**Transformações no Mundo do Trabalho | Diálogo Sem Fronteira (2016) — Transcript & Summary | SozAI**
Source: https://sozai.app/transcript/transformacoes-mundo-trabalho-dialogo-sem-fronteira/

Discussão sobre as profundas transformações no mundo do trabalho, abordando flexibilização, terceirização e precarização no contexto contemporâneo.

## Key Takeaways

- O mundo do trabalho deve ser entendido em uma dimensão ampla, que inclui aspectos sociais, culturais e políticos.
- O modelo industrial tradicional entrou em crise a partir da década de 1970, dando lugar a uma produção mais flexível e informatizada.
- A flexibilização e a terceirização resultam em uma classe trabalhadora mais vulnerável e desprotegida.
- A informalidade, antes exceção, tende a se tornar regra, com impactos negativos nos direitos trabalhistas.
- O desemprego global é utilizado para enfraquecer direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores.

## What the video covers

- Entrevista com o professor Ricardo Antunes, especialista em relações de trabalho e autor de obras traduzidas internacionalmente.
- Discussão sobre a ampliação do conceito de mundo do trabalho para além do mercado, incluindo ações sindicais e consciência de classe.
- Análise histórica da transição do capitalismo industrial do século XX para um modelo flexível e informatizado.
- Crise estrutural de 1973 como marco para o esgotamento do modelo fordista e taylorista de produção.
- Surgimento da empresa flexível e da classe trabalhadora flexível, marcada pela terceirização e informalidade crescente.
- Impacto da revolução tecnológica e da era cibernética na organização do trabalho e nas relações laborais.
- Discussão sobre o fenômeno do contrato de zero hora e a precarização do trabalho em diferentes setores.
- Enfatiza a perda de direitos trabalhistas conquistados nas décadas anteriores devido ao desemprego global e à flexibilização.
- Relação entre a informalidade crescente e a desproteção social dos trabalhadores.
- Reflexão sobre as consequências sociais, políticas e econômicas dessas transformações para a classe trabalhadora.

Answers

## Questions about this video

Quem é o professor entrevistado no vídeo e qual sua área de pesquisa?

O professor entrevistado é Ricardo Antunes, titular do Departamento de Sociologia da Unicamp, especializado em relações de trabalho e autor de obras reconhecidas internacionalmente.

Quais são as principais transformações no mundo do trabalho discutidas no vídeo?

As transformações incluem a passagem do modelo industrial tradicional para um modelo flexível e informatizado, aumento da terceirização, informalidade e precarização do trabalho.

Como a crise de 1973 influenciou o mundo do trabalho segundo o professor Antunes?

A crise de 1973 marcou o esgotamento do modelo fordista e taylorista, impulsionando a adoção de novas formas de produção flexíveis e conectadas à revolução tecnológica.

## Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:15

Speaker A

Hoje o programa Diálogo sem Fronteira tem a satisfação de receber o professor Ricardo Antunes.

00:20

Speaker A

Seja bem-vindo, professor.

00:21

Speaker B

Obrigado, é um prazer.

00:23

Speaker A

Professor Ricardo Antunes é titular aqui do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.

00:36

Speaker A

Ele tem uma inserção internacional muito grande e é um grande estudioso das relações de trabalho, as suas obras foram traduzidas em diversos idiomas.

00:54

Speaker A

E o professor tem ministrado, não só no Brasil, mas no estrangeiro, cursos e palestras sobre o grande tema da sua investigação, que é o mundo do trabalho.

01:00

Speaker A

Até o livro, justamente, um dos livros mais conhecidos do professor é esse, Adeus ao Trabalho.

01:05

Speaker A

Que foi traduzido em diversos idiomas e que é uma referência na área.

01:09

Speaker A

Então, o nosso tema de hoje, professor Antunes, é justamente sobre isso.

01:14

Speaker A

As transformações do mundo do trabalho.

01:33

Speaker B

Claro.

