Sobre a sensação de “não ser bom o suficiente” | ludore… — Transcript

Reflexão sobre a sensação de não ser bom o suficiente e como superar o perfeccionismo e a autocrítica para continuar criando.

Key Takeaways

  • A autocrítica excessiva e o perfeccionismo podem paralisar a criatividade.
  • Ter um propósito autêntico e altruísta fortalece a motivação e ajuda a superar o medo.
  • Aceitar imperfeições e erros é essencial para o crescimento criativo.
  • A comparação constante com outros cria padrões irreais e prejudica a autoestima.
  • A criação é uma forma de conexão humana, não apenas uma busca por aprovação.

Summary

  • A sensação de não ser bom o suficiente pode paralisar e gerar insegurança, especialmente ao se comparar com outros talentosos.
  • A inspiração vem de referências grandiosas, mas isso pode criar um ideal de perfeição inalcançável.
  • A mente perde a tolerância à mediocridade, especialmente à própria, causando frustração e autocrítica severa.
  • A satisfação criativa é um paradoxo: o descontentamento é o que motiva a criação e o progresso.
  • É importante aceitar erros e imperfeições como parte do processo criativo, plantando ideias aos poucos.
  • Nietzsche é citado para enfatizar que ter um 'porquê' autêntico é fundamental para superar dificuldades.
  • Motivações baseadas no ego são armadilhas; motivações altruístas e genuínas são mais resistentes ao medo e perfeccionismo.
  • Superar o medo da crítica e da comparação permite pedir ajuda, aceitar defeitos e se conectar com outras pessoas.
  • A aprovação de pessoas negativas não deve ser buscada; o foco deve estar no próprio crescimento e conexão verdadeira.
  • Fazer coisas é, em última análise, uma forma de se conectar com pessoas queridas e compartilhar experiências.

