Prof. Jiang Xueqin: O JOGO DAS ELITES NA POLÍTICA

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00:00
Speaker A
Você acha que participa da política? Não participa.
00:06
Speaker A
Você assiste, como quem assiste futebol na televisão e grita com o juiz.
00:13
Speaker A
O juiz não te ouve, o jogo não muda, mas você sente que fez algo.
00:18
Speaker A
Essa sensação é o produto, você é o consumidor.
00:21
Speaker A
A política não é uma arena aberta onde ideias competem e vencem pelo mérito.
00:27
Speaker A
É um mercado fechado, com porteiros, com taxas de entrada, com regras que ninguém te explica porque você não precisa saber.
00:35
Speaker A
Você não está no jogo, você está na plateia.
00:38
Speaker A
E plateia não joga, plateia aplaude, vaia, torce, mas não toca a bola.
00:44
Speaker A
O professor Jiang observou isso em sistemas completamente diferentes: China, Estados Unidos,
00:51
Speaker A
democracias europeias, regimes autoritários.
00:55
Speaker A
A embalagem muda, a estrutura não.
00:57
Speaker A
Sempre há um grupo pequeno que decide, sempre há uma massa grande que reage.
01:02
Speaker A
A massa acredita que sua reação é ação.
01:06
Speaker A
Não é.
01:07
Speaker A
É combustível.
01:09
Speaker A
Você vota, você protesta, você debate nas redes sociais,
01:15
Speaker A
você assina petições, você se indigna.
01:18
Speaker A
E no final do dia, as mesmas famílias, as mesmas redes, os mesmos sobrenomes,
01:26
Speaker A
continuam ocupando os mesmos espaços de poder.
01:30
Speaker A
Não porque roubaram.
01:32
Speaker A
Porque entenderam o jogo.
01:35
Speaker A
E você não.
01:36
Speaker A
Essa não é crítica moral.
01:38
Speaker A
É observação estrutural.
01:40
Speaker A
Como observar que água corre para baixo.
01:44
Speaker A
Não adianta ficar indignado com a gravidade.
01:47
Speaker A
Não adianta protestar contra as leis da física.
01:50
Speaker A
Você pode entender.
01:52
Speaker A
Pode usar a seu favor.
01:55
Speaker A
Ou pode ignorar e continuar surpreso quando o mundo funciona exatamente como sempre funcionou.
02:01
Speaker A
Política é mercado de escassez.
02:04
Speaker A
Há poucos assentos, muitos candidatos e regras invisíveis que definem quem sequer pode tentar sentar.
02:10
Speaker A
Você não vê essas regras porque não foi convidado para a sala onde elas são escritas.
02:15
Speaker A
Essa sala existe, sempre existiu, em toda sociedade complexa.
02:20
Speaker A
Porque organização de poder exige controle e controle exige exclusão.
02:25
Speaker A
Pense em qualquer estrutura política real.
02:29
Speaker A
Partido, parlamento, ministério, judiciário, agência reguladora.
02:34
Speaker A
Quem chega lá?
02:36
Speaker A
Não chega quem tem melhores ideias.
02:40
Speaker A
Chega quem acumulou os recursos certos.
02:44
Speaker A
E recursos não são apenas dinheiro, são conexões.
02:50
Speaker A
Reputação dentro de círculos fechados, aprovação de quem já está dentro.
02:57
Speaker A
Tempo investido em redes que a maioria nem sabe que existem.
03:02
Speaker A
O professor Jiang descreveu isso como capital político.
03:06
Speaker A
Não é metáfora, é capital mesmo.
03:09
Speaker A
Você acumula.
03:11
Speaker A
Você investe.
03:12
Speaker A
Você negocia.
03:13
Speaker A
Você protege.
03:14
Speaker A
E se não tem capital suficiente, você não entra.
03:17
Speaker A
Simples assim.
03:18
Speaker A
Não importa quantos votos você recebeu na eleição do grêmio estudantil.
03:23
Speaker A
Não importa quantos seguidores você tem, não importa quão justa é sua causa.
03:28
Speaker A
Capital político é moeda real.
03:31
Speaker A
E você não tem.
03:32
Speaker A
Democracia moderna criou a ilusão de acesso universal.
03:36
Speaker A
Todo mundo pode votar.
03:38
Speaker A
Logo, todo mundo participa.
03:40
Speaker A
Mas votar não é participar.
03:42
Speaker A
Votar é validar.
03:44
Speaker A
É assinar embaixo de uma escolha que outros já fizeram por você.
03:49
Speaker A
As opções foram filtradas antes de chegarem à sua mão.
03:54
Speaker A
Os filtros são invisíveis, mas estão lá.
03:58
Speaker A
Sempre estiveram.
04:00
Speaker A
Quem controla os filtros?
04:02
Speaker A
Quem decide quem pode ser candidato viável?
04:05
Speaker A
Quem define o que é viável?
04:08
Speaker A
Não é você, nunca foi.
04:10
Speaker A
São as elites políticas que operam dentro de instituições que se protegem mutuamente,
04:17
Speaker A
que compartilham interesses estruturais, que entendem que poder é jogo de soma zero.
