**A CIVILIZAÇÃO ao REDOR de um BURACO NEGRO — Transcript & Summary | SozAI**
Source: https://sozai.app/transcript/civilizacao-ao-redor-buraco-negro/

Explora a possibilidade de civilizações viverem ao redor de buracos negros, analisando diferentes cenários e desafios para a sobrevivência humana.

## Key Takeaways

- Planetas orbitando buracos negros estelares enfrentam desafios graves de estabilidade e sobrevivência.
- Buracos negros supermassivos com baixa taxa de acreção são os candidatos mais viáveis para abrigar uma civilização.
- A fonte de energia é crucial para a habitabilidade, e a radiação intensa dos quasares torna o ambiente hostil.
- A órbita de planetas em sistemas com buracos negros pode ser caótica devido ao problema dos três corpos.
- Adaptar a humanidade para viver ao redor de buracos negros exige superar desafios físicos e energéticos extremos.

## What the video covers

- O vídeo discute o futuro do universo e a necessidade de adaptação da humanidade para sobreviver ao redor de buracos negros.
- Primeira tentativa: planeta orbitando um buraco negro estelar sem fonte de energia externa, resultando em extinção devido ao frio extremo.
- Segunda tentativa: planeta orbitando um buraco negro estelar com disco de acreção ativo, mas sofre com ventos energéticos e instabilidade orbital.
- Explica o problema dos três corpos, que torna órbitas estáveis ao redor de buracos negros estelares quase impossíveis.
- Terceira tentativa: planeta orbitando um buraco negro supermassivo com alta taxa de acreção (quasar), ambiente inóspito devido à radiação intensa.
- Quarta tentativa: buraco negro supermassivo com baixa taxa de acreção, cenário mais promissor para a sobrevivência, similar ao buraco negro M87 e ao filme Interstellar.
- O vídeo usa analogias e exemplos científicos para explicar conceitos complexos como discos de acreção, radiação Hawking e estabilidade orbital.
- Inclui uma promoção educacional da plataforma Alura para aprendizado em edição de vídeo e outras habilidades.
- Discute a importância da fonte de energia para a habitabilidade de planetas ao redor de buracos negros.
- Aborda a dificuldade de manter civilizações estáveis em ambientes extremos e caóticos próximos a buracos negros.

Answers

## Questions about this video

É possível uma civilização sobreviver ao redor de um buraco negro?

Sim, mas apenas sob condições específicas, como em torno de buracos negros supermassivos com baixa taxa de acreção, onde a radiação não é tão intensa e a órbita pode ser estável.

Por que planetas orbitando buracos negros estelares têm dificuldades para manter civilizações?

Devido à instabilidade orbital causada pelo problema dos três corpos e à falta de uma fonte de energia estável, esses planetas enfrentam temperaturas extremas e riscos de serem engolidos pelo buraco negro.

O que torna os quasares ambientes inóspitos para a vida?

Quasares emitem radiação extremamente energética, incluindo raios X, ultravioleta e raios gama, que destroem atmosferas planetárias e tornam o ambiente hostil para seres humanos.

## Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:00

Speaker A

Um dia o nosso universo vai chegar ao fim, as últimas estrelas vão se apagar e com elas qualquer lembrança do que um dia foi um universo colorido e vibrante.

00:09

Speaker A

E não importa o que a gente faça ou para onde a gente corra, mesmo que a humanidade dure para sempre, nós vamos precisar nos adaptar para passarmos dessa barreira.

00:18

Speaker A

E para isso, vamos precisar aprender a viver ao redor de um buraco negro, mas será que isso é ao menos possível?

00:23

Speaker A

Nesse vídeo nós vamos aprender que sim, desde que algumas condições sejam satisfeitas.

00:29

Speaker A

Primeira tentativa.

00:30

Speaker A

Vamos começar de um jeito simples, vamos escolher um buraco negro que tem um planeta em órbita, nesse primeiro caso, o buraco negro é estelar.

00:37

Speaker A

Ou seja, ele não é um monstro galáctico como o buraco negro no centro da nossa galáxia, e sim um buraco negro com algumas vezes a massa do Sol.

