SENHOR DAS MOSCAS – WILLIAM GOLDING: Resenha | Quando a… — Transcript

Resenha do livro Senhor das Moscas, de William Golding, explorando a natureza humana e a inclinação à selvageria em um grupo de meninos isolados.

Key Takeaways

  • A natureza humana pode rapidamente se inclinar para a selvageria em situações extremas.
  • A liderança e a organização são essenciais para manter a ordem, mas podem ser desafiadas pelo medo e pelo caos.
  • O medo irracional pode desestabilizar grupos e fortalecer forças destrutivas.
  • A inocência infantil pode coexistir com comportamentos perigosos e violentos.
  • Símbolos como a concha e a chama representam a luta entre ordem e desordem.

Summary

  • Senhor das Moscas, publicado em 1954 por William Golding, aborda a natureza humana e a tendência à selvageria.
  • A história acompanha um grupo de meninos que caem numa ilha deserta durante a Segunda Guerra Mundial.
  • Ralph é eleito líder e tenta manter a ordem e a esperança de resgate mantendo uma chama acesa.
  • O Porquinho, garoto inteligente e racional, representa o intelecto e ajuda Ralph na organização.
  • Jack lidera um grupo rebelde que representa o caos e a selvageria, resistindo à liderança de Ralph.
  • A concha serve como símbolo de ordem e controle durante as reuniões do grupo.
  • O medo de um monstro na ilha, causado por um paraquedista morto, desestabiliza a ordem e fortalece o grupo de Jack.
  • O livro explora três grupos ideológicos: ordem (Ralph), caos (Jack) e intelecto (Porquinho).
  • A inocência das brincadeiras esconde atos que levam a consequências graves e à divisão do grupo.
  • O grupo de Jack se separa e cria uma tribo que caça e realiza rituais selvagens, simbolizados pela cabeça da porca numa estaca.