04:23
Speaker A
E que não há espaço para todo mundo.
04:27
Speaker A
Você pode achar isso injusto.
04:30
Speaker A
Pode ser injusto.
04:31
Speaker A
Mas injustiça é julgamento moral.
04:36
Speaker A
E estruturas não respondem a julgamentos morais, respondem a força,
04:42
Speaker A
a pressão sustentada, a acumulação de capital suficiente para mudar regras.
04:48
Speaker A
Indignação não é força, é vapor,
04:51
Speaker A
que se dissipa.
04:52
Speaker A
Toda instituição política funciona assim.
04:56
Speaker A
Sem exceção.
04:57
Speaker A
Pode ter nome diferente, pode ter processo diferente, pode ter discurso diferente.
05:02
Speaker A
Mas a lógica é sempre a mesma: poucos controlam, muitos validam.
05:07
Speaker A
E validação acontece através de participação simbólica que não ameaça controle real.
05:13
Speaker A
Você vota, isso importa?
05:15
Speaker A
Marginalmente.
05:17
Speaker A
No agregado?
05:19
Speaker A
Estatisticamente.
05:21
Speaker A
Mas individualmente?
05:24
Speaker A
Seu voto sozinho não muda nada.
05:26
Speaker A
E você sabe disso.
05:28
Speaker A
Mas vota mesmo assim.
05:30
Speaker A
Por quê?
05:31
Speaker A
Porque o sistema precisa que você acredite que importa e você quer acreditar.
05:36
Speaker A
Porque a alternativa é aceitar irrelevância.
05:40
Speaker A
E isso dói.
05:41
Speaker A
Entrar no jogo político real exige três tipos de capital:
05:47
Speaker A
econômico, social e simbólico.
05:50
Speaker A
Você precisa dos três.
05:53
Speaker A
Não de um.
05:54
Speaker A
Não de dois.
05:55
Speaker A
Dos três ao mesmo tempo.
05:58
Speaker A
Em quantidades suficientes.
06:00
Speaker A
Se falta um, você não entra.
06:02
Speaker A
Fica na fila.
06:04
Speaker A
Eternamente.
06:05
Speaker A
Capital econômico é óbvio.
06:08
Speaker A
Dinheiro.
06:09
Speaker A
Mas não dinheiro para sobreviver.
06:12
Speaker A
Dinheiro para investir em campanhas, em assessores, em visibilidade,
06:18
Speaker A
em tempo livre para fazer política em vez de trabalhar.
06:24
Speaker A
A maioria das pessoas precisa trabalhar para comer.
06:27
Speaker A
Logo, não tem tempo para acumular capital político.
06:33
Speaker A
Fim da conversa.
06:34
Speaker A
Não é injusto.
06:37
Speaker A
É estrutural.
06:39
Speaker A
Fazer política de verdade é trabalho de tempo integral.
06:45
Speaker A
Não é hobby de fim de semana.
06:48
Speaker A
Não é ativismo de algumas horas por mês.
06:53
Speaker A
É acordar pensando em alianças.
06:57
Speaker A
Almoçar negociando apoios.
07:00
Speaker A
Jantar construindo rede.
07:03
Speaker A
Dormir planejando o próximo movimento.
07:07
Speaker A
Todo dia.
07:08
Speaker A
Por anos.
07:09
Speaker A
Décadas.
07:11
Speaker A
Quem pode fazer isso?
07:12
Speaker A
Quem não precisa trabalhar para sobreviver.
07:16
Speaker A
Quem tem colchão financeiro.
07:18
Speaker A
Herança.
07:20
Speaker A
Patrimônio.
07:21
Speaker A
Renda passiva.
07:23
Speaker A
Ou patrocinador rico.
07:25
Speaker A
Capital social é rede.
07:27
Speaker A
Quem você conhece.
07:29
Speaker A
Quem te conhece.
07:30
Speaker A
Quem confia em você.
07:32
Speaker A
Quem deve favores a você.
07:34
Speaker A
Quem você pode chamar às 3 da manhã.
07:38
Speaker A
Quem responde.
07:41
Speaker A
Essas redes levam décadas para construir.
07:44
Speaker A
Não se constrói rede política real em grupos de WhatsApp.
07:49
Speaker A
Constrói-se em universidades certas, em escritórios certos, em jantares certos,
07:56
Speaker A
em casamentos certos, em funerais certos.
07:59
Speaker A
Você não foi convidado para nenhum desses eventos, logo não tem a rede.
08:05
Speaker A
Rede política funciona como qualquer mercado.
08:09
Speaker A
Baseada em reciprocidade.
08:12
Speaker A
Você faz favor.
08:13
Speaker A
Acumula crédito.
08:15
Speaker A
Depois?
08:16
Speaker A
Cobra.
08:17
Speaker A
Mas para fazer favor, você precisa estar em posição de fazer favor.
08:22
Speaker A
Precisa ter acesso.
08:24
Speaker A
Precisa ter informação.
08:26
Speaker A
Precisa ter influência em alguma esfera.
08:29
Speaker A
Quando jovem, você não tem nada disso.
