O que forma o sujeito hoje? | Maria Kehl, Benilto Jr., Rafaela, Rossano e Diana Corso

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00:29
Speaker A
Quem sou eu? Uma pergunta que muita gente se faz ao longo da vida.
00:33
Speaker A
Talvez uma das perguntas mais difíceis de serem respondidas, o sujeito contemporâneo se interroga a respeito de si mesmo.
00:40
Speaker A
Nem sempre foi assim, em sociedades tradicionais, o sujeito era determinado pela família, pela igreja, por seu lugar na sociedade.
00:47
Speaker A
Escolher quem somos, traz liberdade e angústia.
00:51
Speaker A
Este café filosófico vai debater sobre o novo indivíduo.
00:54
Speaker A
Vivemos novas formas de estar no mundo, novos horizontes, novas tristezas e novas perguntas.
00:59
Speaker A
Afinal, quem somos nós?
00:01
Speaker B
A gente poderia conversar, conversa, colocando essa questão muito primária.
00:01
Speaker B
O que é que faz de um ser um sujeito?
00:01
Speaker C
Eu acredito que o sujeito, ele é produto do meio em que ele vive.
00:01
Speaker C
Então, ele pode ser um sujeito diferente, dependendo da época.
00:01
Speaker D
Todo um contexto em que ele está, a família em que ele vive, a sociedade em que ele, que ele convive, as pessoas com que ele participa, compartilha.
00:01
Speaker E
O que torna um sujeito, uma pessoa um sujeito, é a capacidade de dar significado às coisas.
00:01
Speaker E
Então, o universo simbólico pertence tão somente ao humano.
00:01
Speaker E
Diferentemente de um robô, poderíamos programar todos os robôs iguais, dando os mesmos que encada todos eles.
00:01
Speaker E
Enquanto que o indivíduo, o ser humano, o sujeito, não.
00:01
Speaker E
O universo simbólico pertence a ele, à sua cultura, à sua esfera de atuação.
00:01
Speaker F
O sujeito, ele se constrói mais a partir do contato com o outro, com a interação do outro.
00:02
Speaker B
A resposta à pergunta, o que é ser um sujeito?
00:02
Speaker B
Ela está sempre, eh, exigindo uma elaboração.
00:02
Speaker B
Ser um sujeito tem uma dimensão, digamos, universal.
00:02
Speaker B
No entanto, essa, essa dimensão, digamos, universal da subjetividade, que implica a gente poder ter linguagem para poder se expor, se expressar e conhecer a realidade psíquica do outro, ela é apenas, digamos, essa dimensão, eh, universal, que todos temos em comum.
00:02
Speaker B
Nós temos, evidentemente, cada um de nós nessa sala, tem coisas que são singulares, que são próprias a cada um.
00:02
Speaker B
A trajetória de cada um de nós é absolutamente irrepetível.
00:02
Speaker B
E nesse sentido, a vida subjetiva de que nós temos, e num certo sentido mais profundo, a experiência do mundo, do eu, do outro, do corpo, que cada um de nós tem, é absolutamente singular.
00:02
Speaker B
Então, num plano universal, somos todos iguais, no plano do singular, somos todos diferentes.
00:03
Speaker B
Mas há um outro plano entre um e outro, o plano do particular, do contexto sócio-histórico, no qual nós, ou muitos de nós, temos coisas em comum, diferentemente de outros grupos humanos.
00:03
Speaker B
É diferente ser um sujeito no Brasil no século XXI, numa cidade grande como Campinas, ou ser um sujeito na Arábia Saudita no século VIII.
00:03
Speaker B
Quando Maomé estava começando a sua pregação, ou ser um sujeito no deserto de Gobi, ou nas montanhas do Himalaia, ou na Grécia antiga, no século de, de Péricles ou de, de Platão.
00:03
Speaker B
Por quê? Porque o contexto sócio-histórico em que cada ser humano, eh, emerge, determina em muito o que é a visão dele do mundo, do que existe, do que não existe, do que é certo, do que é errado, do que é bom, do que é ruim.
00:03
Speaker B
Então, numa sociedade tradicional, onde o indivíduo ainda não é o valor fundamental, o que rege a vida, o que rege o sentido da existência, é uma dimensão transcendente de onde vêm os significados que são compartilhados.
00:04
Speaker B
Eh, o sentido de um conflito pessoal, o sentido de uma tragédia, eh, aquilo que organiza o que deve ser feito, o que não deve ser feito, o que é ruim e o que é bom, o que é puro e o que é impuro, não é tarefa a cargo dos indivíduos.
00:04
Speaker B
É tarefa a cargo da religião, da tradição, dos valores que são passados, eh, de geração em geração, aos quais os indivíduos se submetem.
00:04
Speaker G
Então, durante muito tempo, uma série de instituições relativamente sólidas, não é?
00:04
Speaker G
Eh, ajudaram a construir ou serviram de referencial relativamente estável para que os indivíduos respondessem a essa pergunta, não é?
00:05
Speaker G
Quem sou eu no mundo?
00:05
Speaker G
Eh, essas instituições, obviamente, eu tô falando, né, de instituições como a religião, ou a igreja, as ideologias, não é?
00:05
Speaker G
A, o, o sentido de pátria, ou patriotismo, o trabalho, né?
00:05
Speaker G
A noção de uma carreira, eh, e a família, eh, na, principalmente no sentido da noção de filiação, não é?
00:05
Speaker G
O sentido de, de, de, de alguma maneira, ter um sobrenome a zelar.
00:05
Speaker H
Na sociedade contemporânea, o passado tem pouco valor, né?

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