**Sobre a sensação de "não ser bom o suficiente"  | ludoresponde #19 — Transcript & Summary | SozAI**
Source: https://sozai.app/transcript/sensacao-nao-ser-bom-suficiente/

Reflexão sobre a sensação de não ser bom o suficiente e como superar o perfeccionismo e a autocrítica para continuar criando.

## Key Takeaways

- A autocrítica excessiva e o perfeccionismo podem paralisar a criatividade.
- Ter um propósito autêntico e altruísta fortalece a motivação e ajuda a superar o medo.
- Aceitar imperfeições e erros é essencial para o crescimento criativo.
- A comparação constante com outros cria padrões irreais e prejudica a autoestima.
- A criação é uma forma de conexão humana, não apenas uma busca por aprovação.

## What the video covers

- A sensação de não ser bom o suficiente pode paralisar e gerar insegurança, especialmente ao se comparar com outros talentosos.
- A inspiração vem de referências grandiosas, mas isso pode criar um ideal de perfeição inalcançável.
- A mente perde a tolerância à mediocridade, especialmente à própria, causando frustração e autocrítica severa.
- A satisfação criativa é um paradoxo: o descontentamento é o que motiva a criação e o progresso.
- É importante aceitar erros e imperfeições como parte do processo criativo, plantando ideias aos poucos.
- Nietzsche é citado para enfatizar que ter um 'porquê' autêntico é fundamental para superar dificuldades.
- Motivações baseadas no ego são armadilhas; motivações altruístas e genuínas são mais resistentes ao medo e perfeccionismo.
- Superar o medo da crítica e da comparação permite pedir ajuda, aceitar defeitos e se conectar com outras pessoas.
- A aprovação de pessoas negativas não deve ser buscada; o foco deve estar no próprio crescimento e conexão verdadeira.
- Fazer coisas é, em última análise, uma forma de se conectar com pessoas queridas e compartilhar experiências.

Answers

## Questions about this video

Como lidar com a sensação de não ser bom o suficiente?

É importante reconhecer que a autocrítica e o perfeccionismo são barreiras comuns e aceitar que erros fazem parte do processo criativo. Ajustar suas motivações para um 'porquê' autêntico e menos egoísta ajuda a superar o medo e a insegurança.

Por que a comparação com outras pessoas pode ser prejudicial?

Comparar-se com outros cria um ideal de perfeição inalcançável, fazendo com que a própria mediocridade pareça uma afronta. Isso gera frustração e baixa autoestima, dificultando a continuidade do processo criativo.

Qual é o papel da insatisfação na criatividade?

A insatisfação é o que motiva a criação e o progresso. Pessoas criativas raramente estão totalmente satisfeitas, pois o descontentamento as impulsiona a continuar melhorando e inovando.

## Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:00

Speaker A

Como lidar com a sensação de que não somos bons o suficiente?

00:04

Speaker A

Tenho muitas ideias, já quis escrever livro, fazer jogo, já quis até abrir uma empresa, mas a insegurança não deixa.

00:10

Speaker A

Parece que eu fui amaldiçoado, "deus" me fez metade perfeccionista, metade procrastinador.

00:16

Speaker A

Ou seja, eu me estresso com a qualidade das coisas que eu ainda nem comecei e aí eu fico paralisado.

00:23

Speaker A

Além disso, eu me comparo MUITO com os outros, sinto que estou cercado de gente talentosa, enquanto eu sou uma farsa.

00:30

Speaker A

A filosofia teria algum conselho para mim?

00:34

Speaker A

Miguel, muito obrigado pela sua questão.

00:37

Speaker A

Normalmente, a gente quer fazer coisas, qualquer coisa, desenhar, escrever, assaltar um banco, porque nós somos inspirados por algo que já existe, convenhamos.

00:46

Speaker A

Não é qualquer algo, ninguém decide que vai fazer música porque viu Falcão no programa do Raul Gil e pensou, hum, se esses caras conseguem, eu também consigo.