08:32
Speaker A
Logo, não pode começar a acumular favores.
08:35
Speaker A
Logo, não pode construir rede.
08:38
Speaker A
Logo, não pode entrar no jogo.
08:41
Speaker A
Círculo vicioso.
08:43
Speaker A
Exceções existem.
08:45
Speaker A
Pessoas que nascem em família política.
08:49
Speaker A
Já tem rede herdada.
08:52
Speaker A
Já tem sobrenome que abre portas.
08:55
Speaker A
Já tem capital social desde o nascimento.
09:00
Speaker A
Para essas pessoas, entrada no jogo é infinitamente mais fácil.
09:04
Speaker A
Não porque são melhores.
09:06
Speaker A
Porque herdaram acesso.
09:08
Speaker A
E acesso é metade da batalha.
09:11
Speaker A
Capital simbólico é reputação dentro do campo.
09:14
Speaker A
Ser visto como sério, como viável, como um de nós.
09:18
Speaker A
Isso não se ganha com competência técnica.
09:22
Speaker A
Ganha-se com conformidade, com sinalização correta,
09:26
Speaker A
com performance adequada, com tempo.
09:29
Speaker A
Muito tempo.
09:30
Speaker A
Você precisa provar que entende as regras não escritas.
09:35
Speaker A
Que não vai quebrar o jogo.
09:38
Speaker A
Que pode ser confiado.
09:40
Speaker A
Confiança leva anos.
09:42
Speaker A
Você não tem anos.
09:44
Speaker A
Tem indignação.
09:46
Speaker A
Indignação não é moeda.
09:49
Speaker A
Como se ganha capital simbólico?
09:51
Speaker A
Publicando nos lugares certos.
09:54
Speaker A
Falando nos eventos certos.
09:57
Speaker A
Sendo citado pelas pessoas certas.
10:00
Speaker A
Participando dos conselhos certos.
10:04
Speaker A
Alinhando-se com as causas certas no momento certo.
10:08
Speaker A
Isso exige timing, estratégia, paciência,
10:12
Speaker A
e capacidade de ler o campo, de entender o que está em jogo.
10:17
Speaker A
Quem são os jogadores?
10:20
Speaker A
Quais são as alianças?
10:22
Speaker A
Onde estão as oportunidades?
10:24
Speaker A
Isso não se aprende em curso.
10:27
Speaker A
Aprende-se vivendo dentro do campo.
10:31
Speaker A
Por anos.
10:32
Speaker A
Observando, errando, corrigindo,
10:35
Speaker A
lentamente construindo reputação de quem sabe jogar.
10:41
Speaker A
O professor Jiang observou que meritocracia é mito confortável.
10:47
Speaker A
Serve para justificar desigualdade estrutural.
10:50
Speaker A
Cheguei aqui porque sou melhor?
10:52
Speaker A
Não.
10:53
Speaker A
Chegou porque acumulou capital antes.
10:58
Speaker A
Ou herdou.
10:59
Speaker A
Ou ambos.
11:00
Speaker A
Mérito existe.
11:02
Speaker A
Mas só compete dentro da classe que já tem acesso.
11:07
Speaker A
Entre os pobres, o mais talentoso continua pobre.
11:12
Speaker A
Entre os ricos, o medíocre continua rico.
11:16
Speaker A
E na política, quem não tem os três capitais, não joga.
11:22
Speaker A
Simples.
11:23
Speaker A
Você pode ser brilhante, pode ter soluções perfeitas,
11:27
Speaker A
pode entender os problemas melhor que qualquer político atual.
11:33
Speaker A
Não importa.
11:35
Speaker A
Sem capital, você é invisível.
11:38
Speaker A
E invisibilidade é morte política.
11:42
Speaker A
Não há exceções.
11:43
Speaker A
Não há atalhos.
11:45
Speaker A
Não há meritocracia sem capital prévio.
11:49
Speaker A
Isso significa que o sistema é fechado?
11:53
Speaker A
Completamente?
11:54
Speaker A
Não.
11:56
Speaker A
Há mobilidade.
11:58
Speaker A
Mas é lenta, excepcional.
12:01
Speaker A
Estatisticamente irrelevante.
12:04
Speaker A
Para cada outsider que entra, mil ficam de fora.
12:09
Speaker A
E o outsider que entra raramente muda o jogo.
12:12
Speaker A
Porque para entrar, teve que se adaptar às regras, teve que acumular capital,
12:18
Speaker A
jogando o jogo como ele é, não como deveria ser.
12:23
Speaker A
Logo, quando entra, já está domesticado.
12:28
Speaker A
Já entende que sobrevivência dentro do jogo exige conformidade.
12:34
Speaker A
E conformidade mata revolução.
12:38
Speaker A
A massa tem função no jogo político, mas não é jogar.
12:43
Speaker A
É validar.
12:45
Speaker A
Democracia precisa de legitimidade.
12:48
Speaker A
Legitimidade vem de participação popular.
12:52
Speaker A
Logo, a massa precisa acreditar que participa.
12:57
Speaker A
Precisa sentir que importa.
13:00
Speaker A
Precisa votar, protestar, debater.