00:47

Speaker A

E o planeta é exatamente como a Terra, uma curiosidade, se o Sol fosse transformado em um buraco negro com a mesma massa que a nossa estrela tem hoje em dia, todos os planetas continuariam orbitando da mesma forma.

00:56

Speaker A

E eu consigo ver vocês digitando nos comentários me xingando, mas isso é verdade.

00:59

Speaker A

Soa errado, mas é verdade.

01:42

Speaker A

A principal diferença é que o Sol seria comprimido até ficar um pouco maior do que o Monte Everest, e ele também perderia o seu brilho no processo.

01:49

Speaker A

Não existe risco de jatos ou ventos aqui, porque o buraco negro não está se alimentando de nada, até mesmo a radiação Hawking, que é o processo que faz buracos negros evaporarem aos poucos, é lento o suficiente para não afetar diretamente o planeta, tudo parece perfeito até aqui, certo?

02:05

Speaker A

Errado, nenhum mês depois, nós percebemos que não existe mais civilização no planeta, a humanidade chegou à completa extinção.

02:13

Speaker A

Por ser um planeta que não recebe uma fonte de energia, ele é um mundo congelado e inabitável, é impossível de produzir alimentos na superfície.

02:23

Speaker A

As temperaturas são baixas demais para a vida como nós conhecemos, o planeta inteiro vira uma espécie de Terra congelada com quase nenhum sinal de vida.

02:29

Speaker A

E esse foi o nosso maior erro ao escolher esse planeta, nós estávamos tão focados em buscar algo semelhante à Terra e nos perigos de um buraco negro.

02:40

Speaker A

Que nós esquecemos do mais importante, não existe nenhuma fonte de calor sem ser a do próprio planeta, que não é suficiente.

02:49

Speaker A

Mas fiquem tranquilos, finjam que isso nunca aconteceu.

02:52

Speaker A

Nós ainda temos algumas tentativas.

02:55

Speaker A

Só antes de continuar, enquanto você vê essa linda imagem de um buraco negro.

03:00

Speaker A

Que tal tirar alguns minutos do seu dia para aprender uma nova habilidade?

03:04

Speaker A

Recentemente eu comecei a estudar edição de vídeos novamente.

03:10

Speaker A

E sabem onde tem uma formação inteira disso?

03:14

Speaker A

Na Alura.

03:16

Speaker A

Parceira de longa data do canal.

03:18

Speaker A

Na Alura vocês podem aprender desde programação até motion graphics para fazer vídeos que nem esse é do canal.

03:26

Speaker A

E tudo com apenas uma assinatura, são mais de 1.400 cursos no total.

03:30

Speaker A

E você tem 15% de desconto se você usar o QR code que está aparecendo na tela ou o link alura.tv/cienciatododia.

03:39

Speaker A

Só não demore muito porque esse desconto não vai ser de 15% para sempre.

03:43

Speaker A

E agora, voltando ao vídeo.

03:46

Speaker A

Segunda tentativa.

03:47

Speaker A

Dessa vez nós vamos escolher um buraco negro estelar, ou seja, com massa poucas vezes maiores do que a do nosso Sol, que tenha um planeta parecido com a Terra orbitando.

04:00

Speaker A

Mas diferente da última, nós vamos supor que o buraco negro está se alimentando de uma estrela companheira, uma binária de raio X.

04:10

Speaker A

Agora sim, o disco de acreção que se forma ao redor do buraco negro serve como fonte de calor.

04:19

Speaker A

Assim como a estrela que está sendo devorada.

04:23

Speaker A

Mas um fato curioso começa a surgir, a órbita do planeta é um pouco estranha.

04:30

Speaker A

Ela não parece seguir uma órbita de fato, pelo menos não do jeito que nós estamos acostumados.

04:38

Speaker A

Com órbitas quase circulares e perfeitas ao redor do Sol.

04:43

Speaker A

Mas o planeta sobreviveu a todo esse tempo ao redor de um buraco negro.

