“THE BOYS” CHINÊS QUE DESAFIOU OS COMUNISTAS!!! A polêm… — Transcript

Análise crítica do donghua chinês To Be Hero X, que mistura anime e temas políticos sobre confiança, poder e expectativas sociais.

Key Takeaways

  • Superpoderes em To Be Hero X são diretamente ligados à confiança social e expectativas públicas.
  • A pressão para corresponder às expectativas pode ser uma forma de prisão, como exemplificado pelo personagem Enrist.
  • A Associação de Heróis atua como um órgão regulador para evitar o abuso de poder e manter o equilíbrio social.
  • A série utiliza técnicas de animação inovadoras que dialogam com a narrativa e o conceito de superpoderes.
  • To Be Hero X oferece uma crítica social e política relevante sobre a cultura da internet, democracia e capitalismo.

Summary

  • O vídeo apresenta o universo de To Be Hero X, um donghua chinês que discute super-heróis e a sociedade baseada em valores de confiança.
  • No mundo da série, superpoderes dependem da quantidade de confiança que as pessoas depositam em alguém, refletindo uma democracia baseada em likes.
  • A construção do mundo (world building) é sofisticada, com uma medição de confiança que afeta humanos, animais e objetos.
  • O personagem Enrist exemplifica as consequências de viver sob expectativas sociais extremas, perdendo a capacidade de agir naturalmente.
  • A Associação de Heróis regula o uso dos poderes e a confiança acumulada para evitar abusos, criada após a queda do herói Zero, que se tornou um Deus e causou uma guerra.
  • To Be Hero X mistura técnicas de animação 2D, 3D e híbridas, que são metalinguísticas e fazem sentido dentro da narrativa.
  • A série é uma coprodução China-Japão, combinando tradições do anime japonês com avanços técnicos do donghua chinês.
  • A narrativa traz uma crítica à crise da democracia, à cultura do capitalismo e à pressão social pela manutenção da imagem pública.
  • O torneio de heróis é um mecanismo para manter o equilíbrio de poder e evitar que um único herói acumule confiança excessiva.
  • A obra é destacada como uma das mais interessantes e visualmente bonitas dos últimos tempos, com uma abordagem única e profunda.

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00:00
Speaker A
O mundo é governado pelos super-heróis. Eles são carismáticos, são populares.
00:10
Speaker A
E o mais importante aqui, qualquer um pode ser um super-herói. Basta com que você consiga acumular valores de confiança.
00:20
Speaker A
Basicamente, um critério quantitativo que explicita quantas pessoas confiam em você. E quanto mais alto esse número, ou seja, quanto mais pessoas confiam em alguém, mais este alguém consegue ter superpoderes.
00:32
Speaker A
Ou seja, nós estamos falando de um regime dos super-heróis, onde impera a mais absoluta democracia. Hoje a gente só tá falando de uma sociedade pautada por likes que tem uma vida infernal, onde todo mundo tem que ser aquilo que os outros esperam que seja.
00:41
Speaker A
Só essa questão aqui já é intrigante, mas acreditem, estamos apenas no começo, porque o que eu estou prestes a falar aqui para vocês é uma das obras que mais chamou a minha atenção nos últimos tempos.
00:52
Speaker A
E eu estou falando de um Donghua, um anime chinês, e que de um jeito muito particular.
00:58
Speaker A
Consegue fazer um dos diagnósticos mais críticos do mundo da internet, da crise da democracia.
01:08
Speaker A
Do fato de que o capitalismo sempre vence, fede demais e fede de menos.
01:17
Speaker A
Quando todo mundo tem que crer uns nos outros, e acreditem, se a coisa que está parecendo uma mistura de The Boys com o Boku no Hero.
01:28
Speaker A
Eu garanto para vocês que é bem, bem diferente, além de ser lindo.
01:34
Speaker A
Para um cascalho.
01:37
Speaker A
Caso você seja um completo ignorante, eu estou falando de To Be Hero X.
