**📖 Artigo 5º - Os desafios da adoção no Brasil — Transcript & Summary | SozAI**
Source: https://sozai.app/transcript/artigo-5-desafios-adocao-brasil/

Discussão sobre os desafios legais e sociais da adoção no Brasil, incluindo requisitos, processos e mudanças recentes no sistema nacional.

## Key Takeaways

- A adoção no Brasil é legalmente acessível, mas o processo pode ser longo e exige preparação emocional.
- A busca ativa ajuda a reduzir o descompasso entre crianças disponíveis e famílias adotantes.
- Não há restrições legais para solteiros ou casais homoafetivos adotarem.
- O acompanhamento judicial e o período de convivência são essenciais para o sucesso da adoção.
- Campanhas e grupos de apoio são fundamentais para ampliar a aceitação de perfis diversos de crianças para adoção.

## What the video covers

- Quase 5.000 crianças e adolescentes aguardam adoção no Brasil, com mais de 35.000 pessoas habilitadas para adotar.
- O artigo 5º da Constituição é citado para contextualizar a base legal da adoção.
- Requisitos legais incluem documentos pessoais, comprovante de renda, residência, atestado de sanidade física e mental, e curso preparatório.
- O processo de adoção varia em duração conforme a vara da infância, podendo ser mais rápido ou demorado.
- O desejo e a preparação emocional são fundamentais para quem deseja adotar, além do apoio de grupos e da defensoria pública.
- Não há restrições para pessoas solteiras, casais homossexuais ou homens e mulheres isolados adotarem.
- A busca ativa é uma ferramenta importante para conectar crianças mais velhas, grupos de irmãos e crianças com necessidades especiais a famílias adotantes.
- Existe um período de convivência supervisionada antes da adoção definitiva, com acompanhamento judicial.
- Campanhas recentes têm ampliado a aceitação da adoção tardia e de irmãos, mudando a cultura dos adotantes.
- O processo legal é rigoroso e exige paciência, dedicação e compreensão dos desafios da parentalidade adotiva.

Answers

## Questions about this video

Quais são os principais requisitos legais para adotar uma criança no Brasil?

Os requisitos incluem documentos pessoais, comprovante de renda e residência, atestado de sanidade física e mental, além da participação em um curso preparatório.

Pessoas solteiras podem adotar no Brasil?

Sim, não existem restrições para pessoas solteiras, casais homossexuais ou homens e mulheres isolados adotarem, desde que estejam dispostos a assumir a parentalidade.

O que é a busca ativa no contexto da adoção?

A busca ativa é uma ferramenta que conecta crianças mais velhas, grupos de irmãos e crianças com necessidades especiais a famílias adotantes em todo o Brasil, facilitando o encontro entre adotantes e adotados.

## Full Transcript — Download SRT & Markdown

00:12

Speaker A

Quase 5.000 crianças e adolescentes esperam por uma adoção e pouco mais de 35.000 pessoas estão aptas a adotar no Brasil.

00:26

Speaker A

Os dados são do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de Justiça.

00:33

Speaker A

No artigo 5º de hoje, vamos falar sobre os requisitos legais e o processo para adotar um filho.

00:34

Speaker A

Antes, vamos ver o que diz a Constituição.

00:37

Speaker A

O artigo 5º da Carta Magna diz que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

00:44

Speaker A

E para falar sobre esse tema tão importante, eu recebo Karini Abritta, defensora pública do Distrito Federal, e Soraya Pereira, que é psicóloga clínica e social, presidente da ONG Aconchego e também membro da diretoria técnica da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção.

00:59

Speaker A

Muito obrigada pela presença de vocês aqui.

01:05

Speaker A

Doutora Soraya, vou começar com uma pergunta clássica.

01:10

Speaker A

É fácil adotar uma criança ou adolescente no Brasil?

01:14

Speaker B

É fácil adotar, mas é difícil ser pai e mãe.

01:39

Speaker A

Doutora Karini, falando do ponto de vista legal, quais são os requisitos para quem quer se tornar um pai, uma mãe?

01:46

Speaker C

Olha, a lei, o artigo 197 A do Estatuto da Criança e do Adolescente, traz lá todos os documentos que são necessários para a adoção.

01:52

Speaker C

É, documentos pessoais, comprovante de renda, residência, um atestado de sanidade física e mental, dá entrada no processo de adoção, faz um curso preparatório.