04:50

Speaker A

Então, meio que parece que nós podemos ignorar isso, né?

04:53

Speaker A

Talvez a órbita esteja seguindo um padrão que nós não conseguimos captar de primeira.

04:58

Speaker A

O que importa é que dessa vez a superfície não está congelada.

05:03

Speaker A

Mas até conseguimos ver água líquida e algo verde no planeta.

05:09

Speaker A

Bem parecido com a forma que nós vemos a Terra do espaço.

05:13

Speaker A

Nos primeiros momentos, nós percebemos que a civilização se adapta bem nessas condições.

05:19

Speaker A

Apesar de ter uma temperatura maior do que a da Terra.

05:22

Speaker A

Ok, parece que nós finalmente acertamos e aprendemos com o erro do passado.

05:28

Speaker A

E encontramos um canto para a humanidade prosperar ao redor de um buraco negro.

05:33

Speaker A

Até que, quando nós olhamos de novo para o sistema, nós não encontramos mais o planeta.

05:38

Speaker A

Puf.

05:40

Speaker A

E depois de analisar imagens de telescópios, nós percebemos que um vento energético escapou do sistema buraco negro estrela e acertou em cheio o planeta.

05:50

Speaker A

Isso fritou a atmosfera dele e alterou o curso da sua órbita, o que fez com que ele passasse perto demais do buraco negro e fosse engolido no processo.

06:00

Speaker A

Em questão de dias, o planeta foi transformado em um espaguete e sugado para dentro do buraco negro.

06:05

Speaker A

E quando achamos que não poderia piorar, a estrela explode alguns anos depois.

06:13

Speaker A

Porque o buraco negro engoliu grande parte da sua matéria, fazendo ela colapsar.

06:18

Speaker A

Mesmo se não fossem os ventos energéticos que o buraco negro emite, o planeta provavelmente acabaria sendo engolido em algum momento.

06:30

Speaker A

Esse é o famoso problema dos três corpos.

06:33

Speaker A

O movimento das órbitas acaba ficando caótico.

06:40

Speaker A

E mesmo se o planeta não tivesse sido engolido, a explosão da estrela faria com que ele fosse frito ou pelo menos ejetado do sistema estelar.

06:50

Speaker A

Destinado a congelar no espaço.

06:53

Speaker A

Ok, parece que nós estamos chegando em um padrão aqui.

06:57

Speaker A

Quem sabe o problema sejam buracos negros estelares.

07:01

Speaker A

Eles podem ser mais perigosos do que os supermassivos.

07:06

Speaker A

E isso é verdade.

07:07

Speaker A

É quase impossível que uma órbita seja estável por tanto tempo ao redor de buracos negros estelares.

07:17

Speaker A

Qualquer mínima perturbação alteraria o curso do planeta.

07:24

Speaker A

E qualquer civilização na superfície ficaria vulnerável demais por conta disso.

07:29

Speaker A

Terceira tentativa.

07:30

Speaker A

Dessa vez nós vamos fazer direito.

07:32

Speaker A

Ao invés de um buraco negro pequeno com poucas vezes a massa de uma estrela, nós vamos pegar um buraco negro supermassivo com milhões de vezes a massa do Sol.

07:40

Speaker A

E para evitar o frio, nós vamos supor que esse buraco negro está se alimentando com uma taxa de acreção bem alta.

07:47

Speaker A

O que aconteceria com um planeta orbitando esse buraco negro?

07:51

Speaker A

Primeiro nós precisamos considerar que ele vai estar distante o suficiente do buraco.

07:59

Speaker A

É, antes mesmo a gente escolher o planeta, ele foi atingido por radiação.

08:03

Speaker A

Que destruiu sua atmosfera.

08:05

Speaker A

Mas temos um nome especial para buracos negros que se alimentam com taxa de acreção alta.

08:11

Speaker A

Quasar.

08:12

Speaker A

Eles são objetos tão brilhantes que quando eles foram descobertos pela primeira vez, muitos astrônomos confundiam eles com estrelas.