00:54

Speaker A

Não, a gente olha para o Queen performando para um estádio lotado, Freddie Mercury suado, com uma voz capaz de fazer Lúcifer ter problemas de autoestima e Jesus querer descer das nuvens para pedir um teste de DNA.

01:47

Speaker A

E aí você pensa, rapaz, acho que eu vou comprar uma guitarra.

01:52

Speaker A

O seu gato lança um olhar de reprovação.

01:54

Speaker A

Que foi, Little Hitler?

01:56

Speaker A

Ano passado você comprou um teclado, no retrasado, um violão, em 2015 você comprou um kit brega funk com sanfona, flauta e mesa de DJ.

02:07

Speaker A

Hoje tá tudo jogado, será que você não aprende?

02:10

Speaker A

Não, mas dessa vez é diferente, essas compras eu fiz por impulso, mas agora eu tô melhor, mudei de psiquiatra, não tô mais ouvindo vozes, nem vendo fantasmas, os remédios estão funcionando.

02:24

Speaker A

E seu cachorro entra no quarto, I want to break free.

02:28

Speaker A

E você dá um tiro nele e liga para sua mãe, mamã, just killed a man.

02:34

Speaker A

Só que aí o cachorro era um entregador de pizza, seu gato na verdade era um pôster neonazista.

02:40

Speaker A

E você não ligou para sua mãe, e sim para a polícia.

02:43

Speaker A

O delegado diz:

02:45

Speaker A

Is this real life? Or is this fantasy?

02:48

Speaker A

Enfim, desculpa, perdi o foco.

02:51

Speaker A

O ponto é, a gente quer fazer coisas porque nossa mente foi inspirada por alguém.

02:55

Speaker A

E é comum que você se cerque de referências, especialmente em tempos de redes sociais, você vai seguindo artistas, profissionais, pessoas que parecem ter um talento natural para fazer o que você sempre quis.

03:04

Speaker A

E aí, de tão consciente que você fica da excelência, a sua mente perde a capacidade de tolerar a mediocridade.

03:12

Speaker A

Especialmente a sua mediocridade.

03:16

Speaker A

Então quando o seu bolo não fica tão bonito quanto o da foto, ou seus acordes não saem como esperado, você fica triste.

03:22

Speaker A

Quando você vai desenhar o ator do Homem-Aranha e fica parecendo aquele seu amigo da sétima série, que não sabia o nome da capital do Brasil e que vocês iam brincar de O-STOP, jogos com a letra D.

03:31

Speaker A

E ele dizia:

03:32

Speaker A

D Sims.

03:33

Speaker A

Você fica arrasado.

03:36

Speaker A

E é uma sensação especialmente amarga e solitária, porque se você vai dividir sua aflição com um amigo, é capaz que ele diga, não, pô, não tá tão ruim, é coisa da sua cabeça.

03:46

Speaker A

E aí você já pensa, ele tá dizendo isso porque é meu amigo, o desgraçado tá tentando me poupar da verdade de que o meu desenho ficou um cocô.

03:52

Speaker A

E convenhamos.

03:55

Speaker A

Faz sentido o seu raciocínio.

03:56

Speaker A

Mas não é só isso.

03:58

Speaker A

É que diferentemente de você, seu amigo não tem tantas referências na cabeça.

04:03

Speaker A

É fácil para ele ver o seu amadorismo como parte do processo.

04:08

Speaker A

Ele não tava esperando uma segunda Tarsila do Amaral.

04:11

Speaker A

Já para sua mente, isso aqui é uma afronta.

04:14

Speaker A

Porque ela foi inspirada pela grandeza.

04:16

Speaker A

Ao se cercar de referências, o seu olhar foi contaminado por um ideal de perfeição.

04:22

Speaker A

Que de um ponto de vista filosófico, se baseia numa mentira.

04:26

Speaker A

Porque veja só.

