**O que forma o sujeito hoje? | Maria Kehl, Benilto Jr., Rafaela, Rossano e Diana Corso — Transcript & SRT | SozAI**
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## Questions about this video

Como a concepção de sujeito difere entre sociedades tradicionais e a contemporânea?

Em sociedades tradicionais, o sujeito era determinado por fatores externos como família, igreja e seu lugar social. No contexto contemporâneo, o sujeito se interroga sobre si mesmo, experimentando liberdade e angústia ao escolher quem é.

O que torna uma pessoa um sujeito, segundo o vídeo?

Uma pessoa se torna um sujeito pela capacidade de dar significado às coisas, possuindo um universo simbólico que é exclusivamente humano. Além disso, o sujeito é produto do meio em que vive e se constrói a partir do contato e interação com o outro.

Quais são as três dimensões da subjetividade mencionadas no vídeo?

O vídeo menciona três dimensões: a universal, que se refere à capacidade de linguagem e expressão comum a todos; a singular, que abrange as características e trajetórias irrepetíveis de cada indivíduo; e a particular, que se refere ao contexto sócio-histórico e às experiências compartilhadas por grupos específicos.

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00:29

Speaker A

Quem sou eu? Uma pergunta que muita gente se faz ao longo da vida.

00:33

Speaker A

Talvez uma das perguntas mais difíceis de serem respondidas, o sujeito contemporâneo se interroga a respeito de si mesmo.

00:40

Speaker A

Nem sempre foi assim, em sociedades tradicionais, o sujeito era determinado pela família, pela igreja, por seu lugar na sociedade.

00:47

Speaker A

Escolher quem somos, traz liberdade e angústia.

00:51

Speaker A

Este café filosófico vai debater sobre o novo indivíduo.

00:54

Speaker A

Vivemos novas formas de estar no mundo, novos horizontes, novas tristezas e novas perguntas.

00:59

Speaker A

Afinal, quem somos nós?

00:01

Speaker B

A gente poderia conversar, conversa, colocando essa questão muito primária.

00:01

Speaker B

O que é que faz de um ser um sujeito?

00:01

Speaker C

Eu acredito que o sujeito, ele é produto do meio em que ele vive.

00:01

Speaker C

Então, ele pode ser um sujeito diferente, dependendo da época.

00:01

Speaker D

Todo um contexto em que ele está, a família em que ele vive, a sociedade em que ele, que ele convive, as pessoas com que ele participa, compartilha.

00:01

Speaker E

O que torna um sujeito, uma pessoa um sujeito, é a capacidade de dar significado às coisas.

00:01

Speaker E

Então, o universo simbólico pertence tão somente ao humano.

00:01

Speaker E

Diferentemente de um robô, poderíamos programar todos os robôs iguais, dando os mesmos que encada todos eles.

00:01

Speaker E

Enquanto que o indivíduo, o ser humano, o sujeito, não.

00:01

Speaker E

O universo simbólico pertence a ele, à sua cultura, à sua esfera de atuação.

00:01

Speaker F

O sujeito, ele se constrói mais a partir do contato com o outro, com a interação do outro.

00:02

Speaker B

A resposta à pergunta, o que é ser um sujeito?

00:02

Speaker B

Ela está sempre, eh, exigindo uma elaboração.

00:02

Speaker B

Ser um sujeito tem uma dimensão, digamos, universal.

00:02

Speaker B

No entanto, essa, essa dimensão, digamos, universal da subjetividade, que implica a gente poder ter linguagem para poder se expor, se expressar e conhecer a realidade psíquica do outro, ela é apenas, digamos, essa dimensão, eh, universal, que todos temos em comum.

00:02

Speaker B

Nós temos, evidentemente, cada um de nós nessa sala, tem coisas que são singulares, que são próprias a cada um.

00:02

Speaker B

A trajetória de cada um de nós é absolutamente irrepetível.

00:02

Speaker B

E nesse sentido, a vida subjetiva de que nós temos, e num certo sentido mais profundo, a experiência do mundo, do eu, do outro, do corpo, que cada um de nós tem, é absolutamente singular.

00:02

Speaker B

Então, num plano universal, somos todos iguais, no plano do singular, somos todos diferentes.

00:03

Speaker B

Mas há um outro plano entre um e outro, o plano do particular, do contexto sócio-histórico, no qual nós, ou muitos de nós, temos coisas em comum, diferentemente de outros grupos humanos.

00:03

Speaker B

É diferente ser um sujeito no Brasil no século XXI, numa cidade grande como Campinas, ou ser um sujeito na Arábia Saudita no século VIII.

00:03

Speaker B

Quando Maomé estava começando a sua pregação, ou ser um sujeito no deserto de Gobi, ou nas montanhas do Himalaia, ou na Grécia antiga, no século de, de Péricles ou de, de Platão.

00:03

Speaker B

Por quê? Porque o contexto sócio-histórico em que cada ser humano, eh, emerge, determina em muito o que é a visão dele do mundo, do que existe, do que não existe, do que é certo, do que é errado, do que é bom, do que é ruim.

00:03

Speaker B

Então, numa sociedade tradicional, onde o indivíduo ainda não é o valor fundamental, o que rege a vida, o que rege o sentido da existência, é uma dimensão transcendente de onde vêm os significados que são compartilhados.

00:04

Speaker B

Eh, o sentido de um conflito pessoal, o sentido de uma tragédia, eh, aquilo que organiza o que deve ser feito, o que não deve ser feito, o que é ruim e o que é bom, o que é puro e o que é impuro, não é tarefa a cargo dos indivíduos.

00:04

Speaker B

É tarefa a cargo da religião, da tradição, dos valores que são passados, eh, de geração em geração, aos quais os indivíduos se submetem.

00:04

Speaker G

Então, durante muito tempo, uma série de instituições relativamente sólidas, não é?

00:04

Speaker G

Eh, ajudaram a construir ou serviram de referencial relativamente estável para que os indivíduos respondessem a essa pergunta, não é?

00:05

Speaker G

Quem sou eu no mundo?

00:05

Speaker G

Eh, essas instituições, obviamente, eu tô falando, né, de instituições como a religião, ou a igreja, as ideologias, não é?

00:05

Speaker G

A, o, o sentido de pátria, ou patriotismo, o trabalho, né?

00:05

Speaker G

A noção de uma carreira, eh, e a família, eh, na, principalmente no sentido da noção de filiação, não é?

00:05

Speaker G

O sentido de, de, de, de alguma maneira, ter um sobrenome a zelar.

00:05

Speaker H

Na sociedade contemporânea, o passado tem pouco valor, né?


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