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00:00
Speaker A
Senhor das Moscas, esse livro aqui foi publicado em 1954, mas por falar simplesmente sobre a natureza humana, é muito atual ainda, se comunica diretamente o que a gente vive e vê até hoje, o que a gente sempre, na verdade, vai viver, sobre como a humanidade pode ter a tendência de se inclinar ali em questão de dias, ou dependendo como for, em minutos, ao que a gente demorou ali alguns anos para se livrar, que é a selvageria.
00:26
Speaker A
Bora trocar uma ideia sobre esse livro?
00:37
Speaker A
Eu sou o Márcio Júnior, esse aqui é o Projeto Inocente, teu espaço da cultura pop, onde a gente fala sobre livros, séries, filmes, HQs.
00:45
Speaker A
Se você curte esse tipo de conteúdo, vem cá, se junta a gente, se inscreve no canal, que hoje é dia de livro, é, pois é, Senhor das Moscas, do William Golding.
00:59
Speaker A
Publicado pela editora Alfaguara aqui no Brasil.
01:00
Speaker A
E é isso aí, ó, ganhador do Nobel de Literatura.
01:02
Speaker A
Aliás, vou deixar o livro aqui do lado para não ficar balançando.
01:06
Speaker A
E o livro já inspirou e deu base a algumas adaptações para o cinema e para o teatro, se eu não me engano, e eles dizem que inspirou ali Lost também, a história parece muito simples, mas na verdade ela se aprofunda bastante na natureza humana, mas o plot dela, digamos assim, é que um grupo de estudantes, crianças e adolescentes, todos meninos, o avião deles acaba caindo ali numa ilha deserta e isolado em plena Segunda Guerra Mundial, tá?
01:52
Speaker A
A história parece muito simples, mas na verdade ela se aprofunda bastante na natureza humana, mas o plot dela, digamos assim, é que um grupo de estudantes, crianças e adolescentes, todos meninos, o avião deles acaba caindo ali numa ilha deserta e isolado em plena Segunda Guerra Mundial, tá?
02:33
Speaker A
Daí, com a esperança de serem resgatados, eles se organizam, eles elegem um líder chamado Ralph, que ele tenta delegar, na verdade, as tarefas importantes, ele tem como foco bem importante, que é sempre manter uma chama acesa para que se algum navio ou avião passe ali perto, veja essa chama, veja essa fumaça e aí possa ir resgatar o grupo todo.
03:10
Speaker A
Logo que o avião cai, os meninos começam a surgir, como eu disse, só tem garotos, o Ralph, então, é o primeiro a surgir com o enfoque no livro, e ele acaba encontrando um garoto que acaba sendo chamado pelo apelido que ele mesmo não gostava, que é o Porquinho.
03:27
Speaker A
Tá, esse garoto, ele é bem zoado pelo grupo como um todo, pela questão da aparência, porque ele é mais cheinho, por usar óculos bem grosso, que inclusive acaba sendo usado ali para acender as chamas das fogueiras, tá bom?
03:40
Speaker A
O Porquinho é um moleque muito inteligente, na verdade, muito esperto, extremamente racional, ele consegue perceber as dinâmicas do grupo muito bem, e então a gente tem o Jack, que também ali acaba sendo um outro protagonista, digamos assim, que é uma espécie de líder de um grupinho de garotos.
04:20
Speaker A
Calma lá, o Ralph acaba sendo eleito para ser o líder de todos os garotos, mas o Jack acaba sempre oferecendo resistência e essa liderança dele ali acaba, é, influenciando todo esse grupo ali a ter resistência também a princípio, mas eles parecem, no começo, meros rebeldes.
04:59
Speaker A
Tá, vamos lá, e aí a gente tem o Sam e o Eric, que são gêmeos que fazem parte de um grupo mais jovem ali dos meninos que estão ilhados.
05:09
Speaker A
Tá, logo depois do acidente, o Ralph e o Porquinho encontram uma espécie de concha bem grande, digamos assim, bem bonita, pelo que é descrito, que o Ralph usa primeiro para chamar todos os sobreviventes e depois essa concha serve ali para todos, né, para, para chamar todos para essas reuniões e então também acaba servindo como símbolo de ordem, porque quem estiver com a concha na mão, por exemplo, durante uma reunião, pode falar e os outros precisam escutar e ficar quietos.
05:39
Speaker A
