**alguém já entendeu O Silêncio dos Inocentes? — Transcript & Summary | SozAI**
Source: https://sozai.app/transcript/silencio-dos-inocentes-explained/

Análise profunda de interpretações diversas do filme O Silêncio dos Inocentes, explorando temas como trauma, feminismo e teorias inusitadas.

## Key Takeaways

- O Silêncio dos Inocentes pode ser interpretado de várias formas, mas a mais consistente é a relacionada ao trauma da protagonista.
- A perspectiva feminista destaca o machismo estrutural como um tema central do filme.
- Algumas interpretações são baseadas em análises profundas, enquanto outras são especulativas e sem fundamento.
- A tradução do título do filme influencia a compreensão do seu significado.
- A exegese é uma ferramenta útil para entender a intenção original do filme.

## What the video covers

- O vídeo discute diversas interpretações do filme O Silêncio dos Inocentes, desde defesa dos animais até teorias conspiratórias.
- A interpretação mais aceita relaciona o filme ao trauma e à identidade da personagem Clarice, ligada ao título original The Silence of the Lambs.
- Explica o conceito de exegese para extrair o sentido original do texto e do filme.
- Apresenta a teoria feminista que vê o machismo estrutural como o verdadeiro inimigo do filme, destacando o tratamento dado à Clarice.
- Menciona a metáfora do esfolamento das vítimas como símbolo do sofrimento social das mulheres, segundo Elizabeth Young.
- Critica interpretações absurdas, como a de que Hannibal Lecter seria fruto de um experimento genético relacionado a Star Trek.
- Explora a diferença entre o título original e a tradução em português, e como isso afeta a percepção do filme.
- Inclui uma breve propaganda sobre tratamento para calvície, que não está relacionada ao conteúdo principal.
- O vídeo busca esclarecer qual interpretação do filme é mais coerente com o material original.
- Destaca que muitas interpretações são válidas, mas algumas são exageradas ou sem fundamento.

Answers

## Questions about this video

Qual é a interpretação mais aceita do filme O Silêncio dos Inocentes segundo o vídeo?

A interpretação mais aceita relaciona o filme ao trauma e à identidade da personagem Clarice, especialmente ligada ao título original The Silence of the Lambs, que simboliza o trauma das ovelhas.

O que o vídeo diz sobre a perspectiva feminista do filme?

A perspectiva feminista destaca que o verdadeiro inimigo no filme é o machismo estrutural, mostrando como Clarice é constantemente objetificada e humilhada por homens ao seu redor.

Por que algumas interpretações do filme são consideradas absurdas no vídeo?

Algumas interpretações são consideradas absurdas porque misturam elementos sem fundamento, como a teoria de que Hannibal Lecter seria fruto de um experimento genético ligado a Star Trek, o que não tem base no material original.

## Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:00

Speaker A

Alguns falam que é sobre defesa dos animais, outros dizem que é feminista, outros dizem que é cristão, alguns dizem que é sobre política, uns dizem que é conservador, outros dizem que é progressista.

00:11

Speaker A

Há o argumento de que ele seja um Lorde Sith, outros de que ele seja o Senhor do Tempo e até mesmo um fruto de um experimento genético.

00:20

Speaker A

Todas essas são interpretações que existem em artigos, teses de mestrado, dissertações, em toda a internet você encontra pessoas dando as mais diversas e até mesmo absurdas interpretações para o filme.

00:37

Speaker A

O Silêncio dos Inocentes, mas afinal de contas, será que alguma dessas interpretações está certa? Será que existe alguma interpretação certa?

00:49

Speaker A

Então vamos lá, eu passei os últimos dias estudando, lendo artigos, lendo, é, até mesmo dissertações, porque o meu objetivo era falar sobre o filme Silêncio dos Inocentes.

01:00

Speaker A

Eu acho que é um filme excelente, um dos melhores filmes já feitos em toda a história.

01:06

Speaker A

Mas eu já vi muitas interpretações.

01:10

Speaker A

E sempre quando eu vejo pessoas falando sobre esse filme, eu vejo trazendo uma perspectiva diferente.

01:16

Speaker A

Eu penso, ah, será que faz sentido?