13:03
Speaker A
Mas precisa, acima de tudo, não entender que seu papel é decorativo.
13:08
Speaker A
Toda eleição é teatro.
13:11
Speaker A
Cenário montado, atores definidos.
13:15
Speaker A
Roteiro flexível, mas limitado.
13:20
Speaker A
Você, eleitor, é público.
13:24
Speaker A
Público não escreve a peça.
13:27
Speaker A
Público aplaude ou vaia.
13:30
Speaker A
E no final, sai do teatro e volta para casa.
13:34
Speaker A
Os atores ficam.
13:36
Speaker A
Os produtores ficam.
13:37
Speaker A
O teatro continua aberto.
13:40
Speaker A
Com ou sem você.
13:42
Speaker A
O professor Jiang explicou isso como participação gerenciada.
13:47
Speaker A
O sistema permite, até incentiva, certo nível de barulho popular.
13:53
Speaker A
Passeatas.
13:55
Speaker A
Debates acalorados.
13:58
Speaker A
Indignação nas redes.
14:00
Speaker A
Por quê?
14:02
Speaker A
Porque barulho controlado é seguro.
14:05
Speaker A
Canalizável.
14:06
Speaker A
Previsível.
14:08
Speaker A
O que o sistema teme não é massa barulhenta.
14:12
Speaker A
É massa organizada.
14:14
Speaker A
Massa que entende estrutura, massa que acumula capital.
14:19
Speaker A
Isso é raro.
14:20
Speaker A
Logo, tolerável.
14:22
Speaker A
Pense no que acontece depois de uma grande manifestação.
14:26
Speaker A
Milhões na rua.
14:28
Speaker A
Gritos, cartazes, indignação genuína.
14:33
Speaker A
E depois?
14:34
Speaker A
Nada muda estruturalmente.
14:37
Speaker A
Algumas cabeças rolam, alguns bodes expiatórios, algumas concessões simbólicas.
14:42
Speaker A
Mas a estrutura de poder permanece intacta.
14:47
Speaker A
As mesmas redes, as mesmas famílias.
14:51
Speaker A
Os mesmos mecanismos de acumulação de capital político.
14:56
Speaker A
Porque manifestação não é poder.
15:00
Speaker A
É pressão temporária.
15:02
Speaker A
Que se dissipa.
15:03
Speaker A
Massa não governa.
15:05
Speaker A
Massa pressiona.
15:07
Speaker A
E pressão só funciona se for constante, organizada e direcionada.
15:12
Speaker A
Mas organização constante exige recursos.
15:16
Speaker A
Tempo.
15:17
Speaker A
Dinheiro, coordenação, liderança.
15:20
Speaker A
E líderes reais com capital político real rapidamente percebem que jogar dentro do sistema
15:27
Speaker A
é mais lucrativo que jogar contra.
15:31
Speaker A
Logo, são cooptados.
15:33
Speaker A
Ou neutralizados.
15:35
Speaker A
Ou ambos.
15:36
Speaker A
E a massa volta para casa.
15:39
Speaker A
Cansada.
15:40
Speaker A
Satisfeita por ter feito algo.
15:44
Speaker A
Enquanto nada mudou.
15:46
Speaker A
Porque líderes são cooptados.
15:49
Speaker A
Porque o sistema oferece algo valioso.
15:52
Speaker A
Acesso.
15:54
Speaker A
Convite para a mesa de negociação.
15:57
Speaker A
Promessa de influência real, oportunidade de mudar por dentro.
16:01
Speaker A
E isso é tentador.
16:03
Speaker A
Porque líder genuíno quer resultado.
16:07
Speaker A
Quer mudança concreta.
16:09
Speaker A
E o sistema mostra o caminho.
16:12
Speaker A
Pare de gritar.
16:14
Speaker A
Sente-se.
16:15
Speaker A
Negocie.
16:16
Speaker A
Você terá voz aqui.
16:18
Speaker A
E o líder senta e descobre que ter voz não é ter poder.
16:24
Speaker A
Que negociação exige concessão.
16:28
Speaker A
Que concessão exige comprometimento.
16:32
Speaker A
E lentamente, líder vira parte do sistema.
16:35
Speaker A
Não porque vendeu a alma.
16:37
Speaker A
Porque jogou o jogo.
16:39
Speaker A
E jogo muda jogador.
16:41
Speaker A
Você valida o sistema ao participar dele nos termos que ele oferece.
16:45
Speaker A
Votar valida.
16:47
Speaker A
Protestar dentro das regras valida.
16:50
Speaker A
Reclamar nas redes valida.
16:52
Speaker A
Porque tudo isso mantém você ocupado.
16:56
Speaker A
Mantém você acreditando que faz diferença.
16:59
Speaker A
Enquanto os verdadeiros jogadores fazem o trabalho real.
17:04
Speaker A
Longe dos holofotes.
17:06
Speaker A
Longe da sua indignação.
17:09
Speaker A
Longe do teatro.
17:11
Speaker A
Onde acontece política real.
17:15
Speaker A
Em jantares privados, em ligações telefônicas não gravadas.