01:43
Speaker A
Criado por Li Haoling, To Be Hero já é uma franquia. A primeira série de 2016.
01:53
Speaker A
A continuação, chamada To Be Hero Heroine, é de 2018.
02:00
Speaker A
E agora temos em 2025, To Be Hero X.
02:06
Speaker A
E são arcos fechados, você não tem que assistir as séries anteriores.
02:10
Speaker A
Eu mesmo não assisti.
02:11
Speaker A
Mas eu fui no papinho de você, pessoas canalhas que ficam me sugerindo coisas.
02:19
Speaker A
E que me estressam porque sugerem sempre obras muito complicadas.
02:25
Speaker A
E que só serve para me foder.
02:28
Speaker A
Enfim, To Be Hero X é uma coprodução China-Japão.
02:32
Speaker A
E que concilia toda uma tradição do anime japonês, alinhada a todo o avanço técnico e temático do Donghua chinês.
02:44
Speaker A
Inclusive, falar anime japonês, Donghua chinês, eu estou sendo redundante.
02:48
Speaker A
É tipo falar Gibi brasileiro, se bem que tem gente que fala Gibi americano.
02:53
Speaker A
Tem gente que fala Gibi japonês, ah.
02:55
Speaker A
Uma coisa que chama muito a atenção em To Be Hero X, antes mesmo da gente falar aqui do enredo e de todas as questões políticas e filosóficas que ele traz.
03:05
Speaker A
Há de salientar a questão da técnica.
03:07
Speaker A
A gente tem aqui diferentes estilos de animação, 3D, 2D, e entre o 3D e o 2D, também diferentes estilos, alguns híbridos.
03:16
Speaker A
E todos são muito bonitos e fazem sentido com a história, mais do que isso, é metalinguístico.
03:23
Speaker A
Porque transitar entre o 3D e o 2D também é uma espécie de superpoder, certo?
03:30
Speaker A
Calma que isso ainda vai fazer mais sentido.
03:33
Speaker A
Mas para isso a gente precisa entender melhor a World Building.
03:37
Speaker A
Eu odeio esses estrangeirismos.
03:38
Speaker A
Mas o fato é que a World Building da série, a construção do seu mundo ficcional.
03:45
Speaker A
É realmente algo extremamente sofisticado.
03:48
Speaker A
Vamos explicar melhor como é que funciona esse universo.
03:50
Speaker A
Em torno de uns 50 anos atrás, foi descoberto os valores de confiança.
03:58
Speaker A
Uma medição que surge no pulso de todas as pessoas.
04:05
Speaker A
E que não se aplica só a pessoas, animais, seres vivos como um todo.
04:12
Speaker A
Podem estar sujeitos a mudanças.
04:16
Speaker A
Se as pessoas, do nada, passam a confiar cada vez mais nessas pessoas.
04:22
Speaker A
Bichos ou coisas.
04:23
Speaker A
Agora, obviamente, isso funciona principalmente entre humanos.
04:26
Speaker A
E uma coisa que faz com que esses valores de confiança aumentem ou diminuam.
04:34
Speaker A
É a sua reputação pública.
04:36
Speaker A
Se mais pessoas confiam em você, mais os seus poderes vão se inflar, certo?
04:41
Speaker A
Só que se surge um escândalo, você pode simplesmente deixar de ser digno dessa mesma confiança.
04:48
Speaker A
E os seus poderes vão para o ralo.
04:50
Speaker A
Só que isso pode ser ainda mais cruel.
04:54
Speaker A
Porque esses valores de confiança estão ligados à noção de expectativa.
05:01
Speaker A
Então, por exemplo, existe um personagem na história chamado Enrist.
05:09
Speaker A
Sim, os nomes são maravilhosos.
05:10
Speaker A
Ele era um bombeiro, salvou uma menininha no meio de um desastre.
05:18
Speaker A
Isso o tornou extremamente famoso na mídia.