02:05

Speaker C

E não tendo nenhuma contraindicação, normalmente, essa pessoa sozinha ou não, é, um casal, ele pode ser declarado habilitado para adotar e entrar na fila para receber uma criança ou um adolescente.

02:14

Speaker A

Existe um prazo médio que se leva nesse processo de adoção?

02:20

Speaker C

Varia muito de varas da infância no país todo.

02:24

Speaker C

Tem varas da infância que é bem rápido e tem varas da infância que é bem devagar.

02:35

Speaker C

É, em Brasília, temos apenas uma vara da infância e às vezes demora um pouco.

02:43

Speaker C

Porque é um curso preparatório, às vezes, que a pessoa não entende aquela necessidade de fazer e acaba se prolongando muito nisso.

02:49

Speaker A

Doutora Soraya, a gente sabe que o passo a passo, ele é necessário, são vários, eh, caminhos a serem seguidos que são muito importantes para garantir o sucesso dessa adoção.

02:59

Speaker A

Mas por onde começar?

03:01

Speaker B

Eu acho que se preparar, né?

03:02

Speaker B

Se preparar o querer, o desejo.

03:04

Speaker B

Porque assim, eh, um filho, ele, ele é um produto de um desejo, de um movimento, né?

03:12

Speaker B

Interno de desejo, então você primeiro precisa realmente se preparar e querer um filho, querer ser mãe, querer ser pai, né?

03:20

Speaker B

Essa, essa filiação, exercer essa parentalidade.

03:22

Speaker B

E é começar sempre pela defensoria que começa, né?

03:24

Speaker B

Entregando a documentação.

03:26

Speaker B

Tem, tem que fazer o, o, passar por esse curso preparatório.

03:30

Speaker B

Então, é um, um movimento onde você tem que se dedicar e, e investir nesse conhecimento.

03:37

Speaker A

Então, a gente pode dizer que o primeiro passo seria buscar apoio num grupo desses, até para saber como é o processo, como, quais são as características, né?

03:45

Speaker A

De um processo por adoção, de uma filiação por adoção.

03:48

Speaker B

Sim, né, o ideal seria procurar um grupo de apoio na sociedade, né?

03:53

Speaker B

Tem grupos de apoio que, eh, que funcionam online.

04:00

Speaker B

Então, é, acho que essa busca, né, pela defensoria e um grupo de apoio, eu acho que é o, o ideal.

04:05

Speaker A

E pessoas solteiras, Doutora Karini, conseguem passar pelo processo normalmente?

04:11

Speaker A

Quais são as restrições que existem?

04:14

Speaker C

Não existem restrições nesse sentido.

04:20

Speaker C

Pessoas solteiras, homens solitários, mulheres solitárias, eh, casais homossexuais, todos podem adotar.

04:25

Speaker C

Não existe essa restrição no Brasil.

04:30

Speaker C

O que precisa realmente é a pessoa estar disposta à adoção.

04:35

Speaker C

A criar uma família, a ter uma família, eh, e aceitar os desafios da parentalidade.

04:41

Speaker A

Bom, nós vamos assistir agora a uma reportagem aqui da Rádio TV Justiça sobre mudanças recentes no Sistema Nacional de Adoção.

04:48

Speaker A

A ferramenta de busca ativa, ela tem ajudado muito no processo de adoção?

04:53

Speaker A

Quais são as características aí dessa ferramenta?

04:58

Speaker C

Eu acho que até a Soraya vai poder falar bastante sobre isso.

05:02

Speaker C

Porque é exatamente isso, a gente vê uma divergência muito grande entre a quantidade de crianças maiores e adolescentes que estão disponíveis para adoção e, e vários, eh, casais, eh, e famílias esperando na fila para adoção há bastante tempo e não fecha a conta.

05:07

Speaker C

Então, assim, a busca ativa é exatamente aquela idealização, eu acho.

05:13

Speaker C

Que assim, você vê a criança e, e acha que ali, acredita que ali deu, deu match, né?

05:17

Speaker A

Muitas vezes a pessoa vai pensando num perfil, quando encontra a criança, já muda totalmente de ideia, graças a essa ferramenta, Doutora Soraya.