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00:00
Speaker A
Como lidar com a sensação de que não somos bons o suficiente?
00:04
Speaker A
Tenho muitas ideias, já quis escrever livro, fazer jogo, já quis até abrir uma empresa, mas a insegurança não deixa.
00:10
Speaker A
Parece que eu fui amaldiçoado, "deus" me fez metade perfeccionista, metade procrastinador.
00:16
Speaker A
Ou seja, eu me estresso com a qualidade das coisas que eu ainda nem comecei e aí eu fico paralisado.
00:23
Speaker A
Além disso, eu me comparo MUITO com os outros, sinto que estou cercado de gente talentosa, enquanto eu sou uma farsa.
00:30
Speaker A
A filosofia teria algum conselho para mim?
00:34
Speaker A
Miguel, muito obrigado pela sua questão.
00:37
Speaker A
Normalmente, a gente quer fazer coisas, qualquer coisa, desenhar, escrever, assaltar um banco, porque nós somos inspirados por algo que já existe, convenhamos.
00:46
Speaker A
Não é qualquer algo, ninguém decide que vai fazer música porque viu Falcão no programa do Raul Gil e pensou, hum, se esses caras conseguem, eu também consigo.
00:54
Speaker A
Não, a gente olha para o Queen performando para um estádio lotado, Freddie Mercury suado, com uma voz capaz de fazer Lúcifer ter problemas de autoestima e Jesus querer descer das nuvens para pedir um teste de DNA.
01:47
Speaker A
E aí você pensa, rapaz, acho que eu vou comprar uma guitarra.
01:52
Speaker A
O seu gato lança um olhar de reprovação.
01:54
Speaker A
Que foi, Little Hitler?
01:56
Speaker A
Ano passado você comprou um teclado, no retrasado, um violão, em 2015 você comprou um kit brega funk com sanfona, flauta e mesa de DJ.
02:07
Speaker A
Hoje tá tudo jogado, será que você não aprende?
02:10
Speaker A
Não, mas dessa vez é diferente, essas compras eu fiz por impulso, mas agora eu tô melhor, mudei de psiquiatra, não tô mais ouvindo vozes, nem vendo fantasmas, os remédios estão funcionando.
02:24
Speaker A
E seu cachorro entra no quarto, I want to break free.
02:28
Speaker A
E você dá um tiro nele e liga para sua mãe, mamã, just killed a man.
02:34
Speaker A
Só que aí o cachorro era um entregador de pizza, seu gato na verdade era um pôster neonazista.
02:40
Speaker A
E você não ligou para sua mãe, e sim para a polícia.
02:43
Speaker A
O delegado diz:
02:45
Speaker A
Is this real life? Or is this fantasy?
02:48
Speaker A
Enfim, desculpa, perdi o foco.
02:51
Speaker A
O ponto é, a gente quer fazer coisas porque nossa mente foi inspirada por alguém.
02:55
Speaker A
E é comum que você se cerque de referências, especialmente em tempos de redes sociais, você vai seguindo artistas, profissionais, pessoas que parecem ter um talento natural para fazer o que você sempre quis.
03:04
Speaker A
E aí, de tão consciente que você fica da excelência, a sua mente perde a capacidade de tolerar a mediocridade.
03:12
Speaker A
Especialmente a sua mediocridade.
03:16
Speaker A
Então quando o seu bolo não fica tão bonito quanto o da foto, ou seus acordes não saem como esperado, você fica triste.
03:22
Speaker A
Quando você vai desenhar o ator do Homem-Aranha e fica parecendo aquele seu amigo da sétima série, que não sabia o nome da capital do Brasil e que vocês iam brincar de O-STOP, jogos com a letra D.
03:31
Speaker A
E ele dizia:
03:32
Speaker A
D Sims.
03:33
Speaker A
Você fica arrasado.
03:36
Speaker A
E é uma sensação especialmente amarga e solitária, porque se você vai dividir sua aflição com um amigo, é capaz que ele diga, não, pô, não tá tão ruim, é coisa da sua cabeça.
03:46
Speaker A
E aí você já pensa, ele tá dizendo isso porque é meu amigo, o desgraçado tá tentando me poupar da verdade de que o meu desenho ficou um cocô.
03:52
Speaker A
E convenhamos.
03:55
Speaker A
Faz sentido o seu raciocínio.
03:56
Speaker A
Mas não é só isso.
03:58
Speaker A
É que diferentemente de você, seu amigo não tem tantas referências na cabeça.
04:03
Speaker A
É fácil para ele ver o seu amadorismo como parte do processo.
04:08
Speaker A
Ele não tava esperando uma segunda Tarsila do Amaral.
04:11
Speaker A
Já para sua mente, isso aqui é uma afronta.
04:14
Speaker A
Porque ela foi inspirada pela grandeza.
04:16
Speaker A
Ao se cercar de referências, o seu olhar foi contaminado por um ideal de perfeição.
04:22
Speaker A
Que de um ponto de vista filosófico, se baseia numa mentira.
04:26
Speaker A
Porque veja só.
04:28
Speaker A
Num mundo perfeito, realmente perfeito, toda obra de arte viria acompanhada dos seus 300 rascunhos.
04:34
Speaker A
E talvez uma lista de concessões que o criador precisou fazer até chegar no resultado.
04:41
Speaker A
Quando a gente olha para algo supostamente perfeito, essa é a história que fica de fora.
04:47
Speaker A
Tudo que vale a pena ser feito exige um grau de sacrifício.
04:50
Speaker A
E dificilmente a gente fica satisfeito, porque a satisfação criativa é um paradoxo.
04:55
Speaker A
O que leva a gente a querer fazer coisas, em primeiro lugar, é o descontentamento.
05:00
Speaker A
Pessoas totalmente satisfeitas não têm motivo para fazer nada.
05:04
Speaker A
E eu não falo só de arte, as maiores mentes da humanidade, de cientistas, aos músicos, aos inventores.
05:10
Speaker A
Nunca estiveram satisfeitas.
05:14
Speaker A
Então, quando você olha para o seu trabalho e acha que ainda não chegou lá, não é sinal de que você deve desistir.
05:20
Speaker A
Pelo contrário, é sua mente te chamando para continuar.
05:24
Speaker A
Se a motivação humana fosse um jardim, a insatisfação seria o adubo.
05:30
Speaker A
Ela é necessária.
05:31
Speaker A
O nosso erro tá em se cercar de imagens de jardins perfeitos e querer inundar o nosso de esterco, achando que isso vai ajudar a chegar lá.
05:40
Speaker A
Esse monte de adubo só serve para afogar as nossas ideias.
05:44
Speaker A
Se merda em excesso fosse bom, todo cu teria inveja do Twitter.
05:50
Speaker A
Para que o nosso solo floresça, é preciso plantar aos poucos.