17:20
Speaker A
Em acordos verbais entre pessoas que confiam umas nas outras.
17:26
Speaker A
Em nome de ações técnicas que ninguém presta atenção.
17:30
Speaker A
Em detalhes de projetos de lei que ninguém lê.
17:34
Speaker A
Em regulamentações que passam despercebidas.
17:39
Speaker A
Isso é chato.
17:40
Speaker A
Complexo.
17:41
Speaker A
Técnico.
17:42
Speaker A
Logo, invisível para a massa.
17:46
Speaker A
Que prefere espetáculo.
17:49
Speaker A
Discursos inflamados.
17:52
Speaker A
Debates acalorados.
17:54
Speaker A
Escândalos expostos.
17:57
Speaker A
Enquanto o espetáculo acontece, o trabalho real segue.
18:03
Speaker A
Silencioso.
18:05
Speaker A
Eficiente.
18:07
Speaker A
Invisível.
18:08
Speaker A
O sistema é inteligente.
18:10
Speaker A
Oferece exatamente o que a massa quer.
18:14
Speaker A
Drama.
18:15
Speaker A
Emoção.
18:17
Speaker A
Identificação tribal.
18:20
Speaker A
Nós contra eles.
18:22
Speaker A
E massa consome.
18:24
Speaker A
Feliz.
18:25
Speaker A
Engajada.
18:27
Speaker A
Sentindo-se parte de algo maior.
18:32
Speaker A
Enquanto algo maior é apenas outro capítulo da mesma novela.
18:37
Speaker A
Que nunca termina.
18:39
Speaker A
Porque não foi feita para terminar.
18:43
Speaker A
Foi feita para entreter, para canalizar energia,
18:48
Speaker A
para dar sensação de participação sem risco de mudança real.
18:54
Speaker A
Isso não é novidade.
18:56
Speaker A
Não é teoria conspiratória.
18:58
Speaker A
Não é cinismo moderno.
19:00
Speaker A
É padrão histórico.
19:02
Speaker A
Roma antiga.
19:03
Speaker A
República de Veneza.
19:05
Speaker A
Inglaterra vitoriana.
19:07
Speaker A
Estados Unidos do século XX.
19:10
Speaker A
China contemporânea.
19:13
Speaker A
Sistemas completamente diferentes.
19:17
Speaker A
Mesma lógica estrutural.
19:19
Speaker A
Em Roma havia senadores.
19:21
Speaker A
Centenas deles, tecnicamente.
19:24
Speaker A
Mas poder real estava nas mãos de talvez 20 famílias patrícias,
19:30
Speaker A
que se casavam entre si, que acumulavam terras, escravos,
19:35
Speaker A
exércitos privados, que controlavam magistraturas,
19:40
Speaker A
que decidiam guerras, leis, impostos.
19:42
Speaker A
A plebe podia votar.
19:44
Speaker A
Nas assembleias.
19:46
Speaker A
Podia gritar, podia exigir pão e circo e recebia.
19:50
Speaker A
Pão e circo.
19:52
Speaker A
Não poder.
19:54
Speaker A
Porque o sistema funcionava?
19:57
Speaker A
Porque a plebe recebia o suficiente para não se revoltar.
20:01
Speaker A
Grãos subsidiados.
20:04
Speaker A
Jogos no Coliseu.
20:06
Speaker A
Aquedutos.
20:08
Speaker A
Banhos públicos.
20:09
Speaker A
Segurança relativa.
20:11
Speaker A
Tudo isso custava dinheiro.
20:14
Speaker A
Dinheiro vinha de conquistas.
20:16
Speaker A
Conquistas eram decididas por elite senatorial.
20:20
Speaker A
Que lucrava infinitamente mais que a plebe.
20:25
Speaker A
Mas plebe não via toda a conta.
20:28
Speaker A
Via apenas benefícios diretos.
20:30
Speaker A
E estava satisfeita.
20:33
Speaker A
Relativamente.
20:34
Speaker A
O sistema durou séculos até parar de conquistar.
20:39
Speaker A
Quando recursos acabaram, o colapso veio.
20:42
Speaker A
Mas a lógica permaneceu.
20:44
Speaker A
Elite controla.
20:46
Speaker A
Massa valida.
20:47
Speaker A
Distribuição controlada.
20:50
Speaker A
Mantém estabilidade.
20:52
Speaker A
Veneza foi ainda mais eficiente.
20:55
Speaker A
República por mil anos estável.
20:58
Speaker A
Rica.
20:59
Speaker A
Poderosa.
21:01
Speaker A
Governada por um doge eleito.
21:04
Speaker A
Democrático, certo?
21:06
Speaker A
Não.
21:07
Speaker A
Eleito por um conselho de 40 nobres, escolhidos por sorteio.
21:12
Speaker A
De um grupo de 200, escolhidos por outro conselho.
21:16
Speaker A
De 900.
21:18
Speaker A
Todos nobres.
21:19
Speaker A
Todas as famílias catalogadas.
21:22
Speaker A
Se seu sobrenome não estava no livro dourado, você não existia politicamente.
21:27
Speaker A
Podia ser o mais rico comerciante de Veneza.