05:25

Speaker B

Então, normalmente a busca ativa, eh, são, eh, crianças e, e adolescentes que, de alguma maneira, eles não puderam pertencer a uma família naquela região deles.

05:32

Speaker B

E aí eles entram para um cadastro para serem, eh, também, como é que se diz, que a gente pode fazer, passar por essas ligações do Brasil inteiro, tá?

05:36

Speaker B

Então, assim, normalmente são crianças mais velhas, grupos de irmãos e são, ou crianças que, que necessitam de um cuidado todo especial, bem específico, né?

05:43

Speaker B

Então, assim, pode dar certo?

05:45

Speaker B

Pode.

05:46

Speaker B

Pode dar errado?

05:48

Speaker B

Pode, assim como o filho consanguíneo.

05:50

Speaker A

E aí tem um período de convivência antes?

05:53

Speaker B

Tem.

05:54

Speaker C

Criança, bebezinho recém-nascido, pode ser um período mais curto, né?

05:58

Speaker C

Até porque, eh, portátil se adapta facilmente.

06:01

Speaker C

A família que às vezes precisa de um tempo maior.

06:03

Speaker A

Aí eles se conhecendo também.

06:04

Speaker C

É, é, na verdade, quando se tem uma resistência em, às vezes, em relação a algum familiar ou mesmo em relação a um dos irmãos, quando é grupo de irmãos, normalmente se pode estender esse estágio de convivência, que se fala.

06:10

Speaker C

Mas isso já é dentro do processo de adoção.

06:12

Speaker C

A criança já está vinculada àquela família e já está residindo com eles, né?

06:17

Speaker C

É uma situação de que já está, assim, a meio caminho da adoção.

06:22

Speaker C

Inclusive, existe penalidade se você desiste dessa criança que você, eh, já está nessa convivência diária com ela.

06:27

Speaker A

Mas tem uma convivência também, alguns encontros antes dessa parte aí?

06:32

Speaker A

Até para ver como é que vai ser, como é que um vai lidar com o outro?

06:35

Speaker B

Sim, sim, né, antes disso tem um, todo um acompanhamento, normalmente é o judiciário que faz isso, né?

06:40

Speaker B

De, de fazer esse encontro, todo, toda a adoção, a parte do encontro é com o judiciário, né?

06:46

Speaker B

E, e aí fica, né, a, os profissionais ficam acompanhando, tem algumas visitas, alguns encontros.

06:54

Speaker B

Depois de um tempo é que é liberado para, para ir para casa e aí a convivência é maior, né?

07:00

Speaker A

Bom, nós temos uma pergunta de telespectador sobre esse tema, vamos conferir.

07:08

Speaker A

Doutora Soraya.

07:12

Speaker B

Sim, né?

07:13

Speaker B

Normalmente, no imaginário das pessoas, né, eh, existe a famosa, eh, crença de que uma criança menor é mais fácil.

07:20

Speaker B

Eu vou acompanhar.

07:21

Speaker B

Eh, uma idealização, normalmente, de filiação, vem sempre com uma criança, eh, menor.

07:30

Speaker B

Então, existe esse perfil.

07:33

Speaker B

Hoje, em Brasília, a gente tem o perfil tá um pouco mais amplo, né?

07:40

Speaker B

Não, não, a gente não tem tanto esse perfil de bebê, eh, menina até 2 anos, né?

07:47

Speaker B

Hoje, Brasília, a gente tem um trabalho, eh, uma, uma faixa maior.

07:55

Speaker B

Foi ampliada, porque foi feito um trabalho, o judiciário fez um trabalho, o Aconchego fez um trabalho de conscientização das pessoas para que, realmente, ampliasse essa, essa faixa, né?

08:03

Speaker B

De idealização de filhos.

08:05

Speaker A

E Doutora Karini, a gente sabe que tem tido muitas campanhas pela adoção tardia.

08:11

Speaker A

Adoção de irmãos.

08:13

Speaker A

Tem mudado um pouco a cultura do adotante?

08:18

Speaker C

Sim, como a Soraya trouxe pra gente.

08:20

Speaker C

É, eu falaria, ela falou no início que seria fácil adotar juridicamente.

08:24

Speaker C

Eu já falaria assim, olha, é mais fácil na Mega Sena.