O Ralph toca essa concha, tipo um trombone, eu acredito que seja assim a forma, para chamar esses garotos, produz tipo um eco, um barulho ali.
05:55
Speaker A
E na real, os sobreviventes acabam sendo vários, mas se for detalhar cada um dos personagens aqui, a gente vai levar muito tempo.
06:16
Speaker A
Inclusive, a escrita do autor, não, nada me tirou da cabeça, nada me tirou da cabeça que a escrita do autor parece ter inspirado um pouquinho a escrita de Jogos Vorazes, certo, que ela é bem assim dinâmica, mas ao mesmo tempo consegue descrever o suficiente, então assim, se a gente fosse se apegar aos nomes ali dos outros, a gente vai se perder.
07:02
Speaker A
Então se apegar a esses que eu falei já dá uma boa situada.
07:16
Speaker A
Bom, a real é que o Ralph tenta organizar o grupo o melhor que eles, que ele pode.
07:40
Speaker A
O grupinho do Jack acaba sendo o grupinho ali dos caçadores e o Ralph tenta sempre deixar alguém responsável, um ou duas, dois garotos, sempre responsável pela fumaça ali.
08:02
Speaker A
Mas uma vez ou outra, devido à negligência desses meninos, essa fumaça acaba apagando, a fogueira acaba apagando, ficar na fogueira acaba se tornando um pouquinho por vez, algo chato para os meninos, porque eles poderiam estar fazendo outra coisa.
08:25
Speaker A
Mas obviamente é algo que é muito importante, mais do que importante, é necessário, então o Ralph pega bastante no pé, bastante das tretas que rolam é por causa disso.
08:36
Speaker A
Porque eles não querem ficar na fogueira e ele enxerga que isso é necessário.
08:40
Speaker A
Tá.
08:41
Speaker A
Antes de seguir aqui, eu vou pedir o seu like no vídeo, beleza?
08:45
Speaker A
Sua inscrição no canal também, as duas coisas realmente me ajudam demais.
08:50
Speaker A
E sem vocês, nada do canal funciona, essa é a verdade.
08:55
Speaker A
Posso contar contigo?
08:57
Speaker A
Eu agradeço de verdade, de coração.
09:02
Speaker A
Mas bora seguir aqui porque o livro vai se pautar, então, em três grandes grupos ideológicos.
09:08
Speaker A
Tá.
09:10
Speaker A
Eu, vamos lá.
09:12
Speaker A
Vamos com calma porque a coisa vai começar a aprofundar aqui.
09:15
Speaker A
Ordem, caos e intelecto.
09:18
Speaker A
Vou repetir.
09:21
Speaker A
O livro vai se pautar em três grupos ideológicos.
09:26
Speaker A
Ordem, caos e intelecto.
09:29
Speaker A
Organização, selvageria e inteligência.
09:33
Speaker A
A ordem e a organização, obviamente, é representada pelo Ralph.
09:40
Speaker A
O caos e a selvageria vai ser representada pelo Jack.
09:46
Speaker A
O intelecto e a inteligência representada pelo Porquinho.
09:53
Speaker A
Que acaba, obviamente, se unindo facilmente ao Ralph.
09:57
Speaker A
Intelecto e ordem, então, estão lado a lado.
10:00
Speaker A
E um determinado dia, devido a uma das batalhas da Segunda Guerra Mundial em alto mar, em meio aéreo, um paraquedista cai morto nessa ilha.
10:10
Speaker A
Devido ao paraquedas e a uma visão assustada de alguns garotos, porque querendo ou não, eles são garotos, certo, são garotos, eles estão assustados, eles estão sozinhos, eles precisam lutar pela sobrevivência.
10:24
Speaker A
Então eles têm uma visão já de si, assim, própria, um pouco assustada.
10:30
Speaker A
Então surge uma ideia de que um monstro está na ilha e acaba virando um rumor muito forte.
10:41
Speaker A
Só a mera ideia de que um monstro está na ilha já serve muito para desestabilizar a ordem imposta ali e as forças ordenadas começam a se dividir ainda mais.
10:57
Speaker A
O Jack acaba, então, ganhando mais e mais força dentro dos meninos, por quê, contra o monstro é necessário força bruta e enfrentamento direto.
11:13
Speaker A
Não ordem e diligência.
11:17
Speaker A
O caos, então, se alimenta do medo generalizado, completamente ocasionado pelo pseudo, né, pela pseudo presença ali de um monstro na ilha.
11:30
Speaker A
Que nada mais é do que um cara morto com paraquedas dependurado numa árvore, que quando o vento bate, ele se mexe, o paraquedas meio que abre e isso dá uma impressão que o monstro está se movimentando.
11:55
Speaker A