21:32
Speaker A
Não importava.
21:33
Speaker A
Sem sobrenome certo.
21:35
Speaker A
Sem poder.
21:37
Speaker A
Ponto final.
21:38
Speaker A
Porque Veneza durou tanto?
21:41
Speaker A
Porque a elite veneziana era coesa.
21:44
Speaker A
Não brigava publicamente.
21:47
Speaker A
Resolvia disputas internamente.
21:50
Speaker A
Apresentava frente unida para o resto da sociedade.
21:54
Speaker A
E, crucialmente, era competente.
21:58
Speaker A
Geriu o império comercial complexo.
22:01
Speaker A
Manteve estabilidade interna.
22:04
Speaker A
Garantiu prosperidade suficiente para a massa não se revoltar.
22:08
Speaker A
Elite incompetente gera revolta.
22:10
Speaker A
Elite competente gera estabilidade.
22:13
Speaker A
Veneza teve elite competente.
22:16
Speaker A
Logo, durou.
22:17
Speaker A
Inglaterra do século XIX.
22:20
Speaker A
Parlamento.
22:22
Speaker A
Democracia liberal nascente.
22:24
Speaker A
Mas quem votava?
22:26
Speaker A
Proprietários de terra.
22:28
Speaker A
Homens.
22:30
Speaker A
Ricos.
22:31
Speaker A
Talvez 5% da população.
22:35
Speaker A
E quem podia ser eleito?
22:37
Speaker A
Os mesmos.
22:38
Speaker A
Eton, Oxford, Cambridge.
22:41
Speaker A
Mesmas escolas.
22:43
Speaker A
Mesmos clubes.
22:44
Speaker A
Mesmas famílias.
22:46
Speaker A
Por gerações.
22:48
Speaker A
Reformas vieram.
22:49
Speaker A
Lentamente.
22:51
Speaker A
Ampliar o voto.
22:52
Speaker A
Mas ampliar o voto não é distribuir poder.
22:56
Speaker A
É distribuir ilusão de poder.
23:00
Speaker A
Parlamento continuou controlado por elites.
23:03
Speaker A
Apenas com plateia maior.
23:06
Speaker A
Inglaterra expandiu o voto porque a pressão social aumentou.
23:10
Speaker A
Industrialização criou classe trabalhadora urbana, concentrada,
23:15
Speaker A
potencialmente perigosa.
23:18
Speaker A
Elite percebeu.
23:20
Speaker A
Melhor incluir simbolicamente que arriscar revolução.
23:24
Speaker A
Logo, reformas.
23:26
Speaker A
Gradualmente.
23:28
Speaker A
Controladamente.
23:30
Speaker A
Sempre mantendo a elite no controle real.
23:32
Speaker A
Funcionou.
23:34
Speaker A
Inglaterra não teve revolução como a França.
23:37
Speaker A
Teve evolução gerenciada.
23:40
Speaker A
Elite inteligente cede simbolicamente para manter controle estrutural.
23:45
Speaker A
Elite burra resiste até colapso violento.
23:48
Speaker A
Inglaterra teve elite inteligente.
23:51
Speaker A
Estados Unidos.
23:52
Speaker A
Founding Fathers.
23:54
Speaker A
Todos acreditavam em democracia?
23:56
Speaker A
Não.
23:57
Speaker A
Muitos tinham medo de democracia.
24:00
Speaker A
Medo de massa.
24:02
Speaker A
Logo, criaram república.
24:04
Speaker A
Com filtros.
24:06
Speaker A
Colégio eleitoral.
24:08
Speaker A
Senado não eleito diretamente inicialmente.
24:12
Speaker A
Suprema Corte vitalícia.
24:15
Speaker A
Porque confiavam em elites educadas.
24:18
Speaker A
Não em massa emocional.
24:20
Speaker A
E funcionou.
24:22
Speaker A
Para as elites.
24:24
Speaker A
Que continuam dominando, diferentes rostos.
24:28
Speaker A
Mesmas universidades.
24:30
Speaker A
Mesmas firmas de advocacia.
24:32
Speaker A
Mesmos think tanks.
24:34
Speaker A
Mesma lógica.
24:36
Speaker A
Análise de qualquer elite política americana hoje mostra padrão.
24:41
Speaker A
Harvard.
24:43
Speaker A
Yale.
24:44
Speaker A
Princeton.
24:46
Speaker A
McKinsey.
24:48
Speaker A
Goldman Sachs.
24:50
Speaker A
Passagem por governo.
24:52
Speaker A
Volta para setor privado.
24:54
Speaker A
Volta para governo.
24:56
Speaker A
Porta giratória.
24:58
Speaker A
Entre elite política, elite econômica, elite intelectual.
25:03
Speaker A
Todas conectadas.
25:05
Speaker A
Todas se reforçando mutuamente.
25:07
Speaker A
E todas compartilhando interesse básico.
25:12
Speaker A
Manter o sistema que as beneficia.
25:16
Speaker A
O professor Jiang estudou a China, partido único, autoritário.
25:20
Speaker A
Mas dentro do partido há jogo político brutal, facções,
25:25
Speaker A
alianças.