08:20

Speaker A

Olhando para essa imagem aqui, você consegue dizer qual que é o quasar a 9 bilhões de anos luz da gente.

08:30

Speaker A

E qual é a estrela apenas alguns anos luz?

08:33

Speaker A

Se você respondeu que o quasar é o da esquerda, parabéns, você acertou.

08:38

Speaker A

Buracos negros que se alimentam com uma taxa de acreção alta podem ser considerados quasares.

08:47

Speaker A

O problema de tentar encontrar uma zona confortável em torno de um quasar é que eles são extremamente energéticos.

08:55

Speaker A

Muito mais energéticos do que um planeta suportaria.

09:00

Speaker A

Boa parte do espectro que é emitido por um quasar desse está nos comprimentos de onda dos raios X, ultravioleta e até raios gama.

09:09

Speaker A

E acho que você já consegue imaginar que mesmo se conseguíssemos colocar a civilização ao redor de um.

09:17

Speaker A

Seria um lugar inóspito para seres humanos.

09:20

Speaker A

Então vamos evitar buracos negros supermassivos famintos.

09:26

Speaker A

Quarta tentativa.

09:27

Speaker A

Agora nós vamos escolher um buraco negro supermassivo, mas com taxa de acreção baixa.

09:35

Speaker A

Muito parecida com a do M87 estrela, o primeiro buraco negro que nós também fizemos uma imagem.

09:41

Speaker A

Esse buraco negro lembra muito Gargantua do filme Interstellar.

09:49

Speaker A

E se você já viu o filme, você sabe que planetas podem orbitá-lo.

09:53

Speaker A

E eu sei que filmes geralmente são péssimas fontes de fatos científicos, mas nesse filme especificamente, o próprio físico Kip Thorne, que já ganhou um Nobel, ajudou a escolher o tipo de buraco negro que poderia abrigar planetas com vida e zonas habitáveis ao redor.

10:04

Speaker A

A zona habitável de um objeto é a região onde é possível a existência de água líquida.

10:10

Speaker A

E cada objeto tem uma zona habitável.

10:13

Speaker A

Se nós colocássemos um planeta ao redor desse buraco negro.

10:20

Speaker A

Nós teríamos um cenário bem parecido com o que acontece no Interstellar.

10:24

Speaker A

E assim como no filme, tudo parece funcionar.

10:27

Speaker A

O planeta não pode estar perto demais do buraco negro porque ventos energéticos são ejetados a todo momento.

10:36

Speaker A

E eles são energéticos o suficiente para fazer o planeta inteiro evaporar.

10:40

Speaker A

Ao invés disso, nós vamos colocar o planeta em uma posição um pouco mais confortável e mais distante.

10:48

Speaker A

E de início, tudo parece funcionar.

10:51

Speaker A

Mas temos uma temperatura agradável e uma fonte de energia que vem do disco de acreção do buraco negro.

10:58

Speaker A

Ele até ilumina o céu.

11:00

Speaker A

A única desvantagem parece ser o clima.

11:03

Speaker A

É como se não existisse um gradiente de temperatura.

11:08

Speaker A

Todo o planeta está sempre na mesma temperatura.

11:11

Speaker A

E isso acontece porque esse planeta só recebe um comprimento de onda específico.

11:19

Speaker A

Que é o suficiente apenas para deixar ele quentinho.

11:22

Speaker A

Além disso, não existe uma definição precisa de ano ou de dia, porque por efeitos gravitacionais, a luz está em todo o globo o tempo inteiro.

11:33

Speaker A

Ok, mas eu acho que nesse ponto a gente poderia concordar que, bom, poderia ser pior.

11:37

Speaker A

Pelo menos parece ser um lugar em que dá para a vida se manter mesmo com esses obstáculos.

11:43

Speaker A

Mas com o tempo, qualquer civilização morando num planeta assim perceberia que é muito difícil de produzir alimentos.

11:50

Speaker A

As pessoas ficariam doentes com frequência e a taxa de natalidade diminuiria drasticamente.

11:56

Speaker A

Em pouco tempo, a civilização encontraria o fim.