05:23
Speaker A
Ele foi em programas, deu entrevistas, virou o famoso bombeiro herói.
05:30
Speaker A
E com isso, mais pessoas passaram a confiar nele, ver nele uma figura positiva.
05:37
Speaker A
Alguém que conseguiu salvar uma menina porque ficou de pé, ficou em Enrist.
05:45
Speaker A
Diante de um desabamento e aquilo poupou a vida de uma garotinha.
05:48
Speaker A
Com o tempo, então, Enrist foi ficando cada vez mais forte.
05:53
Speaker A
Esperavam que ele fosse forte.
05:54
Speaker A
Então ele é forte.
05:55
Speaker A
Só que tem um detalhe adicional, como ele ficou marcado justamente por ser alguém que não se ajoelha, que não fraqueja, que permanece de pé sempre e diante de qualquer situação.
06:06
Speaker A
Ele perdeu a habilidade de sentar, de se deitar.
06:12
Speaker A
Ele não consegue sequer debruçar.
06:14
Speaker A
Ele precisa dormir em pé.
06:16
Speaker A
Ele precisa cagar de um jeito que não faz muito sentido.
06:20
Speaker A
Vocês estão entendendo como funcionam as regras estranhas desse mundo?
06:24
Speaker A
Você é aquilo que a expectativa dos outros espera de você.
06:30
Speaker A
Daí que depois, Enrist vai se tornar um ícone da Associação dos Heróis.
06:37
Speaker A
Uma espécie de organização governamental, mas com muitos tentáculos da iniciativa privada.
06:45
Speaker A
Vão até fazer uma estátua do Enrist na frente da sede.
06:50
Speaker A
Porém, um dia, surge uma vilã, a Loba.
06:55
Speaker A
Que coloca Enrist numa situação constrangedora, ele precisa conter a sua própria estátua.
07:03
Speaker A
Que é derrubada pela vilã, a fim de salvar todas as outras pessoas.
07:10
Speaker A
Só que tem um detalhe, esta vilã, a Loba, é aquela mesma menina que o bombeiro Enrist salvou anos atrás.
07:18
Speaker A
E ela fez isso porque quando ela era criança, depois de ter sido salva, ela quis presentear o bombeiro, dando a ele um cachecol, e ele não conseguiu se abaixar para receber o presente.
07:28
Speaker A
Ela olhou nos seus olhos e viu o sofrimento de um herói que não escolheu ser um herói.
07:35
Speaker A
A ideia então de atacar a estátua e de forçar o herói a segurar a sua própria imagem, é quase que uma cena síntese de tudo que To Be Hero X vai trazer para nós.
07:45
Speaker A
O mundo onde todo mundo tem que suportar o fardo de ser o que os outros esperam que você seja.
07:53
Speaker A
E que, em certo ponto, perder a confiança, ser um Zé Ninguém.
08:00
Speaker A
Talvez seja uma liberdade.
08:01
Speaker A
Mas já que eu falei aqui da Associação de Heróis.
08:04
Speaker A
Vamos explicar isso um pouco melhor.
08:06
Speaker A
No passado, depois de ter surgido os valores de confiança, muitos heróis começaram a aparecer.
08:15
Speaker A
Pessoas comuns que demonstravam poderes.
08:20
Speaker A
Que era justamente aquilo que outras pessoas comuns esperavam.
08:23
Speaker A
Entre esses heróis, um se destacou.
08:26
Speaker A
Ele se chamava Zero.
08:27
Speaker A
E ele foi acumulando tantos valores de confiança, mas tantos.
08:33
Speaker A
Que se tornou um Deus.
08:34
Speaker A
Isso faz parte aqui da gramática deste mundo.
08:37
Speaker A
Quando você acumula valores de confiança demais, você não é mais tão somente um super-herói.
08:44
Speaker A
É algo mais.
08:45
Speaker A
Zero, então, passou a ter tanto poder, mas tanto poder, que também começou a despertar o medo.