01:34

Speaker B

A noção de mercado de trabalho, ela, por certo, é relevante.

01:40

Speaker B

Mas ela circunscreve o trabalho ao espaço estrito, digamos assim, da produção, da inserção profissional.

01:50

Speaker B

Quando o mundo do trabalho me obriga a pensar não só esta dimensão, não é?

02:00

Speaker B

Digamos, o espaço no trabalho, mas todo aquele conjunto de elementos que envolvem a ação da classe trabalhadora.

02:09

Speaker B

O mundo do trabalho implica em pensar, por exemplo, as ações sindicais, as formas de resistência, a consciência de classe.

02:17

Speaker B

O ideário dos trabalhadores e das trabalhadoras, as formas de ação, de luta.

02:23

Speaker B

Portanto, ele é muito mais abrangente, ele nos obriga a pensar num espaço que transcende, digamos assim.

02:30

Speaker B

Ao espaço estritamente econômico, que é aquele que, em geral, se atém.

02:36

Speaker B

Quando se trata do mercado de trabalho.

02:38

Speaker B

A minha pesquisa é sim mais abrangente.

02:40

Speaker A

É, exatamente.

02:41

Speaker A

Porque a questão central é essa.

02:43

Speaker A

Quer dizer, não estamos pensando apenas numa dimensão que seria a dimensão econômica do mercado.

02:50

Speaker A

Mas o professor está mostrando essa, esse, esses aspectos culturais, sociais, políticos.

02:57

Speaker A

Do trabalho, né?

02:58

Speaker A

Então, aí, nesse contexto, né, nesse âmbito.

03:02

Speaker A

Sabendo que é disso que estamos falando.

03:04

Speaker A

É, transformações, estamos falando em transformações do mercado.

03:07

Speaker A

Do, do mundo do trabalho.

03:12

Speaker A

Então, o que eu perguntaria agora é como o professor vê esse processo no longo prazo?

03:17

Speaker A

Porque é lógico, nós temos aí uma mudança de uma sociedade industrial.

03:24

Speaker A

Alguns chamam, né, de sociedade industrial, como sociedade pós-industrial.

03:30

Speaker A

Como uma sociedade moderna para uma pós-moderna.

03:33

Speaker A

Quer dizer, são diferentes maneiras de, de, de tratar dessa questão de, de uma, um certo tipo de organização.

03:40

Speaker A

É, do trabalho, muito centrado na, na, na empresa, na, na, na linha de montagem, coisas desse tipo.

03:47

Speaker A

E numa sociedade que cada vez mais se torna, é, como robotizada, com a introdução de métodos de, de.

03:55

Speaker A

Aliás, a diminuição da indústria também, né?

04:00

Speaker A

A diminuição percentual da indústria.

04:02

Speaker A

Crescimento dos serviços.

04:03

Speaker A

Então, gostaria que o professor falasse um pouco de, como vê esse contexto.

04:08

Speaker B

Claro.

04:10

Speaker B

Veja, a tua, são várias questões que você levanta.

04:14

Speaker B

Eu vou dar uma ideia central, depois a gente pode aprofundar aqui.

04:18

Speaker B

Ali alguns pontos.

04:20

Speaker B

Quer dizer, fundamentalmente, o capitalismo que nós tivemos no século XX, magistralmente, eh, estampada pelo Chaplin nos tempos modernos.

04:32

Speaker B

Era o capitalismo da grande indústria, do mundo maquínico, da maquinaria, da classe trabalhadora masculina.

04:40

Speaker B

Predominantemente masculina, da classe trabalhadora, digamos, da grande fábrica.

04:45

Speaker B

Esse era o, disso gerou.

04:47

Speaker B

Os italianos chamavam do operário massa, a classe trabalhadora.

04:51

Speaker B

O sindicato de, da indústria taylorista e fordista, não é?

04:55

Speaker B

E este modo de produção vigente no século XX, a partir entre 68.