12:01

Speaker A

Já que muitos não conseguiriam sobreviver aquele sistema.

12:05

Speaker A

E isso é impressionante e um tanto quanto inesperado.

12:09

Speaker A

Porque ali parecia ser exatamente o tipo de lugar que nós estávamos procurando.

12:16

Speaker A

Na zona habitável, sem perigo de algo energético atingir o planeta, energia o suficiente.

12:22

Speaker A

Então nós quebramos a cabeça para compreender o que aconteceu.

12:27

Speaker A

E finalmente nós entendemos.

12:29

Speaker A

Algumas moléculas complexas e essenciais à vida necessitam de fótons de energias diferentes para serem quebradas.

12:37

Speaker A

Pensem comigo.

12:40

Speaker A

Nós sabemos que o Sol tem um pico de emissão no espectro do visível.

12:48

Speaker A

Que é o suficiente para nos dar energia aqui na Terra.

12:53

Speaker A

Só que o Sol também emite, em intensidades mais baixas, tanto ondas mais energéticas quanto ondas menos energéticas.

13:03

Speaker A

Mas por mais que alguns desses fótons sejam energéticos demais para nós, como por exemplo, a radiação UV, eles ainda são essenciais para quebrar e transformar moléculas que são essenciais para a vida.

13:14

Speaker A

Claro que quando nós colocamos o planeta onde só existe um tipo de comprimento de onda chegando e apenas uma temperatura.

13:23

Speaker A

Em algum momento isso ia afetar os seres humanos.

13:26

Speaker A

É uma consequência indireta e inesperada.

13:32

Speaker A

Mas que mesmo assim levaria a civilização ao redor do buraco negro ao colapso.

13:38

Speaker A

Então, mais uma vez.

13:40

Speaker A

Nós vamos resetar o nosso experimento porque ainda não deu certo.

13:45

Speaker A

Tentativa final.

13:46

Speaker A

Dessa vez nós vamos caprichar em escolher um buraco negro supermassivo e solitário.

13:53

Speaker A

Ele simplesmente não está engolindo nada.

13:57

Speaker A

E nem existem estrelas por perto.

13:59

Speaker A

A radiação Hawking é tão fraca que ela é praticamente imperceptível.

14:03

Speaker A

Ela não interfere em nada no planeta.

14:05

Speaker A

A princípio, esse cenário não parece oferecer nenhuma zona habitável.

14:11

Speaker A

Justamente pelo buraco negro não oferecer nenhuma fonte de energia.

14:16

Speaker A

E esse pode parecer um erro muito parecido com o da nossa primeira tentativa, até porque o grande problema naquela tentativa foi o planeta não ter uma fonte de energia e acabar congelando.

14:26

Speaker A

Mas eu gostaria que todos nós tivéssemos um pouco de paciência porque eu já vou explicar o motivo dessa escolha.

14:35

Speaker A

Para convencer você de que essa é a nossa melhor opção, eu preciso que você pense no filme Interstellar.

14:43

Speaker A

E na maneira como eles lidam com o problema de dilatação temporal.

14:47

Speaker A

Basicamente, quando dois astronautas vão para um planeta próximo ao buraco negro, o tempo para eles passa de uma forma muito mais lenta.

14:56

Speaker A

Quando eles voltam para a nave, eles percebem que anos se passaram, enquanto para eles, apenas algumas horas haviam passado.

15:03

Speaker A

E isso é um efeito real e inclusive é medido aqui na Terra.

15:08

Speaker A

Obviamente, de uma forma bem menos intensa.

15:10

Speaker A

Mas o que pouca gente sabe é que esse efeito é válido para comprimentos de onda da luz também.

15:16

Speaker A

E aqui fica perfeito dar um exemplo.

15:18

Speaker A

Imaginem que o astronauta que ficou na nave está mandando um sinal por segundo.

15:25

Speaker A

Os astronautas que estão no planeta vão receber 60.000 sinais por segundo.

15:32

Speaker A

Porque duas horas no planeta equivale a anos na nave.