08:53
Speaker A
Um outro valor que não era tão claro para aquela sociedade.
08:57
Speaker A
A gota d'água foi quando Zero, por arrogância, acabou matando um herói, todos os outros heróis, então, se uniram para conter Zero.
09:07
Speaker A
Foi uma guerra extremamente violenta e brutal, matando pessoas em todo o mundo.
09:12
Speaker A
A queda de Zero é chamado de a queda da Aurora.
09:14
Speaker A
E o fato disso ter acontecido, forçou um órgão de regulamentação.
09:20
Speaker A
Surge a Associação de Heróis.
09:22
Speaker A
Uma agência que parece estar acima de todas as outras agências, é o grande poder moderador.
09:30
Speaker A
Existe legislativo, existe executivo, existe judiciário.
09:36
Speaker A
E acima disso, existe o poder heróico.
09:39
Speaker A
A derrota de Zero e o surgimento da Associação se torna algo tão significativo nesse mundo.
09:46
Speaker A
Que os anos passam a ser contados a partir de agora.
09:50
Speaker A
Existe antes da Associação e depois da Associação.
09:52
Speaker A
Mas o que de fato essa Associação faz?
09:54
Speaker A
Primeiro, ela está lá para conter valores de confiança em excesso.
09:59
Speaker A
A ideia é criar uma certa rotatividade entre os super-heróis mais populares.
10:04
Speaker A
Para isso é criado, então, um torneio de heróis que acontece a partir do ano dois da Associação.
10:12
Speaker A
Esse evento acontece de dois em dois anos, e por mais que, eventualmente, tenham pessoas que consigam ser bicampeões ou tricampeões.
10:20
Speaker A
Existe todo um incentivo para que você consiga criar um certo equilíbrio.
10:25
Speaker A
É tipo o Campeonato de Futebol.
10:26
Speaker A
E assim como no futebol tem os clubes, no mundo de To Be Hero X, nós temos as agências particulares.
10:35
Speaker A
Empresas que vivem de agenciar super-heróis, elas respondem à Associação.
10:42
Speaker A
Mas são empresas com seus interesses privados.
10:44
Speaker A
Só que não se enganem, essa mistura de público e privado que traz concentração de poder.
10:52
Speaker A
E controle sobre quem é e quem não é popular, é um prato cheio para um regime profundamente corrupto.
10:58
Speaker A
Além disso, essa mesma Associação está intrigada sobre outro valor.
11:04
Speaker A
No caso, o valor do medo.
11:06
Speaker A
Do quanto que, diferentemente da confiança, o medo é tão mais prático.
11:13
Speaker A
Se conquistar a confiança demanda uma certa atração, você tem que ser convincente aos outros.
11:22
Speaker A
Bem, amedrontar os outros é bem mais fácil.
11:24
Speaker A
Então você percebe que algo terrível está se formando.
11:28
Speaker A
Essa lógica de crença que tornou a confiança uma mercadoria, está dando origem a uma outra mercadoria.
11:37
Speaker A
No caso, o medo, que pode ser ainda mais cruel.
11:40
Speaker A
E os heróis?
11:41
Speaker A
Eles não são bonzinhos.
11:42
Speaker A
Então.
11:43
Speaker A
Aqui a coisa complica.
11:44
Speaker A
Lembra que eu falei para vocês, todos eles são um tanto vítimas das expectativas alheias.
11:49
Speaker A
Pensemos no caso do herói Lâmina Fantasma.
11:53
Speaker A
Ele era um homem, talvez neurodivergente, que escrevia umas coisas meio sem noção na internet.
12:02
Speaker A
Mas aos poucos foi ficando popular, o pessoal começou a fazer fanfic de que ele era um assassino.
12:08
Speaker A
Quem sabe, uma figura sombria.
12:10
Speaker A
E ele passou a ter essas habilidades.
12:14
Speaker A
Só que também esperavam dele que ele fosse um cara sisudo, calado.