25:27
Speaker A
Traições.
25:28
Speaker A
Acumulação de capital político através de redes.
25:34
Speaker A
Resultados econômicos.
25:36
Speaker A
Aprovação de superiores.
25:39
Speaker A
Quem sobe?
25:40
Speaker A
Quem entende o jogo.
25:43
Speaker A
Quem acumula capital dentro das regras do partido.
25:47
Speaker A
Massa chinesa não participa desse jogo.
25:50
Speaker A
Não é convidada.
25:52
Speaker A
Mas o sistema funciona.
25:54
Speaker A
Cresce.
25:55
Speaker A
Prospera.
25:57
Speaker A
Sem democracia formal.
25:59
Speaker A
O que é requisito?
26:01
Speaker A
Elite competente.
26:03
Speaker A
Que entrega resultados.
26:05
Speaker A
Que mantém ordem.
26:07
Speaker A
Que gerencia expectativas.
26:09
Speaker A
China fez isso.
26:10
Speaker A
Tirou centenas de milhões da pobreza.
26:14
Speaker A
Construiu infraestrutura massiva.
26:17
Speaker A
Tornou-se potência global.
26:19
Speaker A
Massa chinesa não vota.
26:22
Speaker A
Mas vive melhor que antes.
26:24
Speaker A
Logo, tolera o sistema.
26:26
Speaker A
Isso vai durar para sempre?
26:28
Speaker A
Não sei.
26:29
Speaker A
Mas durou décadas.
26:32
Speaker A
E continua durando.
26:34
Speaker A
Provando que legitimidade não vem apenas de eleições.
26:38
Speaker A
Vem de resultados.
26:40
Speaker A
História repete estrutura.
26:42
Speaker A
Não eventos.
26:43
Speaker A
Estrutura.
26:45
Speaker A
Elites controlam.
26:47
Speaker A
Massas validam.
26:49
Speaker A
Isso não muda.
26:50
Speaker A
Muda apenas a narrativa que justifica.
26:52
Speaker A
Antigamente era sangue nobre.
26:55
Speaker A
Divino direito dos reis.
26:57
Speaker A
Depois, propriedade.
26:59
Speaker A
Quem tem terra tem voz.
27:01
Speaker A
Depois, educação.
27:03
Speaker A
Quem é educado governa.
27:05
Speaker A
Agora, meritocracia.
27:08
Speaker A
Quem é competente sobe.
27:10
Speaker A
Sempre a mesma estrutura.
27:13
Speaker A
Sempre com nova roupa.
27:15
Speaker A
E sempre funcionando.
27:17
Speaker A
Porque a narrativa convence a massa.
27:20
Speaker A
De que o sistema é justo.
27:23
Speaker A
E massa convencida não se revolta.
27:26
Speaker A
Você acredita que conscientização muda estruturas.
27:30
Speaker A
Acredita que se as pessoas acordarem, tudo muda.
27:33
Speaker A
Não muda.
27:34
Speaker A
Consciência sem capital é barulho.
27:37
Speaker A
Barulho se dissipa.
27:39
Speaker A
Estrutura permanece.
27:41
Speaker A
Quantas vezes você já viu isso?
27:44
Speaker A
Escândalo revelado.
27:46
Speaker A
Corrupção exposta.
27:48
Speaker A
Jornalismo investigativo impecável.
27:51
Speaker A
Documentos vazados.
27:53
Speaker A
Provas irrefutáveis.
27:55
Speaker A
Indignação coletiva.
27:57
Speaker A
Trending topics.
27:59
Speaker A
Passeatas.
28:01
Speaker A
Gritos por justiça.
28:02
Speaker A
E então?
28:04
Speaker A
Alguns meses depois, mesmas estruturas operando.
28:08
Speaker A
Talvez com rostos diferentes.
28:11
Speaker A
Talvez com discurso ajustado.
28:14
Speaker A
Mas estruturalmente, nada mudou.
28:17
Speaker A
Por quê?
28:19
Speaker A
Porque consciência não é poder.
28:21
Speaker A
Consciência é informação.
28:24
Speaker A
Informação sem capacidade de ação é entretenimento.
28:29
Speaker A
Você consome o escândalo.
28:31
Speaker A
Fica indignado.
28:32
Speaker A
Compartilha.
28:33
Speaker A
Debate.
28:35
Speaker A
Sente que está fazendo algo.
28:38
Speaker A
Mas não está acumulando capital, não está construindo rede real.
28:42
Speaker A
Não está entrando no jogo.
28:45
Speaker A
Isso já vale.
28:47
Speaker A
Talvez você use essa clareza para acumular capital lentamente.
28:53
Speaker A
Estrategicamente.
28:54
Speaker A
E entrar no jogo daqui 20 anos.
28:58
Speaker A
Talvez use para se proteger.
29:01
Speaker A
Construir vida fora do alcance fácil de decisões políticas ruins.
29:06
Speaker A
Talvez use apenas para viver em paz.
29:09
Speaker A
Sem ilusão.
29:11
Speaker A
Sem frustração de esperar.
29:13
Speaker A
Que o sistema te salve.