04:28

Speaker A

Num mundo perfeito, realmente perfeito, toda obra de arte viria acompanhada dos seus 300 rascunhos.

04:34

Speaker A

E talvez uma lista de concessões que o criador precisou fazer até chegar no resultado.

04:41

Speaker A

Quando a gente olha para algo supostamente perfeito, essa é a história que fica de fora.

04:47

Speaker A

Tudo que vale a pena ser feito exige um grau de sacrifício.

04:50

Speaker A

E dificilmente a gente fica satisfeito, porque a satisfação criativa é um paradoxo.

04:55

Speaker A

O que leva a gente a querer fazer coisas, em primeiro lugar, é o descontentamento.

05:00

Speaker A

Pessoas totalmente satisfeitas não têm motivo para fazer nada.

05:04

Speaker A

E eu não falo só de arte, as maiores mentes da humanidade, de cientistas, aos músicos, aos inventores.

05:10

Speaker A

Nunca estiveram satisfeitas.

05:14

Speaker A

Então, quando você olha para o seu trabalho e acha que ainda não chegou lá, não é sinal de que você deve desistir.

05:20

Speaker A

Pelo contrário, é sua mente te chamando para continuar.

05:24

Speaker A

Se a motivação humana fosse um jardim, a insatisfação seria o adubo.

05:30

Speaker A

Ela é necessária.

05:31

Speaker A

O nosso erro tá em se cercar de imagens de jardins perfeitos e querer inundar o nosso de esterco, achando que isso vai ajudar a chegar lá.

05:40

Speaker A

Esse monte de adubo só serve para afogar as nossas ideias.

05:44

Speaker A

Se merda em excesso fosse bom, todo cu teria inveja do Twitter.

05:50

Speaker A

Para que o nosso solo floresça, é preciso plantar aos poucos.

05:54

Speaker A

Aceitando erros, minhocas, flores feias.

05:58

Speaker A

Só assim você se torna um jardineiro experiente.

06:01

Speaker A

Sabendo disso, a gente pode pensar num exercício prático para acalmar a voz da autocrítica.

06:06

Speaker A

Aquela que faz a gente querer desistir.

06:10

Speaker A

Nietzsche uma vez escreveu: Aquele que tem um porquê supera qualquer como.

06:14

Speaker A

Ele se referia à nossa capacidade de não desistir, mesmo diante das adversidades.

06:19

Speaker A

Incluindo aquelas criadas pela nossa própria mente.

06:22

Speaker A

Trazendo aqui para o nosso contexto criativo, podemos complementar essa frase.

06:27

Speaker A

Aquele que tem um bom porquê supera qualquer como.

06:31

Speaker A

Porque veja só, quando o nosso porquê é baseado numa ilusão, nossa vida sempre vai ser mais difícil.

06:36

Speaker A

Por exemplo:

06:37

Speaker A

Por que você faz vídeos?

06:38

Speaker A

Se eu fosse um iludido, eu diria, porque eu quero ficar rico, porque eu quero ser famoso, porque eu quero destruir o casamento do Leon e roubar a Nilce para mim.

06:45

Speaker A

Isso aqui não funciona.

06:47

Speaker A

Não é nem que é impossível.

06:48

Speaker A

É que é uma armadilha.

06:50

Speaker A

Para onde eu olhar, sempre vai ter alguém mais rico, mais famoso, mais feliz.

06:54

Speaker A

Se eu quiser facilitar minha vida, eu preciso pensar em porquês mais condizentes com a minha realidade.

07:01

Speaker A

Nietzsche chamaria isso de porquê autêntico.

07:05

Speaker A

Por que você faz vídeos?

07:07

Speaker A

Porque eu quero ajudar meus inscritos.

07:11

Speaker A

Quero fazer a diferença no dia de alguém.

07:13

Speaker A

Nem que seja um pouco.

07:15

Speaker A

Espalhar minhas ideias por aí, até atingir o coração de quem precisa.