12:20
Speaker A
E aí ele não conseguia mais ter relação com a família.
12:25
Speaker A
Ele foi até desaprendendo a falar.
12:27
Speaker A
Tem também o caso do herói Sorriso, que era conhecido por justamente ter um sorriso bonito, confiante.
12:33
Speaker A
Isso fez com que aos poucos ele fosse perdendo a habilidade de deixar de sorrir, como todo mundo esperava que ele fosse sempre essa figura positiva.
12:42
Speaker A
Ele não tinha mais espaço na sua vida para poder fechar o seu rosto.
12:47
Speaker A
Para poder ter uma expressão que não fosse sempre aquela sorridente.
12:50
Speaker A
Ele até consegue parar de sorrir.
12:52
Speaker A
Mas aí ele vai perdendo poderes.
12:54
Speaker A
E tem o caso do super-herói Nice.
12:56
Speaker A
Ele quando criança era fã do herói Sorriso, e como todo mundo naquela sociedade, ele buscou se tornar popular.
13:03
Speaker A
Tanto ele quanto o seu amigo, numa relação aqui que eu achei uma maneira da série falar de questões LGBT sem falar, enfim, ele e esse seu amigo, quem sabe.
13:14
Speaker A
Acabaram se tornando, inclusive, herói e vilão, dentro desse espetáculo que é o mundo dos super-heróis.
13:20
Speaker A
Só que essa condição de vilão do amigo, até que ponto também foi escolha dele?
13:27
Speaker A
Afinal, o público esperava de Nice um outro tipo de relação, viam nele como uma figura de luz.
13:35
Speaker A
Um homem de roupas brancas, capa branca, cabelos brancos.
13:40
Speaker A
Uma figura delicada e gentil.
13:43
Speaker A
E que deveria ter uma outra namorada.
13:45
Speaker A
Coisa que, inclusive, a agência a qual ele era filiado, porque como eu disse aqui, heróis são agenciados, e no caso aqui a gente está falando da Corporação Treeman.
13:56
Speaker A
Pois bem, ela decidiu que ele deveria namorar uma blogueirinha.
14:03
Speaker A
No caso, Xiao Yuqing, a heroína Moon.
14:06
Speaker A
Que era uma blogueirinha de viagens, que o pessoal tirava sarro, do tipo, caramba, ela parece que se teleporta para os lugares.
14:15
Speaker A
E com isso ela foi ganhando valores de confiança.
14:20
Speaker A
Com a habilidade de se teleportar.
14:22
Speaker A
Só que como todo mundo começou a shipar Moon com Nice, ela conseguia se teleportar para qualquer lugar, desde que fosse grudado a ele.
14:32
Speaker A
Porque ninguém concebia que ela quisesse ficar sozinha.
14:35
Speaker A
Ela é namoradinha dele, certo?
14:37
Speaker A
Ela é apaixonadinha, certo?
14:38
Speaker A
Moon, então, toda vez que se teleporta, esbarra com Nice, ela só consegue ir onde Nice está.
14:46
Speaker A
Por isso que um amigo, que talvez seja até mais do que um amigo, se torna um vilão.
14:53
Speaker A
Outro detalhe maluco.
14:55
Speaker A
É que justamente por Nice ter esse aspecto elegante, vai fazendo com que as pessoas cada vez mais achem que ele é um perfeccionista.
15:03
Speaker A
Poxa, ele está sempre tão bonito, tão bem apessoado.
15:06
Speaker A
Ele deve ser cheio de toque.
15:08
Speaker A
É um típico virginiano.
15:09
Speaker A
E isso vai deixando Nice cada vez mais doente.
15:15
Speaker A
Ele vai começando a adquirir toque.
15:20
Speaker A
Não consegue mais suportar nem mesmo o seu cabelo quando está despenteado.
15:24
Speaker A
Só que aqui vem a crueldade desse mundo.
