Explicação detalhada do transporte transmembranar e transmissão do impulso nervoso em neurónios, incluindo potenciais de ação e sinapses.
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Key Takeaways
- O impulso nervoso é um fenómeno eletroquímico dependente do transporte iónico através da membrana plasmática.
- O potencial de ação é gerado pela alteração da permeabilidade da membrana aos iões sódio e potássio.
- A bainha de mielina permite uma propagação mais rápida do impulso nervoso através da condução saltatória.
- As sinapses químicas utilizam neurotransmissores para transmitir sinais entre neurónios.
- A propagação do potencial de ação é unidirecional devido ao período refratário dos canais de sódio.
What the video covers
- O vídeo aborda o transporte membranar e sua importância na transmissão do impulso nervoso.
- Explica a estrutura dos neurónios: corpo celular, axónio, dendrites e bainha de mielina.
- Descreve o potencial de repouso da membrana plasmática e a distribuição desigual de iões sódio e potássio.
- Detalha o funcionamento das bombas de sódio e potássio e a permeabilidade da membrana em repouso.
- Explica o processo de despolarização, repolarização e hiperpolarização durante o potencial de ação.
- Aborda a propagação unidirecional do potencial de ação devido ao período refratário.
- Demonstra a condução saltatória em neurónios mielinizados versus condução contínua em neurónios sem mielina.
- Explica os tipos de sinapses: elétricas e químicas, e o papel dos neurotransmissores.
- Descreve o mecanismo de libertação dos neurotransmissores na fenda sináptica e sua ligação aos recetores pós-sinápticos.
- Distingue neurotransmissores excitatórios e inibitórios e seus efeitos na célula pós-sináptica.
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Speaker A
Olá, neste vídeo vamos falar sobre o transporte membranar, nomeadamente alguns processos fisiológicos onde tem particular importância.
Speaker A
Como na transmissão do impulso nervoso.
Speaker A
Eu sou a Telma Rodrigues, sou professora de Biologia e Geologia e vou tentar ajudar.
Speaker A
O impulso nervoso é um fenómeno eletroquímico que resulta de modificações internas e externas da membrana plasmática dos neurónios, que são as células do sistema nervoso responsáveis pela transmissão do impulso nervoso.
Speaker A
Recordando a estrutura dos neurónios, podemos distinguir o corpo celular, onde encontramos o núcleo e grande parte dos organitos celulares.
Speaker A
Depois temos o axónio, que é um longo prolongamento da célula que garante a transmissão do impulso nervoso, e as dendrites que são prolongamentos normalmente mais curtos e especializados na receção de informação.
Speaker A
O axónio, na sua extremidade, apresenta ramificações conhecidas como axónio terminal ou arborização terminal.
Speaker A
Muitos axónios apresentam uma substância isolante especial chamada mielina, que é produzida pelas células de Schwann.
Speaker A
E auxilia a transmitir o impulso nervoso mais rapidamente.
Speaker A
Os locais entre a bainha de mielina denominam-se nódulos de Ranvier.
Speaker A
Se abrirmos a membrana plasmática dos neurónios com mais detalhe, verifica-se que em repouso, isto é, sem qualquer estímulo.
Speaker A
Existe uma diferença de potencial elétrico entre o interior e o exterior da membrana.
Speaker A
Isto quer dizer que se colocássemos um elétrodo fora e outro dentro da membrana plasmática e medíssemos a diferença de potencial elétrico ou voltagem entre os dois elétrodos.
Speaker A
Iríamos obter um valor de cerca de -70 mV, com o interior da célula mais negativo que o exterior.
Speaker A
Esta diferença de potencial é determinada pela distribuição desigual de iões entre o interior e o exterior da célula.
Speaker A
E denomina-se de potencial de repouso.
Speaker A
Dizemos ainda que a membrana nestas condições se encontra polarizada.
Speaker A
Este potencial de repouso é determinado pelos gradientes de concentração de iões dentro e fora da célula.
Speaker A
E pela permeabilidade da membrana para cada ião.
Speaker A
O gradiente de concentração dos iões de sódio e de potássio é mantido devido à atividade das bombas de sódio e potássio.
Speaker A
As bombas de sódio e potássio transportam ativamente estes iões contra o seu gradiente de concentração, o sódio para o exterior e o potássio para o interior.
Speaker A
Na proporção 3 para 2.
Speaker A
Isto é, por cada três iões de sódio que saem da célula, entram dois iões de potássio.
Speaker A
A membrana em repouso é mais permeável ao potássio que ao sódio, o que faz com que algum potássio saia da célula por difusão facilitada através dos seus canais iónicos.
Speaker A
Tornando o interior da célula mais negativo, criando assim o potencial de repouso.
Speaker A
Quando há um estímulo, verifica-se momentaneamente que a membrana se torna mais permeável ao sódio do que ao potássio.
Speaker A
Se o estímulo for forte, os canais de sódio sensíveis à voltagem abrem, os iões Na+ entram na célula a favor do seu gradiente de concentração.