15:36

Speaker A

Agora transforme isso para a frequência da luz, se o astronauta na nave mandar um sinal de luz com frequência baixa.

15:43

Speaker A

Os astronautas no planeta vão receber esse sinal com uma frequência bem mais alta.

15:49

Speaker A

Frequências mais altas significam fótons mais energéticos.

15:55

Speaker A

Podendo aquecer o planeta de uma forma bem semelhante ao que o Sol faz com a gente.

15:59

Speaker A

E o próprio universo oferece uma frequência, um resíduo do Big Bang.

16:05

Speaker A

Chamada de radiação cósmica de fundo em microondas, ou CMB.

16:10

Speaker A

Para nós aqui na Terra, a radiação cósmica de fundo é quase imperceptível, com os seus meros 2 Kelvin de temperatura, ou menos 271,15 graus Celsius.

16:22

Speaker A

Nós só conseguimos medir ela com telescópios especiais.

16:27

Speaker A

Mas para um planeta próximo o suficiente de um buraco negro, a radiação cósmica de fundo poderia ser dilatada para comprimentos de onda semelhantes ao do Sol.

16:36

Speaker A

Ou seja, a radiação cósmica de fundo seria como se fosse o Sol no céu, ela funcionaria como uma fonte de energia para o planeta, inclusive possibilitando a existência de água líquida.

16:46

Speaker A

Então, ok, nós resolvemos o problema de energia.

16:49

Speaker A

Os problemas associados a uma possível destruição pelo buraco negro ou por estrelas também já foram resolvidos.

16:55

Speaker A

Porque agora nós estamos em uma zona segura.

16:57

Speaker A

A civilização poderia viver ao redor desse buraco negro.

17:01

Speaker A

O único problema é que dia e noite não seriam conceitos para esse planeta.

17:06

Speaker A

Porque a radiação cósmica de fundo vem de todas as direções do universo.

17:13

Speaker A

Então o planeta inteiro estaria englobado por essa estrela artificial que o efeito criaria no céu.

17:20

Speaker A

As estações do ano também seriam todas iguais.

17:23

Speaker A

A própria ideia de ano não existiria.

17:26

Speaker A

Seria como viver em um verão eterno sendo dia eternamente.

17:32

Speaker A

Um planeta onde as próximas gerações não saberiam o que que é um céu escuro.

17:38

Speaker A

Talvez só pelo ponto no céu onde estaria o buraco negro que essa civilização poderia ter uma ideia do que que é o ter um céu escuro.

17:44

Speaker A

Ou pelo menos um pedaço do céu escuro.

17:46

Speaker A

E é claro que nem isso seria para sempre.

17:50

Speaker A

Eventualmente algo poderia chegar até o buraco negro, mesmo que demorasse centenas de milhares de anos.

17:56

Speaker A

E além disso, a radiação cósmica de fundo enfraqueceria ano após ano, conforme o universo esfria.

18:03

Speaker A

Isso demoraria bastante tempo.

18:07

Speaker A

Mas ela também teria um prazo de validade.

18:10

Speaker A

Ou seja, seria um abrigo temporário para a humanidade.

18:16

Speaker A

Se a pergunta é se poderíamos viver em torno de um buraco negro.

18:20

Speaker A

Então, sobre condições extremamente específicas, a resposta é sim.

18:24

Speaker A

Mas isso seria tão específico, mas tão específico que é até difícil de encontrar um sistema assim no universo.

18:30

Speaker A

Mas o universo é grande, existe uma probabilidade não nula de existir algum sistema assim por aí.

18:35

Speaker A

E para mim, a lição que fica desse vídeo é que não importa o quão avançada seja a nossa tecnologia ou o nosso entendimento do cosmos.

18:40

Speaker A

Nós nunca vamos poder nos tornar imortais.

18:44

Speaker A

Simplesmente aceitem isso.

18:46

Speaker A

Muito obrigado.

18:48

Speaker A

E até a próxima.

Topics: buraco negro civilização habitabilidade universo planeta disco de acreção quasar radiação problema dos três corpos astrofísica

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