29:15
Speaker A
Porque o sistema não salva ninguém.
29:17
Speaker A
Sistema serve quem o controla.
29:20
Speaker A
E quem o controla não é você.
29:23
Speaker A
Não é sua classe.
29:24
Speaker A
Não é seu grupo identitário.
29:26
Speaker A
É elite.
29:28
Speaker A
Pequena, coesa, organizada.
29:31
Speaker A
Que entende que poder é jogo de longo prazo.
29:35
Speaker A
Quem não entende o mundo é usado por ele.
29:38
Speaker A
Você agora entende.
29:41
Speaker A
Um pouco mais.
29:42
Speaker A
Ainda será usado.
29:44
Speaker A
Todos somos, nascemos em estruturas que nos precedem.
29:48
Speaker A
Morreremos em estruturas que nos sucedem.
29:51
Speaker A
Não controlamos isso.
29:52
Speaker A
Mas talvez com clareza suficiente.
29:56
Speaker A
Com estratégia suficiente.
29:58
Speaker A
Com paciência suficiente.
30:01
Speaker A
Possamos navegar melhor.
30:04
Speaker A
Sofrer menos.
30:06
Speaker A
Proteger os nossos.
30:08
Speaker A
Deixar base melhor para a próxima geração.
30:10
Speaker A
Isso não é heroísmo.
30:13
Speaker A
Não é revolução.
30:15
Speaker A
Não é mudança do mundo.
30:17
Speaker A
É sobrevivência consciente.
30:20
Speaker A
É adulto lidando com o mundo adulto.
30:23
Speaker A
Sem fantasia.
30:25
Speaker A
Sem salvadores.
30:26
Speaker A
Sem exceções históricas.
30:28
Speaker A
Apenas estrutura.
30:31
Speaker A
E estratégia.
30:32
Speaker A
E tempo.
30:33
Speaker A
Muito tempo.
30:35
Speaker A
O jogo não precisa da sua aprovação para continuar.
30:38
Speaker A
Não precisa da sua participação consciente.
30:41
Speaker A
Precisa apenas da sua validação.
30:44
Speaker A
Que você dá ao votar.
30:46
Speaker A
Ao obedecer.
30:48
Speaker A
Ao acreditar que o sistema, no fundo, é justo.
30:51
Speaker A
Não é.
30:52
Speaker A
Nunca foi.
30:54
Speaker A
E enquanto você acreditar que é, continua funcionando perfeitamente.
30:58
Speaker A
Para quem o controla.
31:00
Speaker A
Não para você.
31:02
Speaker A
Sistema é eficiente.
31:04
Speaker A
Sobreviveu milhares de anos.
31:06
Speaker A
Resistiu a revoltas.
31:09
Speaker A
Revoluções.
31:10
Speaker A
Reformas.
31:11
Speaker A
Guerras.
31:12
Speaker A
Colapsos.
31:14
Speaker A
E sempre ressurgiu.
31:16
Speaker A
Porque não é frágil.
31:19
Speaker A
É antifrágil.
31:21
Speaker A
Aprende com cada tentativa de destruí-lo.
31:26
Speaker A
Fica mais forte.
31:28
Speaker A
Mais sofisticado.
31:30
Speaker A
Mais difícil de derrubar.
31:33
Speaker A
Elite atual é mais competente que elite de 100 anos atrás.
31:37
Speaker A
Porque aprendeu com erros de predecessores.
31:41
Speaker A
Próxima elite será ainda mais competente.
31:44
Speaker A
Porque está aprendendo agora.
31:46
Speaker A
Você não vai vencer esse jogo, não nas regras atuais.
31:50
Speaker A
Mas pode parar de perder ingenuamente.
31:54
Speaker A
Pode parar de gastar energia em teatro.
31:57
Speaker A
Pode parar de acreditar em salvadores.
32:00
Speaker A
Pode começar a acumular.
32:03
Speaker A
Lentamente.
32:04
Speaker A
Silenciosamente.
32:06
Speaker A
Para você.
32:07
Speaker A
Para os seus.
32:09
Speaker A
Sem alarde, sem revolução.
32:11
Speaker A
Sem promessa de mudar o mundo.
32:14
Speaker A
Apenas construindo margem de manobra.
32:19
Speaker A
Em mundo que não controla.
32:22
Speaker A
Sem aplausos.
32:24
Speaker A
Sem catarse.
32:25
Speaker A
Sem conforto.
32:27
Speaker A
Apenas estrutura.
32:29
Speaker A
Fria.
32:30
Speaker A
Inévitável.
32:32
Speaker A
Matemática.
32:34
Speaker A
E você agora, um pouco menos iludido sobre seu lugar nela.
32:39
Speaker A
Um pouco mais preparado para jogar o único jogo que você realmente pode jogar.
32:45
Speaker A
O de sobreviver consciente.
32:47
Speaker A
Proteger os seus.
32:49
Speaker A
Construir base.
32:50
Speaker A
E aceitar em paz que o grande jogo continuará.
32:54
Speaker A
Com ou sem você.
32:56
Speaker A
Como sempre continuou.

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