15:26
Speaker A
Ser popular é um inferno, mas todo mundo quer ser.
15:32
Speaker A
Porque isso te dá acesso ao poder.
15:34
Speaker A
Isso te torna especial.
15:36
Speaker A
É considerado o ápice nessa sociedade, você se tornar um super-herói.
15:42
Speaker A
Mais do que isso, você estar no ranking dos 10 mais, aqueles que participam do torneio.
15:48
Speaker A
Que acontece de dois em dois anos.
15:50
Speaker A
Nice, então, não quer perder essa condição, apesar dela ser fonte de sofrimento.
15:56
Speaker A
E com isso ele vai se tornando um capanguinha da corporação para qual ele trabalha.
16:03
Speaker A
Nice, então, vai mergulhando numa espiral de tragédias.
16:07
Speaker A
Ele não consegue mais ficar com o amigo tanto gosta, ele tem que simular um namoro.
16:12
Speaker A
Ele está criando uma série de manias que ele não tem mais controle.
16:16
Speaker A
Ele testemunha a morte do seu herói de infância, Sorriso, e isso assim ele faz.
16:23
Speaker A
Porque a coisa mais comum é uma agência tramar para matar o herói da outra agência.
16:29
Speaker A
E quando ele vai lá se meter com terrenos nas cidades X, ele acaba conhecendo uma menininha chamada Xin Ya.
16:37
Speaker A
Que com muita força de vontade, busca engajar nas redes sociais a defesa da sua comunidade.
16:44
Speaker A
Ela, inclusive, adota um cachorro da raça Sharpei.
16:50
Speaker A
Que havia sido expulso do circo por atacar crianças.
16:54
Speaker A
Esse cachorro odiava crianças.
16:55
Speaker A
Mesmo assim, essa menina adota ele e constrói todo o mito heróico em cima dele.
17:02
Speaker A
É o cachorro herói.
17:03
Speaker A
Que vai proteger a comunidade.
17:05
Speaker A
Ninguém acredita nisso.
17:06
Speaker A
Até o dia que, de fato, uns caras estranhos, junto com o herói Nice, aparecem por lá.
17:13
Speaker A
E esse cachorro, chamado Ahu, ataca, protege as pessoas.
17:19
Speaker A
Sobretudo, Xin Ya.
17:20
Speaker A
Isso, obviamente, acaba indo parar na mídia.
17:26
Speaker A
E o cão Ahu, de repente, também passa a acumular valores de confiança.
17:34
Speaker A
A ponto até mesmo de conseguir falar e usar um chapeuzinho.
17:39
Speaker A
Porque sim, agora ele vai ser um típico herói Noir.
17:41
Speaker A
O cão detetive.
17:42
Speaker A
Está ficando absurdo.
17:43
Speaker A
Vai piorar.
17:44
Speaker A
Cada vez mais contaminado pelo medo de perder o status que tem, Nice vai colapsando.
17:52
Speaker A
E um belo dia ele encontra um redator publicitário na beira de um prédio.
17:59
Speaker A
Esse cara não teve um bom dia.
18:02
Speaker A
E ali na beira do prédio, está tendo umas ideias meio erradas.
18:06
Speaker A
Nice, então, passa por esse redator, dá um sorriso completamente triste.
18:12
Speaker A
E se joga sem o poder de voar.
18:14
Speaker A
Sim, Nice se desvive.
18:15
Speaker A
E esse jovem redator publicitário, chamado Lin Ling, curiosamente.
18:22
Speaker A
Era quem fazia as peças do Nice.
18:25
Speaker A
Os comerciais em que ele participava.
18:28
Speaker A
A sua vida roteirizada.
18:29
Speaker A
Como ele era a única testemunha, a Corporação Treeman resolveu fazer um projeto Abafa.
18:35
Speaker A
Mas isso era um problema.
18:37
Speaker A
Nice era popular.
18:38
Speaker A
Aí eles olham para Lin Ling, falam, caramba, esse cara até que é meio parecido com Nice.