08:26

Speaker C

Porque, realmente, é uma lista de documentos que a lei exige grande, é um acompanhamento que se faz, que a pessoa tem que ter muita dedicação, é, muita, é, paciência e, e entender que não é porque deu entrada na habilitação hoje que vai sair essa habilitação, igual a lei fala em 120 dias, porque dificilmente vai sair nesse período, né?

08:35

Speaker C

É, agora, tem prioridade para habilitar quem deseja grupo de irmãos, crianças com algum tipo de deficiência.

08:43

Speaker C

E, e isso tem aberto.

08:45

Speaker C

E até mesmo os acompanhamentos prévios nesses grupos de apoio à adoção antes da habilitação.

08:50

Speaker C

Tem, assim, aberto a cabeça das pessoas para que, para formar uma família, não é só com bebezinho, né?

08:56

Speaker C

É, você forma com crianças, com adolescentes, da forma que você escolher.

08:59

Speaker A

Bom, a gente vai fazer uma rápida pausa aqui na nossa conversa.

09:04

Speaker A

O Artigo 5º vai ao intervalo.

09:07

Speaker A

A gente volta já.

09:12

Speaker A

O Artigo 5º está de volta.

09:15

Speaker A

Hoje falando sobre adoção e os requisitos legais e as etapas para adotar uma criança ou adolescente.

09:23

Speaker A

Eu continuo conversando sobre esse tema com Soraya Pereira, que é psicóloga clínica e social e presidente do grupo Aconchego.

09:30

Speaker A

E também com Karini Abritta, que é defensora pública do Distrito Federal.

09:34

Speaker A

Doutora Soraya, o apoio que é dado pelos grupos de adoção, os cursos que são feitos.

09:43

Speaker A

Isso, de que forma que isso ajuda a preparar a pessoa para tudo que ela vai enfrentar ali na frente?

09:51

Speaker B

A parte jurídica, ela corre, né?

09:52

Speaker B

Tem todo um trâmite, tem, né?

09:55

Speaker B

O tempo certo.

09:56

Speaker B

E o tempo do ser humano é um outro tempo.

09:59

Speaker B

Então, frequentar um grupo de, de apoio à adoção te dá, eh, mais clareza.

10:06

Speaker B

Te dá mais recursos e vivências com situações que vão acontecer, que não dá pra gente fugir, eh, no dia a dia de quem tem uma, uma família, eh, formada por adoção, né?

10:13

Speaker B

Um exemplo, as escolas ainda hoje pedem foto das crianças na barriga da mãe, né?

10:15

Speaker B

Então, nós, né, não temos essas fotos que eles pedem.

10:18

Speaker B

Às vezes eles pedem o nome, eh, quem escolheu o seu nome, né?

10:22

Speaker B

Quem adotou criança um pouco mais velha, né, não foi escolhido esse nome.

10:29

Speaker B

Até tem chance de mudança de nome no processo de adoção, mas a gente, né, eh, faz o possível para que não mexa nessa identidade, porque é uma identidade, né?

10:35

Speaker B

Então, eh, existe essa, os grupos foram formados justamente para isso, para te dar um apoio, para formar uma rede que, que possa te dar essa sustentação nesse caminhar e nessa, nessa construção de, do papel, né?

10:36

Speaker B

De, em função de mãe e pai.

10:42

Speaker A

E a gente falou aqui do perfil que o adotante busca.

10:48

Speaker A

Mas qual é o perfil da criança que está à espera de um pai e de uma mãe?

10:53

Speaker C

Varia muito.

10:54

Speaker C

Porque quando é bebezinho, ali, normalmente, foi exatamente a extinção voluntária do poder familiar.

11:00

Speaker C

Os pais decidiram, eh, dar o, o bebê para adoção.

11:03

Speaker C

Fora isso, normalmente, a família, eh, luta para recuperar essa criança de alguma forma.

11:10

Speaker C

É, não tem condições, ou se declara a extinção do poder familiar, decreta a destituição do poder familiar.

11:19

Speaker C

E essa criança maior ou esse adolescente vai para adoção, muitas vezes sem nem saber por que que ele tá naquela instituição de acolhimento.

11:30

Speaker C

E assim, isso aí cria, talvez, nessa criança, uma expectativa, às vezes, até de voltar para uma família de origem, né?

11:38

Speaker C

O que nem sempre é possível.

11:40

Speaker C

Ou porque a família não existe, ou porque a família não tem a mínima condição de exercer essa parentalidade com responsabilidade.