Speaker A
Despolarizando a membrana como resultado da acumulação de cargas positivas no interior do axónio.
Speaker A
Isto faz com que o potencial de membrana aumente rapidamente, subindo aproximadamente até aos 35 mV.
Speaker A
Após um curto período de tempo, os canais de sódio sensíveis à voltagem fecham.
Speaker A
Permitindo que o potássio saia da célula a favor do seu gradiente de concentração.
Speaker A
A saída dos iões de potássio vai permitir a repolarização da membrana, tornando-a de novo negativa no interior.
Speaker A
E há um momento em que a membrana fica mais negativa do que o potencial de repouso.
Speaker A
Dizemos que ocorreu a hiperpolarização da membrana.
Speaker A
E tal acontece devido à abertura dos canais de potássio sensíveis à voltagem, que fazem com que o potássio abandone rapidamente a célula.
Speaker A
Tornando assim o interior da célula mais negativo.
Speaker A
De seguida ocorre o restabelecimento do potencial de repouso.
Speaker A
Os canais de potássio sensíveis à voltagem fecham e as bombas de sódio e potássio retomam o funcionamento para restabelecer a distribuição iónica.
Speaker A
Um potencial de ação é propagado somente numa direção ao longo do axónio.
Speaker A
Ele ocorre sempre, propaga-se sempre na direção corpo celular, terminação do axónio.
Speaker A
E por que é que isto acontece?
Speaker A
A propagação do potencial de ação ocorre somente numa direção, porque a área recentemente despolarizada da membrana.
Speaker A
Encontra-se no período refratário e não consegue gerar um novo potencial de ação.
Speaker A
O período refratário ocorre principalmente devido à inativação dos canais de sódio dependentes de voltagem, logo após o potencial de ação.
Speaker A
Esses canais de sódio ficam inativos, logo a seguir ao potencial de ação e não conseguem ser abertos.
Speaker A
Mesmo se o potencial da membrana passar do limiar de excitabilidade.
Speaker A
Assim, o potencial de ação propaga-se no sentido contrário ao da porção do axónio que acabou de realizar o potencial de ação.
Speaker A
Propagando-se assim sempre no mesmo sentido, nunca volta para trás.
Speaker A
Em neurónios revestidos por bainha de mielina, a propagação do impulso nervoso ocorre de forma saltatória, sendo por isso mais rápida.
Speaker A
O sinal elétrico é transmitido mais rapidamente nesses locais, já que o impulso salta de nódulo em nódulo, traspassando a bainha de mielina.
Speaker A
Em axónios sem mielina, os sinais elétricos passam ao longo de toda a membrana do axónio.
Speaker A
O que torna a condução do sinal mais lenta.
Speaker A
Os neurónios comunicam entre si através de sinapses.
Speaker A
E as sinapses podem ser elétricas ou químicas.
Speaker A
O neurónio pré-sináptico é o que se encontra antes da sinapse.
Speaker A
E o pós-sináptico é o que está depois.
Speaker A
Nas sinapses elétricas, os neurónios estão em contacto um com o outro nas junções comunicantes.
Speaker A
E ocorre um fluxo direto de iões entre os neurónios.
Speaker A
Nas sinapses químicas, que são aquelas que são mais comuns, os neurónios não estão em contacto um com o outro.
Speaker A
Há um espaço entre eles que é a fenda sináptica.
Speaker A
No caso das sinapses químicas, a comunicação é feita recorrendo a mensageiros químicos.
Speaker A
Que são os neurotransmissores que se ligam a recetores no neurónio pós-sináptico.
Speaker A
Vendo em pormenor as sinapses químicas.
Speaker A
Quando um potencial de ação ou impulso nervoso chega ao axónio terminal do neurónio pré-sináptico.
Speaker A
Ativa os canais de cálcio sensíveis à voltagem.
Speaker A
O cálcio entra a favor do seu gradiente de concentração.
Speaker A
A entrada do cálcio permite que as vesículas sinápticas se fundam com a membrana do axónio terminal e libertem os neurotransmissores na fenda sináptica por exocitose.
Speaker A
Os neurotransmissores ligam-se aos recetores do neurónio pós-sináptico.
Speaker A
A ligação dos neurotransmissores aos recetores modifica a permeabilidade da membrana do neurónio pós-sináptico.
Speaker A
Diferentes neurónios pré-sinápticos e pós-sinápticos produzem neurotransmissores e recetores de neurotransmissores diferentes.
Speaker A
Com diferentes interações e diferentes efeitos na célula pós-sináptica.
Speaker A
Por exemplo, alguns neurotransmissores são considerados excitatórios, provocando a deflagração de um potencial de ação no neurónio alvo.
Speaker A
Outros são considerados inibitórios, dificultando a deflagração de algum potencial de ação no neurónio alvo.
Speaker A
Ficou percebido?
Speaker A
Espero que sim.
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