Num panorama geral, os meninos acabam usando o termo brincar, sinalizando até uma inocência muito forte, mesmo dentro de algo que não é inocente no geral.
12:05
Speaker A
E a gente vai se aprofundando nisso aos poucos, eles falam ali que tem que brincar de caçar, brincar de fazer reunião, brincar de caçar monstro em si, ou brincar de fazer lugar para eles dormirem.
12:29
Speaker A
Mas é justamente dessa pretensa inocência que começa a surgir o oposto e dessa irresponsabilidade de brincadeiras, começam a surgir atos que vão ter consequências bem fortes.
12:50
Speaker A
Por fim, os garotos acabam se separando com o Jack ali de um lado e o Ralph do outro.
13:00
Speaker A
Com o Jack criando uma espécie de tribo à parte.
13:05
Speaker A
Os caçadores se separam do grupo do Ralph, então, inclusive eles caçam uma porca e quando eles matam essa porca, eles colocam a cabeça dela numa estaca, que obviamente, em questão de poucos minutos, fica cheio de moscas rapidinho, e então é isso que se transforma no Senhor das Moscas.
13:36
Speaker A
Tá.
13:37
Speaker A
A porca, uma hora, acaba tendo uma espécie de diálogo, obviamente, só mental aqui, né, que ela diz que ela é parte deles, desse grupo do Jack.
13:52
Speaker A
Que é por causa dela que nada adianta.
13:56
Speaker A
Ela, então, acaba sendo a representação clara do caos, agrupado com o Jack.
14:06
Speaker A
Ela é parte deles e é por causa dela que nada adianta, o caos sempre vai ser um entrave para a ordem e para o progresso.
14:18
Speaker A
É isso, isso fica muito claro, inclusive, numa fala do Porquinho, quando ele diz que ele está com medo.
14:30
Speaker A
E o medo dele é especialmente contra a irracionalidade de tudo que estava acontecendo ali na ilha.
14:40
Speaker A
Que se um médico receita um medicamento, você vai e toma, se você estiver afogando, alguém for e jogar uma corda para você, que que você vai fazer, você vai pegar essa corda e se salvar, mas por que então ninguém estava se importando e deixar uma simples fogueira acesa?
15:16
Speaker A
É o cúmulo do absurdo, certo?
15:21
Speaker A
A desordem, em resumo, insiste em ignorar o que é eficiente, porque eficiência pressupõe ordem.
15:28
Speaker A
Exatamente, aos poucos, então, o grupo do Jack vai se tornando, em poucos dias, simples selvagens.
15:34
Speaker A
Que são muito mais conectados a instinto violento do que qualquer outra coisa, eles são os caçadores, caçadores de que, do que assim, né?
15:44
Speaker A
Do que eles vão caçar?
15:45
Speaker A
Do que eles vão viver?
15:46
Speaker A
Eles são caçadores de alguma coisa?
15:47
Speaker A
Isso não importa.
15:48
Speaker A
Eles são caçadores.
15:50
Speaker A
Eles se pintam, mal dá para saber ali quem é quem, com o corpo e o rosto todo pintado, ou seja, a identidade, a individualidade acaba se desfazendo.
16:02
Speaker A
E eles formam um grupo conectado pela selvageria.
16:10
Speaker A
E eles são uma massa indistinta do instinto sanguinoleto.
16:17
Speaker A
Tá bom?
16:18
Speaker A
Essa questão da pintura corporal de falta de identidade, a gente vê quando o Ralph vai falar com o Sam e o Eric lá no final, ele consegue falar, ele consegue ter um diálogo com eles, como se eles fossem indivíduos mesmo, porque o corpo deles ainda não estão pintados e ele, ele chama bastante atenção para isso, ou seja, eles ainda não conseguiram, não, não é conseguiram, eles ainda não perderam a identidade de, de crianças que o Ralph conhecia.
17:13
Speaker A
Mas enfim, aos poucos, aquela visão de brincar de fazer reunião, começa a se desfazer no próprio discurso do Ralph, que diz que ele precisa insistir em ser adulto.
17:29
Speaker A
Mesmo que ele só queira deixar aquilo ali para lá e se juntar aos outros amigos nessa brincadeira.
17:40
Speaker A
Ou seja, existia uma clara dualidade também entre ser criança e ser adulto, independente da idade deles.
17:50
Speaker A
Em que ser criança representa o não pensar no futuro, ou seja, não deixar a fogueira acesa, etc.
18:04
Speaker A
E o adulto é o que planeja, que cuida do futuro, que o Ralph ali, ele assume essa, essa ideal, digamos assim.
18:13
Speaker A