01:17

Speaker A

E aí eu comecei a ver umas interpretações bem malucas aparecendo por aí.

01:24

Speaker A

Eu resolvi ver qual é a verdade por trás desse filme.

01:27

Speaker A

Então, deixa eu falar para vocês quais são as interpretações que existem.

01:35

Speaker A

Porque algumas delas, algumas delas fazem sentido.

01:40

Speaker A

Outras, meu Deus do céu.

01:44

Speaker A

O que é que está acontecendo com o povo?

01:46

Speaker A

A primeira perspectiva, que é a mais comum, você vai encontrar várias teses, dissertações, falando a respeito disso.

01:52

Speaker A

Tem a ver com o trauma.

01:54

Speaker A

O trauma e a identidade.

02:00

Speaker A

E faz sentido porque o título do filme em inglês é The Silence of the Lambs.

02:03

Speaker A

O silêncio das, dos cordeiros, das ovelhas.

02:05

Speaker A

É, dos cordeiros, né?

02:06

Speaker A

Enquanto que em português ficou o Silêncio dos Inocentes.

02:12

Speaker A

Traz ainda a mesma conotação, perde a força da representação animal que a gente vai ver que é importante para alguns.

02:18

Speaker A

Mas tem a ver com o trauma que a personagem Clarice passa.

02:22

Speaker A

O Hannibal Lecter faz essa troca, o Quid Pro Quo.

02:28

Speaker A

Que ele fala uma coisa se ela der outra.

02:32

Speaker A

Ela tem que contar da vida pessoal dela e daí ele a ajuda a encontrar o Buffalo Bill.

02:37

Speaker A

E nesse Quid Pro Quo, ela vai revelando que o pai dela, é, faleceu quando ela era pequena.

02:45

Speaker A

Ele era policial e dela vai morar com o tio.

02:50

Speaker A

Ela acorda de madrugada com o barulho das ovelhas.

02:56

Speaker A

E é um barulho ensurdecedor para ela.

03:00

Speaker A

Porque parecem crianças chorando.

03:02

Speaker A

Ela vai até lá onde ficam as ovelhas, parece que está tendo abate, ela vê as ovelhas, pega uma, sai correndo com essa ovelha para tentar salvá-la.

03:10

Speaker A

Mas não consegue correr o suficiente.

03:13

Speaker A

E ela não consegue, é, acabar com o grito das ovelhas.

03:19

Speaker A

Elas gritam no ouvido dela.

03:22

Speaker A

E o Hannibal Lecter faz a interpretação de que, ah, então é por isso que você virou policial.

03:30

Speaker A

Porque ao salvar uma vítima do Buffalo Bill, você está tentando, é, apagar ou abafar o som dos gritos dessa ovelha.

03:39

Speaker A

Você não conseguiu salvar uma ovelha.

03:42

Speaker A

Essa mulher é a sua ovelha agora que você está querendo salvar.

03:45

Speaker A

Então, essa é uma interpretação extremamente válida.

03:48

Speaker A

Perfeita.

03:50

Speaker A

Porque ela é condizente com o próprio material do filme.

03:55

Speaker A

O que acontece aqui é uma mera exegese.

03:57

Speaker A

Que que é exegese?

03:58

Speaker A

Já falei disso em outro vídeo.

04:00

Speaker A

Exegese é um termo que a gente usa normalmente para textos.

04:04

Speaker A

Pessoal do direito usa.

04:06

Speaker A

Mas eu como fiz teologia, na teologia a gente usa exegese, que é a técnica para você extrair do texto sentido.

04:14

Speaker A

Entender qual era a intenção original do escritor.

04:18

Speaker A

Para extrair o sentido do texto.

04:21

Speaker A

Isso é exegese.

04:22

Speaker A

Ah, deve ter gente que vai falar que essa é uma história sobre veganismo.

04:28

Speaker A

Cristianismo, marxismo.

04:30

Speaker A

Feminismo.

04:31

Speaker A

A gente já vai explorar isso daí.

04:34

Speaker A

Mas a mais maluca das ideias é uma que fala que o Hannibal Lecter é fruto de um experimento genético.

04:40

Speaker A

Por que eles dizem isso?

04:41

Speaker A

Porque ele tem um QI muito alto.

