Introdução à logoterapia de Viktor Frankl, destacando seus pilares: liberdade da vontade, vontade de sentido e sentido da vida.
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Key Takeaways
- A liberdade da vontade é uma característica essencial da pessoa humana.
- A vontade de sentido supera a busca pelo prazer e pelo poder como motivação fundamental.
- A logoterapia oferece uma visão antropológica que valoriza a autonomia e a transcendência.
- Mesmo em situações extremas, o ser humano pode escolher sua atitude e encontrar sentido.
- A psicologia tradicional muitas vezes negligencia a dimensão da liberdade e do sentido.
What the video covers
- A logoterapia é fundamentada em três pilares: filosófico, terapêutico e antropológico.
- O primeiro pilar aborda a liberdade da vontade, destacando a autonomia humana mesmo diante de condicionamentos externos.
- Viktor Frankl contrapõe o pan-determinismo e a visão psicanalítica que negam a liberdade humana.
- O segundo pilar combate a ideia de que o ser humano é movido apenas pela vontade de prazer (Freud) ou pela vontade de poder (Adler).
- Frankl propõe a vontade de sentido como a verdadeira motivação humana, que transcende o prazer e o poder.
- A logoterapia enfatiza que o sentido da vida é o que realmente motiva e dá propósito à existência humana.
- Exemplos práticos incluem a atitude diante de doenças ou situações extremas, como campos de concentração.
- A psicologia comportamental e o positivismo são criticados por ignorarem a transcendência e a liberdade da vontade.
- Frankl destaca a importância da autonomia e da capacidade humana de se posicionar diante das circunstâncias.
- A busca pelo sentido é apresentada como uma necessidade visceral e profunda do ser humano.
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Speaker A
E quais são os fundamentos da logoterapia, que é a filosofia, psicologia, né, do do Victor Frankl?
Speaker B
É interessante, porque a logoterapia, ela tem exatamente esses pilares, Lara, ela tem um pilar filosófico, um pilar terapêutico e um pilar antropológico.
Speaker B
Frankl coloca isso, eh, como a liberdade da vontade, nessas máximas, né, a liberdade da vontade, a vontade de sentido e o sentido da vida, esses são os três grandes pilares da logoterapia.
Speaker A
Fala para, de novo, como é que é?
Speaker B
Liberdade da vontade, vontade de sentido e sentido da vida.
Speaker B
Ou seja, primeiro, aqui é um tema filosófico, ele vai tratar a questão da liberdade humana, a pessoa que é livre, não é livre de alguns condicionamentos, mas é livre para se posicionar frente a isso tudo.
Speaker A
Em todas as circunstâncias, inclusive no campo de concentração.
Speaker C
Um exemplo, por exemplo, eh, a pessoa que, sei lá, pegou uma doença.
Speaker B
Ótimo.
Speaker C
Ela não é livre de pegar uma doença, né?
Speaker C
Mas é livre para
Speaker B
Tomar uma atitude diante dessa doença, como ela irá viver esse processo.
Speaker B
Então, ela não é livre de ter a doença, mas a doença não a tem.
Speaker B
É ela quem se posiciona, ela quem toma a atitude.
Speaker B
Por exemplo, você citou aqui, né, Lara, Victor Frankl não foi livre.
Speaker B
De estar ou não num campo de concentração, ele foi levado.
Speaker B
De forma coercitiva a um campo de concentração, mas ele não perdeu aquilo que ele vai chamar.
Speaker B
Da última da liberdade humana, que é a liberdade de se posicionar.
Speaker B
Estando eu aqui, como que eu vivo?
Speaker B
Como que eu encaro esse chamado que nesse momento a vida me faz?
Speaker B
Então, aqui nós entramos diante desse tema, esse tema muito vasto, que é o tema da liberdade humana.
Speaker B
É o primeiro pilar da logoterapia.
Speaker B
Com isso, Victor Frankl tá fazendo frente a uma ideia de um pan-determinismo que se tinha e até hoje se tem, evidentemente, na psicologia.
Speaker B
Um pan-determinismo que vai dizer que a pessoa humana não é livre, ela é fruto, fruto do meio.
Speaker B
Ela é condicionada.
Speaker A
Na psicanálise também, né?
Speaker B
Exatamente.
Speaker B
O próprio Freud vai dizer, né, o ego não é senhor em sua própria casa.
Speaker B
A ideia do aparelho psíquico, tal como apresentado por Freud na sua segunda tópica, leva-nos a uma conclusão óbvia de que a pessoa simplesmente não é livre.
Speaker B
Ela é regida por um aparelho psíquico.
Speaker B
A ideia do id, ego e superego, né?
Speaker B
Não existe um princípio de autonomia.
Speaker A
Um animalzinho.
Speaker B
Um animal.
Speaker B
A pessoa é um ser autômato, não um autônomo.
Speaker B
Victor Frankl vai falar dessa autonomia, dessa liberdade.
Speaker B
Que é marca constitutiva da pessoa humana.
Speaker B
Então, esse é o primeiro grande pilar.
Speaker B
Você falou de animal, dentro da psicologia birreiviorista, dentro da psicologia comportamental, tem-se essa ideia, né?
Speaker B
Que nós podemos falar sobre a pessoa humana, sobre a totalidade das suas possibilidades, das suas ações.
