ze cobrinha de Araçuai

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00:00
Speaker A
Maninho, vou dar uma filosofada com você, maninho. Presta bem atenção.
00:05
Speaker A
Quem tem flores, manda as flores, quem tem espinho, manda espinho.
00:11
Speaker A
E até nas rosas há diferença de sorte, umas enfeita a vida e outras enfeita a morte.
00:19
Speaker A
E a sorte, ela dá, ela nega e tira, e gente nobre já nesse século é mentira.
00:28
Speaker A
E deste modo filosófico, um gaiato que a vida estima, este mundo é um baú de cem com uma nota posta em cima.
00:37
Speaker A
E deixa que diz que mulher, e deixa de orgulho e sossega.
00:43
Speaker A
Você não vê que este mundo é um oceano por onde as almas navegam?
00:48
Speaker A
Se hoje ostentas na sala com tuas pompas e de galas e seus brasões de rainha, amanhã talvez quem sabe este orgulho se acabe e torne-se a sorte mesquinha.
01:40
Speaker A
A pouco tu me disseste que para comigo valsar, recusaste e me disseste pobre, plebeu e não quiseste me aceitar.
01:49
Speaker A
Mas no entanto ignoras aquele a quem tanto adoras e que conquista e seduz, embora seja da nada e as plenas figuras achar que as costas por que não dá luz.
02:00
Speaker A
E de que vale nobre família, linhagem pura de avós, se o sangue do rei é o mesmo que corre em nós?
02:08
Speaker A
Agora é tempo de dizer quem sou eu, um moço que se orgulha em ser plebeu.
02:14
Speaker A
Um lutador que não cansa e ainda tem esperança de ser mais do que hoje é, lutando pelo direito para esmagar o preconceito desta fidalguia sem fé.
02:25
Speaker A
E quando eu olho e te vejo com esse desdém de altivez, me humilho tanto de ti que chego a chorar talvez, mas choro sim porque calculo, ao ver de ti tão nulo, tão desagradante e sem sal, uma mulher desprevenida, tão lavada e varrida, só mesmo ignorando o ruim banal.
03:26
Speaker A
E grande foi Napoleão, e grande foi vitorioso e foi o povo plebeu quando eu sou.
03:34
Speaker A
Ó, vou mandar um outro recado para você, para minha namorada.
03:40
Speaker A
Fui despedir dela, ela danou a chorar, maninho, aí eu falei: Despediste de mim chorando, de ti despedi a sorrir, chorando tu me esqueceste e sorrindo não te esqueci.
03:54
Speaker A
E a vez primeira que de Teresa, como as plantas que arrastam a correnteza, a valsa nos levou em giros seus.
04:04
Speaker A
Amamos juntos depois na sala, e ela tremeu com a fala, orando murmurou: Meu Deus.
04:11
Speaker A
Quando voltei era um palácio em festa, a voz dela e de um homem da orquestra preenchia de amores o azul do céu, entrei, ela olhou-me branca e indefesa, e foi a última vez que de Teresa, ela queixando murmurou: Meu Deus.
05:07
Speaker A
É mulher, maninho, é como ave de arribação, quando o tempo é bom elas vêm, quando o tempo é mau elas vão.

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