04:44

Speaker A

Porque ele tem olhos cor de vinho.

04:46

Speaker A

E, eu não sei se você sabe, no livro diz que ele tem seis dedos na mão esquerda.

04:53

Speaker A

E essa alteração genética faz com que depois ele altere o seu próprio nome para Khan.

05:00

Speaker A

Daí ele se torna quem?

05:01

Speaker A

O Khan de onde?

05:02

Speaker A

Do Star Trek.

05:03

Speaker A

Sim, eles conseguem unir Star Trek com Silêncio dos Inocentes.

05:08

Speaker A

Meu amigo.

05:09

Speaker A

É cada coisa.

05:11

Speaker A

O dedinho extra ali pode ser uma questão genética.

05:15

Speaker A

Realmente.

05:17

Speaker A

Tem coisa que a gente herda da genética, a gente nem faz ideia.

05:21

Speaker A

Mas a culpa é dos nossos pais.

05:22

Speaker A

Avós e tal.

05:23

Speaker A

Por exemplo, calvície.

05:24

Speaker A

Se você tem um pai, um avô que é calvo, há uma chance maior de você ser calvo.

05:29

Speaker A

Mas não é porque você herda uma coisa da genética que você tem que conviver com ela.

05:34

Speaker A

Por exemplo, a calvície é algo que você pode tratar.

05:37

Speaker A

E a melhor forma de tratar é com a Manual.

05:40

Speaker A

Porque quando você faz um tratamento com a Manual, não apenas você está usando os melhores produtos indicados para o seu caso.

05:50

Speaker A

Mas você também vai ter um acompanhamento por profissionais.

05:53

Speaker A

Então, como funciona?

05:54

Speaker A

Quando você entra no site da Manual, você preenche um questionário.

06:01

Speaker A

Onde o seu caso é avaliado por um médico.

06:06

Speaker A

E se houver recomendação, você recebe uma prescrição personalizada para o seu caso.

06:10

Speaker A

O tratamento é produzido por uma farmácia parceira e daí é enviado para você numa caixa super discreta.

06:16

Speaker A

Sem identificação da marca na parte externa.

06:19

Speaker A

E durante todo o tratamento, você tem atendimento clínico através do WhatsApp.

06:25

Speaker A

Para você poder fazer ajustes no seu acompanhamento.

06:29

Speaker A

Mas com a Manual, você faz um tratamento que já ajudou mais de 500 mil homens.

06:34

Speaker A

Você pode conferir aí as fotos do antes e depois.

06:37

Speaker A

Então, acessa o link da Manual, que está na descrição ou pelo QR Code.

06:43

Speaker A

E não esquece de usar o cupom Jurandir para você ter 40% de desconto no seu primeiro pedido e frete grátis.

06:49

Speaker B

Tem vindo muitos detetives aqui.

06:53

Speaker B

Mas tenho que dizer que não me lembro de nenhum tão atraente.

06:58

Speaker A

Existe toda a teoria feminista de gênero e poder institucional relacionada a esse filme.

07:03

Speaker A

Essa interpretação mostra que, na verdade, o grande inimigo nesse filme não era o Buffalo Bill.

07:10

Speaker A

Esse maluco, sociopata, psicopata.

07:12

Speaker A

Não.

07:13

Speaker A

Ele não é o inimigo.

07:14

Speaker A

Também não é o Hannibal Lecter.

07:16

Speaker A

Não, não, não, não.

07:17

Speaker A

O grande inimigo nesse filme é o machismo, porque a Clarice é colocada sempre com o olhar voluptuoso de homens ao seu redor.

07:24

Speaker A

Ela é humilhada nesse sentido.

07:26

Speaker A

No corredor, quando ela vai visitar o Hannibal pela primeira vez.

07:31

Speaker A

Os homens ao seu redor estão sempre tentando usá-la ou estão tratando-a apenas como um objeto de desejo.

07:38

Speaker A

Então, o grande inimigo a ser vencido nesse filme não é, nesse caso, o vilão.

07:44

Speaker A

O vilão, na verdade, é o machismo estrutural.

07:48

Speaker A

Ou a manifestação machista desses homens.