05:02

Speaker B

1968 e mais especialmente 1973, ele deu sinais muito profundos de esgotamento.

05:09

Speaker B

Não é? Fundamentalmente, se pode lembrar que a, a indústria automobilística, já que ele era o protótipo desse tipo de, de fábrica, né?

05:19

Speaker B

Se você tem pátios lotados de carros produzidos, você tem que vendê-los.

05:26

Speaker B

No momento de crise, a retração do mercado, os carros ficam, os pátios ficam lotados.

05:31

Speaker B

E as fábricas tiveram grandes prejuízos.

05:34

Speaker B

Para dar um exemplo muito simples.

05:36

Speaker B

E a partir daí, dada a crise de 73.

05:40

Speaker B

Que foi muito profunda.

05:42

Speaker B

Foi uma crise estrutural muito profunda.

05:44

Speaker A

Do petróleo.

05:45

Speaker B

A gente na época chamava.

05:47

Speaker A

Mas ele é mais fundo.

05:48

Speaker B

O petróleo foi uma expressão.

05:50

Speaker A

Foi uma expressão.

05:51

Speaker B

Fenomênica dela, né?

05:52

Speaker B

Na verdade, era preciso criar, não é, pelas empresas, um novo tipo de produção que, por um lado, se apropriasse do maquinário informacional.

06:06

Speaker B

Nós já estávamos vivendo a chamada, entre aspas, revolução tecnológica.

06:12

Speaker B

A era cibernética, a era do computador.

06:17

Speaker B

E não era mais necessário que uma empresa fosse imensa, a Volkswagen do Brasil chegou a ter, eh, entre, enfim, da década de 70.

06:27

Speaker B

Início da década de 80, nas suas várias unidades no Brasil, mais de 40 mil trabalhadores.

06:34

Speaker B

A cidade, em São Bernardo, chamava-se, era uma cidade operária.

06:40

Speaker B

Tinha prefeitura, rua, delegacia, dentro da fábrica.

06:44

Speaker B

Nasce uma empresa flexível, enxuta, esparramada mundialmente.

06:50

Speaker B

E conectada por um sistema informacional digital.

06:54

Speaker B

Isto obrigou, e esta é a questão de fundo, é isso que eu venho trabalhando no Adeus ao Trabalho e nos Sentidos do Trabalho.

07:02

Speaker B

Para os meus dois livros que, para minha felicidade, entraram no debate internacional com força, não é?

07:08

Speaker A

Esse, o sentido do trabalho acaba de sair em inglês, né?

07:10

Speaker B

Isso.

07:11

Speaker B

Isso.

07:12

Speaker B

E saiu em inglês.

07:13

Speaker B

Em vários países, inclusive, na, tive a felicidade de tê-lo publicado, além de Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, na Índia.

07:20

Speaker B

Entende, que para mim, eu nunca imaginei que pudesse conhecer a Índia.

07:26

Speaker B

Ainda ter um livro lá publicado.

07:28

Speaker B

Fundamentalmente, o que se passa?

07:30

Speaker B

É uma empresa flexível, cuja produção será do produto A, B, C, D ou E.

07:34

Speaker B

Isto vale para uma escola ou para um hospital.

07:37

Speaker B

Feitas as devidas mutações, né, depois posso exemplificar.

07:42

Speaker B

E nesta empresa flexível, os capitais, as empresas querem uma classe trabalhadora flexível.

07:50

Speaker B

Uma classe trabalhadora que você emprega e desemprega de acordo com a oscilação do mercado.

07:56

Speaker B

Nasce, então, o fenômeno terrível da terceirização.

07:58

Speaker B

E a minha tese, Pedro, que eu apresento nesses dois livros, porque eu tô, nesses dois livros, eu tô dialogando com a literatura europeia, norte-americana e japonesa.

08:10

Speaker B

Fundamentalmente, é esse o meu debate, não é?