18:45
Speaker A
E era ele quem escrevia as peças, vamos transformar esse Zé Ninguém no novo Nice.
18:50
Speaker A
E vamos fazer uma maquiagem, vamos fazer o que a gente pode para todo mundo acreditar.
18:55
Speaker A
E aí vem o problema, conforme as pessoas vão acreditando, Lin Ling vai ficando cada vez mais parecido com o velho Nice.
19:02
Speaker A
Na primeira vez como tragédia, na segunda como farsa.
19:06
Speaker A
Ele, porém, está tentando resistir a isso, ele é autenticamente apaixonado pela blogueirinha Moon.
19:13
Speaker A
E, inclusive, bola um plano de como libertá-la.
19:18
Speaker A
A corporação faz um estudo, percebe que o público está querendo que Nice volte a ficar solteiro.
19:25
Speaker A
Então, para acomodar para todo mundo, o plano é o seguinte, Moon é morta pelo Rei da Destruição, faz de conta, e durante seu enterro.
19:35
Speaker A
Nice pede para que todos desejem que ela possa ir onde ela bem entender.
19:42
Speaker A
Claro, todo mundo vai pensar nisso.
19:44
Speaker A
Imaginando que ela está morta.
19:46
Speaker A
Mas se todo mundo pensar nisso, ela vai se livrar dessa maldição que é de ter que se teleportar só onde Nice está.
19:55
Speaker A
Por causa dessa expectativa, então, direcionada do público, Moon se torna livre.
20:00
Speaker A
É o presente que Lin Ling, o novo Nice, deu a ela.
20:05
Speaker A
O que vai acabar mal, porque pessoas que tentam se afastar, acabam executadas.
20:12
Speaker A
Percebam, então, logo desse começo, o quanto que To Be Hero X é sobre o mundo das redes sociais.
20:20
Speaker A
E gente, agora entra aqui até uma dimensão pessoal.
20:23
Speaker A
Eu tenho esse canal há seis anos e meio.
20:25
Speaker A
E uma coisa que eu já notei, que é uma pressão para qualquer pessoa que cria conteúdo.
20:34
Speaker A
É de você sempre ser aquilo que esperam que você seja.
20:38
Speaker A
Se você cria fama de ser o brabão, você tem sempre que ser o brabão.
20:43
Speaker A
Se você cria fama de ser o cara doce, você sempre precisa ser o cara doce.
20:48
Speaker A
Se você cria fama de ser calvo, se fizer um implante, o pessoal vai brigar.
20:53
Speaker A
Claro que ninguém precisa ser totalmente escravo a isso.
20:57
Speaker A
Mas a pressão é grande.
20:59
Speaker A
E muitos criadores de conteúdos, muitos influencers, e aqui em To Be Hero X, os heróis são influencers.
21:08
Speaker A
Acabam sendo prisioneiros das expectativas alheias.
21:12
Speaker A
Afinal, se você deixa de ser aquilo que todo mundo espera que você seja.
21:18
Speaker A
Bem, aí as curtidas não vêm.
21:20
Speaker A
Os valores de confiança não se acumulam.
21:22
Speaker A
E você perde poder.
21:23
Speaker A
Numa sociedade que disse para você que o poder está no acúmulo de atenção que você consegue reter.
21:30
Speaker A
O que eu já adianto, é óbvio, isso é uma mentira.
21:32
Speaker A
Mas é uma mentira que todos nós vivemos.
21:35
Speaker A
Só que isso vai além, porque essa confiança, ou até mesmo o medo.
21:42
Speaker A
Está aqui sujeito muito a um valor de troca.
21:45
Speaker A
E sim, eu estou falando de economia.
21:47
Speaker A
E para isso eu vou ter que citar aqui um alemão que eu nunca cito.
21:50
Speaker A
Eu estou falando de Marx.
21:52
Speaker A
Você achou que um animezinho chinês não ia ter isso?