11:45

Speaker C

Mas o imaginário de uma criança e um adolescente, né?

11:50

Speaker B

Então, são, é, esse é o perfil, né?

11:53

Speaker B

São crianças maiores.

11:55

Speaker B

Crianças com necessidades de, um maior cuidado.

11:59

Speaker B

Eh, são grupos de irmãos.

12:01

Speaker B

E, e são crianças, eh, que já viveram muito tempo, né?

12:09

Speaker B

Que antes, eh, bem antes, né, existia um gargalo que era assim.

12:14

Speaker B

Eu, eu podia ter um, eu tinha um filho, eu não dava conta de ficar com esse filho, eu deixava numa instituição.

12:20

Speaker B

Aí eu tinha um segundo filho, não dava conta, deixava na instituição.

12:24

Speaker B

Tinha um terceiro filho, não dava conta, deixava na instituição.

12:27

Speaker B

Depois disso, né, começou-se a, entrou a lei e falou, olha, não dá pra ser desse jeito, né?

12:32

Speaker B

Vamos, eh, arrumar essa bagunça.

12:34

Speaker B

E, então, assim, como a senhora disse, o estudo, então, busca-se estruturar essa família.

12:42

Speaker B

Nós temos, nós temos, realmente, uma, uma, uma deficiência de políticas públicas, né?

12:47

Speaker B

Então, hoje, tá se, tá, assim, os profissionais que trabalham nas instituições de acolhimento, né?

12:54

Speaker B

Eh, eles estão mais, eh, conscientes da importância de se dar esse suporte para a família.

13:03

Speaker B

Porque no ECA diz que, preferencialmente, essa criança tem que estar na sua família de origem.

13:07

Speaker A

E o que que o judiciário tem feito, Doutora Karini, para acelerar essa fila?

13:15

Speaker A

Porque a gente sabe que tem mais, eh, famílias querendo adotar uma criança do que crianças já aptas, eh, habilitadas ali para serem adotadas.

13:21

Speaker A

O que que tem sido feito para, além de promover esse encontro, acelerar essa fila?

13:26

Speaker C

Pois é, eh, a lei determina que uma criança não deve ficar numa instituição de acolhimento mais do que um ano e seis meses.

13:30

Speaker C

São 18 meses, a cada 18 meses, se uma criança estiver lá, o juiz tem que justificar para o CNJ por que que essa criança tá lá.

13:35

Speaker C

Mas um processo de destituição, ele tem que ser mais rápido ainda.

13:40

Speaker C

Se já se esgotaram todas as possibilidades dessa criança ficar na família biológica, essa criança vai ser cadastrada para adoção.

13:50

Speaker C

Os pais, eh, vão fazer a defesa se quiserem.

13:54

Speaker C

Vão, eh, talvez até, quando forem proibidos de visitar a criança no abrigo, tomar outras providências para recuperar essa criança.

14:05

Speaker C

Mas o ideal é que uma criança que esteja no abrigo, tenha a situação dela definida dentro desse período de um ano e seis meses.

14:10

Speaker C

Se não for definida, eh, normalmente, ou ela retorna para alguém, para algum familiar, ou para os pais, ou para algum familiar, ou ela é cadastrada, realmente, para adoção.

14:18

Speaker C

A criança pequena, ela é ouvida pela equipe técnica das instituições de acolhimento.

14:23

Speaker C

E nem sempre a vontade dela é muito considerada.

14:30

Speaker C

Então, muitas vezes a adoção pode não dar certo também, porque a criança não queria ser adotada.

14:37

Speaker C

Ela queria, às vezes, voltar para a família de origem.

14:40

Speaker A

Agora, Doutora Karini falou aqui, Doutora Soraya, da questão da adoção, às vezes, não dá certo.

14:48

Speaker A

Uma família, como a senhora disse, tem que pensar muito bem antes, porque adotar uma criança e depois não dá certo, acontece o caso de devolver, isso é extremamente prejudicial para a criança e para o adolescente.

15:00

Speaker B

Quando não dá certo, realmente, é, é, é outro trauma, né?

15:05

Speaker B

Porque, é, assim, e, normalmente, a criança acha que o problema é dela.

15:12

Speaker B

E, muitas vezes, está no adulto.

