedade.
66:59
Speaker B
Porque é ela que vai fazer com que o aprendiz, eh, busque habilidades e aprenda habilidades que o torne independente.
67:09
Speaker B
Crítico, consciente, autônomo, e que depois da escola, institucionalizada, se mantenha um ser que busca as informações ao longo de sua vida.
67:19
Speaker B
Que é a grande estratégia de sobrevivência e de, eh, uma, uma vida em ascensão de felicidade e de sucesso profissional.
67:29
Speaker B
Não tenho a menor dúvida.
67:39
Speaker B
Uma grande contribuição de Skinner foi a concepção, eh, da força que a educação tem.
67:49
Speaker B
Ele concebe que nós, educadores, podemos compor o que ele chama de quarto poder, quarta força ou quarto estado.
67:59
Speaker B
Porque ele considera que os três existentes, que seriam a religião, a economia e a política, eles têm interesses que dizem respeito à sua sobrevivência imediata.
68:09
Speaker B
E não a sobrevivência da espécie.
68:19
Speaker B
E que são apenas os educadores, os intelectuais, os cientistas, que por conhecerem a ciência do comportamento humano.
68:29
Speaker B
Por conhecerem o que move este ser humano, é que serão capazes de trabalhar para a sobrevivência e a manutenção da espécie humana.
Topics:Skinnerbehaviorismocondicionamento operantereforço positivopsicologiacaixa de SkinnerJohn Watsonanálise do comportamentoeducaçãociência do comportamento

Frequently Asked Questions

Quem foi B.F. Skinner e qual sua principal contribuição para a psicologia?

B.F. Skinner foi um psicólogo americano, principal representante do behaviorismo, conhecido por desenvolver o condicionamento operante, que explica como o comportamento é moldado pelo reforço positivo.

Qual é a diferença entre as ideias de Skinner e John Watson?

Watson focava apenas no comportamento observável e via o homem como um autômato reagindo a estímulos, enquanto Skinner via o ser humano como um agente ativo que modifica e é modificado pelo ambiente, em constante construção.

Como Skinner aplicou suas teorias na educação?

Skinner defendeu o uso do reforço positivo para promover comportamentos desejados, sendo contrário a punições e métodos repressivos, acreditando que o ambiente pode ser moldado para melhorar o aprendizado e o desenvolvimento.

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