Speaker B
É, a partir dos estudos experimentais que são feitos com animais.
Speaker B
Quem fez psicologia, eu tenho por certo, tem muitas pessoas aqui nos escutando que ou estudaram ou estudam psicologia.
Speaker B
Um dos temas que se aborda muito na psicologia é o tema da psicologia comportamental.
Speaker B
Dentro da proposta de Skinner.
Speaker B
Nós psicólogos, na faculdade de psicologia, entre outras coisas, o que temos que fazer?
Speaker B
Nós temos que, durante alguns meses, um semestre ou mais, alimentar um rato e conseguir condicionar esse rato.
Speaker B
Né, hoje o rato, ele é virtual, né?
Speaker B
É, mas antes tinha-se de fato o rato na gaiola.
Speaker B
Né, colocava-se o alimento, ensinava o rato a pressionar a barra.
Speaker B
Ele pressionava, o alimento caía, depois você queria colocar em extinção esse comportamento.
Speaker B
Então, toda vez que ele ia se aproximar da barra, você dava um choque.
Speaker B
De modo tal que ele entendia que havia uma punição.
Speaker B
Ou seja, você controlava o rato.
Speaker B
E fazia uma espécie de Ctrl C, Ctrl V.
Speaker B
A pessoa humana, ou seja, da mesma forma que a gente consegue determinar comportamentos.
Speaker B
Controlar e prever ações no animal, nós podemos, a partir dessa realidade pulsional.
Speaker B
Instintiva, mecânica que o homem traz, também prever.
Speaker C
Não tem nada transcendente, né?
Speaker B
Não, não.
Speaker B
O tema da transcendência, toda a noção metafísica.
Speaker B
Some da psicologia.
Speaker B
A psicologia moderna, ela é feita em cima da bancada.
Speaker B
É feito em cima do positivismo, tendo como base o cientificismo.
Speaker B
Victor Frankl, de algum modo, ele, é, traz um uma questão que havia sido deixada de lado pela psicologia.
Speaker B
Que é, por exemplo, o tema da liberdade humana.
Speaker B
Da transcendência humana.
Speaker B
Dessa liberdade da vontade.
Speaker B
A vontade que não está condicionada a isso ou aquilo, mas uma vontade que aí entra no segundo pilar.
Speaker B
Que é o pilar terapêutico, essa vontade que é uma vontade de sentido.
Speaker B
Então, se no primeiro pilar nós falamos de um combate que Frankl faz ao pan-determinismo.
Speaker B
O segundo pilar é um combate que Victor Frankl faz a ideia de que a pessoa é movida.
Speaker B
Pelas paixões, pelos instintos.
Speaker B
A vontade de prazer e a vontade de poder.
Speaker B
E quando a gente fala vontade de prazer e de poder, nós estamos falando da primeira.
Speaker B
E da segunda escola de psicoterapia vienense.
Speaker B
Basicamente isso.
Speaker A
Sim.
Speaker B
Freud vai.
Speaker C
Freud, Adler.
Speaker B
É, Freud, Adler, exatamente.
Speaker B
Freud vai falar da vontade do prazer.
Speaker B
A pessoa humana é aquela que busca uma espécie de Nirvana, de homeostase.
Speaker B
Foge da dor e busca o prazer.
Speaker B
Né, caminhe nesse sentido que pronto, tudo vai estar resolvido, sua vida vai ser boa, plena, né?
Speaker B
E questões outras não irão surgir.
Speaker B
Essa busca da homeostase, essa busca da Nirvana.
Speaker B
Que é a proposta da psicanálise.
Speaker B
Adler vai dar um passo.
Speaker B
E ao invés de falar da vontade do prazer, vai falar da vontade do poder.
Speaker B
Para Adler, Lara, Arthur, a questão é mais ou menos essa, todos nós nascemos com uma espécie de complexo de inferioridade.
Speaker B
E ao longo da vida, nós queremos vencer esse complexo de inferioridade.
Speaker B
Como? Buscando uma espécie de recompensa, de reconhecimento, de aplauso social.
Speaker B
Né, aqui seria a vontade de poder, tal como postulado por Adler.
Speaker B
Frankl vai olhar para um, olhar para outro, olha, isso faz sentido dentro de uma proposta antropológica mais ampla.
Speaker B
Mas essas são realidades mais baixas da pessoa humana.
Speaker B
Isso não é o propriamente humano.
Speaker B
Não é o especificamente humano.
Speaker B
É claro que há algo de vontade de prazer em nós, há algo de vontade de poder em nós.
Speaker B
Mas o que nos faz pessoa é um negócio chamado vontade de sentido.
Speaker B
No fim das contas, o que todos nós queremos e queremos profundamente.
Speaker B
E queremos, assim, de forma visceral, é encontrar nessa vida um sentido.
Speaker B
Nós não queremos só ser feliz.
Speaker B
Nós queremos um sentido para a felicidade.
Speaker B
Não queremos só satisfazer as nossas necessidades mais básicas.
Speaker B
Nós queremos saber, é, o motivo de ser de tudo isso.
Speaker B
E fazer uma experiência de sentido para além da mera satisfação dos prazeres.
Speaker B
Então, ele vai construir a vontade do, a vontade de sentido.
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