Eu sou muito aberto, se alguém provar que eu tô errado, eu renuncio a crença em Deus facilmente se alguém demonstrar que o que eu acabei de falar tá errado.
No vídeo de hoje, vou explicar por completo, sem deixar de lado os contra-argumentos, o primeiro e mais famoso argumento de Tomás de Aquino para provar a existência de Deus.
Esse vídeo vai ser o primeiro de uma sequência que farei analisando as famosas cinco vias, que tem como objetivo mostrar que é possível crer em Deus sem fé.
A primeira via de Tomás de Aquino se chama Via do Movimento, ela é um argumento inspirado no primeiro argumento racional para a existência de Deus, o conhecido Primeiro Motor Imóvel de Aristóteles.
Essa via pode ser considerada simples quando olhamos para sua ideia central, mas ela se torna complexa quando entramos nos conceitos filosóficos que formam sua base.
E é por isso que antes de partirmos para a análise do argumento, você precisa conhecer os três conceitos fundamentais que Tomás pegou de Aristóteles: Ato, Potência e Movimento.
Um bloco de mármore tem a potência de se tornar uma estátua, ele tem dentro de si a possibilidade de se tornar escultura, mas ainda não se transformou.
Mas é importante deixar claro que aqui movimento não significa apenas algo andando ou se deslocando, movimento aqui é qualquer atualização de uma possibilidade em realidade.
Um carro andando é movimento físico, mas o crescimento de uma criança, nessa filosofia, também é movimento, assim como uma madeira que queima e se transforma em cinzas.
Em resumo, potência é a capacidade que algo tem de mudar, mas que ainda não se realizou, ato é o que podia ter se realizado e já se realizou, e movimento é o processo onde a potência se transforma em ato.
Pensa, se a madeira fosse capaz de se aquecer sozinha, ela teria que ser ao mesmo tempo fria para estar em potência pro calor e quente para poder atualizar essa potência.
Se tudo que se move é movido por outro, e esse outro, por sua vez, também foi movido, temos então uma cadeia de motores, uma coisa que move outra, outra que move essa outra e assim por diante.
Resumindo a argumentação, a primeira via mostra que toda mudança exige um atualizador, mostra que não se pode ter uma cadeia infinita de atualizações sem fundamento e que, necessariamente, deve existir um primeiro motor imóvel, um ser em ato puro que, por Tomás, foi identificado como Deus.
Eu chamo de contraproposta, pois quando se discute a existência de Deus a partir da origem da realidade, é difícil achar argumento, entre os que são levados a sério, onde é possível achar muitas falhas lógicas.
Tanto no lado ateísta quanto no lado teísta, porque imagina que eu digo que o motor imóvel é um cachorro onipotente que estruturou toda a realidade e a lógica.
Mas dizer que essa ideia do cachorro não pode ser refutada, nesse caso, não seria dizer que ela é a melhor proposta para o fundamento último da realidade?
E apresentar outras propostas para a origem do universo que podem ser consideradas, por alguns, como respostas mais prováveis diante da proposta de Tomás.
Uma panela não ferve porque sua potência de ferver é atualizada, mas porque as moléculas de água recebem energia do fogo e atingem o ponto de ebulição.
Ou seja, aquilo que Tomás interpreta como ato atualizando potência pode ser completamente entendido com leis físicas, forças e interações de partículas.
Que é quando alguém afirma algo como premissa sem fornecer justificativa e assume que a conclusão é verdadeira porque a própria premissa já supõe a conclusão.
Ainda que houvesse uma causa primeira, não há motivo lógico para concluir que ela se pareça com o Deus do cristianismo, dotado de bondade, inteligência e vontade.
A primeira objeção que aparece contra a primeira via de Tomás de Aquino vem da física moderna, especialmente da lei da inércia, que diz que um objeto em repouso continua em repouso e um objeto em movimento segue em movimento, a menos que uma força externa atue sobre ele.
Mas a primeira via nos lembra, ainda assim, que isso não substitui a necessidade de um fundamento último que torne possível a passagem de potência a ato.
A segunda objeção que costuma surgir é de que a primeira via seria desnecessária, porque, segundo a ciência moderna, todos os movimentos e mudanças podem ser explicados por causas físicas.
No entanto, como vimos anteriormente, o argumento de Tomás não precisa de uma explicação específica de como ocorre cada movimento, pois seu argumento é metafísico.
E como ele expõe na Suma Contra os Gentios, afirmar que todo movimento requer um agente que atualiza a potência não é negar que as forças naturais existem.
Portanto, a crítica de que não precisamos de um motor metafísico para explicar movimentos físicos falha em compreender a profundidade da metafísica tomista.
E uma vez que o motor imóvel é identificado como ato puro, disso já se segue sua simplicidade absoluta, imaterialidade, unicidade, eternidade e necessidade.
Desta forma, para Tomás, o motor imóvel não seria apenas um ponto de partida abstrato, mas que, por uma análise filosófica, é possível o identificar como o próprio Deus do teísmo clássico.