08:12

Speaker B

É que não é que você tá tendo um processo de eliminação do trabalho, você tá tendo uma mudança muito profunda no que eu chamo.

08:20

Speaker B

Na, da nova morfologia do trabalho.

08:22

Speaker B

A partir de agora, por exemplo, a informalidade, né, que era exceção 30 anos atrás.

08:30

Speaker B

Tende a ser a regra.

08:31

Speaker B

Nós estamos vendo no Brasil de hoje a implantação, para não falar, esse vem da Inglaterra, na Inglaterra, existe uma coisa chamada contrato de zero hora.

08:39

Speaker B

Zero hours contract.

08:40

Speaker B

Quer dizer, você fica trabalhando esperando com o seu telefone celular.

08:46

Speaker B

Um dia, dois dias, se no terceiro dia você recebe uma chamada, você atende aquele trabalho, faz em uma hora, volta.

08:55

Speaker B

E você recebe por uma hora, não pelas 70 horas que você tá, ou 72 horas que você tá disponível.

09:00

Speaker B

Não é? Nós, nós temos esse sistema de, de contrato de zero hora.

09:06

Speaker B

Ou do chamado Uber no Brasil, funcionando não só mais no, para, para tele, para, tem médicos que atendem chamadas telefônicas.

09:13

Speaker B

Dão uma consulta.

09:16

Speaker B

Como se fosse um, um carro, eh, do Uber, que hoje dia esse debate todo.

09:22

Speaker B

Isto cria uma classe trabalhadora sem direitos.

09:26

Speaker B

Desprotegida, desregulamentada, à margem da seguridade social.

09:32

Speaker B

As consequências disso são profundas, e é por isso que o desemprego, entre outras coisas, que o desemprego global é muito grande.

09:40

Speaker B

E os capitais estão usando essa era de desemprego global, eh, portanto, um desemprego de amplitude mundial.

09:50

Speaker B

Para destruir os direitos do trabalho que foram conquistados nos anos 30, 40, 50, 60 do século passado.

09:57

Speaker B

A informalidade deixa de ser a regra, a exceção, para tendencialmente tornar-se a regra.

10:05

Speaker B

E com ela vem terceirização, flexibilidade.

10:10

Speaker B

Tá certo? Eh, eh, precarização, que em geral, ainda que de modo diferenciado.

10:20

Speaker B

Pode ser diferente a precarização do trabalho de um médico ou de um jornalista.

10:27

Speaker B

De uma trabalhadora de serviços ou de limpeza, como nós temos na universidade.

10:32

Speaker B

Não é? E isto ataca muito, digamos assim, aqueles direitos da classe trabalhadora.

10:40

Speaker B

Num contexto que em 2008 se agudiza com a crise global de 2008 para cá.

10:47

Speaker B

As taxas europeias, norte-americanas e japonesas são de estancamento.

10:53

Speaker B

Quando o crescimento é pequeno, quando o decréscimo é grande, e quem é mais penalizada? A juventude não tem trabalho.

11:00

Speaker A

É, agora, é, justamente.

11:01

Speaker A

É, como que o professor, eh, nesse contexto geral.

11:06

Speaker A

É, a questão dos sindicatos, né?

11:10

Speaker A

Porque há uma diminuição nos países mais ricos.

11:14

Speaker A

Uma diminuição constante dos sindicalizados nas diversos países, mesmo nos países com, um país como a França, que é um país com uma tradição forte.

11:24

Speaker A

Mas também o número de, de, de sindicalizados é percentualmente é muito pequeno.

11:28

Speaker A

E é resultado desse processo que o professor está mencionando.

11:31

Speaker A

Porque, né?

11:32

Speaker A

É, então, eu pergunto, como que fica, por um lado, essa, essa, esse, por um lado, é o enfraquecimento do sindicato.

11:40

Speaker A

Mas, por outro lado, nós temos movimentos, eh, principalmente com relação a essa juventude desempregada.