A concha em diversos momentos é mais do que um objeto para chamar os demais garotos, ou um objeto ali que sinaliza a ordem de fala das reuniões, a concha acaba sendo um representativo.
18:42
Speaker A
A humanidade precisa de símbolos e Jung já falava muito sobre isso, ele discorre muito sobre isso, tem um livro todo sobre simbologia da, da humanidade.
18:56
Speaker A
E sobre todos os símbolos que ele conseguiu catalogar, inclusive, e a concha se torna, então, um representativo, um símbolo, mas um símbolo muito conectado à ordem.
19:12
Speaker A
É um símbolo que agrega.
19:16
Speaker A
É um símbolo que organiza.
19:18
Speaker A
A humanidade vê a necessidade de símbolos, seja de um jeito, seja de outro.
19:25
Speaker A
Para se organizar em volta deles.
19:28
Speaker A
Tá.
19:30
Speaker A
Mas existem símbolos no caos também.
19:33
Speaker A
É isso.
19:34
Speaker A
Porque mesmo o caos precisa ser ajuntado.
19:40
Speaker A
Se a ordem precisa ser ordenada.
19:46
Speaker A
O caos precisa ser ajuntado.
19:49
Speaker A
Digamos.
19:50
Speaker A
A diferença é que o agrupamento na ordem tem a tendência de ser um agrupamento de indivíduos, vários indivíduos.
20:00
Speaker A
E o agrupamento do caos, ele é indistinto.
20:06
Speaker A
Ele perde a identidade de cada um.
20:09
Speaker A
O símbolo da ordem é a concha.
20:13
Speaker A
O símbolo do caos é o Senhor das Moscas.
20:16
Speaker A
E é interessante perceber o quão pouco foi necessário para que um grupo grande se desprendesse totalmente da humanidade ensinada ao longo de anos.
20:31
Speaker A
Para que.
20:32
Speaker A
Em questão de dias, eles se tornassem e se identificassem quase totalmente com a selvageria.
20:39
Speaker A
O livro tem uma tendência de mostrar que é o selvagem que é o mais próximo da natureza humana e animalesca.
20:50
Speaker A
E que a humanidade em si é algo que custa esforço a ser mantido.
20:56
Speaker A
Por diversos momentos, diz que ele queria só deixar de ser o cara que ordena tudo, o Ralph fala isso.
21:09
Speaker A
Mas ele sabe que o esforço é necessário para que eles possam ser resgatados.
21:15
Speaker A
Ou seja, ele precisa se esforçar para ter o mínimo de humanidade.
21:22
Speaker A
Mas o ponto é que o chefe do caos organiza as estruturas para servir ao próprio caos.
21:32
Speaker A
E ao descaminho ali, sem promessa nenhuma de futuro.
21:37
Speaker A
São vários presentes, digamos assim, repetidos para que ele se projete para o futuro.
21:44
Speaker A
Não existe um futuro de fato que não seja a mera repetição do presente.
21:50
Speaker A
Mas mais do que isso, o chefe do caos precisa criar uma paranoia fantasiosa para ele conseguir manter essa massa unida.
22:00
Speaker A
Por isso, ele se apoia no monstro primeiro e na existência dele, que ele está vivo, que ele está perseguindo.
22:10
Speaker A
E depois ele se apoia em perseguir o outro grupo e depois ele vai se apoiar em matar o Ralph.
22:18
Speaker A
A criação, né, na verdade, de uma linha divisória entre nós e eles, entre o de dentro e o de fora, ou outsiders, como alguns filósofos, sociólogos falam, facilita a criação de uma pseudo formação.
22:37
Speaker A
A partir do momento que a gente divide, né, vamos fazer a linha aqui.
22:44
Speaker A
Entre nós e eles.
22:47
Speaker A
A gente consegue, justamente, devido ao medo e a esse antagonismo.
22:55
Speaker A
Né, o fato da gente sentir medo deles ali, ter um antagonismo com eles.
23:03
Speaker A
A gente consegue se unir.
23:05
Speaker A
A gente consegue formar uma própria identidade.
23:09
Speaker A
É por isso que as forças caóticas e burras usam o medo de algo para eles se unirem.
23:17
Speaker A
Tipo, olha o comunismo.
23:20
Speaker A
Que é a mesma coisa de.
23:22
Speaker A
Olha o monstro.
23:24
Speaker A
Nenhum, nenhum outro existem.
23:30
Speaker A
É, assim, o comunismo existe, mas não do jeito que as pessoas falam.
23:36
Speaker A
Mas não representa perigo real, nenhum, nenhum outro.
23:41
Speaker A
Mas é usado como discurso para manter o grupo caótico unido.
23:47
Speaker A
O grupo caótico, ele não só existe.
23:52
Speaker A
Ele não é só uma mera tribo.