21:55
Speaker A
Ah, é jogado, otário.
21:57
Speaker A
Mas acreditem, tem espaço até mesmo para criticar o Partido Comunista Chinês.
22:02
Speaker A
Nesse sentido, To Be Hero X é muito bom.
22:06
Speaker A
Ele não é um panfleto político.
22:07
Speaker A
Ele é uma crítica que atira para tudo que é lado.
22:12
Speaker A
E vão por mim, eu acho que ninguém se salva.
22:14
Speaker A
Mas para eu poder aprofundar essas questões filosóficas ou econômicas.
22:20
Speaker A
Ou culturais.
22:22
Speaker A
Eu tenho que repassar aqui mais eventos do Donghua, porque aqui a gente está lidando com uma série de destinos entrelaçados.
22:28
Speaker A
E que vão tornando cada vez mais óbvio qual é a crítica radical que To Be Hero X está fazendo.
22:34
Speaker A
Aí você já deve até estar pensando, ah, então a crítica vai ser ao capitalismo.
22:39
Speaker A
Grandes coisas.
22:40
Speaker A
Vão por mim, é mais profundo ainda que isso.
22:42
Speaker A
Mas antes de eu dar um nó na cabeça de vocês, com suas expectativas frustradas de serem alguém da internet.
22:50
Speaker A
Ou na política, ou na vida, seja lá qual for.
22:53
Speaker A
Peço que você curta o vídeo se estiver curtindo.
22:57
Speaker A
Se inscreva caso seja novo por aqui.
23:00
Speaker A
Compartilhe.
23:01
Speaker A
Esse canal só existe graças aos apoiadores, tem recompensas bem legais.
23:06
Speaker A
Como lives aqui comigo, grupo de estudo, grupo no Telegram e sorteio de Gibi.
23:10
Speaker A
Inclusive, nosso próximo encontro do grupo de estudos é para descer a lenha em Death Note.
23:16
Speaker A
Por isso eu vou deixar o link do nosso apoio na plataforma Catarse na descrição do vídeo.
23:23
Speaker A
E também no primeiro comentário fixado.
23:25
Speaker A
E também seja membro aqui pelo YouTube, torne-se Sarjetaflix.
23:30
Speaker A
Por 6,90 tem lives exclusivas e versões estendidas de vídeos aqui postados.
23:36
Speaker A
Por 14,90 também se torna Sarjeta Plus a Mais.
23:40
Speaker A
Com vídeos 100% exclusivos.
23:43
Speaker A
O último mesmo foi falando do quanto que nostalgia é vontade de morrer.
23:46
Speaker A
E por 39,90, tem também o Sarjeta Acadêmica.
23:51
Speaker A
Com lives de leitura e explicação de textos filosóficos.
23:55
Speaker A
Atualmente, nós estamos tentando ler o filósofo Gilles Deleuze.
23:58
Speaker A
Ênfase no tentando.
23:59
Speaker A
Mas vamos embora.
Topics:To Be Hero Xdonghua chinêssuper-heróisvalores de confiançacrítica socialanimação 2D e 3DAssociação de Heróiscrise da democraciacapitalismoexpectativas sociais

Frequently Asked Questions

O que são os valores de confiança em To Be Hero X?

Os valores de confiança são uma medição que aparece no pulso das pessoas e determinam o nível de superpoderes que elas possuem, baseando-se na quantidade de confiança que recebem da sociedade.

Quem é Enrist e qual seu papel na história?

Enrist é um bombeiro que se tornou um herói famoso por salvar uma menina, mas acabou preso às expectativas sociais, perdendo a capacidade de agir naturalmente, simbolizando o peso de ser o que os outros esperam.

Qual a função da Associação de Heróis na série?

A Associação de Heróis regula os super-heróis para evitar que acumulem poder excessivo, mantendo o equilíbrio social e organizando torneios para rotatividade dos heróis populares.

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