11:48

Speaker A

É, que, eh, eh, tem uma, uma, uma, quase como, alguns chamam até uma espécie de revolução política.

11:56

Speaker A

Porque temos partidos como Podemos, na Espanha, que, eh, do nada, digamos assim.

12:03

Speaker A

É, a partir dessa crise de 2008 que o professor mencionou, nós temos um, um, um partido que, eh.

12:09

Speaker A

O terceiro partido e, ao mesmo tempo, com, na juventude, não é?

12:15

Speaker A

Claro.

12:17

Speaker A

Então, como que o professor vê esse contexto?

12:19

Speaker B

Claro.

12:20

Speaker B

Claro.

12:21

Speaker B

A primeira coisa.

12:22

Speaker B

Muito importante, Pedro, é o seguinte.

12:26

Speaker B

É, os sindicatos sofreram um, um, digamos, um golpe dúplice.

12:33

Speaker B

Um duplo, um golpe muito duplo.

12:35

Speaker B

O neoliberalismo já deixava claro no seu ideário, Hayek, Friedman, de que o, os sindicatos atrapalham as relações capital-trabalho.

12:43

Speaker B

Ou o sindicato é negocial, ou o sindicato reivindicativo e de classe.

12:49

Speaker B

Esse deve ser eliminado da cena mundial.

12:52

Speaker B

Então, esse é o primeiro problema.

12:54

Speaker B

E não foi fácil, o meu livro Sentidos do Trabalho, eu estudei, fiquei um ano dando aula e pesquisando na universidade inglesa.

13:04

Speaker B

Eu pude ver o neoliberalismo ali, no seu sentido mais brutal.

13:10

Speaker B

E uma das coisas que o neoliberalismo inglês fez, nos Estados Unidos também.

13:16

Speaker B

Em outros países também, foi um ataque muito duro aos sindicatos.

13:19

Speaker B

Num contexto onde o mundo da empresa e da produção se ampliou profundamente.

13:25

Speaker B

Terceirizados, feminização do mundo do trabalho.

13:30

Speaker B

Juventude, imigrantes.

13:32

Speaker B

Tudo isso quebrou aquele operário, homem, masculino, portanto.

13:40

Speaker B

É, regulamentado que garantia os sindicatos do século XX.

13:45

Speaker A

Que era o que garantia uma força, né?

13:47

Speaker B

Mas, ao mesmo tempo, você tem uma massa, por exemplo.

13:50

Speaker B

De trabalhadores jovens, você tem na Europa hoje.

13:56

Speaker B

Uma juventude de 24, 25, 26 anos, graduada, pós-graduada, que não tem emprego.

14:04

Speaker B

E que tem um nível de escolaridade, de formação, ele olha o pai com 40 e poucos anos desempregado, economista.

14:15

Speaker B

A mãe, eh, cientista social, socióloga, ou contadora, ou administradora, também com essa idade, 40, 45 anos desempregada.

14:24

Speaker B

Ele diz, por que que eu vou me estudar se eu não tenho futuro do emprego?

14:26

Speaker B

E isto gera, quer dizer, a nova morfologia do trabalho, Pedro.

14:32

Speaker B

Ela nos obriga a pensar uma nova morfologia das formas de representação do trabalho.

14:40

Speaker B

Então, muitas vezes, os sindicatos se mostram incapacitados e tem que mudar, eu participei de várias atividades na Europa.

14:50

Speaker B

Com sindicatos europeus fazendo assembleias com imigrantes, quando frequentemente o sindicato europeu se fecha para o imigrante.

14:59

Speaker B

Porque ele vê o imigrante, um dos meus, o Adeus ao Trabalho.

15:03

Speaker B

O meu livro, numa edição galega, que, que eu lancei na Galícia há 12, 15 anos atrás.

15:10

Speaker B

Foi uma assembleia com presença de imigrantes, entende?

15:13

Speaker B

Latino-americanos, que povoavam o mundo espanhol pelas facilidades, inclusive, da língua.