23:55
Speaker A
Outra tribo ali.
23:56
Speaker A
Ele precisa extirpar o outro, tirar o outro, aniquilar o outro.
24:02
Speaker A
Porque se o outro grupo ainda existir, a ordem e a inteligência que andam lado a lado.
24:10
Speaker A
Isso pode começar a ameaçar eles.
24:12
Speaker A
A ordem e a inteligência precisam sempre de tempo.
24:18
Speaker A
Por isso que a gente vê no livro que o Ralph às vezes fala que a mente dele ficava anuviada.
24:27
Speaker A
Ele fala esse termo, né, e que ele precisa ali de tempo para pensar, para planejar as coisas.
24:35
Speaker A
Para se ordenar coisas e se pensar inteligentemente.
24:42
Speaker A
Você precisa de tempo.
24:44
Speaker A
O caos não.
24:46
Speaker A
Caos é algo volátil, ele é reativo.
24:52
Speaker A
Porque vem do instinto animal.
24:54
Speaker A
Então, o que o grupo caótico faz é se aproveitar dessa diferença de tempo de reação.
25:02
Speaker A
Porque se eles derem tempo para o grupo ordenado e inteligente, esse grupo vai reagir de um modo organizado.
25:09
Speaker A
Então eles precisam extirpar o outro ali para evitar o tempo da ordem.
25:16
Speaker A
E é onde o grupo do Jack realiza diversas coisas.
25:22
Speaker A
Eles sempre precisam roubar o fogo ali para, para começo de conversa, né?
25:30
Speaker A
Porque eles não se organizam para simplesmente manter ele aceso.
25:33
Speaker A
Então é primeiro a necessidade.
25:38
Speaker A
Necessidade de assar algo, por exemplo.
25:40
Speaker A
E depois a reação.
25:42
Speaker A
Isso é algo animalesco.
25:45
Speaker A
É instintivo.
25:46
Speaker A
Quem não se planeja.
25:47
Speaker A
Segundo que eles roubam e quebram a concha.
25:51
Speaker A
Justamente para que só exista um símbolo ali do caos.
25:56
Speaker A
Que é o Senhor das Moscas.
25:58
Speaker A
Terceiro que eles matam o Porquinho para que a ordem não possa se apoiar na inteligência.
26:03
Speaker A
E quarto que eles vão perseguir o Ralph só por ele estar existindo.
26:08
Speaker A
E como o Jack influencia a todos a pegar o Ralph.
26:13
Speaker A
Quando o Ralph se defende de golpes, o Jack chama a atenção e diz.
26:20
Speaker A
Está vendo?
26:21
Speaker A
Ele é perigoso.
26:23
Speaker A
Ele está disposto a ferir vocês para se salvar.
26:27
Speaker A
Por quê?
26:28
Speaker A
A parte selvagem espera que a sua contraparte, né, a ordem ali, a inteligência e tal, seja sempre bondosa.
26:40
Speaker A
Dando a outra face, não reagindo.
26:45
Speaker A
E quando a outra parte acaba reagindo para se defender e impedir esse abuso.
26:53
Speaker A
A parte selvagem diz que a parte ordenada está sendo violenta.
26:59
Speaker A
Ou seja, se está sendo violento, está se aproximando do tipo de reação que a parte selvagem tem.
27:06
Speaker A
Mas são eles que detém, se você for analisar esse tipo de discurso, então a violência.
27:13
Speaker A
É o monopólio deles.
27:15
Speaker A
Então, quando a outra parte usa.
27:19
Speaker A
Ele está lá.
27:21
Speaker A
Não faz isso não.
27:22
Speaker A
Certo?
27:23
Speaker A
Então a parte ordenada, ela não pode ser violenta, ela precisa permitir o abuso e a violência sem reação do ponto de vista deles.
27:32
Speaker A
Daí, quando o Ralph está quase sendo morto, a ajuda chega devido ao incêndio generalizado na ilha.
27:40
Speaker A
Né, que, que o grupo do Jack causou.
Topics:Senhor das MoscasWilliam Goldingresenha de livronatureza humanaselvagerialiderançacaosordemliteratura brasileiraanálise literária

Frequently Asked Questions

Qual é o tema principal do livro Senhor das Moscas?

O tema principal é a natureza humana e como ela pode se inclinar rapidamente à selvageria em situações de isolamento e crise.

Quem são os personagens principais e o que representam?

Ralph representa a ordem, Jack o caos e a selvageria, e o Porquinho o intelecto e a racionalidade.

Como o medo do monstro influencia a história?

O medo do monstro, que na verdade é um paraquedista morto, desestabiliza a ordem e fortalece o grupo liderado por Jack, que usa a força bruta para enfrentar o medo.

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