07:50

Speaker A

Existe mérito nessa abordagem a partir da perspectiva de que, realmente, esse é um filme que mostra homens que estão constantemente dando em cima da Clarice.

07:56

Speaker A

De que, claramente, ela é posicionada como a menor entre todos os que estão ali.

08:01

Speaker A

Ela é a figura feminina.

08:03

Speaker A

Que está no elevador logo no começo.

08:05

Speaker A

Cercada por homens.

08:06

Speaker A

Todos os ambientes onde ela vai, é, são de homens.

08:12

Speaker A

E esses homens muitas vezes dão em cima dela.

08:16

Speaker A

A tratam mal.

08:17

Speaker A

Mas daí a dizer que essa seja a essência da história, que é mais importante do que a questão do psicopata e tal.

08:26

Speaker A

Eu já não tenho certeza se é bem assim.

08:28

Speaker A

Mas existe, é, verdade também nessa abordagem.

08:33

Speaker A

Aí algumas vão ampliar ainda mais essa questão, dizendo que esse esfolamento que o Buffalo Bill faz nas suas vítimas.

08:40

Speaker A

Ele é um símbolo, uma metáfora do esfolamento social que acontece todos os dias com as mulheres.

08:48

Speaker A

E quem deu essa interpretação foi a Elizabeth Young em 1991.

08:53

Speaker A

Na sua obra The Silence of the Lambs and the Flaying of Feminist Theory.

08:58

Speaker A

Só que o louco é que daí esse argumento é usado tanto para defender, dizendo que, olha, está mostrando como que a sociedade trata as mulheres.

09:09

Speaker A

Esse esfolamento das mulheres.

09:11

Speaker A

Como também é utilizado para falar assim, ó, está vendo como a mulher é o sexo frágil, ela precisa ser protegida.

09:20

Speaker A

E por isso que entram as instituições, os homens para salvarem e resgatarem a mulher de pessoas violentas.

09:26

Speaker A

Então, daí existe todo um confronto nessa interpretação.

09:29

Speaker A

Existe também a leitura animal.

09:32

Speaker A

Sim.

09:35

Speaker A

A leitura animal.

09:37

Speaker A

Nesse caso, a interpretação que alguns dão é a seguinte.

09:43

Speaker A

Hannibal Lecter é um cara que tem um gosto muito peculiar para sua alimentação, né?

09:49

Speaker A

Então, ele é aquilo que alguns chamam de canibal.

09:51

Speaker A

Mas a subtrama é também sobre a Clarice está tentando superar o seu trauma de cordeirinhos.

09:58

Speaker A

Sendo transformados em deliciosos bifes.

10:02

Speaker A

E nessa interpretação, que é do Cary Wolfe e Jonathan Elmer, que fizeram todo um livro falando sobre isso.

10:10

Speaker A

E um dos capítulos desse livro, que é o Subject to Sacrifice.

10:13

Speaker A

É, num desses capítulos, ele fala sobre o Silêncio dos Inocentes com um argumento mais ou menos assim.

10:20

Speaker A

Assim como é errado o Hannibal Lecter devorar humanos.

10:26

Speaker A

É também errado, igualmente errado, eticamente errado.

10:30

Speaker A

Nós comemos cordeirinhos.

10:32

Speaker A

E é isso que essa obra está nos mostrando, que o trauma da Clarice vinha de comer carne.

10:38

Speaker A

Cordeiro.

10:39

Speaker A

Então, essa é uma obra essencialmente defensora do veganismo.

10:44

Speaker A

Então, é.

10:45

Speaker A

O Hannibal Lecter é o primeiro canibal vegano.

10:50

Speaker A

Ele representa a ordem vegana no mundo.

10:55

Speaker A

Olha que coisa legal.

10:56

Speaker A

Há também interpretações um pouco mais, digamos, técnicas.

11:00

Speaker A

De que isso daqui, na verdade, representa um rito de passagem.

11:03

Speaker A

Mas que ainda trata da questão feminina.

11:07

Speaker A

Por quê?

11:08

Speaker A

O rito de passagem é quando você retira uma pessoa de um lugar e transporta para outro.

11:14

Speaker A

Para que ela cresça e se desenvolva.