05:54
Speaker A
Aceitando erros, minhocas, flores feias.
05:58
Speaker A
Só assim você se torna um jardineiro experiente.
06:01
Speaker A
Sabendo disso, a gente pode pensar num exercício prático para acalmar a voz da autocrítica.
06:06
Speaker A
Aquela que faz a gente querer desistir.
06:10
Speaker A
Nietzsche uma vez escreveu: Aquele que tem um porquê supera qualquer como.
06:14
Speaker A
Ele se referia à nossa capacidade de não desistir, mesmo diante das adversidades.
06:19
Speaker A
Incluindo aquelas criadas pela nossa própria mente.
06:22
Speaker A
Trazendo aqui para o nosso contexto criativo, podemos complementar essa frase.
06:27
Speaker A
Aquele que tem um bom porquê supera qualquer como.
06:31
Speaker A
Porque veja só, quando o nosso porquê é baseado numa ilusão, nossa vida sempre vai ser mais difícil.
06:36
Speaker A
Por exemplo:
06:37
Speaker A
Por que você faz vídeos?
06:38
Speaker A
Se eu fosse um iludido, eu diria, porque eu quero ficar rico, porque eu quero ser famoso, porque eu quero destruir o casamento do Leon e roubar a Nilce para mim.
06:45
Speaker A
Isso aqui não funciona.
06:47
Speaker A
Não é nem que é impossível.
06:48
Speaker A
É que é uma armadilha.
06:50
Speaker A
Para onde eu olhar, sempre vai ter alguém mais rico, mais famoso, mais feliz.
06:54
Speaker A
Se eu quiser facilitar minha vida, eu preciso pensar em porquês mais condizentes com a minha realidade.
07:01
Speaker A
Nietzsche chamaria isso de porquê autêntico.
07:05
Speaker A
Por que você faz vídeos?
07:07
Speaker A
Porque eu quero ajudar meus inscritos.
07:11
Speaker A
Quero fazer a diferença no dia de alguém.
07:13
Speaker A
Nem que seja um pouco.
07:15
Speaker A
Espalhar minhas ideias por aí, até atingir o coração de quem precisa.
07:20
Speaker A
E quem sabe, com um pouco de sorte, ela perceber que também precisa de mim.
07:25
Speaker A
Afinal, o lugar dela sempre foi no Brasil, ao lado de um homem sensível, carinhoso e querido pelos animais.
07:32
Speaker A
Miau.
07:34
Speaker A
Esses tipos de porquê que não tem tanto a ver com o nosso ego, além de serem mais motivadores, são mais resistentes ao perfeccionismo.
07:41
Speaker A
Afinal, não é que nossa mente realmente espera perfeição.
07:44
Speaker A
É que ela tem medo.
07:46
Speaker A
Medo de estar tão abaixo das nossas referências que o mundo vai apontar o dedo para a gente e rir.
07:52
Speaker A
Quando você ajusta suas motivações, de modo que elas não tenham tanto a ver com você.
07:58
Speaker A
Ou se tiverem, que seja de um jeito mais gentil.
08:01
Speaker A
Fica muito mais fácil superar esse medo, porque aí de repente não existe mais tanta razão para querer se proteger.
08:07
Speaker A
Quando deixa de ser só sobre você, fica mais fácil pedir ajuda, aceitar seus defeitos.
08:12
Speaker A
Talvez até comunicar suas inseguranças através da sua arte.
08:17
Speaker A
E nesse momento acontece uma coisa muito especial.
08:20
Speaker A
Você percebe que você não tá só.
08:23
Speaker A
O mundo tá cheio de gente querida que entende o que você sente, que quer ouvir, que quer ajudar.
08:29
Speaker A
E convenhamos, é para isso que a gente faz coisas, para se conectar com gente querida.
08:34
Speaker A
Sim, existe muito babaca por aí, o medo da nossa consciência não é totalmente infundado.
08:40
Speaker A
Assim que você começar a acreditar em si, você vai encontrar gente escrota que vai focar nos seus defeitos e tentar te colocar para baixo.
08:47
Speaker A
Mas aí, cabe a questão, por que diabos você precisaria da aprovação de alguém assim em primeiro lugar?
08:53
Speaker A
É preciso imaginar um piquenique e convidar a voz cri-cri da nossa consciência para uma conversa.
08:58
Speaker A
Minha querida.
08:59
Speaker A
Você tá com medo de quê?
09:00
Speaker A
Se a gente incomodar um babaca hoje, que maravilha, é um sinal de que estamos no caminho certo.
09:07
Speaker A
Se não ficar tão bom quanto esperado, que ótimo, quer dizer que ainda dá para melhorar.
09:13
Speaker A
Se a Nilce ainda não respondeu nosso inbox, que ótimo também, é um sinal de que ainda temos muitos vídeos para criar.
09:20
Speaker A
Uma hora vai chegar nela e a sementinha da dúvida será plantada.
09:26
Speaker A
Cadê a chave?
09:28
Speaker A
Já tentou procurar em outro relacionamento?
09:35
Speaker A
Por falar em roubadas criativas.
09:38
Speaker A
Esse vídeo levou umas 100 horas para ficar pronto e o que o YouTube me paga não dá nem para quitar a luz que eu gastei editando ele.
09:45
Speaker A
Então se você gostou e quiser me dar uma forcinha, o canal agora tem Pix.
09:51
Speaker A
Agradeço de coração.
09:52
Speaker A
Qualquer quantia, de centavo em centavo, eu consigo pagar as contas e alimentar essa pancinha.
09:58
Speaker A
E se você quiser se tornar um padrinho oficial do Ludo Viajante, com R$ 3 por mês, você pode entrar no meu Apoia.se.
10:05
Speaker A
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10:11
Speaker A
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Frequently Asked Questions

Como lidar com a sensação de não ser bom o suficiente?

É importante reconhecer que a autocrítica e o perfeccionismo são barreiras comuns e aceitar que erros fazem parte do processo criativo. Ajustar suas motivações para um 'porquê' autêntico e menos egoísta ajuda a superar o medo e a insegurança.

Por que a comparação com outras pessoas pode ser prejudicial?

Comparar-se com outros cria um ideal de perfeição inalcançável, fazendo com que a própria mediocridade pareça uma afronta. Isso gera frustração e baixa autoestima, dificultando a continuidade do processo criativo.

Qual é o papel da insatisfação na criatividade?

A insatisfação é o que motiva a criação e o progresso. Pessoas criativas raramente estão totalmente satisfeitas, pois o descontentamento as impulsiona a continuar melhorando e inovando.

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