15:14

Speaker B

Então, a gente tem que estar atento que, muitas vezes, essa, essa criança, ela vai se sentir culpada.

15:23

Speaker B

Dali pra frente, vai ser difícil ela estar aberta para acreditar.

15:28

Speaker B

Porque ela, ela já, já foi ferida uma vez, passando uma segunda vez.

15:30

Speaker B

Já tá difícil, né?

15:32

Speaker B

Ela acreditar nesse, no, no adulto.

15:34

Speaker B

Então, a gente tem que tomar cuidado, tá?

15:37

Speaker B

Então, essa devolução, ela, a gente tem que fazer o possível para que isso não aconteça, né?

15:43

Speaker B

Porque é muito, muito traumatizante para, para uma criança.

15:46

Speaker B

Mas acontece e, e aqui em Brasília, tá se pegando firme nessas devoluções, com uma penalidade.

15:52

Speaker B

Porque você tem que investir, realmente, na, na construção da, do vínculo.

15:57

Speaker B

Você tem tempo, você é o adulto.

15:59

Speaker A

Bom, vamos a mais uma pergunta de telespectador.

16:02

Speaker A

Vamos ver.

16:05

Speaker A

Doutora Karini, o que diz a lei?

16:08

Speaker C

Pois é, na verdade, a, a extinção voluntária do poder familiar.

16:14

Speaker C

Ela é permitida, mas pro, para as pessoas que estão habilitadas para adoção.

16:18

Speaker A

Mas ela pode entregar o filho para adoção sem nenhum problema?

16:23

Speaker C

Sem, é direito, tem direito, inclusive, ao sigilo do nascimento, se ela não tiver, eh, disponibilizado isso para ninguém da família.

16:30

Speaker C

Se ela quiser dar o filho para adoção, em vez de falar com algum avô, com um tio para criar, ela tem esse direito de dar esse bebê para adoção.

16:35

Speaker C

E vai ser rápida essa adoção.

16:37

Speaker C

O bebê não vai ficar muito tempo numa instituição de acolhimento.

16:40

Speaker C

Ninguém precisa, hoje em dia, abandonar o filho.

16:42

Speaker A

E Doutora Soraya, é feito também um acompanhamento psicológico ali, é importante isso depois da adoção consumada para poder ajudar no restante do caminho?

16:50

Speaker B

Sim, né?

16:52

Speaker B

Em Brasília, o Aconchego faz esse trabalho.

16:55

Speaker B

E, justamente, para essa troca, né, esse apoio, essa, eh, cumplicidade do dia a dia, do pertencimento e da, da história de vida, né?

17:02

Speaker B

Eh, são, são situações muito parecidas que as pessoas vivem.

17:07

Speaker B

E, e quando você conta a sua história, eu posso pegar um pouquinho dessa história e dar uma reformulada para que essa história também possa me ajudar.

17:14

Speaker B

Então, é essa, essa proposta do, né, dos grupos.

17:17

Speaker B

E aí tem um outro, porém, também em Brasília, né?

17:21

Speaker B

Que é, que é assim, existem as instituições em Brasília, onde as crianças vão.

17:27

Speaker B

E existe em Brasília a família acolhedora.

17:30

Speaker B

Então, às vezes, a criança, principalmente a primeira infância, em vez dela ir para uma instituição, ela vai para essa família acolhedora até que o processo dela seja resolvido, se ela volta para a família de origem, ou se ela vai, eh, para adoção.

17:39

Speaker A

Bom, a gente teria muito mais a conversar, mas, infelizmente, o nosso tempo chegou ao final.

17:43

Speaker A

Doutora Soraya, Doutora Karini, muito obrigada pela entrevista aqui.

17:46

Speaker A

Obrigada a você.

17:47

Speaker A

Eu agradeço também a sua companhia.

17:50

Speaker A

Você pode rever os programas nas nossas redes sociais.

17:54

Speaker A

Você encontra a gente pelo @radioetvjustiça.

17:58

Speaker A

Também estamos no YouTube, Twitter, Instagram e Spotify.

18:01

Speaker A

Até o próximo Artigo 5º.

18:03

Speaker A

Tchau.

Topics: adoção Brasil direito da criança processo de adoção busca ativa defensoria pública grupos de apoio à adoção adoção tardia adoção de irmãos Estatuto da Criança e do Adolescente

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