11:16

Speaker A

Eu falo bastante disso nos meus vídeos, porque é uma estrutura clássica.

11:21

Speaker A

Tanto nas culturas como também no storytelling.

11:24

Speaker A

Só que aqui a ideia é de que Clarice estaria passando pelo seu rito de passagem, porque ela precisaria aprender a ser mulher.

11:33

Speaker A

Precisaria aprender a lidar com homens.

11:40

Speaker A

E nesse rito de passagem, ela vai passar por todo tipo de homem.

11:44

Speaker A

Ela vai passar por criminosos, por mentores, por aproveitadores, por pessoas vulgares, por assediadores, por malucos.

11:51

Speaker A

Quando você olha para os homens dessa história.

11:54

Speaker A

Essa interpretação diz.

11:56

Speaker A

Você está olhando para o resumo do que é o homem.

12:00

Speaker A

E de quais são os desafios que a mulher enfrenta e, portanto, essa obra está mostrando a jornada da mulher.

12:07

Speaker A

Para viver no mundo dos homens.

12:12

Speaker A

E, portanto, Clarice, quando termina o filme, ela está apta.

12:17

Speaker A

Para sobreviver em uma sociedade tipicamente patriarcal.

12:22

Speaker A

Tem uma perspectiva que eu, essa daqui eu achei muito engraçada.

12:29

Speaker A

E ela é real.

12:30

Speaker A

Está na Vanity Fair de 2021.

12:32

Speaker A

É, é a interpretação de que, na verdade, aqui a gente tem um filme que é sobre luta de classes.

12:39

Speaker A

É óbvio, né?

12:41

Speaker A

O pessoal quer colocar luta de classes em tudo.

12:43

Speaker A

E qual que é a luta de classes aqui nesse filme?

12:47

Speaker A

Você me pergunta.

12:48

Speaker A

É, pequeno gafanhoto.

12:50

Speaker A

A luta de classes aqui se manifesta.

12:53

Speaker A

No fato de que a gente tem dois psicopatas.

12:57

Speaker A

Certo?

12:58

Speaker A

Hannibal Lecter e Buffalo Bill.

13:00

Speaker A

Só que Hannibal Lecter é tratado de forma muito diferente Buffalo Bill.

13:05

Speaker A

Buffalo Bill é pobre.

13:07

Speaker A

É simples.

13:09

Speaker A

É de uma classe inferior.

13:11

Speaker A

E, portanto, Buffalo Bill, ele é atrasado com desprezo, com nojo.

13:18

Speaker A

Seu crime é visto com nojo.

13:21

Speaker A

E é, portanto, assim, vilipendiado nesse filme.

13:25

Speaker A

Enquanto que Hannibal Lecter, por ser um homem rico, por ser um homem culto, por ser um homem de uma classe social mais abastada.

13:33

Speaker A

O seu crime não é tão vilanizado.

13:36

Speaker A

E, portanto, ele se torna um criminoso melhor para a sociedade.

13:42

Speaker A

Então, o filme seria sobre como que alguns criminosos com dinheiro são tratados de forma melhor do que criminosos sem dinheiro.

13:47

Speaker A

Então, existe também essa interpretação.

13:49

Speaker A

Olha para onde vai.

13:50

Speaker A

É claro que, como num vídeo que eu já falei, mais especificamente sobre toda a complexidade e todas as estratégias de storytelling desse filme.

13:57

Speaker A

Eu já tinha explicado que existe todo um debate com relação à questão de gênero nesse filme por conta do Buffalo Bill.

14:05

Speaker A

Se vestir como mulher e também pegar a pele ali e tal e colocar e fazer máscara e blá blá blá.

14:10

Speaker A

De movimentos de gênero dizerem que essa é uma representação homofóbica.

14:16

Speaker A

E de que, portanto, esse filme faz o que também Psicose fez e outras obras fizeram de vilanizar aquele que é diferente.

14:24

Speaker A

Aquele que tem um gênero não binário.

14:28

Speaker A

O que não faz tanto sentido, principalmente porque no próprio filme deixa-se claro de que Buffalo Bill não é transexual.

14:35

Speaker A

Deixam muito claro isso.

14:37

Speaker A

Tanto no filme quanto no livro, isso é deixado de forma muito clara.