15:19

Speaker B

Então, nós temos, nós estamos percebendo que muitos sindicatos estão revendo e se revigorando e renascendo.

15:26

Speaker B

Também foi assim.

15:27

Speaker B

Veja, você é historiador, eh, sabe bem disso.

15:32

Speaker B

Do século XIX para o século XX, houve uma mudança muito profunda.

15:38

Speaker B

E o sindicalismo de ofício do século XIX, né, quase ainda um herdeiro dos artesãos e das manufaturas.

15:46

Speaker B

Ele se tornaram sindicatos de massa.

15:49

Speaker B

Hoje nós estamos vendo os sindicatos verticais e hierarquizados de uma indústria taylorista e fordista, eles têm que entender o que que é a indústria flexível.

15:59

Speaker B

Toyotista do nosso tempo.

16:02

Speaker B

O sindicato tem que ter um outro tipo.

16:04

Speaker B

E há experiências nesse sentido.

16:08

Speaker B

Agora, é, foi um terremoto.

16:10

Speaker B

Que se abateu sobre o mundo do trabalho.

16:12

Speaker B

O mundo do trabalho no século XXI é muito diferente do mundo do trabalho.

16:19

Speaker B

Em geral, pior.

16:21

Speaker B

É importante dizer isso, não é?

16:23

Speaker B

Eh, como num outro programa, nós podemos aprofundar essas dimensões.

16:29

Speaker B

Basta dizer isso, que a formalidade está sendo corroída pela informalidade.

16:33

Speaker B

Eu não conheço nenhum, na minha pesquisa de 40 anos, eu nunca pesquisei uma trabalhadora terceirizada.

16:40

Speaker B

Ou um trabalhador terceirizado que eu perguntasse para ele, você tá feliz como terceirizado ou terceirizada?

16:46

Speaker B

Ou você preferia ser um trabalhador estável?

16:50

Speaker B

Nunca eu encontrei, eles que ele confia no pesquisador, sabe que eu não sou um agente da empresa.

16:56

Speaker B

Ele nunca diz, não, eu tô satisfeitíssimo aqui, é bom não ter direitos, é bom ficar rodando, é bom não ter férias.

17:03

Speaker B

É bom não ter condição de, não ter sindicato para representar.

17:06

Speaker B

Não, porque é uma situação que beira, como eu disse recentemente aqui no Jornal da Unicamp.

17:10

Speaker B

A escravidão moderna, a escravidão do século XXI.

17:12

Speaker A

Olha.

17:13

Speaker B

Que é repulsiva.

17:14

Speaker A

Ah, bom, professor Ricardo, eu queria agradecer muito sua participação no programa, porque.

17:20

Speaker A

É, muitas vezes as pessoas veem esses fenômenos, como, por exemplo, a terceirização, ou outras formas de, eh, subordinação das pessoas.

17:30

Speaker A

De maneira quase que naturalizada, como se isso fosse da ordem natural do mundo.

17:35

Speaker A

Quando, na verdade, são situações históricas.

17:37

Speaker A

É, concretas que não são necessárias.

17:40

Speaker A

Claro.

17:41

Speaker A

Nós podemos mudá-las.

17:42

Speaker A

Claro.

17:43

Speaker A

Então, queria agradecer muito, professor Ricardo, por participar do programa de hoje.

17:47

Speaker B

Obrigado, foi um prazer, estamos à disposição, por suposto.

17:50

Speaker B

Um abraço.

17:52

Speaker A

É, eu lembro que este e todos os outros programas Diálogo sem Fronteira estão disponíveis para download no site da RTV Unicamp.

18:02

Speaker A

Também no canal YouTube da RTV Unicamp.

18:05

Speaker A

E com isso, eu convido a todos ao próximo programa Diálogo sem Fronteira.

Topics: mundo do trabalho flexibilização terceirização precarização capitalismo crise de 1973 classe trabalhadora contrato de zero hora informalidade direitos trabalhistas

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