07:20

Speaker A

E quem sabe, com um pouco de sorte, ela perceber que também precisa de mim.

07:25

Speaker A

Afinal, o lugar dela sempre foi no Brasil, ao lado de um homem sensível, carinhoso e querido pelos animais.

07:32

Speaker A

Miau.

07:34

Speaker A

Esses tipos de porquê que não tem tanto a ver com o nosso ego, além de serem mais motivadores, são mais resistentes ao perfeccionismo.

07:41

Speaker A

Afinal, não é que nossa mente realmente espera perfeição.

07:44

Speaker A

É que ela tem medo.

07:46

Speaker A

Medo de estar tão abaixo das nossas referências que o mundo vai apontar o dedo para a gente e rir.

07:52

Speaker A

Quando você ajusta suas motivações, de modo que elas não tenham tanto a ver com você.

07:58

Speaker A

Ou se tiverem, que seja de um jeito mais gentil.

08:01

Speaker A

Fica muito mais fácil superar esse medo, porque aí de repente não existe mais tanta razão para querer se proteger.

08:07

Speaker A

Quando deixa de ser só sobre você, fica mais fácil pedir ajuda, aceitar seus defeitos.

08:12

Speaker A

Talvez até comunicar suas inseguranças através da sua arte.

08:17

Speaker A

E nesse momento acontece uma coisa muito especial.

08:20

Speaker A

Você percebe que você não tá só.

08:23

Speaker A

O mundo tá cheio de gente querida que entende o que você sente, que quer ouvir, que quer ajudar.

08:29

Speaker A

E convenhamos, é para isso que a gente faz coisas, para se conectar com gente querida.

08:34

Speaker A

Sim, existe muito babaca por aí, o medo da nossa consciência não é totalmente infundado.

08:40

Speaker A

Assim que você começar a acreditar em si, você vai encontrar gente escrota que vai focar nos seus defeitos e tentar te colocar para baixo.

08:47

Speaker A

Mas aí, cabe a questão, por que diabos você precisaria da aprovação de alguém assim em primeiro lugar?

08:53

Speaker A

É preciso imaginar um piquenique e convidar a voz cri-cri da nossa consciência para uma conversa.

08:58

Speaker A

Minha querida.

08:59

Speaker A

Você tá com medo de quê?

09:00

Speaker A

Se a gente incomodar um babaca hoje, que maravilha, é um sinal de que estamos no caminho certo.

09:07

Speaker A

Se não ficar tão bom quanto esperado, que ótimo, quer dizer que ainda dá para melhorar.

09:13

Speaker A

Se a Nilce ainda não respondeu nosso inbox, que ótimo também, é um sinal de que ainda temos muitos vídeos para criar.

09:20

Speaker A

Uma hora vai chegar nela e a sementinha da dúvida será plantada.

09:26

Speaker A

Cadê a chave?

09:28

Speaker A

Já tentou procurar em outro relacionamento?

09:35

Speaker A

Por falar em roubadas criativas.

09:38

Speaker A

Esse vídeo levou umas 100 horas para ficar pronto e o que o YouTube me paga não dá nem para quitar a luz que eu gastei editando ele.

09:45

Speaker A

Então se você gostou e quiser me dar uma forcinha, o canal agora tem Pix.

09:51

Speaker A

Agradeço de coração.

09:52

Speaker A

Qualquer quantia, de centavo em centavo, eu consigo pagar as contas e alimentar essa pancinha.

09:58

Speaker A

E se você quiser se tornar um padrinho oficial do Ludo Viajante, com R$ 3 por mês, você pode entrar no meu Apoia.se.

10:05

Speaker A

Em troca, você ganha acesso a podcasts, vídeos extras e um certificado oficial de pessoa amável.

10:11

Speaker A

Para saber mais, é só clicar aqui na tela.

Topics: não ser bom o suficiente perfeccionismo autocrítica inspiração motivação criação artística comparação autoestima Nietzsche processo criativo

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