14:42

Speaker A

De que o que ele tem é uma confusão, um distúrbio e que ele não é.

14:48

Speaker A

Então, o filme tenta, é, falar sobre isso, mas comunicação não é o que a gente tenta falar, né?

14:54

Speaker A

É o que o outro entende.

14:55

Speaker A

Existe, é claro, a interpretação de que esse filme é sobre o falo feminino.

15:00

Speaker A

Falo.

15:01

Speaker A

O falo feminino.

15:03

Speaker A

E nessa interpretação, basicamente, está falando que a personagem, que é a Clarice.

15:10

Speaker A

Ela precisa se masculinizar para que ela consiga performar.

15:15

Speaker A

E olha que até faz sentido.

15:18

Speaker A

Porque essa análise, ela mostra o seguinte, de que você tem quatro tipos de representação de homem e mulher.

15:25

Speaker A

Você tem a mulher masculinizada, que é representada pela Clarice.

15:30

Speaker A

Ela precisa se masculinizar para ela performar.

15:34

Speaker A

E você vê isso em vários aspectos nesse filme.

15:37

Speaker A

Você tem a mulher feminina, que é a vítima, que o nome dela é Catherine Martin.

15:42

Speaker A

Ela está sequestrada lá pelo Buffalo Bill.

15:45

Speaker A

Está no cativeiro.

15:46

Speaker A

Ela, claramente, é feminina, ela é toda meiga.

15:50

Speaker A

Ela tem bichinho de pelúcia.

15:52

Speaker A

Ela é toda infantilizada, meiguinha.

15:54

Speaker A

Ela é a feminina.

15:55

Speaker A

E ela é a vítima.

15:56

Speaker A

Transmitindo a ideia de, opa, mulher feminina é vítima na sociedade.

16:00

Speaker A

Você precisa ser masculinizada para você ser mais forte na sociedade.

16:04

Speaker A

Você tem o homem afeminado, que no caso é representado pelo Buffalo Bill.

16:09

Speaker A

E daí vem todo esse debate polêmico sobre a representação do homem afeminado como sendo algo criminoso ou algo abjeto.

16:18

Speaker A

Que aparece em muitas dessas interpretações.

16:20

Speaker A

E você tem o homem masculino.

16:22

Speaker A

Que é quem?

16:24

Speaker A

Hannibal Lecter.

16:26

Speaker A

Ele é o forte, ele é o dominante, ele é o cavalheiro.

16:30

Speaker A

Ele é o educado, ele é o culto.

16:32

Speaker A

Ele é o que defende Clarice.

16:34

Speaker A

Ele é o que ajuda a resolver, ele que, na verdade, resolve o crime.

16:38

Speaker A

E ele é o homem masculinizada.

16:40

Speaker A

E, no final das contas, é dele que a gente mais se lembra.

16:44

Speaker A

E ele se torna uma espécie de modelo.

16:46

Speaker A

De ícone, o que é um comentário interessante sobre como se enxergam os papéis de gênero dentro da sociedade.

16:53

Speaker A

De acordo com essa perspectiva, essa análise específica da Linda Mizejewski.

16:59

Speaker A

Que eu vou colocar as referências aí na descrição.

17:02

Speaker A

Porque é muita coisa.

17:03

Speaker A

Existe, é claro, a interpretação cristã, existe.

17:09

Speaker A

Pessoal que fica falando aí que esse é um filme cristão, porque veja, tem o cordeiro, né?

17:14

Speaker A

Ó o cordeiro, tem o cordeiro, The Silence of the Lambs.

17:18

Speaker A

O silêncio dos cordeiros.

17:20

Speaker A

Ó, o que que é o cordeiro?

17:23

Speaker A

Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, né?

17:25

Speaker A

O sacrifício do cordeiro, né?

17:27

Speaker A

Sacrificar o cordeiro, né?

17:30

Speaker A

Então, não pode colocar um cordeiro que já virou cristão.

17:33

Speaker A

Ah, tem alguns momentos que aparece cruz.

17:36

Speaker A

É difícil filmar nos Estados Unidos sem você filmar uma cruz de vez em quando, né?

17:40

Speaker A

Mas, é, eles ficam encontrando.

17:41

Speaker A

Ó, tem cruz, tem cordeiro.

17:43

Speaker A

É a questão do sacrifício aqui.

17:46

Speaker A

Olha, tem uma mensagem cristã por trás disso.

17:48

Speaker A

É claro que algumas dessas interpretações são tentativas de forçar a barra para conseguir se encaixar numa leitura.

17:56

Speaker A

Numa perspectiva, numa narrativa, numa ideologia que não necessariamente corresponde àquilo que o filme está dizendo.

18:05

Speaker A

Porque o que acontece é o seguinte.

18:08

Speaker A

O autor, o escritor, como escritor, eu sei disso e vocês que são escritores e me seguem, sabem disso.

18:15

Speaker A

Quando a gente escreve algo, a gente tem uma intenção.

18:17

Speaker A

Claro que a gente tem uma intenção.

18:18

Speaker A

A gente tem uma mensagem, a gente tem um, uma ideia que a gente gostaria de transmitir através desse personagem, dessa história.

18:24

Speaker A

Só que cinema, literatura são meios de comunicação.

18:28

Speaker A

E na comunicação, você tem tanto aquilo que você comunica e aquilo que é interpretado.

18:34

Speaker A

A sua intenção e aquilo que é recebido como comunicação.

18:39

Speaker A

Por exemplo, a intenção era fazer com que o Capitão Nascimento fosse meio que um, um vilão ali, né?

18:45

Speaker A

Brutalidade policial e tal.

18:47

Speaker A

Mas a comunicação falhou nesse sentido.

18:51

Speaker A

Porque a interpretação da maior parte do público foi de que ele é um herói.

18:55

Speaker A

Um ídolo nacional.

18:57

Speaker A

Então, apesar de eu ser um grande defensor da exegese cinematográfica, da gente entender qual era a intenção original do diretor e do roteirista com essa história, eu não descarto as interpretações que são extraídas dessa história.

19:15

Speaker A

Por pessoas que receberam essa comunicação, mas interpretaram de forma diferente da intenção original.

19:20

Speaker A

Porque é assim que funciona a vida.

19:22

Speaker A

Saiu da mão do autor, agora está sujeito.

19:25

Speaker A

A vivência da pessoa, as experiências que ele teve, a forma como ele enxerga o mundo, sua cosmovisão.

19:33

Speaker A

Tudo isso vai influenciar na forma como essa pessoa vai interpretar essa obra.

19:38

Speaker A

E não adianta, é só se a pessoa tiver a mesma cabeça, o mesmo raciocínio.

19:43

Speaker A

É, a mesma cosmovisão do diretor e do escritor.

19:48

Speaker A

Só assim que a pessoa vai entender a intenção original.

19:51

Speaker A

A não ser que o diretor manifeste.

19:52

Speaker A

A não ser que você faça o que mais de 480 mil pessoas já fizeram, se inscrever nesse canal.

20:00

Speaker A

Onde eu analiso as histórias para tentar extrair qual era a intenção original dos escritores, roteiristas, diretores.

20:06

Speaker A

Pra gente entender qual é a mensagem que eles queriam transmitir, não só as mensagens que a gente capta.

20:12

Speaker A

Mas as mensagens que eles queriam transmitir para nós através de suas obras.

20:19

Speaker A

Então, sua inscrição é extremamente valiosa.

20:22

Speaker A

Assim como aquele like maravilhoso que faz com que o nosso canal cresça cada vez mais.

20:26

Speaker A

Me diz aí nos comentários.

20:28

Speaker A

Qual que é a interpretação mais louca dessas que eu falei?

20:34

Speaker A

Qual que você acha que não é tão louca assim?

20:38

Speaker A

Que deve ser a real dessa história.

20:41

Speaker A

Aí não esquece de conhecer a Manual.

20:43

Speaker A

E garantir os seus 40% de desconto e frete grátis na primeira compra usando o cupom Jurandir.

20:49

Speaker A

Um forte abraço.

20:52

Speaker A

E a riveder-te.

Topics: O Silêncio dos Inocentes Jurandir Gouveia análise de filme trauma feminismo machismo interpretação de filme Hannibal Lecter Buffalo Bill exegese

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